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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Núcleo de Correspondência de Campinas: REUNIÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA E PRESIDENTES DE NÚ...
Núcleo de Correspondência de Campinas: REUNIÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA E PRESIDENTES DE NÚ...: REUNIÃO DA DIRETORIA EXECUTIVA E PRESIDENTES DE NÚCLEOS BASES E DE CORRESPONDÊNCIA NA SEDE DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32 - MMDC Ocor...
DELENDA PM!!!!!!....OU DELENDA PETRALHA?????? KLINGER SOBREIRA DE ALMEIDA
DELENDA PM!!!...Ou DELENDA PeTralha?!...
Klinger Sobreira de Almeida*
I - INTRODUÇÃO
Consultando
o Dicionário de Palavras e Expressões Estrangeiras, de Luís Augusto Fischer,
Ed. L &PM, encontro e transcrevo parte:
Delenda
Carthago – Expressão
latina que ficou na linguagem culta do português (...) para insinuar que se
deve tomar medidas drásticas na situação. Literalmente, quer dizer “Destrua-se
Cartago”, isto é, a cidade de Cartago deve ser destruída. Li ainda há pouco em
jornal a frase “Delenda PM”, significando “A Polícia Militar deve ser
destruída...”.
Nesse
mesmo diapasão, o PT, partido político de estofo marxista, que empolga o poder,
em seu 5º Congresso Nacional, realizado de 12 a 17 de dezembro de 2013, dentre
as inúmeras moções aprovadas, algumas de uma estultice incrível, soltou a que
abaixo reproduzo:
“MOÇÃO – ‘NÃO ACABOU, TEM QUE ACABAR, QUEREMOS O
FIM DA POLICIA MILITAR’ Uma das principais permanências da ditadura em nosso
país é a atuação da policia militar. Nossas forças policiais são as que mais
matam no mundo e esses mortos tem idade, cor e origem, são jovens, negros e
moradores da periferia. Durante a jornada de junho vimos o aparato repressor da
PM nas ruas coibindo movimentos sociais e ativistas. A desconfiança da
população com a polícia aumentou para 70%. Das ruas nasceu o grito : “Não
acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, o que sempre foi
uma luta histórica da militância em Direitos Humanos ganhou apoio popular. O
Partido dos Trabalhadores que sempre esteve na trincheira de luta por Direitos
Humanos deve defender a desmilitarização da policia militar.”
A moção deixa uma intenção cristalina do PT,
partido que governa a nação: destruir as
polícias militares.
Podemos permitir isso? Temos, ou não temos o
dever de repudiar, reagir, desmascarar esses vendilhões do povo? Sim, não
podemos permitir a propagação dessa tolice, devemos repudiar, reagir,
desmascarar os cínicos, ou ingênuos que não tiveram condições mentais de
dimensionar o abismo em que se precipitam... Eu me alinho, e digo o porquê.
II
– Porquê amo as Polícias Militares
Sou filho de soldado da força pública mineira.
Nasci, em Alvinópolis, num conjunto que abrigava Delegacia de Polícia,
Destacamento Policial e Cadeia Pública. Vim à luz num cômodo vago da cadeia porque
meu pai, que chegara à cidade naquele ano de 1940, trazendo minha mãe Nelsina –
a saudosa índia, grávida – em um carro de boi, não encontrou barraco para
alugar. Essa era a sina do miliciano, proteger o povo nos mais distantes
rincões, a profissão não contemplava oásis, o deserto era sem fim.
Tomei feição de gente nos sucessivos
destacamentos pelos quais o soldado Machado serviu como guardião da ordem
pública, ora na zona da Mata, ora no Sertão bravio.
Aos 7 anos, Belo Horizonte, meu pai fazia o CCC
– Curso de Candidato a Cabo, no Departamento de Instrução. Concluído o curso, a
promoção, e fixação na capital, a fim de que os filhos pudessem estudar. Em
1950, o velho, trabalhando incansavelmente em prol da segurança do próximo e
estudando muito, consegue ingressar no Curso de Formação de Sargentos. Ao final
do ano, recebe as divisas da graduação. O lavrador de família paupérrima
alcançava um status: sargento da Polícia Militar.
