
50 a. da
morte de SALVADOR ALLENDE, durante o assalto ao PALÁCIO DE LA MONEDA, no CHILE. O líder
socialista SALVADOR ALLENDE, após sair vitorioso na eleição presidencial
chilena de 1970, foi traído pelas Forças Armadas de seu país e sofreu um golpe
que se desdobrou em horas angustiantes. ALLENDE despertou às 6:20 horas em 11
de setembro de 1973 com um telefonema de um funcionário que o informava que a
MARINHA havia se rebelado no PORTO DE VALPARAÍSO, a 110 km de SANTIAGO. Nos
principais quartéis do CHILE, a atividade havia começado pouco depois da
meia-noite, com os tanques esquentando os seus motores, os pilotos recebendo
instruções de seus superiores e os generais fazendo chamadas telefônicas para
certificarem-se da subordinação de suas tropas. ALLENDE, de 65 anos, teria
poucas horas a mais de vida. Desligou o telefone, alertou seus seguranças e
partiu, escoltado por veículos do Corpo de Carabineros, da residência
presidencial da RUA THOMAS MOORE para o PALÁCIO DE LA MONEDA. Durante o
traslado, tomou consciência de que os militares estavam precipitando um golpe,
provavelmente para evitar que pudesse concretizar seus projetos para convocar
um plebiscito sobre as reformas estatizantes de seu governo. A consulta seria
um esforço desesperado para salvar o governo da UNIDADE POPULAR, a coalizão
esquerdista que, com mil dias no poder, agonizava após um extenuante conflito
com a oposição da direita e da democracia cristã. Um conflito iniciado no dia
de sua vitória eleitoral, em 4 de setembro de 1970. No auge da guerra fria, os
EUA se preocupavam com o risco de instalação de “uma nova CUBA” na AMÉRICA
LATINA e a administração de RICHARD NIXON traçava sua estratégia para sufocar a
economia chilena e incentivar, por meio da CIA, a “resistência” ao governo
socialista. A tensão se desencadeou com ataques explosivos que destruíram
oleodutos, pontes, instalações elétricas e estradas de ferro. Na zona rural,
camponeses se apoderavam de terras ainda não expropriadas, para acelerar a
reforma agrária. O movimento direitista PÁTRIA E LIBERDADE crescia, assim como
os locautes e “panelaços” contra o governo. Em junho de 1973, quando um
regimento de blindados avançou pelo centro de SANTIAGO, num episódio conhecido
como “tanquetaço”, que deixou 22 mortos, ficou claro, pela primeira vez, que
militares descontentes estavam dispostos a derrubar o governo. Um dia antes do
golpe, ALLENDE confirmou ao comandante das Forças Armadas que ele havia nomeado
três semanas antes, general AUGUSTO PINOCHET, que pretendia realizar um
plebiscito para aliviar a tensão social. O presidente confiava plenamente em
PINOCHET, a quem qualificava como “arraigadamente constitucionalista”. ALLENDE
chegou ao LA MONEDA
no dia do golpe portando um fuzil AK-47, presente do líder cubano FIDEL CASTRO.
De terno, gravata e capacete, começou organizar a resistência dando instruções
precisas. PINOCHET, por meio de mensageiros, instou ALLENDE a renunciar. Ante a
negativa, passou a traçar com os outros comandantes militares – o almirante
JOSÉ TORIBIO MERINO, o brigadeiro GUSTAVO LEIGH e o chefe de polícia. CÉSAR
MENDOZA – a estratégia para remover ALLENDE do palácio. Entrincheirado no LA MONEDA, o presidente tomava
medidas para suportar um combate longo e parecia determinado e sereno, segundo
uma de suas filhas, BEATRIZ. Da janela do gabinete presidencial, um disparo de
bazuca destruiu um tanque. Quando o tiroteio se intensificou, ALLENDE reuniu o
grupo que o acompanhava e disse a eles que a luta que começara naquela manhã
precisaria de líderes para conduzi-la no futuro e pediu a todos que deixassem o
palácio. Pouco depois, difundiu sua última mensagem ao País pela RÁDIO
MAGALLANES. “Não renunciarei”, anunciou. “Pagarei com minha vida a lealdade do
povo”, acrescentou antes de a transmissão ser interrompida por militares. Ao
meio-dia, aviões começaram a bombardear o palácio. Por uma das janelas, o
presidente gritou: “ALLENDE não se rende, milicos”. Minutos depois, os últimos
seguidores que desciam as largas escadas do LA MONEDA ouviram um tiro.
ALLENDE se suicidara com um tiro sob o queixo, disparado do fuzil presenteado
por FIDEL. A infantaria do Exército tomou o palácio às 14 horas, depois de
encontrar o corpo do presidente tombado sobre um sofá. “Esse camarada até para
morrer causou problemas”, comentou PINOCHET depois da confirmação do suicídio
de ALLENDE. No livro LOS 1001 DIAS DEL GOLPE, de MÓNICA GONZÁLEZ, que relata os
bastidores da queda de SALVADOR ALLENDE, diz num trecho: “Morava e estudava em SANTIAGO. Os
militares iniciaram a ação logo cedo. Senti um alívio porque a situação
política e econômica era caótica. Mas, nos dias seguintes, a sensação boa se
transformou em preocupação, à medida que os boatos sobre violações aos direitos
humanos se espalhavam. Percebi que o regime democrático havia sido destruído.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário