sábado, 11 de setembro de 2021

MEMÓRIAS DO VENTURA - ACONTECEU EM 11 DE SETEMBRO DE 2001.

 






ACONTECEU EM 11 DE SETEMBRO DE 2001 : -  TERÇA-FEIRA

1418185g - 1543202  194182 - 14. 2 211 15/.

Quando o jornaleiro da Rua TABATINGUERA contou-me, por volta das 11 horas, que os ESTADOS UNIDOS estavam sendo atacados por aviões sequestrados, como se fossem mísseis teleguiados, não pude acreditar. Mesmo assim soube que um JUMBO teria sido arremessado, por um terrorista suicida, contra uma das torres do WORLD TRADE CENTER, na ilha de MANHATTAN. Um avião menor foi arremessado contra a outra torre. Um terceiro avião caiu sobre o PENTÁGONO.

INACREDITÁVEL! Mas é a dura realidade! Ao chegar no MMDS, todos os integrantes da Entidade estavam atentos, na televisão, assistindo aos acontecimentos; mais tarde, o CAPITÃO PM Ref IRINEU FELIPPE tenta explicar o que estava ocorrendo.

No MMDC, apesar das conversas sobre os atos de terror nos EUA, inclusive com o VASCO imprimindo as notícias da Internet, vamos tratar de assuntos referentes à solenidade do 2 de outubro. Mantenho contatos telefônicos com o CAPITÃO PJM CORTE (DAMCO) – CORONEL PM Res GUIMARÃES – CORONEL PM Ref ANTÔNIO CARLOS MENDES.

Em casa, neste dia de luto internacional, assisto cenas dantescas do TERROR nos ESTADOS UNIDOS.    

MANHÃ DE APOCALÍPSE NOS ESTADOS UNIDOS: -

UMA ONDA DE TERRORISMO INVADE NOVA IORQUE e WASHINGTON. As duas torres do WORLD TRADE CENTER foram atingidas por aviões sequestrados por terroristas suicidas causando milhares de mortes. Um terceiro avião foi jogado contra o PENTÁGONO. Oito aviões foram sequestrados numa onda de terrorismo sincronizada. Menos de uma hora depois do ataque ao PENTÁGONO, um BOEING 757, que partiu de NEWARK (NOVA JERSEY) para SÃO FRANCISCO, com 38 passageiros e sete tripulantes, caiu perto de JOHNSTOWN. Todos os aviões tiveram sua rota desviada pelos sequestradores no ar. Esses aviões levavam 266 pessoas a bordo, todas mortas. 

Durante o dia todo as emissoras de televisão transmitem cenas dantescas que estão acontecendo nos EUA. OS PRIMEIROS NÚMEROS dão conta de dez mil vitimas fatais. Milhares estão feridos e muitos gravemente. O caos tomou conta da ilha de MANHATTAN e da capital dos ESTADOS UNIDOS.

O líder espiritual do TALEBAN (grupo terrorista muçulmano que controla o AFEGANISTÃO), MULLAH OMAR, condenou os ataques e negou responsabilidade de OSAMA BIN LADEN.

Na noite, chegam cenas de uma possível retaliação contra a capital do AFEGANISTÃO, CABUL. Mísseis são lançados contra esse país.  O objetivo inicial seria o aeroporto de CABUL.

Os jornais da GLOBO, RECORD, BANDEIRANTES apresentam ampla cobertura da tragédia. Os principais países do mundo repudiam os ataques terroristas. No entanto, os palestinos estão comemorando o fato. Um clima de tensão se instalou nos ESTADOS UNIDOS, no momento "fechado" ao mundo, onde não entra nem sai aviões. A GLOBO foi a primeira TV aberta a mostrar um flash do atentado terrorista nos EUA. Apenas sete minutos após o choque do primeiro avião, entraram no ar as primeiras imagens que chegavam da CNN. Durante toda a manhã, os correspondentes fizeram entradas ao vivo, direto de NOVA YORK. Naquele dia, a primeira edição dos telejornais e o GLOBO ESPORTE não foram exibidos. O “JORNAL NACIONAL” apresentou uma edição especial, batendo seu recorde de audiência no ano.


A perplexidade varreu o planeta nesta terça-feira, 11 de setembro de 2001, que entra para a História como mais um marco da irracionalidade humana. As imagens de horror protagonizadas pela suicida ação do terror ficarão marcadas para todo o sempre na mente de bilhões de telespectadores que não conseguiam acreditar o que estavam vendo.

Por óbvio, uma gélida queimação percorreu a espinha dos mais velhos, que instintivamente se lembraram de PEARL HARBO e então se perguntaram: o que irá acontecer a partir de agora? Pois é...Impossível fugir a tal pergunta neste grave momento internacional em que o assombro e o lamento se somam para diminuir a crença na paz mundial, que havia ressuscitado com a queda do MURO DE BERLIM e o fim da GUERRA FRIA.

Assim como o neonazismo, que hoje preocupa toda a EUROPA, o traiçoeiro e covarde terrorismo já vinha deixando o mundo em estado de alerta, mas, por certo, ninguém imaginaria que a beira do precipício estava tão próxima como se acabou de descobrir. A dor da maior democracia é compartilhada pelo povo brasileiro, que não aceita esse tipo de violência em hipótese nenhuma, não importa contra quem quer que seja.

Mas, da mesma forma que hoje se condena o tresloucado ataque, se torce aqui para que o equilíbrio seja mais forte do que o natural sentimento de vingança que nessas horas toma conta dos americanos. Afinal, as retaliações que já se fizeram hoje mesmo contra o AFEGANISTÃO – de onde, na visão do PENTÁGONO, poderia ter partido o plano para a agressão – não conseguirão trazer de volta os inocentes mortos. Só servirão para matar mais inocentes e atrair inevitáveis ações terroristas.

