667 a. do assassinato de INÊS DE CASTRO, em 7 de janeiro de 1355. É um episódio da história de PORTUGAL revestido de intensa dramaticidade que, a par da conotação política, envolvendo interesses superiores da Nação portuguesa, ganhou espaço na lenda e a atenção dos poetas, entre eles CAMÕES, que lhe dedicou nada menos de 16 estrofes do CANTO III, no poema épico “OS LUSÍADAS”, no qual sintetiza, com admirável colorido, o triste fim daquela que “depois de morta foi Rainha”. Trata-se do célebre caso de amor, vivido pelo infante Dom PEDRO, filho mais velho do rei de PORTUGAL, AFONSO IV, que se apaixonou ardentemente por uma formosa dama espanhola, INÊS DE CASTRO, numa relação adulterina, enquanto era casado com CONSTANÇA DE ARAGÃO, tornando-se amante ostensivo, após a morte da esposa, para maior escândalo da Corte, preocupada com o destino da Coroa. Com o falecimento de dona CONSTANÇA, em novembro de 1345, a relação amorosa de PEDRO e INÊS intensificou-se em COIMBRA, onde o viúvo passou a encontrar-se ostensivamente com sua comborça, correndo o boato de que os irmãos de INÊS pretendiam depor o monarca reinante, filho de AFONSO XI, a fim de oferecer a coroa ao infante, de maneira a comprometer a independência do País, então envolvido com graves problemas, como os decorrentes de lutas contra os muçulmanos, no Sul, por sinal derrotados na batalha travada junto ao RIO SALADO (1340). AFONSO IV convocou o Conselho de Estado para avaliar a crise, resultando dessa reunião a sentença de morte de INÊS DE CASTRO. O monarca, que se deslocara a MONTE-MÓR, o VELHO, resolveu ir a COIMBRA, onde vivia a amante do filho, para executar a pena capital, aproveitando a ausência de PEDRO, entretido numa caçada, nas imediações, como sempre fazia. Rodeada pelos filhos, INÊS implorou piedade ao REI, mas ele afinal autorizou a execução da mulher. D. PEDRO, ao tomar conhecimento da tragédia, resolve pegar em armas contra o pai, sendo, porém, demovido por sua mãe, com aparente pacificação de ambos e a promessa de perdão aos executores do nefando crime, que ceifou a vida de INÊS, provavelmente degolada por ÁLVARO GONÇALVES, meirinho-mor do REINO ou, como insinua o historiador JOÃO AMEAL, pelo “régio-algoz”, acompanhado de PERO COELHO e DIEGO LOPES PACHECO. Dois anos depois desse fato, com a morte do pai, D. PEDRO assume o trono (1357) e, passando em CANTANHEDE (1360) mandou lavrar no cartório do tabelião GONÇALO PIRES, uma declaração no sentido de que havia se casado com INÊS, mantendo em segredo esse casamento, para evitar maior desgosto ao régio genitor, aduzindo que tal consórcio realizou-se em BRAGANÇA, na presença de testemunhas. O jovem monarca combinou com o rei de CASTELA (D. PEDRO, o CRUEL), a repatriação dos assassinos de sua mulher, que se homiziaram naquele reino, em troca de alguns súditos espanhóis refugiados em PORTUGAL e, depois efetivada a troca, mandou matá-los em sua presença, com requintes de crueldade, com a retirada do coração de um deles, pelo peito, e ao outro, pelas costas, sem consumar essa tortura na pessoa de terceiro partícipe da execução, por ter ele escapado à sanha vingativa de D. PEDRO. Não se esquecendo de honrar os seus restos mortais, mandou construir um magnífico mausoléu em sua memória, com a imagem da mulher amada sobre a campa, de coroa na cabeça como se fosse rainha, no interior do MOSTEIRO DE ALCOBAÇA, junto do altar-mor, para ali trasladá-la, em cortejo fúnebre, com extraordinária pompa, do MOSTEIRO DE SANTA CLARA, em COIMBRA, onde o cadáver jazia, desde o seu passamento, ocorrido a 7 de janeiro de 1355.
D. PEDRO, cognominado “O JUSTICEIRO”,
teve um reinado de dez anos. Não completara 47 anos de idade, quando, numa
segunda-feira, de madrugada, a 18 de janeiro de 1367, veio a falecer,
fisicamente alquebrado. Seu corpo jaz, ao lado do mausoléu de INÊS, a quem
tanto amou, num sarcófago semelhante ao dela, que ele mandou projetar com a
mesma grandeza e nível artístico, no estilo gótico da época.

























































