72 a. do elogio à conduta dos generais
CANROBERT e JUAREZ TÁVORA, pelo GENERAL ZENÓBIO DA COSTA, ministro da GUERRA,
durante a reunião de 15 de agosto de 1954, no CLUBE MILITAR, dizendo que “deles
nunca seria possível esperar uma traição”. E que “era necessário, antes, apurar
o crime”. Finalizou dizendo “Pode o país ficar certo de que, em defesa da
Constituição, agirei com toda a presteza e rigor. Este é o meu papel e eu o
cumprirei até o fim”.
GREGÓRIO FORTUNATO foi
conduzido, detido, do PALÁCIO DO CATETE para o Hospital Central da MARINHA, na
ILHA DAS COBRAS, onde ficou severamente vigiado por fuzileiros navais e posto
incomunicável. Alegando que sofria gravemente do coração, realizou vários
exames, inclusive um eletrocardiograma com várias derivações, e ficou
comprovado que seu coração era perfeito. Depois, sob forte escolta, foi
transferido para a BASE AÉREA DO GALEÃO, sendo interrogado por membros da
Comissão de Inquérito Policial Militar, durante a qual chegou a chorar.
O pistoleiro ALCINO JOÃO DO
NASCIMENTO foi submetido a severo interrogatório pelos oficiais da Aeronáutica,
responsáveis pelo IPM, no GALEÃO. Alguns pontos do depoimento não puderam ser
divulgados pela imprensa por motivo de sigilo. NELSON RAIMUNDO, o motorista do
automóvel utilizado no atentado, reconheceu ALCINO como um dos passageiros que
conduziu até COPACABANA na madrugada dos trágicos acontecimentos. O jornalista
CARLOS LACERDA, que também compareceu à base militar na ILHA DO GOVERNADOR, foi
acareado com ALCINO, reconhecendo-o como um dos participantes por sua
compleição física.
O deputado GUSTAVO
CAPANEMA, líder do governo na Câmara Federal, pediu ao MARECHAL DUTRA que
retirasse a declaração que havia dado para o jornal de LACERDA, TRIBUNA DA
IMPRENSA, favorável à renúncia de GETÚLIO VARGAS. O ex-presidente da República
recusou-se e afirmou que “não costumava desdizer o que realmente achava e
reiterava que era o único caminho constitucional para a restauração da paz e da
autoridade no BRASIL”. Os deputados “dutristas” telegrafaram solidarizando-se
com sua atitude. Na BAHIA, foi preso o TENENTE-CORONEL do Exército CARLOS FARIA
DE ALBUQUERQUE, porque num comício exigiu a renúncia do presidente.
Dirigentes sindicais
contrários ao governo recusaram-se a assinar um memorial de solidariedade ao
presidente GETÚLIO VARGAS, segundo eles, redigido “pelos pelegos” do Ministério
do Trabalho. A oposição acusou o governo de ter mandado buscar no RECIFE o capanga
PEREIRÃO, que lá se encontrava a serviço do ex-ministro JOÃO CLEOFAS, a fim de
reunir provas que responsabilizassem o industrial pernambucano ARMINDO MOURA,
que havia cometido suicídio alguns dias antes, como mandante do atentado na
TONELERO, para “salvar” LUTERO VARGAS.
Os advogados SOBRAL PINTO,
ADAUCTO LÚCIO CARDOSO e CELSO FONTENELLE redigiram um memorial, em que foi
“exposta e fundamentada juridicamente a posição do senhor GETÚLIO VARGAS em
relação ao atentado”, para ser encaminhado aos ministros militares e a seus respectivos
chefes de ESTADO MAIOR. Na realidade, a intenção era envolver o presidente no
crime da TONELERO.
Em BELO HORIZONTE, foi
realizado um comício organizado pela UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL (UDN) mineira,
exigindo a renúncia de GETÚLIO. Com o plano de complicar mais a situação e
instigar a população, os jornais ligados à oposição publicaram fotos em que se
viam os envolvidos no atentado: VALENTE, SOARES e CLIMÉRIO, ao lado do
presidente da República, inclusive em solenidades oficiais.
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