A situação, de fato, é extremamente delicada e não pode ser vista como se fosse um problema que só diz respeito aos ESTADOS UNIDOS, pois paira no ar o temor de um envolvimento muito maior, ou seja, de um alastramento da violência que não dá para ter fronteiras nem data para parar. Esta madrugada, com toda a certeza, foi de insônia, angústia e inquietação, à espera do dia seguinte.

Afinal, se nem a nação mais poderosa está imune ao terrorismo, que estará? O assustador exemplo da insensatez, no entanto, pode vir a servir de lição para todos nós. Ao atrair o repúdio mundial, até mesmo de líderes antiamericanos, o terrorismo pode ter-se aplicado uma overdose letal. Ao mesmo tempo, deve obrigar o mundo a uma reflexão sobre a ordem econômica que colhe a morte ao semear a fome. Não há tempo a perder... (O DIA SEGUINTE) – OPINIÃO DO DIÁRIO DE SÃO PAULO. 

ACONTECEU EM 12 DE SETEMBRO DE 2OO1 : -     QUARTA-FEIRA

1543202 194181 - 14. 2 21115/

EDIÇÃO EXTRA DA REVISTA ÉPOCA -

Ninguém vai esquecer o dia 11 de setembro de 2001. Cada um de nós terá uma história para contar sobre o que fazia, ou onde estava quando o mundo começou a parar, estarrecido e chocado. O maior ataque sofrido pelos ESTADOS UNIDOS, mais devastador que o raid aéreo japonês sobre PEARL HARBOR, em dezembro de 1941, transformou 11 de setembro em uma data histórica.

 

O CHEFE DO FBI, ROBERT MUELLER, afirmou que os autores do maior atentado terrorista da história já foram identificados. Disse também que a policia federal dos EUA identificou "indivíduos que acreditamos estarem envolvidos com os sequestradores". O secretário de Justiça dos EUA, JOHN ASHCROFT, disse que " cada um dos quatro aviões foi sequestrado por três ou seis indivíduos que utilizaram-se de facas e estiletes". Disse também que "alguns dos supostos sequestradores foram pilotos treinados nos EUA". Em BOSTON, de onde saíram dois aviões suicidas, foi achado um carro no qual havia um manual de instrução de vôo em árabe e uma cópia do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Embora não haja um número oficial de vítimas, policiais e bombeiros da cidade previam entre 25 mil e 50 mil os mortos no atentado ao WORLD TRADE CENTER. 

2 002  :  -  QUARTA-FEIRA

Na edição do JORNAL DA TARDE de 11 de setembro o destaque era o primeiro ano após os atentados às TORRES GÊMEAS nos ESTADOS UNIDOS. O governo norte-americano estava em estado de alerta e homenagens aos mortos haviam sido feitas no país. No BRASIL, o MST se declarava pró-LULA durante as eleições para a Presidência e, no futebol, o PALMEIRAS corria o risco de cair para a Segunda Divisão.

 

O atentado terrorista contra as torres gêmeas do WORLD TRADE CENTER, em NOVA YORK, e o PENTÁGONO, em WASHINGTON está completando UM ANO, mas ainda hoje os tremores da tragédia são sentidos em grande intensidade no mundo todo. Alguns acontecimentos da semana passada ilustram a reviravolta que o planeta vem sofrendo desde o fatídico 11 de setembro. O presidente do AFEGANISTÃO, HAMID KARZAI, sofreu uma tentativa de assassinato na cidade de KANDAHAR, mas saiu ileso do incidente. A principal suspeita de autoria do atentado é a organização terrorista AL QAEDA, liderada por OSAMA BIN LADEN. Afinal, KARZAI foi guindado ao posto com o apoio do governo dos EUA, depois que o regime TALEBAN perdeu o poder no País. Pouco antes, um carro–bomba explodiu em CABUL, capital afegã, matando 26 pessoas. No dia seguinte, os americanos usaram caças para bombardear o sul do IRAQUE em mais um alerta de GEORGE W. BUSH contra o ditador SADDAM HUSSEIN e, de quebra, contra o terrorismo internacional.

Mas os efeitos de 11 de setembro não são evidentes apenas em atitudes. Eles se expressam também no sentimento do povo americano. Há um ano, boa parte da população vive uma espécie de paranóia coletiva, como se uma nova catástrofe fosse acontecer a cada dia. No aniversário da independência do País, em 4 de julho, certo pânico tomou conta dos moradores de NOVA YORK, que achavam que a data seria escolhida para um novo ataque. Agora, os serviços de inteligência americanos, de certa forma, ajudam a espalhar o medo ao revelar o crescimento das ameaças terroristas por causa do primeiro aniversário da tragédia.

Para muitos, os acontecimentos de 11 de setembro abriram uma ferida que jamais irá cicatrizar. O capitão DANIEL DALY, 54 anos, está há 24 no Destacamento 52 do Corpo de Bombeiros de NOVA YORK. Durante dois anos, chefiou uma equipe no trabalho de resgate. Ele guarda imagens aterrorizantes daqueles dias, como os corpos dilacerados que ajudou a tirar do entulho. DALY planejava se aposentar só daqui a cinco anos, mas o trauma de ter perdido vários colegas é tão grande que, a exemplo de outros dois mil bombeiros, resolveu se retirar no fim do ano. O relato de DALY é um entre tantos outros de pessoas que estiveram no olho do furacão e sobreviveram.

 

Documentários, debates, reportagens e retrospectivas são algumas das atrações previstas para hoje pelos canais para lembrar os ataques do fatídico 11 de setembro. GLOBO e BANDEIRANTES programaram uma série de reportagens, que estão sendo exibidas durante toda a semana em seus jornalísticos. Outros canais reservaram apenas o dia de hoje para repercutir o assunto em seus noticiários. A GLOBO também coloca no ar o documentário “9/11” feito pelos cinegrafistas franceses GEODON e JULES NAUDET. Eles preparavam um programa sobre o dia–a–dia dos bombeiros quando aconteceu o atentado ao WORLD TRADE CENTER. O filme é narrado pelo ator ROBERT DE NIRO e é transmitido com legenda para preservar o som original. A produção traz imagens inéditas do prédio durante e após o atentado. A BANDEIRANTES apresenta um especial ao vivo, em que debate as conseqüências do ataque com convidados especializados em segurança e terrorismo. Outra emissora que entra ao vivo com o tema é a RECORD. O “REPÓRTER RECORD” traz reportagens sobre NOVA YORK após o ataque e segurança nos aeroportos. Já o SBT exibe na série “PARCEIROS DA VIDA”, depoimentos de pára médicos e bombeiros que trabalharam no socorro das vítimas.

