54 a. das eleições de 4 de outubro de 1959, onde o povo paulista votou
no CACARECO para vereador. Em cada urna havia de 20 a 30 votos para o
quadrúpede em todos os bairros paulistanos, sem exceção. CACARECO recebeu quase
100 mil votos. Quinhentos e quarenta candidatos disputaram as 45 cadeiras da
Câmara Municipal de SÃO PAULO. Os mais votados foram: MANOEL DE FIGUEIREDO
FERRAZ foi eleito com 10.214 votos, do PSP (genro do então prefeito ADHEMAR DE
BARROS); VALÉRIO GIULI, com 9.550 votos, do PDC; o radialista do programa
“CLUBE DO PAPAI NOEL”, HOMERO SILVA, com 8.746 votos, da UDN; o presidente da
Câmara Municipal e ex-prefeito WILLIAM SALEM, com 8.512, também do PSP; RIO
BRANCO PARANHOS com 7.362, do PTB; o radialista da “HORA DA VIRGEM MARIA”,
PEDRO GERALDO COSTA, com 7.178, do PST; JANUÁRIO MANTELLI NETO, com 6.245, do
PRT; o médico SCALAMANDRÉ JÚNIOR com 6.113, do PTN; HEROTILDES CARVALHO DE
ARAÚJO com 5.310, do PR; a irmã do deputado ULYSSES GUIMARÃES, RUTH GUIMARÃES,
com 4.642, do PSD; JOSÉ MOLINA JÚNIOR, com 4.042, do PSB; ANTÔNIO LAMANNA
JÚNIOR com 3.887, do PRP e JOÃO BATISTA DA SILVA AZEVEDO com 3.617, do PL.
A votação recebida por CACARECO daria
para eleger todos os 15 vereadores mais votados, exatamente 1/3 da totalidade
das cadeiras da Câmara de SÃO PAULO. O partido que recebeu mais votos, com
todos seus 45 candidatos, totalizou pouco mais de 94 mil sufrágios. A inusitada
“eleição” mereceu matérias em rádio, televisão, revistas e jornais, inclusive
um longo editorial em importante matutino da capital, que analisou a reação da
população de SÃO PAULO em conseqüência da “consagradora vitória” do
rinoceronte. A escritora RACHEL DE QUEIROZ também escreveu, na mais importante
revista da época, uma crônica intitulada “O bicho”. Até um filme foi feito, “CACARECO
VEM AÍ”, dirigido por CARLOS MANGA e protagonizado pelo maior cômico da
história do BRASIL, OSCARITO. O jornalista STANISLAW PONTE PRETA (SÉRGIO PORTO)
comentou em sua coluna no jornal “ÚLTIMA HORA” que “diversos membros da cúpula
do PSP andaram rondando a jaula de CACARECO para o colocarem no lugar de
ADHEMAR DE BARROS...”. ADHEMAR, na ocasião, era prefeito de SÃO PAULO. O
secretário da Agricultura do governo do Estado, JOSÉ BONIFÁCIO COUTINHO
NOGUEIRA, tentou comprar CACARECO, mas o zoológico carioca recusou a proposta.
Dois dias antes do pleito municipal, acreditando talvez que o povo de SÃO PAULO
fizesse empossar o rinoceronte no Palácio “CONDE PRATES”, sede da Câmara
Municipal paulistana, as autoridades resolveram devolvê-lo e, assim, de caminhão,
na calada da noite, retornou à “CIDADE MARAVILHOSA”. Instado pela imprensa
sobre o ocorrido em SÃO PAULO, o presidente da República, JUSCELINO KUBITSCHEK
DE OLIVEIRA, como bom mineiro respondeu: “Não sou intérprete de acontecimentos
sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo”. Atualmente,
apesar das urnas eletrônicas impossibilitarem esse tipo de votação, outros
CACARECOS continuam a aparecer e até a serem eleitos...
MÁRIO LOPOMO, aposentado, diz o
seguinte: “Trabalhei como cabo eleitoral naquele ano e lembro que havia na
população paulista uma insatisfação com os políticos locais. Apesar de não
existir uma campanha pela anulação dos votos, uma semana antes da eleição
começaram a surgir comentários sobre a “candidatura” do CACARECO. Porém,
ninguém imaginava que seria o fenômeno que foi. Depois do resultado, os
políticos disseram que a população não tinha civismo pela atitude que tomou.
Mas o povo foi sábio e soube responder nas urnas, como se fosse um tapa na
cara”.
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