Garoto, mas trabalhando para trazer recursos ao
lar, porquanto o salário do policial era baixíssimo e ainda atrasava meses,
ingressei, aos 12 anos, no antigo Admissão ao Ginásio do Colégio Tiradentes da
PMMG. E nesse educandário exemplar, o pré-adolescente foi internalizando, em
gotas, a grandeza de uma instituição.
À época, o preconceito racial e a aversão aos
pobres, às vezes disfarçados, vicejavam em algumas camadas da chamada classe
média-alta. A exclusão era visível. As barreiras se antepunham à ascensão
daqueles oriundos das esferas desfavorecidas, que, nas periferias, habitavam
barracos quase sempre de adobe ou palhoças. Pobre, negro e índio não tinham vez
nos ambientes de luz ou escadas para alcançar os patamares mais elevados da
sociedade. Porém, no corpo de alunos do Tiradentes era diferente: filhos de
soldados, cabos, sargentos e oficiais, numa mix de pretos, brancos, morenos,
loiros, pardos e mulatos viviam em tranquila e produtiva interação. E os
professores? Negros, mulatos e brancos formavam o quadro docente, sob a
regência do Diretor – Ten. Argentino Madeira – filho de um soldado. Dessa
infância querida, guardo, dentre as muitas, a lembrança de um negro fenomenal
em inteligência e lhaneza – o Ten. Doro – também filho de um soldado, que nos
fez amar a Matemática. Esse tenente matemático chegou a coronel na década de 60/70,
introduzindo na corporação o controle orçamentário e as auditorias. Na verdade,
o Colégio Tiradentes refletia a Polícia Militar, instituição pública pioneira
em acolher todos os brasileiros e colocá-los num mesmo nível de oportunidades,
abrindo-lhes a senda da mobilidade social na seara do esforço individual e do
mérito. Era instigante ver o conjunto - oficiais, sargentos e soldados
envergando aquela briosa farda de túnica ajustada no colarinho, culotes e
perneiras – e até a criança, filho de miliciano, sentia inusitado orgulho. Não
havia, no meio dos milicos da força pública, a danosa compartimentação racial
ou de status econômico que, infelizmente, nas décadas de 40/50, insistia em
imperar em alguns segmentos tidos como instituições nobres.
Direto do Tiradentes, ingressei aos 17 anos, por
concurso, no Curso de Formação de Oficiais – CFO, quando, numa amplitude maior,
pude vivenciar a PMMG. Na imensidão do pátio do Departamento de Instrução, as
formaturas exibiam uma paisagem humana matizada: brancos, negros, amarelos e
vermelhos... filhos de soldados, sargentos e oficiais, jovens dos bairros
periféricos junto aos oriundos das regiões da classe média.
Em 1958, o Xerife Geral, aluno do último ano do
CFO, meu primeiro contato em termos militar, era um negro – Nogueirão – que
começara a carreira como soldado e passara pelo curso de sargento. No ano
seguinte, assumia o Xerifado no reinício das aulas, um aluno, filho de um
sargento de Bom de Despacho, que, soldado no 7º BI, fizera o curso de sargentos
obtendo o 1º lugar em 1986 e, no ano seguinte, 1º lugar no CFO. Era um negro de
inteligência privilegiada, enérgico e firme no comando, que desfilava
carregando o estandarte da escola, o hoje coronel-reformado Luiz Sabino,
brilhante Advogado e Economista. Ainda no CFO, tive a oportunidade de
recepcionar lições preciosas de vida do então Major Georgino Jorge de Souza,
Diretor de Ensino, Delegado de Polícia famoso por sua intrepidez e
inteligência. Georgino, um negro, oriundo de Brumado/BA, com formação
humanista, ingressara como soldado na força pública mineira em 1935, e
construiu uma carreira a golpes de talento, tornando-se, anos depois, um ícone
da advocacia no norte mineiro. O Departamento de Instrução, ao longo de 4 anos
letivos, nos foi não só um Templo do Saber com seu Quadro Docente de valor
inquestionável, mas, e sobretudo, o areópago educacional que nos deu insumos
para a vida.
