segunda-feira, 11 de junho de 2018

EM 11 DE JUNHO, ÀS 10 HORAS, SESSÃO SOLENE NA ALESP, PROPOSTA PELO DEPUTADO ESTADUAL CORONEL PM CAMILO - HOMENAGEM AOS BOMBEIROS QUE TRABALHARAM NO INCÊNDIO DO PRÉDIO WILTON PAES DE ALMEIDA, NO LARGO DO PAISSANDU.

11/06/2018 14:23

Bombeiros que trabalharam no incêndio do Wilton Paes de Almeida são homenageados

Da redação - Fotos: Marco Antonio Cardelino



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Ato Solene em Homenagem ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo recebeu homenagens em sessão solene realizada na Assembleia Legislativa. O evento aconteceu na segunda-feira (11/6), no plenário Juscelino Kubitscheck. Foram reconhecidos os bombeiros, os patrulheiros e os cães que trabalharam no incêndio ocorrido no Edifício Wilton Paes de Almeida, no dia 1º de maio, no Largo do Paissandu, região central da capital paulista. O incêndio mobilizou, em 13 dias de operação, mais de 1.500 pessoas, entre bombeiros e policiais civis.

"Fizemos uma celebração ao Corpo de Bombeiros da PM, um pouco antecipado, já que é comemorado no dia 2/7. Aproveitamos para fazer uma homenagem a todos que atuaram nessas últimas ocorrências, sobretudo a do Largo do Paissandu, onde muitos bombeiros chegaram a permanecer até 20 horas em trabalho ininterrupto, com técnica, garra e dedicação; tentando localizar vítimas ainda com vida. A tragédia não foi pior, graças à atuação da PM, que inicialmente, desocupou o prédio e à atuação do Corpo de Bombeiros", declarou o deputado Coronel Camilo (PSD), proponente da cerimônia.

Foi destacada a equipe do Sargento PM Diego, que teve atuação chave no incêndio por tentar resgatar, entrando pelo prédio vizinho, Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, uma das vítimas.

Diego Pereira da Silva Santos e Caio Salgado Cora, 3º Sargentos e os soldados Esio Lemes Beirigo, Everton Henrique dos Santos de Freitas e Luciano Fernandes da Silva Costa receberam a Medalha da Constituição da Assembleia Legislativa.

As cadelas farejadoras do Corpo de Bombeiros também foram homenageadas, assim como os seus adestradores, com o Certificado de Agradecimento pelos relevantes serviços prestados à sociedade paulista e à PM do Estado de São Paulo. O 2º Sargento da PM Clóvis Benedito de Souza, e a cadela Hope; o 1º Tenente PM Felipe Carmelo Torres Zalpa, em nome do 3º Sargento PM Ricardo Oliveira dos Santos, em férias, e a cadela-filhote Moly; o Cabo PM Fabrício Miranda de Assumpção e a cadela Vasty, todas da raça Pastor Belga de Malinois; o Cabo PM Gerson Aparecido Henrique Ferreira e a cadela Sarah, além do soldado Gabriel Seuma Soares e da cadela-filhote, Wiki, ambas da raça Labrador.

Ainda foram homenageados, com o Certificado, os seguintes comandantes: Coronel PM José Marcelo Macedo Costa, do CPTran; Coronel Alexandre Gaspar Gasparian, comandante do CPChoque; Coronel Alexandre Cesar Pratis, comandante do 1º BPTran; Major Douglas Quiril, comandante interino do 7º BPM/M e o Tenente Coronel Genivaldo Antonio, comandante do 45º BPM/M. "Esses comandantes representam as tropas que participaram e, através deles, agradecemos a todos os envolvidos. Parabéns aos patrulheiros do 45º e do 7º Batalhão. Não tivemos um número maior de vítimas, pois essa tropa chegou rapidamente e realizou a evacuação não só do edifício Wilton quanto do prédio em frente, que também foi atingido", destacou Camilo.

