72 a. da exoneração do
ministro da Aeronáutica, BRIGADEIRO NERO MOURA (herói da Segunda Guerra
Mundial, como comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça, -hoje o seu patrono-,
“O SENTA PUA”, que lutou na ITÁLIA), que já vinha sendo “fritado”, no dia 16 de
agosto de 1954. Dias antes, já havia colocado o seu cargo à disposição de
VARGAS. Atribuindo-se sua saída à intimidade com o mandatário da Nação, de quem
foi piloto durante o ESTADO NOVO e grande amigo da família; em consequência,
adquiriu um enorme desprestígio entre seus companheiros da FAB após a morte do
MAJOR VAZ.
Um fato grave foi a realização da reunião que o ministro da Guerra
havia convocado, dias antes, em seu gabinete com seu colega da MARINHA e os
chefes do Estado-Maior das três forças armadas. Quando o brigadeiro AJALMAR
MASCARENHAS, chefe da Aeronáutica, verificou a ausência do ministro de sua
pasta, indagou a ZENÓBIO o porquê de exclusão de NERO MOURA da reunião. Para a
surpresa de todos, respondeu que “ele (NERO) estava demissionário, e por isso
não havia sido convidado”. Ao que o ministro da MARINHA, RENATO GUILLOBEL,
retrucou perguntando o porquê então da presença do GENERAL JUAREZ TÁVORA e do
BRIGADEIRO EDUARDO GOMES na reunião, se os dois não eram ministros nem chefes
de Estado-Maior. Dias depois, no PALÁCIO DO CATETE, durante audiência com o
presidente VARGAS, NERO citou o ocorrido e afirmou: “ou o ZENÓBIO está traindo
o senhor, ou é muito incapaz: ao invés de reunir os três ministros militares,
está nos dividindo. No caso da Aeronáutica, não me convoca, e ainda diz que
estou demissionário... sabe que não vou topar nenhuma manobra e quer me tirar”,
e colocou o cargo à disposição do presidente. Ao descer a escada, NERO MOURA
cruzou com ZENÓBIO DA COSTA, que conversava com ALZIRA VARGAS DO AMARAL
PEIXOTO, filha do presidente, e o inquiriu rispidamente sobre a sua exclusão da
reunião no Ministério da Guerra. ZENÓBIO tentou se defender, mas NERO,
exaltado, não permitiu contemporizações, chamando-o em alto e bom som de
“mentiroso e traidor”. A discussão tornou-se áspera, e só não terminou em vias
de fato pela intervenção da própria ALZIRA e do ajudante de ordens do ministro
da Aeronáutica, CAPITÃO AVIADOR NELSON GAMA E SOUZA. Esse era o clima naqueles
tenebrosos dias.
Com a saída de NERO, intensificou-se a busca a CLIMÉRIO e a
SOARES. Diligências continuavam em SÃO JOÃO DO MERITI, no Estado do RIO;
BRAGANÇA PAULISTA, em SÃO PAULO. De MONTE ALEGRE, no PARANÁ, e SÃO BORJA, no
RIO GRANDE DO SUL, chegavam notícias não confirmadas de que os suspeitos haviam
sido vistos. O comandante da 5 ª Zona Aérea, sediada em PORTO ALEGRE, proibiu voos
particulares, com a intenção de tentar impedir que os fugitivos pudessem se
locomover pelo Estado, caso lá estivessem.
Em audiência no gabinete presidencial, no CATETE, pela primeira
vez, o coronel PAULO TORRES foi recebido por GETÚLIO, desde a sua posse como
novo chefe de Polícia do Departamento Federal de Segurança Pública. A
conferência foi prolongada e TORRES expôs seu plano de ação à frente do DFSP.
No Município de BELFORT ROXO, um empregado do sítio de CLIMÉRIO
confessou às autoridades policiais, em interrogatório, que havia levado seu
patrão para a casa de sua mãe na localidade de VILAR DOS TELES, no Estado do
RIO. Ainda na manhã do dia 16 de agosto de 1954, CLIMÉRIO foi visto em TINGUÁ,
e uma vizinha informou que ele estava em um sítio de propriedade de um
conhecido de nome OSCAR. Entre TINGUÁ e XERÉM, na serra do COUTO, são cerca de
50 km do RIO. Recebida a informação, um destacamento foi formado para ir ao seu
encalço.
Na Câmara Federal, o líder do governo, deputado GUSTAVO CAPANEMA,
na sessão da tarde, proferiu um longo discurso, diversas vezes aparteado, no
qual se insurgiu contra os defensores da renúncia do presidente e em resposta
ao discurso do líder da oposição, deputado AFONSO ARINOS, feito na sessão do
dia 6, uma sexta-feira.
O líder defendeu o GENERAL CAIADO DE CASTRO, acusado de ter
auxiliado na fuga de CLIMÉRIO DE ALMEIDA, o que não era verdade, segundo
palavras de CAPANEMA. O Chefe da CASA MILITAR fora “duramente colhido na sua
inocência, na sua boa-fé e na sua dignidade...”. Sobre a renúncia disse,
acusando a UDN: “É do mesmo partido político que pretendia impedir sua posse
com o célebre argumento da maioria absoluta; que quis tirá-lo do poder há pouco
tempo com um “impeachment” tão mal-coordenado”. E que “....é um passo a mais da
luta iniciada há cerca de quatro anos para tirar o presidente do governo à
custa de qualquer esforço – ou pela instigação popular, ou pela instigação da
imprensa ou pela instigação das Forças Armadas”. Acrescentou ainda: “Nesse rumo
há dois setores: há o setor golpista, o setor revolucionário, e há o setor que
quer resolver o problema pelas forças armadas. Podemos dizer que o líder desse
setor é o senhor CARLOS LACERDA.”
Prosseguiu dizendo: “As Forças Armadas já declararam que
conservando-se no propósito irredutível de encontrar a verdade e punir os
criminosos, assegurarão a ordem constitucional, assegurarão o regime,
respeitarão a Constituição. E finalizou: “Ora, respeitar a Constituição envolve
respeito ao chefe do Poder Executivo. Se as Forças Armadas se comprometeram,
unanimemente, a manter a Constituição, nesse compromisso está o de se
conservarem fiéis à autoridade do primeiro magistrado, confiantes na sua
conduta, na sua dignidade e na sua autoridade".
Na sua TRIBUNA DA IMPRENSA, CARLOS LACERDA escreveu um editorial
que terminou da seguinte maneira: “Os chefes militares sabem o que fazem. Se
não fazem, assumem, pela inércia, as suas responsabilidades perante o povo e
diante da história, que é implacável no seu julgamento. Mas, por DEUS, não se
escondam atrás da Constituição. Esta não foi feita para justificar a complacência
com o crime. Não se pode ao mesmo tempo servir a dois senhores: quem serve a
VARGAS não serve à CONSTITUIÇÃO.”
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