sábado, 9 de março de 2019

22 ANOS DA CONDENAÇÃO E PRISÃO DE LINO CÉSAR OVIEDO EM 9 DE MARÇO DE 1997.

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Lino César Oviedo Silva (Juan de MenaCordillera23 de setembro de 1943 — Presidente Hayes2 de Fevereiro de 2013) foi um político e general paraguaio, comandante do exército do país de 1993 a 1999. Oviedo esteve exilado no Brasil por quatro anos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai, Ernesto Oviedo, combateu na Guerra do Chaco. Aos quatorze anos, Oviedo foi transferido para um colégio militar, donde egressou para servir ao Exército. Entre 1962 e 1992 Oviedo galgou postos na hierarquia do Exército, até chegar ao posto de general de divisão. Oviedo serviu como instrutor de tiro e carros de combate, e propôs a criação de um sistema nacional de inteligência no país; teve participação no fim da ditadura de Alfredo Stroessner.
Não teve só participação, foi o principal responsável pela queda de Stroessner. Daí a sua popularidade.
O primeiro civil a assumir a presidência após a ditadura foi o empresário Juan Carlos Wasmosy. O governo Wasmosy enfrentou algumas das piores crises da história do Paraguai, com dois períodos, em 1995 e 1997, de grave depressão econômica, e amplo descontentamento da população. Wasmosy viu seu principal mentor político, o general Oviedo, virar-se contra si.
Oviedo foi acusado de tramar um golpe de estado contra Wasmosy, sendo em 22 de abril de 1996 deposto do comando do Exército. Após convidá-lo para ocupar o Ministério da Defesa, Wasmosy decidiu ordenar que passasse à reserva militar.
A versão dos partidários de Oviedo é a de que Wasmosy tentou cooptar Oviedo para se perpetuar no poder, ao invés de convocar as eleições previstas. Oviedo ameaçou denunciar Wasmosy, e este preventivamente o denunciou como golpista. Oviedo foi julgado por um tribunal militar e absolvido. Vence a convenção para candidato à Presidência pelo Partido Colorado, e o candidato de Wasmosy, Argaña, perde. Então Wasmosy leva casuisticamente Oviedo a um novo julgamento, este pela corte suprema do Paraguai, entulho autoritário da ditadura de Stroessner. Oviedo é condenado e preso, e aí assume como candidato o vice dele, Cubas. Wasmosy consegue enfiar ilegalmente Argaña como vice de Cubas. Este promete durante a campanha indultar Oviedo, o que faz logo que é empossado e que é uma prerrogativa do presidente. Instigada por Wasmosy, a Suprema Corte nacional toma uma decisão estranha: condena Cubas a prender Oviedo. Cubas recusa por essa não ser uma atribuição de um presidente prender alguém. Então Wasmosy arma no Congresso o pedido de impeachment de Cubas por desobedecer uma ordem da Suprema Corte. Nesse ínterim Argaña morre de enfarte num motel com a amante. Oito horas depois, já com o cadáver enrijecido é simulado um assassinato de Argaña nas ruas de Assunção e Cubas é acusado levianamente. Com a população perplexa, é acelerado o processo de impeachment com várias irregularidades. Cubas não resiste e aceita ir imediatamente para o Brasil. A suspeita de que serviços de inteligência brasileiros estiveram envolvidos tanto no assassinato farsa como no impeachment é confirmada pelo fato de que mal foi votado o impeachment o avião da FAB já chegava para pegar Cubas. Oviedo foge para a Argentina, e depois asila-se no Brasil. González Macchi, o presidente provisório, teria que convocar novas eleições com 3 meses, mas prefere convocar ilegalmente convocar eleições para vice-presidente. Convocadas essas eleições, o candidato apoiado por Oviedo (do Brasil) ganha. González Macchi então se perpetua no poder inconstitucionalmente, com o reconhecimento do Congresso Brasileiro.
Oviedo explicita então sua atuação política criando uma facção no Partido Colorado. Em 14 de junho Oviedo é preso, acusado de insurreição, sendo após um mês libertado. Sua popularidade aumenta consideravelmente no país, e em 1997 Oviedo é nomeado pelo Partido Colorado candidato à Presidência. No ano seguinte um Tribunal Militar Extraordinário o condena a dez anos de prisão. Nas eleições de 1998, nas quais Oviedo não pôde concorrer por estar preso, foi vitorioso seu simpatizante Cubas. Dois dias após assumir a Presidência Cubas emite um indulto pela libertação de Oviedo.
A situação política do país resulta num impasse entre os simpatizantes de Oviedo e seus opositores. O ápice foi o assassinato do líder de oposição e vice-presidente do país, Argaña. Cubas se vê cercado de insustentáveis pressões e, em 29 de março de 1999, foge para a Argentina, mesmo dia em que Oviedo parte em exílio, também para a Argentina - fruto de sua relação amistosa com o presidente Carlos Menem.
Oviedo permaneceu por tempo indeterminado na Argentina antes de fugir clandestinamente para o Brasil. Após ser detido em Foz do Iguaçu, Oviedo teve garantida a liberdade no país; a justiça brasileira negou seguidas vezes pedidos de extradição do governo paraguaio, alegando terem motivação política.[1] Durante o exílio Oviedo foi acusado de incentivar um golpe de estado contra o presidente interino González Macchi, em 2000.
Declarando confiança na justiça paraguaia e em sua capacidade de provar-se inocente, Oviedo retornou a Assunção após cinco anos de exílio. Oviedo foi imediatamente preso,[2][3] e cumpriu pena até o dia 6 de setembro de 2007. Nesta data, a justiça do Paraguai decidiu que os dezoito meses que ele passou detido no Brasil deveriam ser considerados. Dessa maneira, Oviedo cumpriu metade da pena e teve direito à liberdade condicional. Em 2008 candidatou-se à presidência, tendo sido derrotado por Fernando Lugo que seria destituído do cargo em 2012. Em 2013 saiu novamente candidato à presidência do Paraguai pelo Partido UNACE, mas morreu em um acidente de helicóptero em 2 de fevereiro de 2013 em Presidente Hayes, na província do Chaco. Oviedo retornava de um comício na cidade de Concepción.[4][5]

