SPPREV – IN MEMORIAN
Num primeiro momento, parece ser difícil entender a razão
pela qual os policiais militares e seus pensionistas vêm encontrando obstinada
resistência da São Paulo Previdência – SPPREV em reconhecer os direitos que
lhes são assegurados a partir da vigente Constituição Federal. Contudo, se
recuarmos no tempo, iremos constatar que o falecido governador Mario Covas, que
inaugurou a dinastia do PSDB em São Paulo, antes de assumir o seu mandato,
houvera apresentado projeto de extinção total e sumária da Polícia Militar,
ressalvando aos seus ex-componentes a possibilidade de serem aproveitados nos
quadros da Polícia Civil, desde que comprovassem idoneidade moral. Assim,
pode-se observar claramente que cada ato do atual governador Geraldo Alckmin,
discípulo e sucessor de Covas, seja praticado por si ou por integrantes da sua
administração, quando envolve integrantes ativos ou inativos da Polícia Militar
do Estado de São Paulo ou seus pensionistas, vem impregnado de intenções
deletérias, discriminatórias, injuriosas, nascidas de um projeto rejeitado que,
nada obstante, permanece acalentado pelos atuais governantes. Certo é que o
atual governador não declarou intenção de extermínio da Milícia, como o fez o
seu antecessor e padrinho político. Entretanto, o tratamento dispensado à
Polícia Militar demonstra claramente que o aniquilamento da Corporação ou, na
pior da hipóteses, a sua humilhação, o seu desprestígio, o seu apequenamento
certamente serão havidos como façanha praticada “in memorian” do desaparecido mentor do projeto de extinção da
sesquicentenária Milícia Bandeirante. Para confirmação do aqui mencionado,
basta que o policial militar inativo leia em seu primeiro hollerith expedido
pela SPPREV as respeitosas palavras ali inseridas, a título de alerta, de
advertência, a respeito de como será
recebido e tratado pela
Autarquia: Cargo Ex-Servidor.
Com isso, nivela-se aquele que ingressou na inatividade após a prestação, por
trinta ou mais anos, de honrado e dedicado serviço à Corporação e à sociedade,
àquele que foi expulso, a bem do serviço público, por prática de ato
incompatível com a função. Isso é simplesmente afrontoso. A propósito, oportuno
seria mudar o nome da atual Diretoria de Benefícios Militares – DBM, para
Diretoria de Resíduos Sólidos – DRS. Ou, simplesmente, LIXÃO, que é o destino
dos objetos inservíveis, imprestáveis, descartáveis. Assinale-se que, para
garantir a apresentação de tão prestimoso atendimento, a SPPREV contratou os
serviços do Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT pela módica
quantia de cinquenta milhões de reais, para fazer o que a Caixa Beneficente da
Polícia Militar fazia com seus próprios e exíguos recursos humanos. Enfim, a
SPPREV não titubeia em afrontar a lei, negar direitos, para satisfação dos seus
mais espúrios objetivos, através da prática de atos de improbidade
administrativa que resultam na malversação de dinheiro público.
SP,
06.12.2013