72 a. da prisão de
CLIMÉRIO DE ALMEIDA, depois de uma intensa caçada de 20 horas, em 17 de agosto
de 1954. Sua prisão se deu após uma busca que envolveu mais de 200 oficiais,
soldados de várias corporações militares e voluntários que trabalharam na
captura. Localizado num bananal em TINGUÁ, ao norte do RIO, estava esfomeado e
sonolento. O cerco ao local, iniciado às 4 horas da madrugada, foi feito por 25
oficiais e 50 praças sob o comando do CORONEL AVIADOR DÉLIO JARDIM DE MATTOS
(que depois foi ser ministro da Aeronáutica no governo do GENERAL JOÃO
FIGUEIREDO), que o prendeu. Pela primeira vez, um helicóptero foi empregado em
perseguição a um criminoso no BRASIL. A polícia utilizou também 16 cães para
rastrear o fugitivo, metralhadoras e até pára-quedas luminosos. Em um
automóvel, o prisioneiro foi transportado diretamente para o RIO e recolhido,
em rigorosa incomunicabilidade, na Base Aérea do GALEÃO, tendo sido reforçado o
patrulhamento na unidade militar. Em TINGUÁ, também foram presos como
cúmplices, por terem dado guarida e auxiliado na fuga de um criminoso, ADEMAR
DANIEL PEREIRA, HONORINA DE JESUS e um tal de OSCAR. Todos foram levados para o
GALEÃO e colocados incomunicáveis.
O tesoureiro da Companhia Siderúrgica Nacional, MÁRCIO ALVES,
segundo a oposição, foi a MINAS GERAIS, como enviado de GETÚLIO VARGAS, para
articular a instauração do estado de sítio no país e pedir o devido apoio do
governador JUSCELINO KUBITSCHEK.
Opositores do governo formularam outras denúncias, entre elas, a
de que o governo havia ameaçado intervir no sindicato que não ficasse a seu
lado e de que estavam censurados os telefones dos jornais oposicionistas, de
vários deputados da UDN e do CORONEL JOÃO ADIL DE OLIVEIRA, responsável pelo
IPM.
O deputado federal e ex-presidente da República, ARTHUR BERNARDES,
em entrevista, afirmou: “Embora a renúncia só dependa de sua vontade, o senhor
GETÚLIO VARGAS deve reconhecer que já não governa. Perdeu a autoridade e, sem o
pleno domínio do poder que representa, o caminho é abandonar o governo. O
simples fato de as Forças Armadas tomarem a seu cargo diligências e prisões
que, normalmente, são da alçada da Polícia e, portanto, da responsabilidade do
governo, caracteriza a tibieza do presidente, que encarna o Executivo, e o país
não deve ficar desgovernado. O senhor GETÚLIO VARGAS deve renunciar. Não tem
mais força moral para ficar no governo”.
O senador do PARTIDO LIBERTADOR da BAHIA, ALOÍSIO DE CARVALHO
FILHO, na tribuna do Senado Federal, proferiu um longo discurso em que analisou
a atuação do ministro da Justiça e da polícia nos acontecimentos decorrentes do
crime da Rua TONELERO, protestou contra a prisão do TENENTE-CORONEL FARIA DE
ALBUQUERQUE em seu Estado e em comício “demonstrou a conveniência política da
renúncia do senhor GETÚLIO VARGAS, única solução realmente democrática para a
crise que se abatia sobre o país”.
O jornal norte-americano THE NEW YORK TIMES publicou um artigo
analisando a situação no BRASIL, no qual afirmava-se o seguinte: “Se a única
resposta às críticas do senhor LACERDA são as balas do assassino, as coisas
chegaram a uma situação lamentável sob o governo VARGAS”. E encerrou dizendo;
“É lamentável para todos os seus amigos contemplar sua instabilidade atual, mas
não há nada que um governo firme e ilustrado não possa curar em curto espaço de
tempo”.
Em depoimento às autoridades na Base Aérea do GALEÃO, JOÃO VALENTE
confessou a responsabilidade direta do chefe da guarda pessoal, GREGÓRIO
FORTUNATO, no atentado da rua TONELERO, e que, após ter tido conhecimento pelo
GENERAL CAIADO DE CASTRO que o motorista NELSON RAIMUNDO havia denunciado
CLIMÉRIO, mandou que ele apanhasse CR$50 mil e desse fuga a JOSÉ ANTÔNIO
SOARES, outro envolvido no crime.
O diretor da Polícia Técnica, SÍLVIO TERRA, recebeu às 13:30
horas, na sede de sua divisão, das mãos do delegado JORGE PASTOR, do 2º DP, o
inquérito sobre o atentado contra o jornalista CARLOS LACERDA. Estavam
presentes o promotor JOÃO BAPTISTA CORDEIRO GUERRA e o CORONEL AVIADOR JAIR DE
BARROS VASCONCELLOS. TERRA declarou, ao término da reunião, que a fase inicial
de sua atuação no inquérito se reduziria à nova inquirição dos indiciados até
então detidos e recolhidos à Base do GALEÃO.
O ministro da Fazenda, OSVALDO ARANHA, através da instrução número
99, modificou a política cambial. O deputado mineiro, TRISTÃO DA CUNHA, afirmou
que: “Essa instrução do senhor OSVALDO ARANHA não pode produzir nada, enquanto
não se acabar com a licença prévia que está asfixiando o país”. Em NOVA YORK, a
queda do café, então o nosso maior produto de exportação, era de 200 pontos ao
dia, em consequência das medidas tomadas no BRASIL.
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