23 ANOS DO FALECIMENTO DE DOM VICENTE SCHERER - 8 DE MARÇO DE 1996.




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Dom Alfredo Vicente Scherer (Bom Princípio5 de fevereiro de 1903 — Porto Alegre8 de março de 1996) foi um cardeal brasileiro.


    Vida[editar | editar código-fonte]

    Nasceu na localidade de Santa Teresinha distrito de Bom Princípio, no estado do Rio Grande do Sul. Era o décimo segundo filho de Pedro Scherer e de Ana Oppermann Scherer.
    Em 1914 ingressou no Seminário Menor em São Leopoldo. Concluiu o curso secundário nas disciplinas gerais. Preparou sua entrada no Seminário Maior. Estudou Filosofia com os expoentes da Companhia de Jesus, conquistando o primeiro lugar em todas as disciplinas.
    Em dezembro de 1924, iniciou os estudos teológicos na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, que completou no mês de julho de 1927.

    Presbiterato[editar | editar código-fonte]

    Em 3 de abril de 1926, na Basílica de São João de Latrão, recebeu a ordenação sacerdotal das mãos do Cardeal Basilio Pompilj. Retornando de Roma, foi nomeado secretário particular de Dom João Batista Becker, aos 31 de janeirode 1928. Em 8 de outubro de 1930, acompanhou as forças revolucionárias gaúchas ao Rio de Janeiro como capelão militar.
    Em 29 de janeiro de 1934 foi nomeado cooperador da paróquia de Guaíba, dirigida por seu irmão o cônego Estanislao Scherer, também organizou as paróquias de Tapes e Barra do Ribeiro. Em 15 de março de 1935 assumiu o cargo de vigário da paróquia de São Geraldo, então Bairro Operário de Porto Alegre.

    Episcopado[editar | editar código-fonte]

