ARMAS
EM FUNERAL!
Caros
companheiros e amigos. É com enorme pesar que participo-vos do falecimento do
Veterano Sr. AMASILIO PAULO DE CAMPOS, pracinha itapetiningano da Força
Expedicionária Brasileira (http://pec.itapetininga.com.br/amasilio.htm).
Como preito de homenagem a mais um herói
brasileiro que nos deixa, segue breve esboço biográfico desse pracinha que tive
a honra de conhecer e privar de sua amizade desde 2011 quando nos conhecemos.
Seu
AMASILIO, como conhecido fora por toda a profícua vida de 93 anos completos no
último dia 15 de junho desse ano, nasceu em Capão Bonito/SP em 1920 e aos 23
anos prestou o serviço militar inicial no então 5° Batalhão de Caçadores (5°
BC), organização militar do Exército Brasileiro que existiu em meados das
décadas de 30 e 40 nas instalações do atual prédio do D.E.R. de Itapetininga.
O ano em que
prestou o serviço militar nessa unidade foi o de 1944 e quis o destino que o
então soldado AMASILIO fosse um dos vários jovens itapetininganos que se
voluntariaram para integrar uma força expedicionária brasileira que naqueles
meses estava sendo organizada para participar do maior conflito armado do
século XX, qual foi, a Segunda Guerra Mundial.
Entrementes,
conta-nos o veterano e pracinha Itapetiningano VICTÓRIO NALESSO, no seu livro
"Diário de um combatente: recordações de um pracinha sobre a participação
na Segunda Guerra Mundial" (Scudeler, 2005) que dias antes do embarque
para o 6° Regimento de Infantaria, em Caçapava/SP, onde os voluntários de
Itapetininga iniciariam a mobilização e treinamento para a guerra, o soldado
AMASILIO e mais um companheiro de batalhão realizaram já o primeiro de muitos
sacrifícios que a guerra os proporcionaria. Eis o que foi nas palavras de seu
companheiro de batalhão VICTÓRIO NALESSO:
"Dia 7 de junho de 1944 fui deslocado
para São Paulo com mais 150 soldados a fim de passar por exames médicos.
Ninguém sabia nada do que íamos fazer; desembarcamos em Osasco, quartel do 4°
Regimento de Infantaria. Antes do Embarque, dia 5 de junho, assim que deu em
boletim interno às 16 horas, fui para minha casa no bairro da Chapadinha a fim
de levar a notícia e fazer a 1° despedida. Era uma caminhada de 9 quilômetros,
ou seja 18 quilômetros ida e volta. Passei a noite me despedindo de parentes e
amigos no meu bairro e só voltei às 6 horas da manhã do dia 6. E muitos
soldados fizeram o mesmo, indo a pé a Capão Bonito, inclusive. Dois praças, por
falta de condução, saíram de Itapetininga às 6 horas da tarde e chegaram em
Capão Bonito, no outro dia, às 5 horas da manhã. Cortaram 60 quilômetros a pé e
depois voltaram de ônibus para Itapetininga, merecendo ser registrado seus
nomes como primeiro ato de bravura: LEANDRO PAULINO DA CRUZ e AMASILIO PAULO DE
CAMPOS. Naquela época não havia transporte como hoje - ônibus só tinha um, que
partia de Itapetininga para Capão Bonito às 7 horas da manhã e voltava partindo
de Capão às 5 horas da tarde e outro, vice-versa, com o mesmo itinerário."
(NALESSO et al., 2005, p.18)
A 7 de junho
de 1944 seguiu o contingente de Itapetininga para Caçapava/SP e de lá para o
Rio de Janeiro. Quando nessa última cidade, os soldados itapetininganos já se
encontravam distribuído em três unidades combatentes que compuseram a Força
Expedicionária Brasileira, a saber, o 1° Regimento de Infantaria (1° RI), o 6 °
Regimento de Infantaria (6° RI) e o 11° Regimento de Infantaria (11° RI).
Quanto ao soldado AMASILIO, a este lhe coube inclusão no 11° RI, em cujo 1°
Batalhão fora praça durante toda a guerra, mesma unidade que pertencera também
o soldado VICTÓRIO NALESSO.
Tanto o 1° RI quanto o 11° RI deixaram o
Rio de Janeiro a 22 de setembro de 1944, com um efetivo total de 10.375 homens
com destino à Europa. O 1° RI constituiu o 2° escalão de embarque da FEB, este
no navio "General Mann", enquanto que o 11° RI constituiu o 3°
escalão, este no navio "General Meighs", ambas embarcações de
transporte norte-americanas.
A 6 de outubro de 1944, depois de semanas na travessia do Atlântico, desembarcam os dois escalões no porto italiano de Nápoles. No teatro de operações que se configurou nesse país europeu, o soldado AMASILIO participou de todas as ações de combate nas quais o seu 1° batalhão do 11° RI esteve presente, em especial nos ataques ao Monte Castelo (novembro e dezembro de 1944), na sangrenta tomada de Montese (14 de abril de 1945), bem como na espetacular rendição de toda uma Divisão Alemã Panzer em Collecchio-Fornovo (27 e 28 de abril de 1945).
Em 1° de Maio de 1945 deu-se o final de
guerra. A 20 deste mês, as tropas brasileiras participaram do emocionante
desfile da Vitória em Alexandria, estando o soldado AMASILIO entre elas. A 4 de
Setembro de 1945, o 11° RI embarcava no mesmo navio que o trouxera à Itália
quase a um ano antes, desembarcando na saudosa Baía de Guanabara a 19 daquele
mês.
De retorno
ao torrão querido de Capão Bonito após ter vivenciado uma guerra mundial de fio
a pavio, o soldado AMASILIO foi desligado da FEB e reintegrado a vida civil na
condição de soldado reservista de 1° classe do Exército Brasileiro, tendo
recebido a Medalha de Campanha pelos relevantes serviços prestados durante o
conflito.
Pouco depois
tempo depois de seu retorno à cidade natal, mudou-se ele para Itapetininga onde
se tornou funcionário do D.E.R vindo a trabalhar neste órgão até se aposentar
décadas depois. Casado com a senhora BRASILIA FRANCISCA DE CAMPOS, tiveram o
casal seis filhos, vinte netos treze bisnetos e quatro tataranetos, todos na
sua maioria nascidos e criados em Itapetininga.
Em 8 de Maio
de 2011, Dia da Vitória, a Associação Nacional dos Veteranos da FEB, seção São
Bernardo do Campo, prestou-lhe uma homenagem conferindo-lhe a sua maior
honraria, a Medalha "Heróis do Brasil" e no Dia da Vitória de 2013,
o Portal dos Ex-Combatentes de Itapetininga prestou-lhe uma outra
homenagem, concedendo-lhe o Diploma de Honra ao Mérito "Dois Heróis
Itapetininganos".
Falecido que foi esta manhã de domingo, 6
de outubro de 2013, deixa AMASILIO o convívio de amigos e familiares, bem como
de seus companheiros de FEB, os veteranos VICTÓRIO NALESSO, ARGEMIRO DE TOLEDO
FILHO e HIGINO MENDES DE ANDRADE, os três últimos pracinhas itapetininganos que
em vida são os remanescentes partícipes dessa importante fase de nossa história
patria brasileira na luta pela Liberdade e pela Democracia.
Nossas mais
sinceras condolescências aos seus familiares e amigos, porquanto hoje um
exemplar cidadão, honrado pai de família e dedicado patriota nos deixou e nos
deixou como legado inestimável, o seu exemplo.
Prof. Jefferson
Biajone
Doming, Out 6,
2013
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