O Coronel PM Eduardo Rodrigues Rocha, comandante do Corpo de Bombeiros, declarou que mesmo com todo empenho de homens e mulheres da corporação, que colocaram suas vidas em risco, a ocorrência resultou em 7 pessoas desparecidas, sendo 4 corpos localizados após dias de intensos trabalhos e também, a perda de um Patrimônio Histórico de São Paulo, ícone da arquitetura da cidade. "Foram 13 dias de trabalho, de 1 a 13 de maio, visando confortar as famílias dos desaparecidos, dar dignidade aos que partiram, preservar as edificações do entorno, minimizando tanto quanto possível, as perdas materiais e restaurar a normalidade da cidade, aliviando a dor das pessoas e permitindo, desta forma , que retomassem suas vidas, retornando o quanto antes, às suas rotinas. Por dia, foram mais de 70 profissionais do corpo de bombeiros, 20 viaturas e cinco cães. Devo ressaltar a integração dos diversos órgãos públicos e reconhecer o importante papel desempenhdo por todos os seus integrantes", disse o Coronel Eduardo Rodrigues Rocha.

"É um momento gratificante para nós, da Assembleia Legislativa, poder fazer essa homenagem e esse reconhecimento a esses Heróis do Fogo que fazem a diferença na vida das pessoas" finalizou Camilo.

Também estiveram presentes o Coronel da PM Marcelo Vieira Salles, comandante geral da PM; Sergio Turra Sobrane, secretário Adjunto de Segurança Pública, representando o governador Márcio França e o Coronel da PM, Mario Fonseca, presidente da Sociedade Veteranos de 1932 "MMDC. Compareceram também o deputado Coronel Telhada (PP), além de integrantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Associação Comercial de São Paulo.

Ato Solene em Homenagem ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo

Bombeiros homenageados

APMDFESP - CONVITE PARA DIA 13 DE JUNHO, ÀS 13:30 HORAS, NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO.

    A Diretoria da APMDFESP está convidando a Família Policial Militar para estar às 13h30 da próxima quarta-feira, 13 de junho, na Assembleia Legislativa de SP, quando os Deputados Estaduais podem decidir e aprovar importante Projeto em prol dos PMs.🤔🤔
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    Ferreira Neto compartilhou uma publicação.
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    Ferreira Neto
    Em Defesa dos Policiais Militares e dos Cidadãos.
    Eu Sargento Ferreira Neto e Ten Carminatti, juntamente com o Maj Olímpio, fomos em inúmeras Cidades do Noroest...
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UM BRASILEIRO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA - CORONEL LÍCIO AUGUSTO MACIEL - MEUS CRÉDITOS AO CLÁUDIO LUIZ SENISE

UM BRASILEIRO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA - Coronel Lício Augusto Maciel

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Claudio Luiz Senise

08:27 (Há 13 horas)
para Cco:mim

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Luiz Giorgis
Data: 17 de maio de 2018 16:25
Assunto: Fwd: UM BRASILEIRO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA - Coronel Lício Augusto Maciel
Para:


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Juvencio Lemos
Data: 17 de maio de 2018 12:57
Assunto: Fwd: UM BRASILEIRO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA - Coronel Lício Augusto Maciel
Para: 

Repasso.
JL
PREZADOS CAMARADAS
Repasso o Documento que recebi. Trata-se do depoimento corajoso feito pelo Coronel LÍCIO (  acho que era Aspirante de 1953- Artilharia-  e Engenheiro de Comunicações Formado pelo IME ) que participou intensamente dos combates da Guerrilha do ARAGUAIA. Colega que , sem medo e meias palavras, disse o que ocorreu  durante a dura fase que teve que teve e tiveram que enfrentar os Camaradas que anonimamente e com coragem inusitada livraram o país das garras do COMUNISMO.
Esse documento a REDE GLOBO e suas associadas não divulgam em suas edições jornalísticas.
Uma pena, pois assim conheceríamos as duas versões. Vale ler e repassar. 
Abraços SANTOS
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: MárioIvan <marioivan@terra.com.br>
Data: 16 de maio de 2018 23:47
Assunto: UM BRASILEIRO NA GUERRILHA DO ARAGUAIA - Coronel Lício Augusto Maciel
Para: MárioIvan <marioivan@terra.com.br>

            Eis aqui um autêntico documento sobre a guerrilha do Araguaia. Esse, sim, é um documento verdadeiro. Vale a pena lê-lo até o fim. E difundi-lo à exaustão.
      ==============


---------- Mensagem encaminhada ----------
 ss 
UM BRASILEIRO NA GUERRILHA
DO ARAGUAIA

Coronel Lício Augusto Maciel  
EM, 02 DE NOVEMBRO DE 2012

Araguaia: "Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado!"

