sexta-feira, 6 de julho de 2018

COLAR CARLOS DE SOUZA NAZARETH

BRASIL

ACSP homenageia brasileiros que mantêm o espírito da Revolução de 32


Exemplo de superação, o Maestro João Carlos Martins foi um dos agraciados. Ele lembrou que foi na Associação Comercial que regeu o primeiro concerto após perder os movimentos das mãos

  Por Wladimir Miranda 04 de Julho de 2018 às 18:20
  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br

Segunda-feira, 9/07, a Revolução Constitucionalista de 1932 completa 86 anos. Presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na época, Carlos de Souza Nazareth foi um dos principais idealizadores do movimento contra a ditadura de Getúlio Vargas e por uma nova Constituição, que veio dois anos depois, em 1934.
Para lembrar esse líder empresarial, o Conselho Cívico e Cultural da ACSP criou o Colar Carlos de Souza Nazareth, que tem como objetivo homenagear pessoas e instituições que, pelos seus relevantes serviços prestados à sociedade, tornaram-se dignas de público reconhecimento.
A outorga do Colar mais uma vez foi no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, na segunda-feira, 2/07.
Os homenageados de 2018 foram o Embaixador Rubens Ricupero, o Maestro João Carlos Martins, a Fundação Cásper Líbero e a Estância Climática de Cunha.
Durante o movimento, Carlos de Souza Nazareth tornou célebre a frase “Não esmorecer, para não desmerecer”.
O lema de Carlos norteia a escolha dos agraciados com o Colar e foi lembrado por João Bico, vice-presidente da ACSP e da Facesp, que presidiu a solenidade, na ausência de Alencar Burti, presidente da entidade.
“Para mim é uma honra presidir esta solenidade. A ACSP sempre defendeu a livre iniciativa e valoriza pessoas e instituições que dão bons exemplos. Os que estão aqui para receber o Colar representam o Brasil que todos queremos”, disse João Bico.
Aos 78 anos, o Maestro João Carlos Martins segue o lema de Carlos de Souza Nazareth.
Ele começou a estudar piano aos oito anos de idade. Bastaram alguns meses de aula para vencer, com louvor, o concurso da Sociedade Bach de São Paulo. Em pouco tempo, desenvolveu uma carreira de pianista internacional e tocou nas principais salas de concerto do mundo. Dedicou-se à obra de Bach.
ALÉM DO MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS, FORAM HOMENAGEADOS TAMBÉM O EMBAIXADOR RUBENS RICUPERO, A FUNDAÇÃO CÁSPER LÍBERO E A ESTÂNCIA CLIMÁTICA DE CUNHA
Quando estava no apogeu da carreira, sofreu um grave acidente.
Jogando futebol, sua outra grande paixão, além da música, caiu sobre o próprio braço. Ficou sem os movimentos da mão. Para qualquer pessoa seria uma tragédia. Para ele, foi um desastre total.
Sem esmorecer, passou por cirurgia e a cansativas e dolorosas sessões de fisioterapia e injeções na palma da mão.
Ainda com dor, voltou ao piano e a realizar concertos nas melhores salas do mundo. Mas a sua persistência voltaria a ser colocada à prova anos depois, quando foi vítima de um assalto na Bulgária e foi covardemente agredido.
Perdeu o movimento nas duas mãos.
Teve de voltar às salas de cirurgias e à fisioterapia.
Recuperado, conseguia tocar piano. Em 2002, porém, a sequela das lesões venceu e a paralisia dominou definitivamente suas duas mãos. Acabava ali a carreira de pianista.
Teve de ficar longe do piano, mas não de sua grande paixão, a música. Então com 63 anos, foi estudar regência e dois anos depois, regia a Orquestra Inglesa de Câmara, em Londres.
Em 2003, em um concerto na sede da Associação Comercial de São Paulo, João Carlos Martins surpreendeu de novo e regeu a Nona Sinfonia de Beethoven, totalmente de cor. Sem poder virar as páginas da partitura, teve de decorar todas as notas da obra.
Ao receber o Colar, emocionado, o Maestro João Carlos Martins se lembrou deste concerto na ACSP.
“Tenho dois grandes motivos para estar feliz com a outorga do Colar. Foi na Associação Comercial de São Paulo que eu comecei na minha nova profissão, a de Maestro. E meu pai foi um dos grandes incentivadores da Revolução Constitucionalista de 1932”, recordou.
Perguntado sobre onde vai buscar tanta força para superar as adversidades, o Maestro disse: “Vou buscar forças no meu pai que, com 37 anos de idade foi diagnosticado com câncer e os médicos disseram que ele teria só mais seis meses de vida. Então, respondeu: Vocês não me conhecem. O meu pai viveu até os 102 anos. Morreu em um acidente, não de câncer”, contou.
RUBENS RICUPERO
Por estar em viagem ao Exterior, o Embaixador Rubens Ricupero não esteve presente à cerimônia, mas enviou uma carta de agradecimento.
O Colar Carlos de Souza Nazareth será entregue a Ricupero em uma sessão plenária, que será marcada brevemente.
Nascido em São Paulo em 1º de março de 1937, Rubens Ricupero é formado em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, foi diplomata de carreira e se aposentou após ocupar as embaixadas do Brasil em Genebra, Washington e Roma.
Foi Ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, bem como Ministro da Fazenda do Brasil, na época do lançamento do Real. É decano de Relações Institucionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
CÁSPER LÍBERO
A Fundação Cásper Líbero recebeu o Colar Carlos de Souza Nazareth por ser um complexo de comunicação que leva informação e entretenimento a um público amplo e variado.
O seu patrono, Cásper Líbero, criou, aos 21 anos, a primeira agência de notícias 100% nacional.
Aos 29 anos, tornou-se diretor e proprietário do jornal “A Gazeta”.
Apaixonado por esportes, fundou a “A Gazeta Esportiva” e idealizou importantes provas como a “Corrida de São Silvestre” e a “Prova Ciclística 9 de Julho”.
Em 1943, Cásper Líbero adquiriu a Rádio Educadora Paulista, que passou a se chamar Rádio Gazeta. A TV Gazeta e a Faculdade Cásper Líbero, a primeira escola superior de jornalismo da América Latina, fazem parte do grupo.
Outra homenageada com o Colar, a Estância Climática de Cunha fica no Alto do Vale do Paraíba e foi um dos pontos estratégicos e heroicos da Revolução de 1932.
O Conselho do Colar Carlos de Souza Nazareth é presidido por Alencar Burti, atual presidente da ACSP e da  Federação das Associações Comercial do Estado de São Paulo (Facesp), coordenado por Adolfo Bolívar Savelli e tem como membros Edimara de Lima, Eloy Gonçalves de Oliveira, Frances de Azevedo, Francisco Giannoccaro, Pedro Paulo Penna Trindade e Valdir Abdallah.