 

2 003   :  -    QUINTA-FEIRA

Duas grandes comemorações neste 11 de setembro: OS TRINTA ANOS DA QUEDA DE SALVADOR ALLENDE, no CHILE, e o SEGUNDO ANIVERSÁRIO DA TRAGÉDIA TERRORISTA NO WORLD TRADE CENTER.

Profundamente divididos entre defensores do regime militar, os chilenos lembram hoje, 30 anos depois, o golpe militar liderado pelo general AUGUSTO PINOCHET que derrubou o governo socialista de SALVADOR ALLENDE. A fratura da sociedade chilena ficou ainda mais exposta depois da prisão de PINOCHET, em outubro de 1998, na GRÃ-BRETANHA – atendendo a um pedido do juiz da AUDIÊNCIA NACIONAL DA ESPANHA, BALTASAR GARZÓN. O general ficou detido até março de 2000, quando finalmente recebeu autorização para voltar ao CHILE, beneficiado por um indulto por “razões humanitárias”. Nesse período, ativistas de direitos humanos e partidários do general golpista realizaram inúmeras manifestações no CHILE, a favor e contra a punição a PINOCHET. Até 1990, quando um plebiscito restituiu a democracia no País e removeu o general do poder, mais de 3 mil mortes e desaparecimentos foram atribuídos à ditadura chilena. No mês passado, o presidente chileno, RICARDO LAGOS, recebeu inúmeras críticas de grupos de defesa dos direitos humanos por propor um programa de indenizações a parentes de vítimas ao lado de uma nova lei de anistia para militares acusados de crimes de 1973 a março de 1978. A polícia também teve de agir na PRAÇA DA CONSTITUIÇÃO, na frente do PALÁCIO DE LA MONEDA, ao descobrir um pacote suspeito aos pés do monumento a SALVADOR ALLENDE. O pacote foi submetido pelos peritos a uma explosão controlada. Também foram recebidos vários alarmes falsos de bomba na sede da DEFENSORIA PÚBLICA, no centro de SANTIAGO, e no campus da UNIVERSIDADE DO CHILE. Hoje, a viúva de ALLENDE, HORTENSIA BUSSI, recebeu uma homenagem de LAGOS no LA MONEDA, com a instalação de uma placa numa parede do setor do palácio onde o presidente deposto se suicidou. A placa tem os dizeres: “SALVADOR ALLENDE GOSSENS, presidente do CHILE, 1970-1976” – uma referência ao período do mandato para o qual foi eleito. PINOCHET, de 87 anos, por seu lado, submeteu-se a exames médicos na sua propriedade de LOS BOLDOS, a 140 km de SANTIAGO, onde deve receber hoje a visita de simpatizantes.

 

Muito frio nesta manhã tenebrosa de setembro. No MMDS converso com VICTÓRIO, que está fazendo uma limpeza de gavetas, eliminando muitos documentos inúteis. Comentamos o 11 de setembro no mundo, quando o atentado terrorista contra os EUA é lembrado. Por volta das 8:30 horas temos o início das cerimônias no MARCO ZERO. Logo depois NOVA YORK faz um minuto de silêncio no momento em que o primeiro avião se chocou contra a torre norte do WORLD TRADE CENTER. O presidente GEORGE W. BUSH preside uma cerimônia na CASA BRANCA. Às 8:47 horas, 200 crianças lêem os nomes das vítimas no MARCO ZERO. As famílias descem até o nível mais baixo do local, onde depositam coroas de flores. Som de trombetas encerram o ato por volta das 12:30 horas. Tudo isso é transmitido pelos canais de televisão do mundo todo.

As cerimônias em memória às vítimas do atentado de 11 de setembro pararam NOVA YORK. Hoje, enquanto as autoridades americanas comandavam as homenagens às vítimas do ataque terrorista na área onde ficava o WORLD TRADE CENTER, do lado de fora centenas de turistas, munidos de máquina fotográfica e câmera de vídeo, lotavam as ruas. O Departamento de Defesa aproveitou os dois anos do 11 de setembro para lançar um alerta mundial sobre a ameaça iminente de um novo ataque “catastrófico”, com armas químicas e biológicas, contra alvos americanos no mundo inteiro. Emocionados com a leitura dos nomes dos mortos feita por 200 crianças, o público permaneceu em silêncio durante as cinco horas de homenagens no MARCO ZERO. 

Há uma verdadeira paranóia no ar, neste 11 de setembro. Pela manhã, os jornais publicam cadernos sobre o assunto do “DIA EM QUE A TERRA PAROU”. O 11 de SETEMBRO passou a ser um marco na história dos EUA – ANTES e DEPOIS dessa data são comentados ao limite nessa quarta – feira, onde todos estão aguardando algum acontecimento inusitado. 


2 004   :   -  SÁBADO

FALECEU neste sábado o CORONEL PM Ref DORIVAL ARNALDO DELLA TOGNA. Nasceu em 1º de setembro de 1933.