As Polícias Militares, e isto afirmo por
testemunho, vivência e interação com as organizações brasileiras, foi a
primeira instituição brasileira, a acolher, sem reservas e sem barreiras de
ascensão, os miseráveis das periferias, inclusive os negros. Foi a primeira
instituição a dar o tratamento igualitário, focando na ascensão o mérito
intelectual e a tessitura moral, a filhos de soldados, cabos, sargentos e
oficiais. Nunca houve distinção. Vivi isto como filho de um humilde soldado, e
chegando ao posto de coronel.
Foi na Polícia Militar, enfrentando o marginal
perigoso e atendendo populações em situações adversas, convivendo com os camaradas
milicianos nas dificuldades, que moldei o meu caráter. Na corporação, convivi
com chefes e companheiros que me deram grandes lições de vida, e o maior de
meus mestres foi um mulato que se tornou uma lenda mineira – repositório de
fortaleza de caráter, dignidade e bravura -
como Delegado de Capturas nas décadas de 40/50 e 60 (o legendário “Cap.
Pedro). Na corporação, fiz cursos não só em Minas, mas em outros estados
brasileiros, incorporando valores morais que foram impulsos valorosos ao longo
da vida.
A Polícia Militar, nesta definição englobo todas
as corporações milicianas brasileiras, é uma instituição síntese da
nacionalidade. Como polícia de patrulha e guarda, vem, com raízes no
Brasil-Colônia, atravessando o Império e adentrando a República. Esteve
presente, ativa e dinâmica, em todos os movimentos que consolidaram a pátria.
Desde o imortal Alferes Tiradentes cavalga nas estradas prevenindo e reprimindo
o crime, levando a tranquilidade pública às grandes urbes e aos distantes
rincões. A Polícia Militar tem história, carrega dentro de si a seiva da
nacionalidade. Jamais parou no tempo, foi sempre uma viajante da evolução. E
mais - e principalmente – desde a sua gênese, medrada em raízes que traziam a
sina do sacrifício e abnegação, a Polícia Militar constituiu-se em portal para
ascensão dos filhos das classes miseráveis e oprimidas. É um papel cumprido que
o painel da história traz insculpido em luzes que nunca se apagam.
A Polícia Militar é perfeita? Não! Como toda
instituição humana, tem visto grassar em seu seio ilhas indesejáveis, ora de
violência, ora de corrupção, ora de fraude... Ela, acolhendo seres humanos
ainda em lenta e gradual evolução consciencial (moral), é tal qual as demais
instituições com seus desvios, às vezes terríveis e inacreditáveis. São as
minorias que permeiam tudo e todos. Vejam a Igreja Católica, as Igreja
Evangélicas, as Corporações de Médicos, Advogados, Contadores, Engenheiros, os
Sindicatos Patronais ou de Trabalhadores, a Magistratura, as Empresas Estatais
e Privadas, os Partidos Políticos etc... E por aí podemos alinhavar escândalos
de variados matizes emergindo temporal e espacialmente. Assim, a Polícia
Militar, composta de humanos, não é exceção. Contudo, há uma diferença. Alguns
segmentos ou corporações, por espírito de corpo ou vergonha, titubeiam,
tergiversam diante das vilezas e sujeiras perpetradas por seu membros.
Escondem-nas ou protegem os “pecadores”. Na Polícia Militar, em decorrência da
cultura militar, caracterizada pela honra e pundonor, que vem da raiz da
instituição, tal conduta não encontra guarida. Em seu seio, não se compraz nem
se contempla o homem ou mulher que, enxovalhando a farda, traveste-se em
delinquente pela violência, corrupção ou qualquer ato que infrinja a lei penal
ou o estatuto moral da sociedade; não se empurra entulho para debaixo do
tapete. Em suma, a Polícia Militar, por raízes e tradição, cultiva a ética da
sociedade que abomina a empulhação, o cinismo e o crime. A Polícia Militar tem
sido severa e intransigente, às vezes cortando na própria carne, com aqueles
que, à sombra da farda, se embrenham por desvios.
Amo as Polícias Militares porque são
instituições organizadas, disciplinadas, dignas, sérias e fundadas em padrões
éticos, esteios bisseculares da ordem pública. Porque são democráticas e
profundamente enraizadas na base da nacionalidade. Porque são povo na sua
amplitude total e magnitude plena, sem divisões raciais ou de status econômico.