Discurso* do Coronel Lício Augusto Maciel na Câmara dos Deputados, em sessão solene em homenagem aos combatentes mortos no Araguaia, realizada no dia 26 junho 2005.

"Genoíno, olhe no meu olho, você está me vendo.
Eu prendi você na mata e não toquei num fio de cabelo seu. Não lhe demos uma facãozada, não lhe demos uma bolacha - coisa de que me arrependo hoje."

Como participante dos acontecimentos que passo a relatar, fiz apenas um resumo dos itens mais perguntados, porque a dissertação será por rememoração dos fatos. Para isso, tiro os óculos, a fim de que aqueles que vou citar me olhem bem no fundo dos olhos e tenham suficiente coragem de afirmar que tudo o que foi dito aqui é a pura verdade - se bem que não há necessidade, porque eles mesmos já confirmaram em outras ocasiões.

O primeiro item selecionado se refere à razão da minha escolha para a missão de descobrir o local da guerrilha, que hoje se diz Guerrilha do Araguaia.

Em 1969, após a morte do terrorista Marighella em São Paulo, em seus documentos foram encontradas várias citações sobre o local da "grande área", uma possível grande área de treinamento de guerrilha.

Eu estava chegando a Brasília em 1968, já pela segunda vez. No meu passado, em 1954, fiz o curso de pára-quedista e, em seguida, o curso de Forças Especiais da Divisão de Pára-Quedistas, especializando-me na modalidade Guerra na Selva. Posteriormente, ao curso de Operações Especiais (hoje Forças Especiais) foram incorporadas outras especialidades e, mais tarde, criado o Centro de Instrução de Guerra na Selva, CIGS, no coração da Amazônia.

Detentor do curso de Forças Especiais e considerado, à época, elemento com credenciais para desenvolver operações de selva, percorri muitas vezes a rodovia Belém-Brasília, estrada pioneira (de barro).

Eu e minha equipe, de 3 ou 4 homens, chegamos à conclusão, pelos indícios obtidos, de que a "grande área" estava na região do "Bico do Papagaio", entre Xambioá, Marabá, Tocantinópolis e Porto Franco.

Não obstante, o fato mais importante que nos permitiu chegar a essa conclusão foi a prisão, em Fortaleza, do terrorista Pedro Albuquerque. Pedro Albuquerque foi preso quando tentava tirar documentos em Fortaleza. Recolhido ao xadrez, tentou suicídio, cortando os pulsos. A sentinela, ao passar, viu, deu o alarme e ele foi levado para um hospital da guarnição.

O documento resultante das declarações de Pedro Albuquerque foi enviado diretamente de Fortaleza para Brasília e chegou às mãos do General Bandeira, que imediatamente mandou buscar o preso. Enquanto eu preparava a equipe, o preso chegou e partimos, junto com Pedro, para o ponto de referência indicado por Pedro: Xambioá.

Chegamos ao Rio Araguaia, pegamos uma canoa grande, com motor de popa e fomos até ao local de Pará da Lama: era uma picada ao longo da floresta, na direção do Xingu. Andamos o dia inteiro. Chegamos ao anoitecer na casa do último morador, com o Pedro levado por nós.

Não estava algemado, amarrado ou coisa assim. Ele foi acompanhando nossa equipe, livre. Há várias testemunhas desse episódio aqui presentes.

