(EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO CORONEL PM VENTURA)
A população de SÃO PAULO demorou a notar que havia um levante em
marcha naquele NOVE DE JULHO DE 1932. Era uma típica noite paulistana de sábado
e as ruas do centro estavam animadas, com aquele aspecto cosmopolita que tanto
agradava aos paulistas, orgulhosos de sua metrópole de um milhão de habitantes.
Nos cinemas lotados, alguns assustavam-se com O VAMPIRO DE DUSSELDORF, que
estreava no ODEON, enquanto outros optavam por MARLENE DIETRICH em O EXPRESSO DE
SHANGAI, no PARAMOUNT. O TEATRO BELA VISTA apresentava uma companhia portuguesa
e prometia para breve a volta de PROCÓPIO FERREIRA, com suas piadas sobre
GETÚLIO, chefe do GOVERNO PROVISÓRIO, que o público considerava “impagáveis”.
Os bares e cafés ainda fervilhavam, enfumaçados, quando, por volta das 22
horas, começaram os primeiros movimentos de tropas. Chamou a atenção que, pouco
depois, alunos da FACULDADE DE DIREITO, no LARGO SÃO FRANCISCO, começaram a
circular com fuzis a tiracolo. Pela meia-noite, tropas da FORÇA PÚBLICA
ocupavam os CORREIOS e, em seguida, a TELEFÔNICA.
Eram os primeiros movimentos ostensivos de uma revolução marcada
pela paixão com que o povo de SÃO PAULO se atirou a uma luta que foi ficando
mais desigual e sangrenta à medida que aumentavam as traições à causa que a
levou ao combate: depor o governo VARGAS e reconstitucionalizar o País.
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