 

Hoje, terceiro aniversário dos atentados terroristas contra o WORLD TRADE CENTER, os grupos islâmicos encontram-se cada vez mais isolados – até mesmo nas próprias comunidades – como revelam suas mais recentes ações, entre elas o atentado da OSSÉTIA DO NORTE e o seqüestro dos dois jornalistas franceses no IRAQUE. GILLES KEPEL, professor do Instituto de Ciências Políticas de PARIS, que há 25 anos dedica-se ao estudo do ISLà contemporâneo, lançou esta semana em PARIS e NOVA YORK seu novo livro “FITNA, GUERRA NO CORAÇÃO DO ISLÔ. Na obra, ele põe em perspectiva os acontecimentos de 11 de Setembro e suas conseqüências: a guerra no IRAQUE e o crescimento do islamismo radical na EUROPA, como comprovam os atentados de MADRI – em cuja origem estaria uma ambição da reconquista árabe da ANDALUZIA. KEPEL, que acaba de lançar no BRASIL o livro JIHAD – outra obra sobre o mesmo tema – diz que o islamismo substitui o comunismo como a grande ameaça. A palavra FITNA designa o caos, a sedição. Ela revela que o mundo do ISLà está quebrado. Existe uma guerra civil que pode conduzir à sua ruína. Exemplos que ilustram essa fita foram os dois seqüestros, de OSSÉTIA DO NORTE e dos dois jornalistas franceses no IRAQUE. Eles imaginaram mobilizar a população muçulmana, mas se enganaram. KEPEL diz que o importante nessa semana do terceiro aniversário do 11 DE SETEMBRO é que estamos diante de duas táticas. De um lado os EUA diante do desafio terrorista utilizando armas que datam da guerra fria. O mesmo aconteceu com os russos na OSSÉTIA DO NORTE que também utilizaram métodos e armas do passado, os mesmos aplicados para reprimir a dissidência de PRAGA, no século passado. Os americanos, no AFEGANISTÃO, mostraram que seu arsenal, mesmo com o recurso de armas superinteligentes, não se revelou eficaz na perseguição de BIN LADEN e AL-ZAWAHIRI. Eles destruíram o regime de SADDAM HUSSEIN no plano militar, mas isso não evoluiu para uma vitória no plano político.

CENTENAS de parentes e amigos de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 estiveram hoje no local onde ficavam as TORRES GÊMEAS do WORLD TRADE CENTER, em NOVA YORK, nas proximidades do PENTÁGONO, em WASHINGTON, e num campo isolado do Estado da PENSILVÂNIA, locais em que quase três mil pessoas foram mortas no pior série de atentados da História, exatamente três anos antes.

Em NOVA YORK, as pessoas se reuniram para homenagear os mortos, depositaram flores em piscinas construídas em memória das vítimas e fizeram quatro homenagens, com minutos de silêncio nas exatas horas em que os aviões seqüestrados atingiram os prédios e em que os edifícios desmoronaram. Os nomes de todas as pessoas mortas foram ditos por parentes, numa cerimônia que durou três horas.

Em WASHINGTON, o presidente GEORGE W. BUSH liderou um momento nacional de silêncio e usou seu programa semanal de rádio para lembrar a data. “Há três anos, a luta do bem contra o mal foi comprimida em uma simples manhã”, disse, descrevendo os 102 minutos em que os seqüestradores jogaram os aviões contra o WORLD TRADE CENTER, o PENTÁGONO e um campo na PENSILVÂNIA.

Em BOSTON, o candidato democrata à presidência, JOHN KERRY chamou os americanos para lutarem juntos contra o terrorismo. “Nós devemos sempre lembrar que só vamos derrotar aqueles que procuraram nos destruir ficando juntos como uma só AMÉRICA”.

HOMENAGENS foram realizadas em outros países, como JAPÃO, ESPANHA e INDONÉSIA. 


 

2 005   :  -    DOMINGO

No dia em que se completam quatro anos do ataque às torres gêmeas, em NOVA YORK, a TV paga lembra a data exibindo o filme coletivo “11 DE SETEMBRO”, no qual diretores de todo o mundo expressam sua indignação pelo bárbaro atentado. A arrogância imperial dos EUA pode ser invocada para explicar o fato como uma reação, mas explicar não implica aceitar. Quem passa pela área cercada de MANHATTAN na qual ficava o WORLD TRADE CENTER e vê aquele buraco imenso sente uma comoção e percebe a extensão dos danos na alma americana. Em “UM FILME FALADO”, o mestre português MANOEL DE OLIVEIRA, com a experiência de seus mais de 90 anos, refletiu sobre o ataque, resguardando a grandeza da civilização árabe, mas lamentando o fundamentalismo dos que a estão destruindo. Da mesma  forma,  pode-se dizer que o presidente GEORGE W. BUSH usa a paranóia do povo americano para sedimentar um projeto que, mais do que ideológico, é econômico e de um grupo que não representa a essência dos EUA. SAMIRA MAKHMALBAF, AMOS GITAI, KEN LOACH, YOUSSEF CHAHINE e SEAN PENN são alguns dos diretores de “11 DE SETEMBRO”. Cada um dá seu testemunho. SAMIRA reflete sobre o atentado da perspectiva de quem vive no interior do IRÃ. LOACH lembra outro 11 de SETEMBRO, aquele em que o presidente SALVADOR ALLENDE foi deposto, no CHILE, com apoio dos americanos. GITAI, num plano-seqüência admirável, usa um ataque terrorista em ISRAEL para falar sobre o de NOVA YORK. Embora desigual, é um filme forte.   


     

2 006

No dia em que os americanos lembraram as vítimas do 11 de Setembro, o presidente GEORGE W. BUSH começou a manhã se reunindo em NOVA YORK, com membros das forças de segurança e voluntários que ajudaram a socorrer as vítimas do pior ataque terrorista da história dos EUA. À noite, num discurso em rede nacional de TV, BUSH afirmou que o país enfrenta uma luta pela civilização e mandou “uma mensagem” para o líder da rede terrorista AL-QAEDA, OSAMA BIN LADEN, e aliados. “Não importa quanto tempo leve. A AMÉRICA vai encontrá-los e levá-los à Justiça”.