Chegamos à casa de Antônio Pereira, pernoitamos sob telheiros e, no dia seguinte, às 4 horas, prosseguimos em direção ao local indicado pelo Pedro Albuquerque. Ao chegarmos lá, avistamos três homens, ou melhor, três pessoas, pois uma era mulher, descansando para almoço, presumo. Aproximamo-nos do local para conversar com eles, para saber o que estavam fazendo ali. Eram três e, no nosso grupo, havia seis, o que os levou a fugir.

Fiquei abismado com o estoque de comida e de material cirúrgico encontrado no local, onde havia até uma oficina de rádio, 60 mochilas de lona, costuradas (no local) em máquina industrial. Jogamos muita coisa no meio de um açude, tocamos fogo no resto e voltamos sem fazer prisioneiro.

Poderíamos ter atirado naqueles elementos. Estávamos a 80 metros: um tiro de fuzil os atingiria facilmente, pois estavam sentados. Mas nosso objetivo não era matar, não era trucidar. Nosso objetivo era confirmar o que eles estavam fazendo lá, pois, de acordo com Pedro Albuquerque, eram guerrilheiros.

Estavam exatamente na área indicada por Pedro Albuquerque que, aliás, viu toda a operação.

Destruímos todos os seus aparelhos e um grande volume de frutas - melancia, jerimum etc. Ficamos impressionados com a quantidade de comida que havia lá, inclusive sacas de arroz; havia até, como já disse, uma oficina de rádio, com equipamentos sofisticados. Embora uma oficina rústica, mas que funcionava, assim como o gerador, lá atrás.

O Pedro Albuquerque retornou com dois dos nossos, sendo recolhido ao xadrez de Xambioá, e continuamos nossa missão.

Como os três elementos fugitivos certamente avisaram para o resto do grupo do Destacamento C, mais ao sul, em frente a São Geraldo do Araguaia, que estávamos indo para lá, ao chegarmos os vimos fugindo com muita carga - até violão levavam.

Estavam se retirando da área do Destacamento C, do Antônio da Dina e do Pedro Albuquerque.

É bom lembrar que Pedro Albuquerque nos levara ao Destacamento C, ao qual pertencera e de onde fugira porque os bandidos exigiram que fizesse um aborto em sua mulher, que estava grávida. Mas o casal não se conformou com a ordem, principalmente porque outra guerrilheira grávida tinha sido mandada para São Paulo, para ter o filho nas "mordomias" daquela cidade.

Coincidentemente, ela era casada com o filho do chefe militar da guerrilha, Maurício Grabois.

Passamos a perseguir esse grupo e continuamos avançando. Embora chovesse bastante, estávamos nos aproximando. Eles resolveram soltar a carga que estavam levando e o guia, morador da área, disse-me: "Agora, nós não vamos pegar eles porque estão fugindo pra gameleira".

Demos uma meia parada e passamos a destruir o equipamento abandonado por eles. Foi então que pressentimos a vinda de alguém pela trilha. Nós estávamos no meio da mata e esse elemento vinha pela trilha.

Agachamo-nos e observamos um elemento forte, com chapéu de couro, mochila nas costas e facão na cintura. Então, quando chegou bem próximo, dei a ordem: "Prendam esse cara!"

Não sei, não posso me lembrar, se foi o Cid ou se foi o Cabo Marra que pegou o Genoíno, pois esse elemento, que dizia chamar-se Geraldo, posteriormente foi identificado como Genoíno - que naturalmente está me olhando agora.

E eu tiro os óculos justamente para ele me reconhecer, porque da minha cara ninguém esquece, principalmente com aquela cara que eu estava na mata, depois de vários dias passando fome e sede, sujo, cheio de barba...

Mas é a mesma cara... É o mesmo olhar de quando o encarei e disse: "Seu mentiroso! Confesse! Você não tem mais alternativa".

Por que eu descobri que o Genoíno era guerrilheiro?

Ele se dizia Geraldo e se dizia morador da área (claro, elemento na área, suspeito, eu mandei deter). Mesmo algemado e com tudo nas costas, uma mochila pesada e grande, ele fugiu.

O Cabo Marra deu três tiros de advertência, e ele parou. Mas não parou por causa da advertência, parou porque se emaranhou no cipoal e o pessoal conseguiu pegá-lo.

