segunda-feira, 11 de setembro de 2023

50 ANOS DA MORTE DE SALVADOR ALLENDE, EM 11 DE SETEMBRO DE 1973.

 


  50 a. da morte de SALVADOR ALLENDE, durante o assalto ao PALÁCIO DE LA MONEDA, no CHILE. O líder socialista SALVADOR ALLENDE, após sair vitorioso na eleição presidencial chilena de 1970, foi traído pelas Forças Armadas de seu país e sofreu um golpe que se desdobrou em horas angustiantes. ALLENDE despertou às 6:20 horas em 11 de setembro de 1973 com um telefonema de um funcionário que o informava que a MARINHA havia se rebelado no PORTO DE VALPARAÍSO, a 110 km de SANTIAGO. Nos principais quartéis do CHILE, a atividade havia começado pouco depois da meia-noite, com os tanques esquentando os seus motores, os pilotos recebendo instruções de seus superiores e os generais fazendo chamadas telefônicas para certificarem-se da subordinação de suas tropas. ALLENDE, de 65 anos, teria poucas horas a mais de vida. Desligou o telefone, alertou seus seguranças e partiu, escoltado por veículos do Corpo de Carabineros, da residência presidencial da RUA THOMAS MOORE para o PALÁCIO DE LA MONEDA. Durante o traslado, tomou consciência de que os militares estavam precipitando um golpe, provavelmente para evitar que pudesse concretizar seus projetos para convocar um plebiscito sobre as reformas estatizantes de seu governo. A consulta seria um esforço desesperado para salvar o governo da UNIDADE POPULAR, a coalizão esquerdista que, com mil dias no poder, agonizava após um extenuante conflito com a oposição da direita e da democracia cristã. Um conflito iniciado no dia de sua vitória eleitoral, em 4 de setembro de 1970. No auge da guerra fria, os EUA se preocupavam com o risco de instalação de “uma nova CUBA” na AMÉRICA LATINA e a administração de RICHARD NIXON traçava sua estratégia para sufocar a economia chilena e incentivar, por meio da CIA, a “resistência” ao governo socialista. A tensão se desencadeou com ataques explosivos que destruíram oleodutos, pontes, instalações elétricas e estradas de ferro. Na zona rural, camponeses se apoderavam de terras ainda não expropriadas, para acelerar a reforma agrária. O movimento direitista PÁTRIA E LIBERDADE crescia, assim como os locautes e “panelaços” contra o governo. Em junho de 1973, quando um regimento de blindados avançou pelo centro de SANTIAGO, num episódio conhecido como “tanquetaço”, que deixou 22 mortos, ficou claro, pela primeira vez, que militares descontentes estavam dispostos a derrubar o governo. Um dia antes do golpe, ALLENDE confirmou ao comandante das Forças Armadas que ele havia nomeado três semanas antes, general AUGUSTO PINOCHET, que pretendia realizar um plebiscito para aliviar a tensão social. O presidente confiava plenamente em PINOCHET, a quem qualificava como “arraigadamente constitucionalista”. ALLENDE chegou ao LA MONEDA no dia do golpe portando um fuzil AK-47, presente do líder cubano FIDEL CASTRO. De terno, gravata e capacete, começou organizar a resistência dando instruções precisas. PINOCHET, por meio de mensageiros, instou ALLENDE a renunciar. Ante a negativa, passou a traçar com os outros comandantes militares – o almirante JOSÉ TORIBIO MERINO, o brigadeiro GUSTAVO LEIGH e o chefe de polícia. CÉSAR MENDOZA – a estratégia para remover ALLENDE do palácio. Entrincheirado no LA MONEDA, o presidente tomava medidas para suportar um combate longo e parecia determinado e sereno, segundo uma de suas filhas, BEATRIZ. Da janela do gabinete presidencial, um disparo de bazuca destruiu um tanque. Quando o tiroteio se intensificou, ALLENDE reuniu o grupo que o acompanhava e disse a eles que a luta que começara naquela manhã precisaria de líderes para conduzi-la no futuro e pediu a todos que deixassem o palácio. Pouco depois, difundiu sua última mensagem ao País pela RÁDIO MAGALLANES. “Não renunciarei”, anunciou. “Pagarei com minha vida a lealdade do povo”, acrescentou antes de a transmissão ser interrompida por militares. Ao meio-dia, aviões começaram a bombardear o palácio. Por uma das janelas, o presidente gritou: “ALLENDE não se rende, milicos”. Minutos depois, os últimos seguidores que desciam as largas escadas do LA MONEDA ouviram um tiro. ALLENDE se suicidara com um tiro sob o queixo, disparado do fuzil presenteado por FIDEL. A infantaria do Exército tomou o palácio às 14 horas, depois de encontrar o corpo do presidente tombado sobre um sofá. “Esse camarada até para morrer causou problemas”, comentou PINOCHET depois da confirmação do suicídio de ALLENDE. No livro LOS 1001 DIAS DEL GOLPE, de MÓNICA GONZÁLEZ, que relata os bastidores da queda de SALVADOR ALLENDE, diz num trecho: “Morava e estudava em SANTIAGO. Os militares iniciaram a ação logo cedo. Senti um alívio porque a situação política e econômica era caótica. Mas, nos dias seguintes, a sensação boa se transformou em preocupação, à medida que os boatos sobre violações aos direitos humanos se espalhavam. Percebi que o regime democrático havia sido destruído.”            

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