EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA.
29 a. da QUEDA DO MURO DE BERLIM, em 9 de novembro de 1989. Erguido em
agosto de 1961, o MURO DE BERLIM, que dividia a cidade em duas, foi o maior
símbolo da GUERRA FRIA, que separou o mundo em dois blocos: os aliados dos EUA
e os sob influência da UNIÃO SOVIÉTICA. Com a decadência desta última, na
década de 1980, o muro caiu. Era o fim da guerra fria. A ALEMANHA COMUNISTA
amanheceu naquele 9 de novembro sob tensão, na expectativa do reflexo das
demissões e da pressão da população. Cerca de 60 mil pessoas já haviam fugido
para países do Ocidente, sobretudo para a ALEMANHA OCIDENTAL, pela HUNGRIA,
desde a abertura das fronteiras do país vizinho, em setembro. Apesar da pressão
da população e da imprensa internacional, o governo permanecia impassível e não
havia sinais, naquele dia, de que algo iria acontecer. Não havia sequer um
pronunciamento durante todo o dia, como se nada estivesse ocorrendo. Para os
alemães, parecia que o dia iria terminar sem novidade. Às 19 horas, em uma
entrevista coletiva, transmitida ao vivo pela emissora de TV alemã-oriental, o
porta-voz do partido comunista, GUNTHER SCHABOWSKI, surpreende a todos e
anuncia uma lei que permite aos cidadãos viajar para a ALEMANHA OCIDENTAL
livremente. A lei começava a vigorar, segundo ele, imediatamente. A declaração
de SCHABOWSKI coloca o governo num beco sem saída e antecipa os planos de abrir
as fronteiras. Na verdade, SCHABOWSKI havia acabado de chegar de viagem e
recebeu a missão de anunciar a lei poucos minutos antes da coletiva. Não estava
seguro sobre os detalhes práticos e, pressionado, falou de improviso. A notícia
da abertura da fronteira se espalha rapidamente e a cidade entra em euforia.
Depois de 28 anos sem poder passar para o lado ocidental, as pessoas saem de
suas casas para ver de perto a abertura dos portões. Cerca de um milhão de
cidadãos se reúnem do lado oriental da fronteira. As ruas estão tomadas,
sobretudo o centro de BERLIM, com 500 mil pessoas diante do muro. De todo lado
chega mais gente, a pé ou a bordo dos TRABANTS e WATBURGS – carros de produção
local, únicos que os alemães-orientais podiam adquirir – de BERLIM ou de outras
cidades, como LEIPZIG. O governo ainda não sabe o que fazer. Diante da multidão
querendo passar, os policiais abrem os portões. Além dos policiais, havia 20
fiscais em cada posto. O portão de BORNHOLMER STRASSE, no subúrbio, abre
primeiro. Depois, o de BRANDEBURGO, no centro da cidade. Às 23 horas, o muro
está tomado. Alemães-ocidentais e orientais festejam. As pessoas sobem e dançam
em cima do muro. Começam a se formar filas de carros para atravessar a
fronteira, que chegam a mais de 100
km . A passagem só é permitida na manhã do dia seguinte,
quando mais de dois milhões de cidadãos do Oriente passam pela fronteira.
Alemães tentam destruir o muro com picaretas e outras ferramentas. O gesto é
apenas simbólico. Em 13 de junho de 1990, o governo manda 300 soldados que
levam seis meses para derrubar o muro. Em 3 de outubro, o chanceler HELMUT KOHL
decreta a reunificação da ALEMANHA.