Eu perguntei: "Por que você está fugindo? Nós apenas estamos querendo conversar com você. Para você não fugir, vamos ter de algemá-lo".

"Eu sou morador" - disse ele.

Deixei o pessoal especializado em inquirição conversar com o Genoíno - até então Geraldo. O Cid conversou bastante com o Genoíno e, afinal, veio a mim e disse: "Comandante, não tem nada, não".

"Está bem" - respondi. Como eu já estava há muito tempo no mato e já tinha decidido levar esse Geraldo para Xambioá, peguei a mochila dele.

Quero também ressaltar que havia um elemento na minha equipe - já falecido - especialista em falar com o pessoal da área; um elemento excepcionalmente bondoso, ao qual presto minhas homenagens.

O João Pedro, apelidado por nós de Jota Peter, ou Javali Solitário - onde estiver estará me escutando. João Pedro era quem falava com o matuto, com o pessoal da área.

Eu, na minha linguagem urbana, não era entendido nem entendia o que eles falavam. Pois bem, o Javali veio a mim e disse: "Ele não tem nada. É morador da área".

Como homem de selva que era, peguei a mochila do Geraldo e comecei a abri-la.
Tirei pulôver, rede e um bocado de "bagulho" da mochila do Geraldo, até encontrar um tubo de remédio no fundo da mochila.

Ao pegar aquele tubo e olhar para o Genoíno, vi que ele estava lívido, pálido.

Lembro-me que ainda lhe disse: "Companheiro, fique tranqüilo porque nós não vamos fazer nada com você; você é morador da área". E abri o tubo...

Lá encontrei material típico de sobrevivência - linha de pesca fina, anzóis. Como eu havia feito um curso e só sabia teoricamente sobre o assunto, interessei-me por aquele exemplo prático, em um local de difícil acesso na selva amazônica.

À medida que eu ia puxando aquelas linhas, o Genoíno - aliás, o Geraldo - ia ficando mais desesperado. E quando eu esvaziei o tubo, olhei para ele... estava branco como cera.

Quando eu olhei para ele [Genoíno] e disse: "Você não tem mais alternativa porque aqui está a mensagem", ele disse: "Eu falo".

Foi quando, lá no fundo do tubo, vi um papel pautado, dessas cadernetas em que todo dono de bodega na área anotava as suas vendas. Cortei uma talisca do meu lado, puxei o papel e lá estava a mensagem do Comandante do Grupamento B, da Gameleira, o Osvaldão, para o Comandante do Grupamento C, Antônio da Dina.

Estava lá a mensagem que o Genoíno transportava para o Antônio da Dina. Era uma mensagem tão curta que ele, como bom escoteiro que era, poderia ter decorado, pois até hoje, mais de 30 anos passados, eu me lembro do que ela dizia.

Era uma dúzia de palavras em linguajar militar, de próprio punho do Osvaldão, o Comandante do Grupamento B da Gameleira, o grupamento mais perigoso da guerrilha, como constatamos no desenrolar das lutas. 

Aliás, esse foi o grupo que matou o primeiro militar na área.

Antes de qualquer pessoa morrer, o grupo do Osvaldão matou o Cabo Rosa, Odílio Cruz Rosa.

Depois do Cabo Rosa eles mataram mais 2 sargentos e fizeram muito mal aos militares, que nada sabiam até então. Só quem sabia era o pessoal de informações.

Bem, prosseguindo.

O Genoíno foi mandado para Xambioá.

A essa altura ele deixou de ser suspeito e disse tudo sobre a área. Quando eu olhei para ele e disse: "Você não tem mais alternativa porque aqui está a mensagem", ele disse: "Eu falo".
Genoíno, olhe no meu olho, você está me vendo. Eu prendi você na mata e não toquei num fio de cabelo seu. Não lhe demos uma facãozada, não lhe demos uma bolacha - coisa de que me arrependo hoje.