    Em 1º de junho de 1946Pio XII o nomeou bispo titular de Hemeria[1] e auxiliar do arcebispo Dom João Batista Beckerque, idoso e doente, morreu antes da sagração do cônego Vicente Scherer.
    No dia 30 de dezembro de 1946, foi elevado a dignidade de Arcebispo de Porto Alegre[2], cargo que ocupou durante 35 anos. Em 23 de fevereiro de 1947, na matriz de São Geraldo, Dom Carlo Chiarlo, Núncio Apostólico no Brasil, lhe conferiu a ordenação episcopal, juntamente com os co-ordenantes: Dom José Baréa e Dom José Newton de Almeida Baptista. Na tarde do mesmo dia, na cripta da Catedral, o investiu nas funções de arcebispo de Porto Alegre. Escreveu uma Carta Pastoral (a única do seu episcopado) com o título: A Restauração Social - O V° Congresso Eucarístico Nacional, com 50 páginas.
    Eleito pela Assembleia Geral do Episcopado Brasileiro, Dom Vicente tomou parte no Sínodo de 1971 como delegado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB.
    Em 31 de dezembro de 1979, sofre um atentado que repercutiu em todo Brasil e no mundo. Quando dois assaltantes o atacaram, espancaram e esfaquearam, o abandonando numa estrada da zona sul de Porto Alegre. Em 16 de setembrode 1981, tem a sua renúncia aceita pela Santa Sé, como Arcebispo de Porto Alegre. Em 6 de dezembro do mesmo ano passou o governo da Arquidiocese ao seu sucessor, Dom João Cláudio Colling. Nesta ocasião entrevistado por um repórter de televisão disse:
    Às 23h57mim do dia 8 de março de 1996, no Hospital Divina Providência, em Porto Alegre, aos 93 anos, morreu Dom Alfredo Vicente Cardeal Scherer. Seu corpo encontra-se sepultado na Catedral Metropolitana de Porto Alegre.

    Realizações arquidiocesanas[editar | editar código-fonte]

    Vocações sacerdotais[editar | editar código-fonte]

    Constitui os Seminários Menores de Bom Princípio, em 1948 e de Arroio do Meio, e foi à alma da edificação e da organização do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição de Viamão, em 1954.
    Desenvolveu com carinho a obra das Vocações Sacerdotais e, apesar do desmembramento da Diocese de Santa Cruz do Sul e de outras alterações de limites diocesanos, compreendendo zonas vocacionalmente muito abençoadas, em 1971 se matricularam 45 teólogos e filósofos em Viamão, 134 seminaristas em Gravataí(3ª a 7ª séries) e 120 em Bom Princípio (1° e 2° anos). Também fundou o Instituto de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a PUCRS.
    Sagrou 15 bispos, ordenou 493 sacerdotes e fundou 105 paróquias.

    Sociedade Fraterno Auxílio[editar | editar código-fonte]

    Dom Vicente Scherer, foi o primeiro bispo do Brasil a organizar a previdência social do clero, instituindo, em 28 de fevereiro de 1961, a Sociedade Fraterno Auxílio, destinada a proporcionar assistência aos sacerdotes diocesanos, que lhe sejam associados, inválidos por enfermidades ou velhice. Os associados têm direito a assistência médica, farmacêutica e hospitalar completa.

    Ação social[editar | editar código-fonte]

    Construiu e organizou, em Viamão, o Lar de Menores, para recuperação de menores transviados. Criou em 1º de janeiro de 1957 o secretariado de Ação Social da Arquidiocese de Porto Alegre. Erigiu a Escola Rural Estrela da Manhã, para formação de professores rurais.
    No seu governo e sob seus auspícios nasceu e atuou diante da Frente Agrária Gaúcha, movimento de agricultores cristãos que fundou e incrementou o sindicalismo rural do Rio Grande do Sul, na época com mais de 400 mil membros associados em 225 sindicatos de pequenas propriedades e assalariados rurais.
    Incentivou a aquisição e ampliação da Casa Marta e Maria que a Ação Católica da Arquidiocese de Porto Alegre destinou a retiros espirituais e a cursos de formação de líderes cristãos.
    Reformou o prédio do antigo seminário, adaptando-o as suas funções de residência episcopal e sede da Cúria Metropolitana de Porto Alegre.

    Vila Betânia[editar | editar código-fonte]

    A Vila Betânia teve a princípio o nome de Aracelli, e era reservada para descanso dos sacerdotes da Arquidiocese de Porto Alegre. Em 31 de julho de 1948, Dom Vicente Scherer, com Mons. Elio Pereira e Côn. Cláudio Colling, adquiriram um prédio e mais terreno, para um local de retiros espirituais. A abertura oficial foi por ocasião do V Congresso Eucarístico Nacional de Porto Alegre, a 27 de outubro de 1948. Em 27 de abril foi inaugurada na mata de propriedade da Vila Betânia uma gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

    Centro de Pastoral[editar | editar código-fonte]

    O primeiro Centro de Pastoral da Arquidiocese de Porto Alegre foi inaugurado pelo Cardeal Vicente Scherer, em 4 de outubro de 1973, localizado na época, na avenida Alberto Bins, nos números 1010, 1014, 1016 e 1020, no centro de Porto Alegre.