Como no primeiro aniversário do atentado, BUSH visitou durante o dia as três cidades atingidas. De NOVA YORK, BUSH seguiu para SHANKSVILLE, na PENSILVÂNIA, cidade próxima do lugar em que caiu o vôo 93. Em seguida viajou para WASHINGTON, para recordar as vítimas fatais do avião que foi jogado contra o PENTÁGONO. Na PENSILVÂNIA, a queda do avião causou a morte de 44 pessoas. Em WASHINGTON, um quarto avião foi jogado contra o PENTÁGONO, matando 184.

No MARCO ZERO, lugar em que ficavam as TORRES GÊMEAS, houve silêncio durante dois minutos – às 8:46 e às 9:03 horas. Estas foram as horas exatas em que os aviões se chocaram contra o WORD TRADE CENTER. A cerimônia começou com a leitura dos nomes das 2.749 pessoas que morreram no atentado. Familiares depositaram flores no local em que ficava as torres.

No discurso, à noite, BUSH enfatizou que os EUA “não pediram esta guerra, e cada americano deseja que ela termine, e eu também”. Para ele, porém, é preciso continuar a batalha contra o terror no mundo. “Mas a guerra não terminou, e não terminará até que nós ou os extremistas saiam vitoriosos”. Um mês após os atentados, forças lideradas pelos EUA invadiram o AFEGANISTÃO, à procura de membros da AL-QAEDA e de BIN LADEN. Em março de 2003, os EUA invadiram o IRAQUE.

RUDOLPH GIULIANI, prefeito de NOVA YORK na época, foi à cerimônia no MARCO ZERO. “Voltamos para lembrar o valor daqueles que perdemos, aqueles que inocentemente foram trabalhar naquele dia e as bravas almas que foram atrás deles”, disse.

Uma outra cerimônia ocorreu em NOVA JERSEY, no porto de BAYONNE, em frente ao MARCO ZERO. No evento estavam presentes o ex-presidente BILL CLINTON (1993-2001) e o atual secretário de Segurança Nacional, MICHAEL CHERTOFF. Foi inaugurado no local um monumento de 30,5 metros de altura, em homenagem às vítimas, presente do presidente russo, VLADIMIR PUTIN. A bolsa de valores de NOVA YORK fez cinco minutos de silêncio para lembrar os ataques. Em vários pontos dos EUA, outras cerimônias lembraram os atentados.   

2 007

Um novo vídeo com uma mensagem do líder da AL-QAEDA, OSAMA BIN LADEN, foi divulgado hoje pela Internet para marcar o sexto aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001. Nele, BIN LADEN elogia a atuação dos 19 suicidas responsáveis pelos ataques ao WORLD TRADE CENTER e ao PENTÁGONO, em especial o saudita WALID AL-SHEHRI, a quem chamou de “um homem raro e magnífico”.

O vídeo de 47 minutos foi divulgado pela AL-SHAHAB, responsável pela produção de mídia da rede AL-QAEDA. A voz de BIN LADEN foi identificada como autêntica por fontes de inteligência americana. No vídeo, as imagens do suicida SHEHRI são mostradas sobrepostas a uma fotografia do WORLD TRADE CENTER em chamas.

Na gravação, ele aparece de turbante e túnica branca, ditando seu testamento e chamando os inimigos de covardes. SHEHRI promete atacá-los “pela frente, por trás, pela direita, pela esquerda, por cima e por baixo”.

Nos EUA, o dia foi de luto por todo o país. Em WASHINGTON, o presidente GEORGE W. BUSH fez um minuto de silêncio na CASA BRANCA. O PENTÁGONO, também alvo dos ataques, homenageou os mortos. Em SHANKSVILLE, na PENSILVÂNIA, onde caiu o vôo 93 da UNITED AIRLINES – seqüestrado por quatro terroristas – houve uma solenidade de homenagem aos 40 passageiros e tripulantes mortos.

Em NOVA YORK, o prefeito MICHAEL BLOOMBERG presidiu os eventos, dos quais participaram vários sobreviventes e parentes das vítimas dos ataques. Muitos bombeiros ainda apresentam sintomas de doenças respiratórias contraídas durante os trabalhos de resgate. Outros estão com câncer, por causa da exposição à poeira tóxica resultante da queda das torres.

O ex-prefeito de NOVA YORK, RUDOLPH GIULIANI também participou da cerimônia. Sua presença, no entanto, causou a revolta dos parentes das vítimas e dos bombeiros, que acusaram o político republicano de usar a ocasião para ganhar votos na corrida pela vaga do partido às eleições presidenciais de 2008.

Outra favorita na corrida presidencial, a democrata HILLARY CLINTON também aproveitou a data para ganhar votos e compareceu à cerimônia no MARCO ZERO. 


2 008

No sétimo aniversário dos ataques do 11 de Setembro, os rivais JOHN McCAIN e BARACK OBAMA suspenderam hoje a troca de acusações na campanha presidencial para prestar homenagens às vítimas do atentado. Numa rara aparição conjunta, eles visitaram o MARCO ZERO, em NOVA YORK, onde terroristas atacaram as TORRES GÊMEAS e mataram quase 3 mil pessoas. Reunidos no local do WORLD TRADE CENTER, o republicano e o democrata apertaram as mãos e cumprimentaram policiais e bombeiros durante a cerimônia em memória às vítimas. Os dois candidatos à CASA BRANCA também colocaram flores em um memorial e fizeram um minuto de silêncio.

McCAIN e OBAMA haviam concordado em suspender a campanha hoje e não veicular anúncios de suas candidaturas durante todo o dia. Após a visita ao MARCO ZERO, os dois se dirigiram, separadamente, a outras cerimônias para lembrar o 11 de Setembro.

O republicano McCAIN foi a um ato de homenagem aos que morreram em SHANKVILLE, na PENSILVÂNIA, onde um dos aviões seqüestrados pelos terroristas caiu, quando passageiros tentaram retomar o controle do Vôo 93 da Companhia UNITED, cujo alvo, acredita-se, era o prédio do Congresso. O democrata OBAMA também homenageou as vítimas do avião que caiu na PENSILVÂNIA.

