9 de julho de 2015
: - QUINTA-FEIRA
Crônica do Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo,
desembargador JOSÉ RENATO NALINI. (Publicada no jornal DIÁRIO DE SÃO PAULO):
A Revolução Constitucionalista de 1932 orgulha São Paulo. Os
bandeirantes não alargaram apenas as fronteiras físicas desta Nação que passou
a se chamar Brasil, mas dilataram as fronteiras morais de sua gente. Pois o
intuito dos paulistas era devolver a República ao Estado de Direito, esfacelado
pela ditadura populista de Vargas. Qual a semelhança entre os dois momentos:
1932 e 2015? Também agora, o Brasil clama por ética. Exige respeito pela coisa
pública. Lisura na gestão do interesse comum, honestidade na política. O
desalento é geral, a falta de perspectiva assola a todos. É urgente a retomada
do caminho da probidade. É intolerável assistir à continuidade das práticas
nefastas. A caterva inferior não se importando com a faxina propiciada por
corajosa atitude daqueles que não hesitam no cumprimento do dever.
Já passou da hora do "basta". O Brasil merece respeito.
São Paulo pode se inspirar no sacrifício de sua gente que em uníssono arrostou
o perigo e ofereceu sua própria vida para restaurar o tecido esgarçado de uma
democracia capenga. Não é necessário pegar em armas. O armamento é outro: é a
conclamação a todos os brasileiros lúcidos, para que não percam a capacidade de
indignação, para que aceitem levar às últimas consequências a missão de
expurgar da vida pública aqueles que confundem o interesse do Estado com suas
próprias mesquinharias.
É o momento do brasileiro crescer. Tornar-se adulto. Assumir sua
cidadania, que é o protagonismo de quem sabe ter direitos, mas não desconhece a
outra face: os deveres, as responsabilidades, as obrigações. A melhor forma de
comemorar a data é não trair os que perderam a vida, os que saíram de sua zona
de conforto e foram morrer, os que ficaram na vigília, os que deram sua cota de
heroísmo para deixar brilhar a verdade da Constituição. Temos todos um
compromisso com as próximas gerações. Reflitamos todos sobre o que o Brasil
espera de nós e São Paulo pode oferecer ao futuro da Pátria.