    Conselho Arquidiocesano de Leigos[editar | editar código-fonte]

    O conselho arquidiocesano de leigos, foi criado no dia 24 de novembro de 1979. O conselho era constituído por presidentes de movimentos e associações de leigos; por membros eleitos pelas áreas de pastoral e por membros nomeados, representativos dos diversos meios ou associações de classes.

    Projeto Catedral[editar | editar código-fonte]

    Em 23 de fevereiro de 1947, Dom Vicente Scherer assume o cargo de Arcebispo de Porto Alegre e deu novo impulso as obras da Catedral de Porto Alegre. Em 24 de outubro de 1948, por ocasião do V Congresso Eucarístico Nacional realizado em Porto Alegre, Dom Vicente inaugurou provisoriamente a Catedral e transferiu as celebrações das funções litúrgicas da cripta para o recinto superior.
    Em 30 de maio de 1971, em missa celebrada pelo Cardeal Scherer, foram inauguradas simbolicamente as duas torres.
    Em 26 de março de 1972, o bicentenário da Paróquia de Nossa Senhora Mãe de Deus, o jubileu de sagração e de investidura de Dom Vicente Scherer, nas funções de Arcebispo Metropolitano e o bicentenário da fundação de Porto Alegre foram comemorados no recinto da nova Catedral, já com a cúpula concluída. E em 1987houve a inauguração solene da Catedral Metropolitana de Porto Alegre.

    Realizações em plano estadual[editar | editar código-fonte]

    Voz do Pastor[editar | editar código-fonte]

    Desde sua sagração em 1947, Dom Vicente foi fiel ao lema Evangelizare misit me, que caracterizou o seu episcopado por intensa atividade pelos meios de comunicação social e seus pronunciamentos por intensa atividade pelos meios de comunicação social e seus pronunciamentos marcaram a presença da Igreja em momentos delicados e sobre problemas palpitantes da vida nacional, como liberdade de ensino, reformas sociais, ideologias extremistas e outros temas.
    A partir de 5 de junho de 1961, sem falhar uma semana, proferiu todas as segundas-feiras, na Rádio Difusora, a Voz do Pastor. Aquela forma moderna de evangelização assumiu relevância extraordinária e alcançou repercussão nacional, quando nas terças-feiras, sua mensagem era difundida pelos principais jornais de Porto Alegre e, resumidamente, em importantes órgãos de imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram no total: 1095 alocuções.

    Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

    A partir de 1947, Dom Vicente Scherer abraçou a causa das Faculdades Livres, em Porto Alegre, para conseguir a equiparação de universidade. Em 9 de novembrode 1948, o arcebispo passou a ser chanceler da Universidade Católica de Porto Alegre.
    Em 1º de novembro de 1950, recebeu da Santa Sé, o título de Pontifícia, passando então, a sua denominação atual. No dia 7 de março de 1951 foi instalada a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em sessão solene presidida pelo Dom Jaime de Barros Cardeal CâmaraArcebispo do Rio de Janeiro.
    No dia 1º de dezembro de 1981, Dom Vicente Scherer recebeu o título de Doutor Honoris Causa, pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da PUCRS.

    Pastoral Orgânica[editar | editar código-fonte]

    Sob a orientação do Arcebispo Dom Vicente Scherer, que procurou responder às necessidades pastorais da Igreja em sua época, foi criada a Pastoral Orgânica. Nos áureos tempos da Ação Católica, tanto geral, quanto especializada, os movimentos apostólicos de leigos atingiram pujança impressionante, e quando o Concílio Vaticano II abriu horizontes novos para o apostolado, Dom Vicente logo se empenhou na aplicação concreta de seus textos. À luz do concílio, nasceram o Conselho de Presbíteros, o Conselho de Pastoral e o Secretariado de Pastoral. Dom Vicente convocou o Sínodo do Povo de Deus, no início da década de 1970.

