NO MÊS DE NOVEMBRO DE
1.916 ( Há 102 anos) OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC pronunciou na
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ DISCURSO QUE MERECE SER RELEMBRADO POR ECOAR NOS
DIAS DE HOJE DIANTE DA REALIDADE ADVERSA QUE ASSOLA A BRASILIDADE EMBORA VISLUMBRANDO-SE
UM ALVÍSSARAS...
AOS ESTUDANTES DO
PARANÁ.
Carinhosamente acolhido
no seio desta Universidade, agradeço a honrosa animação que me é dada nas
consoladoras saudações que acabo de ouvir. Protestando a minha gratidão aos
lustres professores desta Casa, peço-lhes vênia para que as minhas palavras
sejam especialmente dirigidas aos alunos.
Quando me vejo entre os
moços da minha terra, sinto-me precipitado, como por um milagre, fora de mim
mesmo e do tempo em que vivo, deslocado da minha idade, arrojado para uma
época vindoura: já não me vejo no Brasil
de hoje, ainda em formação confusa, mas no futuro em que ele viverá completo e
glorioso.
Entre vós, moços do
Paraná, ganho a vossa mocidade, tomo para mim a vossa esperança e a vossa
coragem e sinto em vós e em mim o Brasil
de amanhã. Obrigado pelo bem que me faz a vossa amizade; e sede benditos, pela
glória que dareis à nossa Pátria.
Permiti que vos dê
alguns conselhos de amigo e de irmão mais velho. Não quero pregar-vos
patriotismo por que conheço pelo nobre clarão que há nos vossos olhos, o
incêndio de fé que lavra nas vossas almas.
Desejo, porém, avisar-vos que o verdadeiro patriotismo não deve ser
impulsivo e cego: deve ser consciente e raciocinante; não deve ser feito
somente de crença e de orgulho: deve ser feito também de susto, de sobressalto,
de cuidado e de vigilância.
A nossa vida atual está
rodeada de riscos, que, de um momento para outro, podem assalta-la. Para que
sejam conjurados os riscos externos é necessário que o corpo e a alma de cada brasileiro se armem de
energia e de disciplina, a fim de que a
coletividade, cimentada de coesão e de consciência, fique imune de qualquer
fraqueza a saldo de qualquer investida de aventura. E para que se anulem os
riscos internos – insubordinação nacional, descrença a apatia, desmando e cobiça
individual, desejo mórbido de vencer e subir depressa, amor exagerado do
descanso e do conforto, declive perigoso da tranquilidade para o ócio e da
facilidade para o luxo – é necessário que os homens mais cultos do país, os diretores do povo deem o exemplo
do sacrifício e do desapego das ambições.
Quando entrardes na vida pública, moços de hoje, políticos de
amanhã, praticai e ensinai a virtude máxima do homem: o desinteresse.
Foi por falta de
desinteresse que muitos e muitos brasileiros da minha idade, como eu,
desertaram durante longo tempo o culto cívico e esqueceram pelo serviço quase
exclusivo da glória individual e da comodidade própria o serviço sagrado da
Pátria. Foi por falta de desinteresse dos cidadãos e dos governos que o Brasil
chegou a perder o antigo brilho e a força antiga com que os nossos maiores o
colocaram durante muito tempo na vanguarda de todos os países do
continente.
O verdadeiro patriotismo, o patriotismo que deveis compreender e
cultivar é, antes de tudo, a renuncia do egoísmo.
Nada valemos por nós,
individualmente. Valemos muito, e tudo pela nossa comunhão. Todos valemos pelo bem que damos à Pátria. Os poetas
que lavram as almas e os políticos que dirigem os povos, não valem mais do que
os agricultores que aram a nossa terra e os pastores que guardam os nossos
gados.
Não vos orgulheis do
fulgor da vossa inteligência; mas contentai-vos da satisfação inteira que vos
der o cumprimento do dever. A virtude é mais natural e mais bela do que o
talento. A bondade é mais espontânea e mais fecunda do que a sabedoria. Nem todos os homens são capazes de
ter gênio; mas todos os homens são capazes de ter honra e misericórdia.
Sede bons, fortes
e justos; e abnegai-vos! Devemos todos fluir e desaparecer; com a
nossa força e com a nossa abnegação, como os arroios se perdem nos rios e como
os rios se dissipam no oceano.
Quando desaparecermos da
terra, nela ficaremos, não com os nossos
nomes passageiros e com as nossas fisionomias fugitivas, mas com o suor, o
sangue, as lágrimas que tivermos deixado sobre este solo e com os gestos de
energia, os atos de nobreza, as palavras de justiça e de ternura que tivermos
semeado sobre o grande seio da Pátria, nossa mãe e nossa filha ao mesmo tempo, mãe pela vida que nos deu e
filha pelo amparo que recebeu do nosso esforço carinhoso.
Praticai e ensinai o desinteresse! O desinteresse é um maquinador de milagres.
Grandes almas, verdadeiras, são as abnegadas que se anulam e dissipam em
outras. A alma que em parte se suicida
na vibração de outras, desdobra-se e multiplica-se. Desse desdobramento e dessa
multiplicação de corações altruístas é que nascem as grandes pátrias.
Sede bons e justos!
E sede, também, serenos – para que possais desprezar as injúrias e as
calúnias, com que os mesquinhos e os maus sempre procurarão deturpar o vosso
pensamento, enlamear a vossa nobreza e infamar o vosso desprendimento!
Vivei, meus amigos, com o coração cheio de fé, com o cérebro
cheio de luz, com o corpo cheio de saúde!
Fugi da tristeza e das ambições pequenas; conservai a vossa
alegria e a vossa modéstia; e, quando ficardes tristes e desanimados, reagi e
inventai bom humor, ânimo, entusiasmo, nova coragem e nova bondade, para que os
vossos amigos se consolem com a vossa companhia e para que os vossos inimigos
não se rejubilem com a vossa deserção.
Crede e esperai! Crer e
esperar é querer. Querer é realizar. Que
Deus e a Pátria vos protejam!
Extraído do opúsculo
“A DEFESA NACIONAL” Discursos –
Editora Biblioteca do Exército – 1.965 – Rio de janeiro em comemoração do
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE OLAVO BILAC, em homenagem ao futuro GOVERNO JAIR
BOLSONARO e à brilhante escolha do Juiz SÉRGIO MORO para o MINISTÉRIO DA
JUSTIÇA. Curitiba, 04/11/2.018 – Associação Paranaense MMDC 32 e Heróis do
Cerco da Lapa.