segunda-feira, 17 de agosto de 2026

72 ANOS DA EXONERAÇÃO DO MINISTRO DA AERONÁUTICA, BRIGADEIRO NERO MOURA, EM 16 DE AGOSTO DE 1954.

 


  72 a. da exoneração do ministro da Aeronáutica, BRIGADEIRO NERO MOURA (herói da Segunda Guerra Mundial, como comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça, -hoje o seu patrono-, “O SENTA PUA”, que lutou na ITÁLIA), que já vinha sendo “fritado”, no dia 16 de agosto de 1954. Dias antes, já havia colocado o seu cargo à disposição de VARGAS. Atribuindo-se sua saída à intimidade com o mandatário da Nação, de quem foi piloto durante o ESTADO NOVO e grande amigo da família; em consequência, adquiriu um enorme desprestígio entre seus companheiros da FAB após a morte do MAJOR VAZ.

Um fato grave foi a realização da reunião que o ministro da Guerra havia convocado, dias antes, em seu gabinete com seu colega da MARINHA e os chefes do Estado-Maior das três forças armadas. Quando o brigadeiro AJALMAR MASCARENHAS, chefe da Aeronáutica, verificou a ausência do ministro de sua pasta, indagou a ZENÓBIO o porquê de exclusão de NERO MOURA da reunião. Para a surpresa de todos, respondeu que “ele (NERO) estava demissionário, e por isso não havia sido convidado”. Ao que o ministro da MARINHA, RENATO GUILLOBEL, retrucou perguntando o porquê então da presença do GENERAL JUAREZ TÁVORA e do BRIGADEIRO EDUARDO GOMES na reunião, se os dois não eram ministros nem chefes de Estado-Maior. Dias depois, no PALÁCIO DO CATETE, durante audiência com o presidente VARGAS, NERO citou o ocorrido e afirmou: “ou o ZENÓBIO está traindo o senhor, ou é muito incapaz: ao invés de reunir os três ministros militares, está nos dividindo. No caso da Aeronáutica, não me convoca, e ainda diz que estou demissionário... sabe que não vou topar nenhuma manobra e quer me tirar”, e colocou o cargo à disposição do presidente. Ao descer a escada, NERO MOURA cruzou com ZENÓBIO DA COSTA, que conversava com ALZIRA VARGAS DO AMARAL PEIXOTO, filha do presidente, e o inquiriu rispidamente sobre a sua exclusão da reunião no Ministério da Guerra. ZENÓBIO tentou se defender, mas NERO, exaltado, não permitiu contemporizações, chamando-o em alto e bom som de “mentiroso e traidor”. A discussão tornou-se áspera, e só não terminou em vias de fato pela intervenção da própria ALZIRA e do ajudante de ordens do ministro da Aeronáutica, CAPITÃO AVIADOR NELSON GAMA E SOUZA. Esse era o clima naqueles tenebrosos dias.

Com a saída de NERO, intensificou-se a busca a CLIMÉRIO e a SOARES. Diligências continuavam em SÃO JOÃO DO MERITI, no Estado do RIO; BRAGANÇA PAULISTA, em SÃO PAULO. De MONTE ALEGRE, no PARANÁ, e SÃO BORJA, no RIO GRANDE DO SUL, chegavam notícias não confirmadas de que os suspeitos haviam sido vistos. O comandante da 5 ª Zona Aérea, sediada em PORTO ALEGRE, proibiu voos particulares, com a intenção de tentar impedir que os fugitivos pudessem se locomover pelo Estado, caso lá estivessem.

Em audiência no gabinete presidencial, no CATETE, pela primeira vez, o coronel PAULO TORRES foi recebido por GETÚLIO, desde a sua posse como novo chefe de Polícia do Departamento Federal de Segurança Pública. A conferência foi prolongada e TORRES expôs seu plano de ação à frente do DFSP.

No Município de BELFORT ROXO, um empregado do sítio de CLIMÉRIO confessou às autoridades policiais, em interrogatório, que havia levado seu patrão para a casa de sua mãe na localidade de VILAR DOS TELES, no Estado do RIO. Ainda na manhã do dia 16 de agosto de 1954, CLIMÉRIO foi visto em TINGUÁ, e uma vizinha informou que ele estava em um sítio de propriedade de um conhecido de nome OSCAR. Entre TINGUÁ e XERÉM, na serra do COUTO, são cerca de 50 km do RIO. Recebida a informação, um destacamento foi formado para ir ao seu encalço.

Na Câmara Federal, o líder do governo, deputado GUSTAVO CAPANEMA, na sessão da tarde, proferiu um longo discurso, diversas vezes aparteado, no qual se insurgiu contra os defensores da renúncia do presidente e em resposta ao discurso do líder da oposição, deputado AFONSO ARINOS, feito na sessão do dia 6, uma sexta-feira.

O líder defendeu o GENERAL CAIADO DE CASTRO, acusado de ter auxiliado na fuga de CLIMÉRIO DE ALMEIDA, o que não era verdade, segundo palavras de CAPANEMA. O Chefe da CASA MILITAR fora “duramente colhido na sua inocência, na sua boa-fé e na sua dignidade...”. Sobre a renúncia disse, acusando a UDN: “É do mesmo partido político que pretendia impedir sua posse com o célebre argumento da maioria absoluta; que quis tirá-lo do poder há pouco tempo com um “impeachment” tão mal-coordenado”. E que “....é um passo a mais da luta iniciada há cerca de quatro anos para tirar o presidente do governo à custa de qualquer esforço – ou pela instigação popular, ou pela instigação da imprensa ou pela instigação das Forças Armadas”. Acrescentou ainda: “Nesse rumo há dois setores: há o setor golpista, o setor revolucionário, e há o setor que quer resolver o problema pelas forças armadas. Podemos dizer que o líder desse setor é o senhor CARLOS LACERDA.”

Prosseguiu dizendo: “As Forças Armadas já declararam que conservando-se no propósito irredutível de encontrar a verdade e punir os criminosos, assegurarão a ordem constitucional, assegurarão o regime, respeitarão a Constituição. E finalizou: “Ora, respeitar a Constituição envolve respeito ao chefe do Poder Executivo. Se as Forças Armadas se comprometeram, unanimemente, a manter a Constituição, nesse compromisso está o de se conservarem fiéis à autoridade do primeiro magistrado, confiantes na sua conduta, na sua dignidade e na sua autoridade".

Na sua TRIBUNA DA IMPRENSA, CARLOS LACERDA escreveu um editorial que terminou da seguinte maneira: “Os chefes militares sabem o que fazem. Se não fazem, assumem, pela inércia, as suas responsabilidades perante o povo e diante da história, que é implacável no seu julgamento. Mas, por DEUS, não se escondam atrás da Constituição. Esta não foi feita para justificar a complacência com o crime. Não se pode ao mesmo tempo servir a dois senhores: quem serve a VARGAS não serve à CONSTITUIÇÃO.”


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