 
















48 ANOS DA MORTE DE SALVADOR ALLENDE, NO CHILE, EM 11 DE SETEMBRO DE 1973.

 







  48 a. da morte de SALVADOR ALLENDE, durante o assalto ao PALÁCIO DE LA MONEDA, no CHILE. O líder socialista SALVADOR ALLENDE, após sair vitorioso na eleição presidencial chilena de 1970, foi traído pelas Forças Armadas de seu país e sofreu um golpe que se desdobrou em horas angustiantes. ALLENDE despertou às 6:20 horas em 11 de setembro de 1973 com um telefonema de um funcionário que o informava que a MARINHA havia se rebelado no PORTO DE VALPARAÍSO, a 110 km de SANTIAGO. Nos principais quartéis do CHILE, a atividade havia começado pouco depois da meia-noite, com os tanques esquentando os seus motores, os pilotos recebendo instruções de seus superiores e os generais fazendo chamadas telefônicas para certificarem-se da subordinação de suas tropas. ALLENDE, de 65 anos, teria poucas horas a mais de vida. Desligou o telefone, alertou seus seguranças e partiu, escoltado por veículos do Corpo de Carabineros, da residência presidencial da RUA THOMAS MOORE para o PALÁCIO DE LA MONEDA. Durante o traslado, tomou consciência de que os militares estavam precipitando um golpe, provavelmente para evitar que pudesse concretizar seus projetos para convocar um plebiscito sobre as reformas estatizantes de seu governo. A consulta seria um esforço desesperado para salvar o governo da UNIDADE POPULAR, a coalizão esquerdista que, com mil dias no poder, agonizava após um extenuante conflito com a oposição da direita e da democracia cristã. Um conflito iniciado no dia de sua vitória eleitoral, em 4 de setembro de 1970. No auge da guerra fria, os EUA se preocupavam com o risco de instalação de “uma nova CUBA” na AMÉRICA LATINA e a administração de RICHARD NIXON traçava sua estratégia para sufocar a economia chilena e incentivar, por meio da CIA, a “resistência” ao governo socialista. A tensão se desencadeou com ataques explosivos que destruíram oleodutos, pontes, instalações elétricas e estradas de ferro. Na zona rural, camponeses se apoderavam de terras ainda não expropriadas, para acelerar a reforma agrária. O movimento direitista PÁTRIA E LIBERDADE crescia, assim como os locautes e “panelaços” contra o governo. Em junho de 1973, quando um regimento de blindados avançou pelo centro de SANTIAGO, num episódio conhecido como “tanquetaço”, que deixou 22 mortos, ficou claro, pela primeira vez, que militares descontentes estavam dispostos a derrubar o governo. Um dia antes do golpe, ALLENDE confirmou ao comandante das Forças Armadas que ele havia nomeado três semanas antes, general AUGUSTO PINOCHET, que pretendia realizar um plebiscito para aliviar a tensão social. O presidente confiava plenamente em PINOCHET, a quem qualificava como “arraigadamente constitucionalista”. ALLENDE chegou ao LA MONEDA no dia do golpe portando um fuzil AK-47, presente do líder cubano FIDEL CASTRO. De terno, gravata e capacete, começou organizar a resistência dando instruções precisas. PINOCHET, por meio de mensageiros, instou ALLENDE a renunciar. Ante a negativa, passou a traçar com os outros comandantes militares – o almirante JOSÉ TORIBIO MERINO, o brigadeiro GUSTAVO LEIGH e o chefe de polícia. CÉSAR MENDOZA – a estratégia para remover ALLENDE do palácio. Entrincheirado no LA MONEDA, o presidente tomava medidas para suportar um combate longo e parecia determinado e sereno, segundo uma de suas filhas, BEATRIZ. Da janela do gabinete presidencial, um disparo de bazuca destruiu um tanque. Quando o tiroteio se intensificou, ALLENDE reuniu o grupo que o acompanhava e disse a eles que a luta que começara naquela manhã precisaria de líderes para conduzi-la no futuro e pediu a todos que deixassem o palácio. Pouco depois, difundiu sua última mensagem ao País pela RÁDIO MAGALLANES. “Não renunciarei”, anunciou. “Pagarei com minha vida a lealdade do povo”, acrescentou antes de a transmissão ser interrompida por militares. Ao meio-dia, aviões começaram a bombardear o palácio. Por uma das janelas, o presidente gritou: “ALLENDE não se rende, milicos”. Minutos depois, os últimos seguidores que desciam as largas escadas do LA MONEDA ouviram um tiro. ALLENDE se suicidara com um tiro sob o queixo, disparado do fuzil presenteado por FIDEL. A infantaria do Exército tomou o palácio às 14 horas, depois de encontrar o corpo do presidente tombado sobre um sofá. “Esse camarada até para morrer causou problemas”, comentou PINOCHET depois da confirmação do suicídio de ALLENDE. No livro LOS 1001 DIAS DEL GOLPE, de MÓNICA GONZÁLEZ, que relata os bastidores da queda de SALVADOR ALLENDE, diz num trecho: “Morava e estudava em SANTIAGO. Os militares iniciaram a ação logo cedo. Senti um alívio porque a situação política e econômica era caótica. Mas, nos dias seguintes, a sensação boa se transformou em preocupação, à medida que os boatos sobre violações aos direitos humanos se espalhavam. Percebi que o regime democrático havia sido destruído.”            

51 ANOS DAS EXÉQUIAS DO CAPITÃO PM ALBERTO MENDES JÚNIOR, EM 10 PARA 11 DE SETEMBRO DE 1970.

 







  51 a. das exéquias do CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR, no cemitério do ARAÇÁ.  O corpo ficou em Câmara Ardente no Salão Nobre do 1o. B.P. "TOBIAS DE AGUIAR", de 10 para 11 de setembro de 1970. Foi morto por terroristas comandados pelo ex-capitão do Exercito CARLOS LAMARCA, em 9 de maio de 1970, em REGISTRO.  O CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR nasceu em 24 de janeiro de 1947. É considerado herói da POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.          

