87 a. chega a SÃO PAULO, no dia 12 de julho
de 1932, o GENERAL BERTHOLDO KLINGER entre estrepitosas manifestações de
entusiasmo da imensa maré humana que ocupava a Estação da LUZ e adjacências,
tendo o grande tribuno doutor IBRAHIM NOBRE saudado-o com estas palavras:
“Nós estamos aqui todos
de pé e em armas.
Chamaram-nos de separatistas porque procuramos não só
libertar SÃO PAULO como todo o BRASIL, deste estelionato civil que queria fazer
de nós escravos. Não somos separatistas. É mentira. Nós deixamos nossas casas,
numa comunhão de ricos e pobres, de operários e patrões, para nos defendermos.
Nossas mãos calejadas pelo trabalho pegaram em armas, para que sobre a
sepultura da nossa dignidade não colocassem um epitáfio de lama.
Mas uma grande
consolação resta: o Exército de Caxias, de Osório, este Exército glorioso que
tanto honra a nossa Pátria, está ao nosso lado, personificado na pessoa ilustre
de vós – GENERAL KLINGER.
Estamos dispostos a
derramar o nosso sangue em defesa de São Paulo e do Brasil, dispostos a morrer
para que possamos chegar ao Rio e sanear o Catete.
Repare V. Exª nas nossas
frontes, onde existem ainda sinais da coroa de espinhos, do nosso flanco
lanceado, na nossa túnica rasgada, no nosso corpo flagelado por tantos
sofrimentos. Mas o sofrimento é tanto mais nobre quanto mais rude é o calvário.
O nosso movimento é do Brasil Católico, disciplinado e forte, contra a anarquia
em que queriam que vivêssemos. Uma luta de JESUS contra LENIN.
Nos queremos que seja respeitada
essa Constituição que a ditadura rasgou; queremos que em todo o Brasil todos
possam viver como cidadãos e não como bajuladores.
Conduza-nos, general,
leve-nos à vitória para que o Brasil possa viver livre e voltar ao trabalho.
Permita-me, general, que
lhe transmita a solidariedade e a confiança de todos os paulistas no abraço que
lhe quero dar.”
Na mesma data, o
Comandante Geral da Força Pública, CORONEL JÚLIO MARCONDES SALGADO, transmitiu
ao GENERAL GOES MONTEIRO o seguinte telegrama:
“A conduta irregular e
vacilante da ditadura nos entendimentos com as frentes únicas, no tratamento
dispensado à opinião pública nacional, causa tal desapontamento em São Paulo
que se tornou inevitável a irrupção do movimento revolucionário de caráter
eminentemente nacional e constitucionalista.
Com índice do estado de
espírito aqui reinante, em face dos erros da diretriz ditatorial, basta
considerar a impressionante solidariedade das tropas federais e estaduais e de
todas as classes representativas do grande povo paulista, que vibra uníssono
nesta hora, na absoluta certeza de que a primeira e grande vitória já alcançada
será em breve a vitória de toda a Nação.