Porque têm estofo moral, não transformam delinquentes em “heróis” nem fazem
“caixinhas” ou arrecadação coletiva para amenizar a pena dos transviados da
nobre missão. Porque são instituições evolutivas no quadro da justiça social e
das aspirações espirituais da sociedade.
III
– PorquÊ o Partido dos Trabalhadores –
PT quer o fim das Polícias Militares
Quando se busca a gênese do PT, constata-se que
ele nasceu, lá naqueles primórdios da década de 80, de um impulso nobre.
Intelectuais de renome, alguns da linha marxista-leninista, se juntaram a
artistas, a políticos insatisfeitos com os rumos aéticos da política e a sindicalistas, tendo por ícone Lula, que
se sobressaíra na abertura Geisel/Figueiredo,
e fundaram um partido político diferente, cuja linha mestra, segundo o
enunciado, seria o “fazer política sem os velhos e malsinados costumes”, seria
a luta pela justiça social e a adoção da ética como norma de conduta.
Lindo! Fabuloso! Fantástico! Mesmo quem não era
aficionado da política partidária se entusiasmou. Eu tive irmãs e outros
parentes e amigos que, fascinados, embarcaram nas águas do idealismo petista.
Nessas águas do idealismo, corria a década de
80, e o PT, acolhendo políticos de viés esquerdista, porém democráticos,
recepcionou também facções de variados
matizes ideológicos: marxistas-leninistas, trotkistas, fidelistas, maoistas etc.
Entretanto, tudo valia a pena, o
importante era a ética a ser recuperada na seara política e o embate sem
tréguas pela justiça social, buscando-se romper o imenso gap da distribuição de renda, encurtar a distância entre
miseráveis, pobres e ricos... Veio a Constituinte que, talvez por insensatez de
suas correntes radicais, encontrou um PT raivoso e intransigente, não querendo
composições, ignorando o caminho do meio, que consiste na busca de um
denominador comum para aquietar anseios, aspirações e desejos. Apesar do PT,
minando esforços e atravancando, o equilíbrio dos moderados sinceros da
Assembleia Constituinte, sob a regência do saudoso Ulisses Guimarães, logrou
costurar uma Constituição de linhas democráticas e bem avançada, cognominada
“Constituição Cidadã”, cuja essência
acenava um sendero de ética e justiça social. O PT obstruíra, opusera-se, mas iria usufruir da nova Lei
Magna.
Década de 90. O PT quase conquista o poder,
porém a esperteza de Collor o derrota. Mas o PT crescia gradualmente e,
incorporando práticas estudantis e sindicalistas, mostrava que sabia manobrar
as massas, que era persistente. Assim, representou peça importante no
defenestramento democrático da corrupção
que, vindo de antanho, exacerbara sob a égide de Collor. Sua juventude, embora
não fosse a protagonista, integrou-se ao
movimento dos “caras pintadas”.
Na sequência dos anos 90, o PT, numa postura
cada vez mais raivosa – tentou de todas as maneiras boicotar o Plano Real, que
nos tirou do atoleiro da inflação – e se opôs sistematicamente a todos os
avanços do Governo FHC, inclusive o Bolsa Escola e a privatização de gigantes
estatais que navegavam na improdutividade e assumiam o papel de distribuidoras
de sinecuras.
E, deste modo, assistia-se a trajetória
ascendente do PT que, em cada eleição, conquistava enclaves de importância no
legislativo e prefeituras de municípios, chegando, inclusive, ao governo de
alguns estados. Eleições 2002:
Presidência, Governos dos Estados, Senado e Legislativo. O PT, engavetando o
discurso ameaçador e raivoso, veio ao eleitor com uma roupagem colorida. Duda e
grandes marqueteiros auxiliares construíram um marketing insinuante, penetrante
e irreprochável. E os brasileiros, tal qual um herói de Homero, perdido em
mares turbulentos, foram no “canto da sereia”. Eu, inclusive. Votei em Lula
para Presidente da República. Por que? Apesar de anos de vivência e estudos,
entusiasmei-me principalmente com 2 volumosos programas: Segurança Pública e
Educação. Examinei-os integralmente.
Seriam a redenção do Brasil. Havia acenos de ordem e evolução. Interessei-me
pelos demais programas. Reparei nos elaboradores dos programas e na equipe de
assessores de Lula. Sim, pensei, Lula acordara, era outro! Ele faria o grande
salto, mormente na Educação.