    Realizações em plano nacional e internacional[editar | editar código-fonte]

    Dom Vicente participou desde a sua fundação da Comissão Central da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB; tendo dirigido o Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos, ocupou o cargo de vice-presidente e interinamente o de presidente.
    Designado membro da Comissão de Doutrina para a Fé e os costumes que trabalhou na preparação de alguns dos mais importantes esquemas do Concílio Vaticano II, foi confirmado na mesma, por eleição dos padres conciliares, aos 16 de outubro de 1962, tendo assistido a quase todas as suas reuniões.
    Durante as sessões do Concílio Vaticano II, o Cardeal Scherer, fez também parte das subcomissões, respectivamente para a revisão da Constituição dogmática Lumen Gentium e da Constituição pastoral Gaudium et Spes. No 1° Sínodo dos Bispos em 1967, foi o único representante latino-americano escolhido diretamente pelo Santo Padre, o Papa Paulo VI.
    Aos 15 de fevereiro de 1968Paulo VI o nomeou membro da Congregação para os Bispos, e desde 10 de maio de 1969 passou a integrar, também a Congregação para a Evangelização dos Povos. Eleito pela Assembleia Geral da CNBB, tomou parte nos Sínodos de: 1967, (o primeiro sínodo); 1971 e 1974 como delegado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

    Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre[editar | editar código-fonte]


    Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
    No mesmo mês que transmitiu o cargo do governo da Arquidiocese de Porto Alegre, cedendo a inúmeros convites e apelos, Dom Vicente Scherer aceitou assumir a direção da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre que se encontrava em difícil situação financeira e funcional. A posse realizou-se em 1º de janeiro de 1982. Dom Vicente, como provedor encaminhou com a colaboração do governo do estado e de uma equipe de administradores as soluções que levaram a Santa Casa a vencer a maior crise de sua história.
    No início de sua trajetória na transformação da Santa Casa, diversas pessoas se incorporaram aquele grande desafio, destacamos: João Polanczyk, Olímpio Dalmagro, Jaques Bacaltchuk e José Sperb Sanseverino.
    As necessidades do complexo hospitalar eram infinitas. Não havia alimentação adequada, medicamentos, roupas, higiene, e muito menos equipamentos. Havia, no entanto, o fundamental entre os médicos, enfermeiros, funcionários de diversas áreas que, assim como seu provedor; acreditavam na instituição.
    No dia 20 de dezembro de 2001 foi inaugurado no Complexo Hospitalar da Santa Casa, o Hospital Dom Vicente Scherer, uma homenagem ao cardeal arcebispo que foi um personagem importante daquele complexo hospitalar de Porto Alegre.

    Cardinalato[editar | editar código-fonte]

    No dia 27 de março de 1969 chegou o seguinte telegrama à Cúria Metropolitana: "Cras ephemerides patefacient Summi Pontificis animam te in supremum Ecclesiae Senatum kalendis maii cooptandi. Sebastiano Baggio - Núncio". ("Amanhã a imprensa publicará que a benevolência do Sumo Pontífice te escolheu para integrar, a primeiro de maio, o supremo senado da Igreja").
    Em 28 de março de 1969 foi designado para o Colégio dos Cardeais, tendo recebido o Barrete Cardinalício no Consistório semi-público de 29 de abril, como cardeal-presbítero com a sede titular de Nossa Senhora de La Salette, das mãos do Papa Paulo VI, que também lhe entregou o anel cardinalício na solene missa concelebrada em 1º de maio do mesmo ano.

    Brasão e Lema[editar | editar código-fonte]


    Brasão Cardinalício do Cardeal Vicente Scherer.

