“09 DE JULHO”
REINALDO BRESSANI – MTb 57.696
O povo paulista precisa saber
- E não só ele, mas o país inteiro -,
De um fato que foi decisivo,
Tanto quanto, à história, verdadeiro.
Um dia, uniu-se convicção e denodo,
Em razão de seus pátrios ideais,
Afrontados pela tirania atroz,
Que à liberdade, era dura demais.
Augusta epopeia paulistana, quando,
Heróis o seu sangue derramaram
Pela justa causa da liberdade,
Na qual eles tanto acreditavam.
Sucumbiram à batalha, é verdade,
Mas, também, não perderam a causa.
Devolveu-se à pátria, a democracia,
Inda que, no entanto, por breve pausa.
São Paulo, com sua fibra, não se calara.
Mostrara aos quatro cantos do Brasil,
Exemplo de sua pungente vocação:
Lutar e morrer para não ser servil.
E morreram seus mártires/heróis.
E não foram apenas seus soldados,
Mas, gente de seu povo unido.
Todos voluntários civis... Chamados.
Povo que ouviu o apelo do coração.
Que ouviu o apelo da liberdade.
Homens, mulheres, crianças... Todos,
Com suas almas cheias de garbosidade.
Aí porque, esse momento tão sublime,
Precisa, por nós, ser lembrado.
Lembrado não só como um marco histórico,
Mas, de vigília ao bem mais sagrado.
Portanto, você que é paulista.
Você que é brasileiro e de paz,
Lembre-se de aplaudir “32”
- Movimento cívico, real, tenaz,
Que, impávido, ousou peitar o déspota.
De maneira entusiasta... Viril!
Uníssona voz contra a opressão
- Ato de democrático amor... Febril!
É por essa razão que “09 de Julho”
Reveste-se da síntese do patriotismo,
E deve ser comemorado por todos,
Face ao voo majestoso do idealismo.
Salve a liberdade democrática.
Salve o sagrado poder de ir-e-vir.
Salve nossos heróis bandeirantes,
Aos quais devemos, sempre, aplaudir.
O DESPERTAR CÍVICO
REINALDO BRESSANI MTb 57.696
Em trinta e dois nosso Estado sucumbiu.
Mas, da esperança, a chama floresceu.
O constitucionalismo derrotado,
Qual Fênix, logo, das cinzas renasceu.
O sagrado direito à liberdade,
Usurpado, fora ferido de morte.
Mas, a oportuna bravura paulista,
De indômito clamor, reverteu a sua sorte.
Sóbrias visões de uma nação agrilhoada
E sufocada por cruel saga tirana,
Açoitavam a consciência dos paulistas,
Ainda mais, sem sua Carta Soberana.
O ir-e-vir logo se viu atrofiado.
Voz jogada nas brumas da profundeza.
Terrível sorte fora imposta ao Brasil.
Sem liberdade – a nossa maior riqueza.
Então São Paulo, como esteio da nação,
Mobilizou-se e insurguiu-se prontamente.
Ergueu-se em armas contra tudo e contra todos.
Plantou um altar entrincheirado com sua gente.
E evocando a tradição dos bandeirantes
- Sempre viçosa nos corações paulistas -,
Seguiu impávido à luta que acreditava
Ser causa justa de morrer de um idealista.
E, sob o som da marcha “Paris-Belfort”,
Foi à luta contra as tropas federais.
Forjado da sigla M.M.D.C,
O movimento explode por ideais.
Explode a revolução do civismo.
Da grandeza superior dos valores
De um povo que sempre quis a Pátria Livre,
E vibra com a esperança de suas cores.
Mas, apesar da disposição e bravura,
Vergou-se à capitulação e ao armistício.
Noventa dias de tragédias comoventes,
Sem, no entanto, ser em vão o sacrifício.
Semeou uma nova constituição,
Difundindo seus ideais de liberdade.
Trouxe a implantação do voto secreto,
E, às mulheres, o direito de igualdade.
Outro fruto foi a Justiça Eleitoral,
Que consolidou o processo democrático.
Foram conquistas que mudaram o país,
Com regramento de conceitos pragmáticos.
São Paulo, traído, sucumbiu sim, às armas.
Mas sua derrota trouxe a vitória moral.
E esta, direitos inalienáveis ao povo,
Máxime a liberdade... Luz capital.
É por isso, que a Revolução de trinta e dois,
Deve ser sempre lembrada com orgulho,
Pois ela nos trouxe o despertar cívico,
Com a trincheira plantada em mês de julho.
Magnífica alma paulista, que na fé,
Pela democracia, pelejou, sangrou.
Foi grito sufocado daquela epopéia.
Porém, com orgulho, sua bandeira elevou.
Salve a veemência daqueles herois,
Que nasceram do sagrado chão paulista.
Salve essa liberdade entrincheirada,
Que ao futuro desta pátria foi conquista.
TRINCHEIRA TREZE-LISTRAS
REINALDO BRESSANI
Treze-listras sobre o peito
Ondeando a voz calada.
Pois, por sua pátria livre,
Foi lutar sua cruzada.
Não curvou ante o arbítrio
De um déspota ensandecido.
À liberdade deu a vida,
Nosso soldado aguerrido.
Não importa se Miragaia,
Camargo, Dráusio ou Martins.
Pois, cada um teve seu brio...
E virtudes até o fim.
Com seu orgulho altruísta -
Firme qual barra de aço -,
Conduziu-se na grande luta,
Com coração... O seu traço.
Foi guerreiro de ideais.
Foi trincheira de valores.
Foi vontade solidária.
Foi paulista, sim senhores.
Trincheira de nossa glória.
Bandeira de nós paulistas.
Seu gesto será lembrado,
E o seu nome... Idealista.