Embriagado no sonho, esqueci-me daquela fábula
do sapo e do escorpião, que nos ensina que a natureza não se modifica. O sapo
acreditou que o escorpião era sincero e deu-lhe o amparo do nado para
atravessar a lagoa. Ambos, após a atroz e venenosa ferroada, se afogaram.
Antes, porém, o escorpião se desculpou: a maldade é minha natureza. Na
trajetória política dos povos, essa fábula foi muito repetida por
pseudo-estadistas que, galgando o poder, ferroaram de morte os companheiros de
jornada. A história da URSS nos mostra líderes como Kirov, Kamenev, Zinoviev,
Bukharin e tantos outros expoentes do bolchevismo que, iludidos, pagaram com a
vida em holocausto à natureza pérfida e cruel de Stalin. Se no escorpião temos
a natureza venenosa e cruel que apanha o distraído, o incauto ou ingênuo, no
homem, cuja tessitura de caráter tenha a massa do veneno e da crueldade, a
situação piora, porque se agrega a ela a inteligência. Essa simbiose leva à
perseguição sem tréguas ao alvo da vileza, como fez Stalin em relação a Trotsky, o amigo de
Lenine e formador do Exército Vermelho: caçou-o até trucidá-lo no exílio do
México.
No exercício do poder, o PT foi-se despojando da
veste ética, dos programas políticos que atraíram o voto da classe média, e
desafivelou a máscara. Era tudo, infeliz constatação, marketing. Não havia
programa de governo. Havia, isto sim, programa de poder. Manter o poder e
dominar: Legislativo e Judiciário. Lotear as estatais e seus fundos de
previdência. Ganhar, a qualquer preço, os Estados e Municípios. Nesse afã, os
fins – domínio da nação e eternização no poder - justificariam os meios táticos
e estratégicos ( eivados de desonestidade, mentira, falsidade, solércia,
felonia, corrupção despudorada...). Os escândalos afloravam. Lula – nada sabia,
a tudo ignorava, segundo o figurino que lhe fora traçado – tornou-se o ícone, a
lenda, o messias... O desenho dos marqueteiros funcionava: o menino nordestino,
retirante, que se fizera líder dos pobres, dos negros, dos oprimidos. Nessa
maré, os grandes projetos, inclusive Educação e Segurança Pública, ficaram no
papel, pois, na verdade, eram meros engodos, empulhações para venda de um
produto que, constatávamos, trazia em seu bojo vício redibitório absoluto.
Os homens e mulheres sinceros, idealistas que
sonhavam, assistindo a realidade que se delineara em horizontes cada vez mais
enevoados de fumaça, foram saindo: Hélio Bicudo, Frei Beto, Cristóvão Buarque e
tantas outras reservas morais da nação.
À esteira da debandada, os grandes malfeitos emergiram, e o “mensalão” constituiu-se na
mais desavergonhada trama que a República nunca vira. Caíram ministros,
rastejaram parlamentares, já que a lama era insustentável. Porém, por incrível
que pareça, Lula – num torvelinho de desculpas, negaças, histórias
fantasiosas... – escapou ileso e foi reeleito Presidente, após o que tentou, de
todas as formas, num cinismo e numa hipocrisia jamais vistos, sepultar o
processo do mensalão. Essa conduta estranha e ousada, que só a mestra história
nos deslindará daqui a algumas décadas, daria muitos livros ( alguns já existem
nas livrarias, desnudando engodos, falcatruas e felonias). Ainda agora, no
prelúdio de campanha eleitoral que deverá provocar grande entrechoque entre
situação e oposição e, certamente, a PeTralha utilizará de seus meios sórdidos
para montar dossiês, fabricar calúnias etc, os marqueteiros já calçaram Lula,
conforme noticiaram os jornais de 31 de janeiro p. passado. Este,
maquiavelicamente, ou sabidamente, postou no seu perfil do Facebook um
vídeomensagem do “Lulinha de paz e amor”, criticando o uso da internet para
disseminar calúnias e pregando a suavidade e lisura na campanha política”. Ora,
ora!... Eis a enganação, coisa da inteligência de seu marketing. No decurso da
campanha, caso algo de errado extrapole e venha a público, ou as estripulias
para assassinar a reputação de adversários seja ocasionalmente descobertas,
Lula estará em proteção preventiva e poderá, com a candura de sempre, dizer:
“fui traído”, “isso é coisa de alguns aloprados”. Pena que nosso povo, mantido grande parte no
analfabetismo, não lê, não ouve e não percebe o que “bandidos” arquitetam em
seu desfavor, não sabe entender, muito mais por boa fé, o que se passa nas
entrelinhas da imensa seara onde viceja a “cultura da razão cínica”.
