85 a. MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 1932. Uma das canções mais expressivas exaltando a revolução, traduzindo a história de uma mãe que perdeu seu único filho, imolado nas duras refregas do TÚNEL, é a canção intitulada NA SERRA DA MANTIQUEIRA. O jovem havia se alistado para defender os ideais constitucionalistas dos Bandeirantes. Muitas outras mães choraram seus filhos mortos na cruenta revolução, que vitimou brasileiros dos dois lados, num total de 830 (630 do lado dos paulistas e 200 do lado dos ditatoriais). Ei-la:
Na Serra da Mantiqueira Eis porém que veio a guerra
Sob a fronde da Mangueira abalando toda a Serra
Que ela em moça viu plantar Com o rugido do canhão
Sentadinha no seu banco Mãe Maria amargura
Traçando o cabelo branco Vê seu filho lá na
estrada
Mãe Maria vai sonhar Se sumir no
batalhão
Dos amores do passado Segurando seu rosário
Só lhe resta um filho amado No seu banco solitário
Que lhe dá felicidade Mãe Maria reza
agora
Ela é todo o seu encanto Pede a Deus ardentemente
Alegria o fruto santo Que lhe mande o filho ausente
Da longínqua mocidade Que já tanto se demora
E nas nuvens que correndo E numa tarde ao sol poente
E vão no céu aparecendo Ela escuta de
repente
Pra no ocaso descansar A voz meiga do rapaz
Ela vê seus belos dias Que lhe diz tal como
em vida
De venturas e alegrias Muito em breve Mãe
querida
Que jamais hão de voltar Lá no céu me encontrarás
(Essa canção foi publicada
nas CLARINADAS DA TABATINGUERA, jornal da AORRPM, por iniciativa do Coronel Ref
EDILBERTO DE OLIVEIRA MELO.). No dia 6 de julho de 2009, em magistral cerimônia
da comemoração dos 77 anos da Revolução Constitucionalista, com a entrega do
COLAR CARLOS DE SOUZA NAZARETH, o CORAL BACARELLI executou essa canção.
Novamente o mesmo Coral executou a canção durante sessão solene na Assembléia
Legislativa em 2 de julho de 2012.
Palavras de EUCLIDES FIGUEIREDO: “Apesar de fria a noite, abrimos
as janelas da limousine em que viajávamos, para facilitar qualquer reação. Eram
sete homens decididos a arrostar tudo para chegar a tempo aonde nos levava a
palavra empenhada: o CAPITÃO RIBEIRO DA COSTA; TENENTES JOSÉ LOBO, JOAQUIM
CAMARINHA e MARIO GOULART; os civis JOÃO DARÉ e MÁRIO CABRAL. Na manhã seguinte
(quer dizer, 9 de julho) partiram de trem o CORONEL PALIMÉRCIO, Doutor LUÍS
GUIMARÃES, deixados para trás com a missão de avistar outros companheiros que
com a pressa não puderam ser alertados. No mesmo trem ainda sem se falarem viajavam
outros oficiais integrados na causa, o civil FRANCISCO ANTUNES JÚNIOR e o meu
filho mais velho GUILHERME, que iludira na madrugada a vigilância dos policiais
que já cercavam a minha casa. Primeiroanista de Direito, ia receber sua melhor
aula de Direito Público e de amor à democracia.”
Às quatro horas da madrugada daquele mesmo dia, em que logo a
noite se cobriria de glória o comandante da arrancada de “9 de Julho”, iniciava
a ronda pelas guarnições do Norte do Estado, que horas depois estariam sob suas
ordens. Avistou-se com o CAPITÃO LUÍS DE ANDRADE FARIA, comandante do 1º Batalhão
do 5º RI, em PINDAMONHANGABA, deixando recado ao MAJOR QUINTILIANO DE CASTRO E
SILVA, em CAÇAPAVA, manteve longa e decisiva conferência com o CORONEL JOSÉ
JOAQUIM DE ANDRADE, que desempenharia função de relevo no VALE DO PARAÍBA.
Conclui FIGUEIREDO: “Dali (CAÇAPAVA),s em mais preocupações sobre aquele ponto
importante, urgia continuar para a capital do Estado, onde os mais sensacionais
acontecimentos nos aguardavam. E lá chegamos por volta das 9 horas da manhã do
dia 9 de julho, sem pensar que naquele mesmo dia eu seria chamado a desempenhar
o saliente papel que a confiança dos camaradas de armas e dos civis nossos
amigos, secundados pelo povo do heróico Estado me reservava: o de fazer eclodir
e comandar o mais brilhante movimento cívico da história do Brasil republicano.”
No segundo trem noturno do dia 9 de julho, embarcou na Estação do
RIO DE JANEIRO, o GENERAL JOSÉ LUIZ PEREIRA DE VASCONCELOS, novo comandante da
2ª RM, em SÃO
PAULO. Desembarcava em CAÇAPAVA e aderia à Revolução
Constitucionalista. A FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO, braço forte do Exército
Constitucionalista, era comandada pelo CORONEL JÚLIO MARCONDES SALGADO. As
tropas paulistas no VALE DO PARAÍBA foram comandadas pelo CORONEL FIGUEIREDO,
que contava com três destacamentos: o do CORONEL ANDRADE, o do CORONEL PAIVA
SAMPAIO e do CORONEL ABÍLIO DE RESENDE. A FRENTE NORTE esteve a cargo da FORÇA
PÚBLICA (DESTACAMENTO ROMÃO GOMES) e a FRENTE SUL a cargo do DESTACAMENTO
BRASÍLIO TABORDA.
A respeito do MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA disse MENOTTI DEL
PICCHIA – “O MAIS BELO E COMOVENTE MOVIMENTO DA HISTÓRIA DAS AMÉRICAS E QUIÇÁ
DO MUNDO”.
MARTINS FONTES disse, enfático: “Em GUANABARA, sob o sol que
amamos / Rebradaremos, com bravor febril / Nós, de SÃO PAULO, rebrasilizamos /
Os Estados Unidos do BRASIL.”
GUILHERME DE ALMEIDA, poeta da Revolução, proclamou: “Bandeira que
é o nosso espelho / Bandeira que é a nossa pista! / Que traz no topo vermelho /
o coração do Paulista!”
A disciplina, no dizer do GENERAL CADORNA,ӎ a pedra angular de
toda formação militar” e “deve pela colocação em segundo plano da tropa a
preocupação individual, criar a cooperação de todos, colimando um fim único: a
vitória”. Essa disciplina foi amplamente notada na Revolução Constitucionalista
de 1932.
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