 

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO

QUARTEL GENERAL – ESTADO MAIOR

5ª SEÇÃO – ASSUNTOS CIVIS

BOLETIM ESPECIAL

SÃO PAULO, 11 DE SETEMBRO DE 1970

Publico, para conhecimento da Corporação, o seguinte:

 

TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR

Nasceu no dia 24 de janeiro de 1947 na cidade de SÃO PAULO, capital do Estado, filho de ALBERTO MENDES e de dona ANGELINA PLÁCIDO MENDES.

Alistou-se na Polícia Militar em 15 de janeiro de 1965 como aluno do Curso Preparatório de Formação de Oficiais da Tradicional Academia do BARRO BRANCO.

Concluiu o CPFO e foi promovido ao 1º ano do Curso de Formação de Oficiais em 24 de maio de 1967, durante uma manhã radiosa, numa festa emocionante, recebeu o espadim de Cadete.

Honrou-o durante o Curso e no dia 21 de abril de 1969 devolveu o espadim-símbolo, e recebeu a espada de Aspirante a Oficial, jurando perante à Bandeira que tudo faria para conquistar com dignidade o oficialato.

Cumpriu o juramento.

No dia 15 de dezembro de 1969 foi promovido por merecimento intelectual ao posto de segundo-tenente.

Fez, a seguir, o compromisso de Oficial: cumprir com os deveres de Oficial da Polícia Militar e dedicar-se inteiramente ao serviço da PÁTRIA.

E, finalmente, no 1o Batalhão TOBIAS DE AGUIAR, onde foi classificado em 6 de fevereiro deste ano, teria que cumprir, na expressão da palavra, todos os juramentos e compromissos.

TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR, no VALE DO RIBEIRA honrou o nome da família e o passado da centenária Milícia. Comandando uma guarnição do lendário BTA seguiu para o combate contra bandoleiros subversivos que agiam entre REGISTRO, ELDORADO e SETE BARRAS, o TENENTE MENDES JÚNIOR estava entre os que partiram.

E lá, na luta desigual, pôs à prova todo seu valor de soldado brasileiro.

Durante um encontro com os facínoras inimigos da Pátria travou intenso tiroteio. Sentiu que a luta não demoraria; viu que seus comandados, ensangüentados, precisavam de socorro e não teve dúvida.

Sua personalidade de comandante aflorou, exemplar. Deixou-se aprisionar.  Dois dias depois, os vis indivíduos que o conduziam confabularam e decidiram matá-lo.

Ele foi morto. De modo brutal, covardemente, sem piedade, espancado a coronhadas de fuzil, friamente.

Seu corpo bravo foi colocado numa vala e coberto com terra e gravetos.

Enquanto todos o procuravam na esperança de estar vivo, enquanto tudo se fazia para tê-lo de volta, nada mais era possível, pois quando o encontramos no início desta semana, só pudemos achar os restos da figura imovedoura de um HERÓI.

Hoje, o Panteão dos Heróis da Pátria se abre, como tantas vezes já o fez, para receber mais um bravo companheiro.

TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR

Que dizer-te agora?

Onde a palavra que, dando o sentido exato de teu heroísmo, se harmonize com o diapasão da nossa sensibilidade?

Como situar com palavras o teu feito?

Nossas lágrimas dizem tudo e queremos dizer-te mais.

Nasceste em berço humilde e, acalentado pelo amor dos entes queridos, pudeste moldar o caráter no exemplo da dignidade, da honra, da bravura e do civismo.

Querias construir, e construías o futuro bom para ti e para os teus.

No embalo ainda dos folguedos juvenis, puro, idealista e sonhador, ergueste a frente e, decidido, alistaste para servir a Pátria como Policial Militar.

Eis o jovem cadete a misturar com os sonhos o esforço e o sacrifício.

Vai temperando o caráter que o nosso BRASIL pede forte e cordial, altivo e prestativo.

São cinco anos.

Um por todos, todos por um. E tu eras dos bons, procurando ser dos melhores. E, em seres bom e em fazeres o bem mal podias acreditar na tirania, na traição, no genocídio, no vilipêndio.

Bem formado, te aprontaste para cumprir as missões que te aguardavam nas fileiras da Milícia Paulista. Era a tua nova família a orgulhar-se com a família que já se orgulhava de ti.

A Pátria renasce. Há ânsia de construir o futuro bom, com justiça e muito amor.

O inimigo já não esconde o azedume. Agride e testa a desordem, pela infâmia, pelo crime, pelo terror.

O jovem Oficial é um dos mil e um de trinta e um, nos 23 anos de esperança.

É classificado no lendário 1º B.P. “TOBIAS DE AGUIAR” e, na região onde a Pátria experimentava mais uma agressão – REGISTRO – devia o nosso heróico Tenente construir uma das mais belas páginas de abnegação e de bravura.

Empenhado em ação violenta de combate, teve a tropa sob seu comando, praticamente dizimada, em ataque de surpresa, a 8 de maio deste ano.

Houve, então, o grande momento.

Em gesto de absoluta coragem, de reverência e de solidariedade humana exaltada às últimas conseqüências, sacrifica a própria vida entregando à sanha dos que seriam seus assassinos, fazendo apenas uma única exigência: a vida dos seus subordinados feridos e que jaziam exangue no solo.

TENENTE MENDES, és o herói cuja imortalidade já festejamos e cujo exemplo já nos anima e nos anima muito mais porque te vimos, e ainda ouvimos os teus passos e sentimos a tua presença.

Temos orgulho. Eras igual a todos e nós vimos que viveste no mais alto grau a consciência de como devemos ser.

Não eram muitos os que te abraçavam quando juraste defender a honra, integridade e instituições pátrias, com o sacrifício da própria vida. Ao teu lado havia muitos outros e tu eras um.