Um elemento da minha equipe, fumador inveterado, abriu um pacote de cigarros, aproveitou aquele papel branco do verso, pegou um toco de lápis, não sei de onde, e o João Pedro começou a anotar o que o Genoíno falava.

Fui até um córrego próximo beber um pouco d'água. Voltei e o papel estava cheio, com toda a composição da Guerrilha - nomes, locais, Grupamento C, ao sul; Grupamento B, da Gameleira, perto de Santa Isabel; e Grupamento A, perto de Marabá.

Eram esse os 3 grupos efetivos, em que se presumiam 30 homens por grupamento, além de um comitê militar, comandado por Maurício Grabois.

"Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado!"

Peguei aquele papel e ainda comentei com ele: "Pô, meu amigo, tu és um cara importante desse negócio aí, hein?"

E mandei o Genoíno para Xambioá, onde foi recolhido ao xadrez e, posteriormente, enviado a Brasília. Três ou quatro dias depois, não me lembro, veio a confirmação da identificação: o guerrilheiro Geraldo era o José Genoíno Neto.

Triste notícia veio depois.

O grupo do Genoíno prendeu um filho do Antônio Pereira, aquele senhor humilde, que morava nos confins da picada de Pará da Lama, a quilômetros de São Geraldo.

O filho dele era um garoto de 17 anos, que eu não queria levar como guia, porque ao olhar para ele me lembrei do meu filho, que tinha a mesma idade.

Eu dissera ao João: "Não quero levar o seu filho". Eu sabia das implicações, ou já desconfiava. Mas o pobre coitado do rapaz nos seguiu durante uma manhã, das 5h até o meio-dia, quando encontramos os três nos aguardando para almoçar.

Pois bem.

Depois que nos retiramos, os companheiros do José Genoíno pegaram o rapaz e o esquartejaram. Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado!

Toda a Xambioá sabe disso, todos os moradores de Xambioá sabem da vida do pobre coitado do Antônio Pereira, pai do João Pereira, e vocês nunca tiveram a coragem de pedir pelo menos uma desculpa por terem esquartejado o rapaz!

Cortaram primeiro uma orelha, na frente da família, no pátio da casa do Antônio Pereira; cortaram a segunda orelha; o rapaz urrava de dor; a mãe desmaiou.
Eles continuaram, cortaram os dedos, as mãos e, no final, deram a facada que matou João Pereira.

Pois bem, eles fizeram isso apenas porque o rapaz nos acompanhou durante 6 horas. Para servir de exemplo aos outros moradores, de forma que não tivessem contato com o pessoal do Exército, das Forças Armadas.

Foi o crime mais hediondo de que já soube. Nem na Guerra da Coréia ou na do Vietnã fizeram isso. Algo parecido só encontrei quando trucidaram o Tenente PM Alberto Mendes Júnior.

Esse Tenente PM se oferecera voluntariamente para substituir dois subordinados que estavam feridos, capturados pela guerrilha do Lamarca.

Lamarca pegou o rapaz, castrou-o, obrigou-o a engolir os órgãos genitais e o trucidou.

Pois o crime contra o João Pereira foi muito mais grave, muito mais horrendo. E eles sabem disso. Peçam desculpas ao Antônio Pereira, se ele estiver vivo!

Tenham a coragem de reconhecer, pois toda a Xambioá sabe disso!

Genoíno preso e identificado... mas a Guerrilha prossegue. Depois de matar o João Pereira, mataram o Cabo Odílio Cruz Rosa; depois do Rosa, eles mataram dois sargentos; depois dos dois sargentos, eles atiraram no Tenente Álvaro, que pode contar a história, como estou contando aqui.

Na minha versão, o Álvaro deu voz de prisão ao bandido e eles atiraram.

Outro, que estava atrás, atirou nas costas do Álvaro. Depois desse ferido, houve vários outros feridos, até que, finalmente, eu fui ferido e tive que sair da área.

Porém, antes, as tropas do Exército saíram da área, ao constatar que aquele era um movimento de monta, mais planejado - planejado em Cuba.

Sabemos como funciona a mente de um comunista. Um comunista tranqüilo, sem arma na mão, tudo bem.