Num primeiro exame linear, entende-se porque a
PeTralha quer exterminar as Polícias Militares. São instituições visceralmente
diferentes. Estas nasceram e medraram no seio das comunidades, formando um todo
com uma finalidade, um papel social bem claro: manter a paz e a tranquilidade
social. Assegurar o progresso das comunidades, prevenindo e reprimindo o crime,
exercitando, enfim, ações de segurança pública. Suas raízes bisseculares, rijas
em brasilidade, ensejaram instituições cujos membros se ancoram no espírito de
sacrifício, na abnegação, na ética... Os desvios de conduta, fatalidade entre
humanos, são tratados à luz da lei. Há o expurgo. Inexiste conluio para dividir
o butim ou eliminar companheiros. Quanto à PeTralha, a história recente do
poder, que começou, em nível municipal na década de 90, nos mostra a ânsia da
corrupção (salvo raras e honrosas exceções), o avanço açodado às benesses
públicas, lembrando-nos do dito popular: “quem nunca comeu melado, quando come
se lambuza”. Os petistas lambuzaram-se, chegando até ao assassinato na divisão
do butim. E mais: não há expurgo dos delinquentes, estes continuam ofendendo
até juízes e promotores que tiveram a ousadia de enquadrá-los; autoprotegem-se
promovendo “vaquinhas” para saldar sanções pecuniárias. Isto, em mais de dois séculos
de história de algumas Polícias Militares, jamais se teve notícia. Isto é
vergonhoso e inacreditável. No contexto desse diapasão ético-moral, PT e
Polícias Militares são instituições que cultivam e praticam valores
antagônicos. Aqueles não as suportam, pregam a destruição destas. Psicologia e
sociologia explicam o ranço da PeTralha.
Num segundo e mais profundo exame, este de cunho
estratégico, entende-se o porquê do PT, através de seus PeTralhas, alardear,
clamar e fazer coro para “acabar com as Polícias Militares’. Seu segmento, hoje
dominante, constrói um plano de poder, conforme diretrizes que vêm sendo
traçadas nos sucessivos encontros e congressos do Foro de São Paulo,
organização criada nos anos 90 por Lula e Fidel Castro, para chegada ao poder.
Esse Foro não apresenta disfarces: é filosófica e politicamente
marxista-leninista, prega-se uma linha bolchevista de tomada do poder, prega-se
a luta de classes e a ditadura do proletariado. Tudo isso é incrível diante da
história que nos mostra uma implantação violenta em 1917; nos exibe um monstro
Stalin, rival de Hitler em exterminar seres humanos pela fome, por desterro em
regiões geladas, pelo fuzilamento, pelo assassinato puro e simples; nos mostra
as façanhas de um Mao Tse Tung que, decadente, presenteou os chineses, na década de 60, com
incompreensível, aterrorizante e macabra “Revolução Cultural”. Tudo isso é
incrível, repito, sabendo-se do fracasso histórico desses regimes que, fundados
na utopia materialista, erigiram catástrofes e suprimiram as liberdades.
Para que esse modelo exótico – autêntico
dinossauro – ser implementado, é preciso, a par de manter a massa iludida com
“esmolas” e na ignorância, minar as
forças de resistência da sociedade, é necessário fazer ruir instituições de
alicerces sólidos, lastreados em valores. Assim, criem-se situações que
levantem uma atoarda contra as Polícias Militares, provoquem cizânias, acirrem
contradições entre corporações. Destruídas as Polícias Militares, fácil seria
esfacelar a frágil Polícia Civil. Então, no lugar a polícia do partido à
semelhança da Tcheca, NKVD e outras siglas tenebrosas, que efetuará prisões na
surdina, não respeitará lares nem noites. À esteira, as Forças Armadas,
sucateadas e desmoralizadas, verão emergir em seu lugar milícias populares e um
exército vermelho. O resto da nação, vergastada pelo medo – e o medo é
terrível: dá pânico, imobiliza... – irá se quedando, submetendo-se como o
cordeiro que caminha para a degola.