Hoje, a cidade parou para dizer-te, entre lágrimas, que se orgulha de ti.

Ainda ouvimos os ecos de tantas vozes que, há poucos dias, no 7 de setembro, cantavam:

                        “Ou ficar a Pátria livre

                        Ou morrer pelo BRASIL”

O BRASIL está livre e continuará.

TENENTE MENDES. Choramos porque foste e nos alegramos por saber, companheiro valoroso, que o teu exemplo despertará em nós os mesmos arroubos cívicos, a mesma heróica determinação, a mesma lealdade e constância.

Desmascarados estão os inimigos da Pátria e suas intenções sinistras serão repelidas com energia.

Ante o teu exemplo mais despertas estão as forças vivas da Nação.

Agora, serás baluarte no coração de todo povo brasileiro que repele a opressão, o ódio, a ignomínia e o terror.

Para ti, em posição de sentido e como derradeira homenagem repetimos as palavras de GUILHERME DE ALMEIDA:

                         “Morreste cedo para viver sempre”

Hoje, aqui perfilados, choramos a tua morte; os clarins ressoam anunciando a partida do herói, as armas se abatem àquele que soube honrá-las , os umbrais da Academia não verão mais teu porte marcial; o pátio do histórico Batalhão “TOBIAS DE AGUIAR” não sentirá mais o cadenciar de teus passos; o lar modesto não verá mais o filho querido voltar das missões cumpridas; tua lacuna ficará marcada na Tropa de Piratininga.

ADEUS, TENENTE MENDES, DEUS te acolha entre os bem-aventurados, repousa entre os santos, tu bem cumpristes a parcela que a Pátria te destinou, agora a nós cabe o dever de defender a integridade brasileira, honrando o teu nome que soube dignificar a profecia contida nos versos do Hino Pátrio:

                         “Mas, se ergues da Justiça a clava forte,

                          Verás que um filho teu não foge à luta,

                           Nem teme, quem te adora, a própria morte”.

 

CONFERE

ALTINO MAGNO FERNANDES

CEL. PM CHEFE DO EM.

                                                                               ASSINADO

                                                        CONFÚCIO DANTON DE PAULA AVELINO

                                                                CORONEL COMANDANTE GERAL

                        

MORRE ABIMAEL GUZMÁN, FUNDADOR DA GUERRILHA PERUANA SENDERO LUMINOSO.

 

Morre Abimael Guzmán, fundador da guerrilha peruana Sendero Luminoso

Ele estava internado desde 13 de julho, com dificuldades para ingerir alimentos

Morre Abimael Guzmán, fundador da guerrilha peruana Sendero Luminoso
Notícias ao Minuto Brasil

11/09/21 15:06 ‧ HÁ 8 HORAS POR FOLHAPRESS

MUNDO ABIMAEL-GUZMÁN

SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Abimael Guzmán, fundador e líder do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, morreu neste sábado (11), aos 86 anos, num hospital militar de Lima, de acordo com o Ministério da Justiça do Peru. A causa não foi informada. Ele estava internado desde 13 de julho, com dificuldades para ingerir alimentos.

 


Guzmán cumpria pena de prisão perpétua no centro de detenção de Callao devido a diversos crimes relacionados a terrorismo. O Sendero Luminoso esteve em conflito com o Estado peruano de 1980 a 1999, num conflito que deixou mais de 70 mil mortos.


Nascido em Arequipa, em 1934, Guzmán foi professor de filosofia na Universidade Nacional San Cristóbal de Huamanga, em Ayacucho. A militância começou lá, ao convocar estudantes para a formação de uma agrupação de extrema esquerda que, segundo sua definição, seria a "quarta espada do comunismo", ou seja, uma herdeira das transformações promovidas pelos pensamentos de Marx, Lênin e Mao Tse-tung.


O Sendero Luminoso, embora já não seja mais uma guerrilha, ainda tem participação na política, por meio do Movadef (Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais), cujos integrantes dizem ter optado pela via democrática, ou por defensores das principais ideias do grupo em alguns partidos. Um deles é o Perú Libre, ao qual pertence o presidente Pedro Castillo. Atualmente, o primeiro-ministro do país, Guido Bellido Ugarte, responde a processo por ter feito apologia do terrorismo ao elogiar as ações da guerrilha.


O primeiro atentado do Sendero Luminoso ocorreu em 17 de maio de 1980, para queimar urnas que seriam usadas em uma eleição num vilarejo de Ayacucho. Assim, os guerrilheiros começaram operando nos Andes e, na época de apogeu da facção, chegaram a ameaçar a realização de ataques em Lima.


O Sendero inseriu-se num contexto de formação de guerrilhas na América Latina, impulsionadas pela Revolução Cubana (1959). Em sua primeira onda, surgiram os montoneros na Argentina e os tupamaros, no Uruguai, seguidos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional), ambos na Colômbia. Todas pregavam a tomada do poder pelas armas e a instalação de um governo socialista, com uma reforma agrária. No Peru, além do Sendero Luminoso, atuou na mesma época o Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA), que em 1996 realizou seu maior ataque, a invasão da residência do embaixador japonês em Lima, que terminou com 17 mortos.


A guerra entre o Estado e Guzmán se estendeu até 1992, quando o então presidente Alberto Fujimori finalmente conseguiu prender o guerrilheiro. Acabar com o grupo terrorista havia se transformado em uma obsessão, e as vitórias contra o grupo se transformaram em seu principal instrumento de propaganda.


Sob a justificativa de que estava enfrentando uma guerra, Fujimori cometeu abusos de poder, pelos quais foi condenado e preso. Uma deles foi apoiar e financiar uma força paramilitar, as chamadas "guardas camponesas", para enfrentar o Sendero. Depois de capturado, Guzmán foi exibido à imprensa com uma roupa de listras pretas e brancas e dentro de uma jaula. Fujimori, à época, disse que buscava armar uma cena "parecida a dos filmes" para anunciar sua vitória contra o criminoso.