138
a. nasce o GENERAL EUCLYDES FIGUEIREDO, no RIO DE JANEIRO, a 12 de novembro de
1883. Filho de JOÃO BAPTISTA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO, veterano da GUERRA DO
PARAGUAI, permitiu-lhe a entrada no Colégio Militar do RIO, de onde rumou para
a Escola Militar. Quando cadete, tomou parte, com seus colegas, na chamada
“revolta da vacina obrigatória”. O que importou em seu desligamento do corpo
discente, sendo anistiado, com os demais, no ano seguinte. Quando alferes, em
1911, mereceu ir aperfeiçoar-se na ALEMANHA, onde permaneceu dois anos num
regimento de cavalaria em OHLAU, na PRÚSSIA ORIENTAL. De regresso ao BRASIL,
com outros jovens tenentes que igualmente haviam servido na ALEMANHA – BERTOLDO
KLINGER, GENSERICO DE VASCONCELOS, AUGUSTO DE LIMA MENDES e outros, os chamados
“jovens turcos” – fundou a revista “DEFESA NACIONAL”, que propugnava pela
modernização do Exército. Tido como “civilista” durante a campanha de RUY
BARBOSA e do MARECHAL HERMES DA FONSECA, nem por isso seus estudos no Exército
Alemão deixaram de influir na organização militar brasileira da época. Tomou
parte nas lutas do CONTESTADO, aí recebendo uma medalha de mérito por ter salvo
a vida de um soldado. Pouco antes de partir para o PARANÁ, casou-se com
VALENTINA BASTOS DA SILVA, filha do médico GUILHERME ALVES DA SILVA, de
destacada atuação no combate à febre amarela na cidade de CAMPINAS. De volta ao
RIO, foi instrutor na ESCOLA MILITAR DO REALENGO e, graças ao respeito e à
estima que lhe dedicavam os cadetes, pode, em 1922, debelar o movimento de
rebeldes daquele educandário. Do 1º Regimento de Cavalaria Divisionário, onde
serviu como capitão, passou ao gabinete do Ministro da Guerra, general
SETEMBRINO DE CARVALHO, tornou-se aí amigo do capitão PALIMÉRCIO DE REZENDE,
figura do mais alto relevo na Revolução Constitucionalista de São Paulo. Em
1923, sua dedicação pessoal logrou que as facções em luta no RIO GRANDE DO SUL,
a do presidente BORGES DE MEDEIROS e a de seu opositor ASSIS BRASIL, voltassem
à paz, assinando seus chefes o “TRATADO DE PEDRAS ALTAS”. Em 1930, a Revolução
de 3 de outubro o surpreende na cidade de SANTANA DO LIVRAMENTO, onde, como
coronel, comandante da 2ª Divisão de Cavalaria, se encontrava em inspeção.
Preso, recusou-se a voltar ao serviço ativo e imediatamente iniciou a
conspiração contra o Governo Provisório que levaria ao Movimento de 9 de julho
em SÃO PAULO, tendo aí comandado a 2ª DIVISÃO DE INFANTARIA EM OPERAÇÕES. É a
história do Movimento e da DIO que EUCLYDES FIGUEIREDO contaria em sua
Contribuição para a HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA. Exilado, primeiro
em LISBOA, depois em BUENOS AIRES, continuou conspirando, na esperança de nova
ação contra o GOVERNO PROVISÓRIO, partindo do Rio Grande do Sul. Sobrevindo a
anistia e a aceitação de convocação de uma Assembléia Constituinte pelo Governo
Ditatorial, o que inegavelmente representava uma vitória dos ideais paulistas,
EUCLYDES FIGUEIREDO regressou do exílio e, com PALIMÉRCIO DE REZENDE,
candidatou-se a deputado federal, em vagas que, a ambos, o Partido Republicano
Paulista oferecera em sua chapa. Não conseguindo êxito, fundaram uma firma de
engenharia, PALIMÉRCIO & FIGUEIREDO, cujo nome mal ocultava a sede de nova
conspiração, iniciada ante a visível burla que se armava contra o nem bem
iniciado período constitucional do governo VARGAS. O golpe comunista de 1935
truncou essa conspiração – e foi fator decisivo para levar o BRASIL ao regime
totalitário, de molde fascista, o “ESTADO NOVO”. EUCLYDES FIGUEIREDO voltou a
conspirar. Preso em novembro de 1937, solto e novamente detido em março de
1938, aquiesceu juntamente com ARMANDO DE SALLES OLIVEIRA, OCTÁVIO MANGABEIRA e
outros, em apoiar a tentativa de deposição de GETÚLIO VARGAS, promovida por
dissidentes do INTEGRALISMO e adversários democratas do ESTADO NOVO. Condenado
pelo Tribunal de Segurança Nacional a quatro anos de reclusão, foi cassada a
patente de Coronel, decretada sua morte, passando sua esposa à condição de
“viúva”, e dois de seus filhos, EUCLYDES e DIOGO, à condição de “alunos órfãos”
do Colégio Militar. Da CASA DE CORREÇÃO, onde esteve quase dois anos, e da
FORTALEZA DE SANTA CRUZ, mandava clandestinamente artigos de comentários da
guerra que O JORNAL publicava sob assinatura de UM OBSERVADOR MILITAR. Do mesmo
modo, colaborou anonimamente ao JORNAL DO COMÉRCIO.
Libertado
em 1942 graças a uma petição de “livramento condicional” que não assinou – e
cuja ata de libertação também se recusou a assinar – foi eleito deputado à
Constituinte de 1945, pelo Distrito Federal, na chapa da UNIÃO DEMOCRÁTICA
NACIONAL. Sua atuação nessa Assembléia e no legislativo subseqüente está
marcada por várias proposições, por um trabalho tenaz como membro de comissões
da Câmara Federal, pela apresentação do ante-projeto de Lei de Direitos
Autorais elaborado pela Associação Brasileira de Escritores, e por um projeto
de extinção da Polícia Especial, o órgão de repressão remanescente do ESTADO
NOVO utilizado para dissolver um comício popular.
Terminado
seu mandato e não logrando eleger-se senador, votou às atividades de
engenheiro. Aceitou dirigir em SÃO PAULO a Companhia Municipal de Transportes
Coletivos – CMTC –, cargo que abandonou denunciando as irregularidades que ali
surpreendera. Não mais voltou à política. Faleceu em CAMPINAS, a 20 de dezembro
de 1963, deixando os filhos GUILHERME, advogado e jornalista; JOÃO BAPTISTA,
EUCLYDES e DIOGO, militares; LUIZ FELIPE, dentista; e MARIA LUIZA, casada com o
médico RAFAEL PEREIRA DA SILVA.
































































































































