Não creio que todo o PT, ainda relativamente
mobiliado de homens e mulheres inteligentes e de visão, queira marchar rumo ao
retrocesso de uma mensagem baseada no materialismo dialético, que preconiza a
ruptura de uma nação através de luta de classes, de confrontos irreversíveis,
que, após destruições, levarão ao nada. Mas quem o comanda hoje, e prega essas
estultices, inclusive o Delenda PM, é a parte emprenhada no fanatismo
ideológico, a parte raivosa e vingativa. Esses tresloucados não medem
consequências. Portanto, as Polícias Militares, alvos da ocasião, devem se precaver
e, como instituições de raízes profundas na brasilidade, resistir.
IV-
COMO ANULAR A AMEAÇA PETISTA
Antes de adentrar numa estratégia para
desmascarar a PeTralha, alguns comentários. A Polícia Militar precisa de
reformas? Sim. Tenho afirmado isto em alguns artigos. Embora meio irrelevante,
sempre achei que a denominação atual da organização, que vem da década de 40, é
imprópria. Sempre preconizei o retorno a uma das antigas denominações: Força
Pública ou Força Policial. Polícia Militar, dentro da concepção original, de
Exército em campanha, tem uma conotação totalmente diferente na essência da
finalidade: é polícia de ordem e disciplina em zona de ocupação de exército ; é
polícia para policiar o militar. Contudo, alguns se arraigaram à “equivocada
denominação” que, dentre seus males, fez surgir um oposto, ou seja, a também
equivocada denominação Polícia Civil para a tradicional Polícia Judiciária. Não
só a Polícia Militar, mas a polícia como um todo precisa de políticas de
valorização humana, necessita de regulamentos que permitam maior controle no
uso da força e vede a propagação da corrupção (essas premissas são constantes
das polícias do mundo inteiro). A organização militar – alicerçada na
hierarquia e disciplina – assegura o controle de tropa armada. Se se fraquejar
na disciplina, teremos bandos. Os países mais adiantados dispõem de forças
públicas com organização militar (carabineiros na Itália e no Chile,
Gendarmeria na França e outros países, Guarda Civil espanhola, polícias
municipais americanas, Real Polícia Montada no Canadá etc.). As Polícias
Militares brasileiras seguem o modelo universal, porém, como as congêneres, não
são forças de guerra, são preparadas para prevenir e reprimir a delinquência.
Seus métodos, treinamentos e finalidade não guardam qualquer similitude com o
Exército (só os fanáticos ideologizados não entendem ou não querem ver o que é
óbvio).
Feitas estas considerações, partamos para uma
reflexão inicial com eixo numa premissa básica: não é lícito demonizar o PT. Este partido, como toda organização
humana, tem uma parte de homens e mulheres sensatos e inteligentes – que nele
permaneceu, apesar das podridões expostas – como tem aquela porção que grita e
impõe, a que o vulgo tem denominado de PeTralha, com o P e T bem salientes. A
banda séria e pensante do PT, tão somente atrelada em ideais socialistas –
legítimos como outros ideais, desde que não contenham viés de supressão de
liberdade e o sufoco do indivíduo – talvez pegue as rédeas da agremiação que, atualmente, está como um corcel solto, e
reveja as moções incabíveis, inclusive esta: NÃO ACABOU, TEM QUE ACABAR,
QUEREMOS O FIM DA POLÍCIA MILITAR.
No que tange a essa palavra de ordem da
PeTralha, os mais ou menos 500.000 milicianos brasileiros – ativos, reserva e
reformados – juntados à uma rede de esposos, esposas, filhos e filhas, pais e
mães, avós e avôs, cunhados, cunhadas, noras, genros, sobrinhos, sobrinhas,
netos, netas etc, que pode chegar a uma família afetiva de 10 milhões,
certamente não aceitam o fim da bissecular instituição Polícia Militar.