Aquilo é o que ele pensa e a nossa democracia permite isso. Mas aquele que pega em arma, tem de ser eliminado. Um homem que entra numa mata para combater em nome de um regime de Fidel Castro, esse cara tem que ser morto!

Foi então realizada a Operação Sucuri, que fez um levantamento completo de informações: do que se tratava, qual o valor do inimigo, onde ele estava, enfim, todos os itens necessários para que fosse elaborada uma ordem de operações para o combate à Guerrilha. Isso durou 5 ou 6 meses e já existe literatura ´publicada muito boa a respeito.

Elementos militares descaracterizados, à paisana, foram postos dentro da mata, desarmados, com identidade falsa, infiltrados na área dos bandidos.

Qualquer um de nós, em sã consciência, reconhece que esses homens da Operação Sucuri foram uns heróis. Naquela época, se me tirassem as armas e me botassem na mata... não sei não...

No ímpeto da juventude, talvez eu fosse, como eles foram. Eram capitães, tenentes e sargentos.

Terminada a Operação Sucuri, já sabíamos do que se tratava, confirmadas todas ou quase todas as informações que o Genoíno tinha dado. Três grupos, comando militar e a chefia em São Paulo, sob o comando de João Amazonas - que fugiu da área ao primeiro tiro.

Grande valentia! Herói... João Amazonas?! João Amazonas, repito, fugiu da área ao primeiro tiro, junto com Elza Monnerat. Deixou lá garotos, estudantes e os fanáticos comunistas, tipo Maurício Grabois, que influenciou seu filho, André Grabois, o personagem central do evento que vou relatar agora.

O comandante do Comitê militar da guerrilha era o André Grabois.

A esposa dele, a Criméia, que talvez esteja me olhando, disse que o pegamos numa emboscada, mas não houve emboscada!

Como o Exército saíra da área para fazer operação de informações, a Operação Sucuri, eles cantaram vitória prematuramente:
"Seu Exército é de fritar bolinho".

Muito bem... fritamos bolinho!

Eu já estava de volta à área e recebi a seguinte ordem:

"Vá à região de São Domingos a pé, porque de viatura não se chega lá.
Eles destruíram uma ponte na Transamazônica".

Peguei a minha equipe e fui para São Domingos. Atravessei o rio. A ponte, de madeira, estava destruída, mas atravessei a vau. Cheguei a São Domingos e encontrei o posto da PM incendiado.

Ao alvorecer daquele dia - se não me engano, 10 de outubro de 1973, eles destruíram e incendiaram o posto. Deixaram todos os militares nus, inclusive o Tenente PM comandante do destacamento; pegaram todo o armamento, toda a munição e todo o fardamento. Entraram na mata e deixaram um recado: "Não ousem nos seguir, porque o pau vai quebrar".

Infelizmente, Criméia, seu marido morreu por isso: pude ver as suas pegadas bem nítidas, pois eles estavam carregados com cunhetes de munição, fuzis da PM, revólveres, e foi fácil seguir o grupo.

No terceiro dia, para resumir, houve o encontro. Eles estavam tão certos de que o Exército não iria lá que estavam caçando porcos.

Às 6 da manhã, eu escutei o primeiro tiro e o grito dos porcos.

Às 15 horas houve o combate.

Vejam bem o espaço de tempo: de 6 da manhã às 15 horas.

Eu estava a menos de 10 metros do primeiro homem, que era o comandante do grupo, André Grabois, filho de Maurício Grabois.

Ele estava sentado, com um gorro da PM na cabeça, que tomara do Tenente, e uma arma na mão. Olhei para os meus companheiros, que vinham rastejando, e perguntei: "Será que vamos encontrar um bando de PMs aí?"

Olhei... eles entraram em posição... e eu me levantei. Quase encostei o cano da minha arma em André Grabois:

- "Solte a arma!".

Ele deu aquele pulo e a arma já estava na minha direção. Não deu outra: os meus companheiros, que chegavam, acertariam o André, caso eu tivesse errado, o que era muito difícil, pois estava a um metro e meio, dois metros dele.
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