    Brasão arquiepiscopal de D. Vicente Scherer.
    Dom Vicente ao longo de seu episcopado teve dois Brasões. O primeiro, desde a sua ordenação até o cardinalato; e o segundo, o brasão cardinalício. O lema sempre foi o mesmo.
    Descrição: Escudo eclesiástico, cortado: o 1° de blau com uma palma e um ramo de oliveira cruzados, ambos de argente, sobrepostos por uma coroa real de jalde com suas pedras preciosas; o 2° partido de argente e goles, com três rosas colocadas duas e uma, sendo a primeira de goles, a segunda de argente e a terceira intercambada. O escudo, assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada, de dois traços, de ouro. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por quinze borlas cada um, postas: 1, 2, 3, 4 e 5, tudo de vermelho. Brocante sob a ponta da cruz um listel de argente com a legenda: EVANGELIZARE MISIT ME, em letras de sable.
    Interpretação: O escudo obedece as regras heráldicas para os eclesiásticos. O 1º campo, de blau (azul): significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A coroa real simboliza o Reino de Cristo, Rei do Universo, e sendo de jalde simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. A este Reino se chega através do "martírio", de sangue ou de espírito, cujo símbolo é a palma, que ocupa aqui o lugar de honra (banda), sendo que a palma indica que o apostolado tem a vitória assegurada pela promessa e a presença de Cristo; e o desejado fruto desse Reino é a Paz, prometida aos homens de boa vontade e aqui é simbolizada pelo ramo de oliveira. Por seu metal argente (prata), os dois ramos simbolizam: inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num bispo. O campo de argente (prata) tem o significado deste esmalte, já descrito acima, e o campo de goles simboliza: o fogo da caridade inflamada no coração do bispo, bem como valor e socorro aos necessitados. As rosas simbolizam a Santíssima Virgem, a Rosa Mística, que sob a invocação de Mãe de Deus, é a Padroeira da Arquidiocese de Porto Alegre, sendo em três, as rosas têm significado especial: A de goles (vermelha) traduz que Maria é a Filha do Pai Eterno; a de argente (prata), que é a Esposa do Espírito Santo; e a rosa intercambada, que é Mãe do Filho Redentor. Maria, em todas as lutas pela Paz de Cristo no Reino de Cristo, é vida, doçura e esperança nossa. O presente escudo é, pois, segundo as regras heráldicas, uma síntese de altos conceitos de teologia e de programa pastoral. O lema também faz referência a ao mandato de Jesus: Enviou-me a evangelizar". O escudo não é histórico, de família, mas simbólico e programático; denotando uma estreita conexão ideológica entre o lema e a representação gráfica; pois realmente, a obra de evangelização tem por objetivo a propagação do Reino de Cristo sobre a terra.

    Títulos e condecorações[editar | editar código-fonte]

    No dia 1º de dezembro de 1981, recebeu o título Doutor Honoris Causa, pela PUCRS. No dia 10 de dezembro do mesmo ano, recebeu a condecoração de Ponche Verde, no grau de Grã-Cruz, conferida pelo governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 15 de dezembro de 1981, recebe homenagens da Câmara Municipal de Porto Alegre e da Assembleia Legislativa. Em 1º de janeiro de 1982, assume como provedor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

    Bênção de casamento[editar | editar código-fonte]

    Em 21 de maio de 1955, Dom Vicente Scherer abençoou o casal João Goulart e Maria Thereza Fontella no casamento deles.[3]

    Memorial Dom Vicente Scherer[editar | editar código-fonte]


    Memorial Dom Vicente Scherer em Bom Princípio.
    No dia 5 de fevereiro de 2003, durante as celebrações do Centenário de Nascimento do Cardeal Arcebispo de Porto Alegre, foi inaugurado em sua cidade natal, Bom Princípio, um largo com o busto de Dom Vicente e o Memorial que é uma réplica da casa onde nasceu em 1903.

    Ordenações episcopais[editar | editar código-fonte]

    Dom Vicente Scherer ordenou os seguintes bispos:
    1. João Cláudio Colling (1950, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    2. Luís Victor Sartori (1952, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    3. Luís Filipe de Nadal (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    4. Alonso Silveira de MelloSJ (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    5. Edmundo Luís Kunz (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    6. Augusto Petró (1958, na Paróquia Sagrada Família, em Porto Alegre)
    7. Alberto Frederico Etges (1959, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    8. Aloísio LorscheiderOFM (1962, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    9. José Ivo Lorscheiter (1966, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    10. Érico Ferrari (1971, na Catedral de Santa Maria)
    11. Frederico Didonet (1971, em Rio Grande)
    12. Henrique FroehlichSJ (1974, na Catedral de Santa Cruz do Sul)
    13. Urbano José Allgayer (1974, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
    14. Jacó Roberto Hilgert (1976, em Camaquã)
    15. Aloísio Sinésio Bohn (1977, na Capela do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Viamão)
    Dom Vicente foi coordenante na ordenação episcopal dos seguintes bispos:
    1. Dom Frei Antônio do Carmo CheuicheOCD
    2. Dom Domingos Gabriel WisniewskiCM
    3. Dom Romeu Brigenti
    4. Dom Frei Ângelo Domingos SalvadorOFMCap
    5. Dom Frei Boaventura KloppenburgOFM
    6. Dom Aloísio Roque OppermannSCJ
    7. Dom José Mário Stroeher
    8. Dom Thadeu Gomes Canellas
    9. Dom Adélio José TomasinPSDP
    10. Dom Dadeus Grings