Espalhados e posicionados firmemente em 26 estados, 5.570 municípios e um
Distrito Federal, vão~unir-se, criar uma
defesa contra a insensatez levantada no clamor de um monte de insensatos; vão
rebater a propagação da mensagem sem nexo e sem razão. Porém, como temos
princípios e valores, não devemos nos mover pelo ódio e retrucar em uníssono:
“Queremos o fim do PT”, Delenda PT. Ideias malsãs não constroem. Vamos agir,
erigir uma estratégia, tendo por lastro o Amor. Assim, chegaremos ao coração de
todos os brasileiros.
Uma ameaça foi enunciada, aprovada em congresso
de um partido político que, eventualmente, acha-se à frente do poder executivo
da União, de alguns estados e municípios, além de enorme representação
legislativa. Na organização sendimentada em hierarquia e disciplina, como as
Polícias Militares, cabe aos comandantes, líderes institucionais, esclarecer a
tropa, não permitir que uma inquietação ou ansiedade permeie a mente daqueles
que, no dia-a-dia, estão engajados em espinhosas e, às vezes, dolorosas missões
para assegurar a paz e tranquilidade social. Talvez fosse conveniente uma
tomada de unidade, consensada em reunião do Colégio de Comandantes Gerais
(embora afastado da ativa há mais de 25 anos, tenho ouvido falar nesse
colégio). Assim, debatido o assunto e alinhavado o pensamento, toda a tropa
deveria ser devidamente esclarecida sobre a insensata moção e sua inocuidade. A
palavra dos comandantes tranquiliza.
Num segundo
momento, ou concomitantemente à ação dos comandantes, os diversos
segmentos representativos, semeados pelo Brasil, devem entrar numa ação de
contraofensiva, repudiando a moção e o seu absurdo. Devem se juntar – União de
Policiais-Militares da Ativa e Reserva, Associações de classe, entidades representativas:
Clubes de Cabo e Soldados, Sargentos e Oficiais, Associação de Viúvas e
Pensionistas etc. Juntados, criar uma comissão em nível nacional; arrecadar
recursos para a contratação de profissionais de mídia e marketing. Nada de
amadorismos e palpites. A estratégia será persistente e profunda, traçada por
profissionais competentes e controlada nos seus resultados.
Por derradeiro o principal. A instituição, como
um todo, é força pública obediente ao poder político, não pode ter ligação
partidária, seu partido é a lei. Contudo, cada miliciano, de per si, pode ter
sua opção política: vota e é elegível para qualquer cargo. Diante da ameaça da
PeTralha, vamos vigiar nessas próximas eleições, nenhum PeTralha deve ser
eleito. Denunciá-los e expô-los ao crivo dos companheiros, familiares e amigos
é um dever. Vamos formar uma rede de milicianos da ativa e reserva, convocar os
familiares e os amigos, e pedir apoio contra o inimigo comum: a PeTralha. Olhe
bem, não queremos acabar com o PT, mas tão somente esvaziá-lo dos maus e, para
tanto, o proselitismo do voto é fundamental. Pode-se votar em candidato do PT?
Sim, desde que ele se manifeste claramente contra essa estultice dos PeTralhas:
acabar com as Polícias Militares; desde que o candidato petista seja uma pessoa
do bem. Como afirmamos em premissa inicial: não é lícito demonizar o PT. Porém
é lícito, segundo a ensinança de Cristo, separar o joio do trigo.
Creio que a resposta tem de ser dada, mas em
alto nível. As Polícias Militares, representadas por uma imensidão de
brasileiros, não podem nem devem descer ao nível rasteiro dessas turbas.
Unidos e coesos nos ideais legados pelo imortal
Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes - patrulheiro dos ínvios
sertões da Capitania do Ouro, os milicianos brasileiros poderão dar uma
resposta eficiente, eficaz e efetiva aos PeTralhas que preconizam a destruição
não só das Polícias Militares, mas da Pátria, tal qual a herdamos e a
consolidamos sobre princípios e valores. E outras instituições, também
ameaçadas por uma progressão ideológica perigosa, poderão a nós se agregar,
numa mesma linha de resistência. Ao final, o bem haverá de vencer.
*O autor é policial-militar reformado da
PMMG, executivo empresarial e escritor
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