Fotos: Paulo Pampolin

COLAR CARLOS DE SOUZA NAZARETH NO DIÁRIO DO COMÉRCIO

Colar Carlos de Souza Nazareth no Diário do Comércio

Entrada
x

Valéria Santos

5 de jul (Há 1 dia)
para Cco:mim
Prezados,

Segue matéria publicada no Diário do Comércio, sobre a outorga do Colar Carlos de Souza Nazareth.



att.,



Valéria Santos
Secretaria-geral
(11) 3180 3337
www.acsp.com.br

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO
Entidade filiada à FACESP

MOMENTO DO PAÍS EXIGE RECUPERAÇÃO DA COESÃO NACIONAL - DIZ O GENERAL VILLAS BÔAS, COMANDANTE DO EXÉRCITO



Momento do País exige recuperação da coesão nacional, diz general Villas Bôas

Comandante do Exército participou na manhã desta quinta-feira de homenagem ao soldado Mário Kozel Filho, morto há 50 anos durante a explosão de um carro-bomba






Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo
05 Julho 2018 | 18h48
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou nesta quinta-feira, 5, que a “sociedade brasileira criou ambiente para fatos lamentáveis”, como as mortes do soldado Mário Kozel Filho e do jornalista Vladimir Herzog durante o regime militar. A declaração foi dada em São Paulo após o general presidir uma cerimônia em homenagem ao militar, morto há 50 anos durante a explosão de um carro-bomba em atentado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

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Para Villas Bôas, o Brasil está na iminência de algo muito grave: a perda de sua identidade. Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
O ato se deu um dia depois de a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenar o Brasil pelo assassinato de Herzog, em 1975. Para Villas Bôas, o momento do País exige “recuperação coesão nacional”.
O general afirmou que o contexto em que ambas as mortes ocorreram deve receber uma análise comparativa com o momento que vivemos hoje. De acordo com o general, o Brasil permitiu no passado que a “linha de confrontação da Guerra Fria dividisse a nossa sociedade”, provocando casos como o de Kozel e Herzog. “E, hoje, o momento é de linhas de fratura, o que exige a recuperação de uma coesão nacional, o restabelecimento de uma ideologia de desenvolvimento e um sentido de projeto, para que as gerações futuras não venham a passar o que ocorreu há 50 anos.”
No discurso que fez durante a cerimônia de homenagem a Kozel, o comandante do Exército disse que o cenário atual recomenda aos brasileiros e às instituições a “prudência nos ânimos” e união dos esforços para construir o futuro. Ele criticou o que chamou de “ideologias contemporâneas” e afirmou que a “fratura da sociedade, ocorrida no período militar, é uma “experiência para ser lembrada”.
Para Villas Bôas, o Brasil está na iminência de algo muito grave: a perda de sua identidade. “A consequência disso seria um País à deriva. E isso não pode acontecer. Um País com o potencial do Brasil, que tem um papel muito importante a cumprir no mundo. Então, acho que é assim que temos de entender esses eventos, tanto a morte de Kozel como de Herzog.” 
Ao citar os casos, Villas Bôas disse que gostaria que a família do soldado morto aos 18 anos recebesse os mesmos direitos e atenções, em referência à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Para o general, a “sociedade brasileira está se esgarçando”. Ele considera que no Brasil se substituiu o “civismo pela cidadania, e quase que como uma militância, onde o conjunto de direitos negligencia o conjunto de deveres que cada cidadão deve ter. “Isso se pode medir nas reações da população em eventos como a Copa do Mundo. Está totalmente diferente a reação da população, que sempre tinha uma grande motivação.”

Intervenção

O comandante do Exército voltou a descartar qualquer possibilidade de uma intervenção militar no País. “Quem interpreta que o Exército pode intervir é porque não conhece as Forças Armadas e a determinação democrática, de espírito democrático, que reina e preside em todos os quartéis.” 
De acordo com o general, que se reuniu com os principais pré-candidatos à Presidência da República para tratar de temas relacionados, por exemplo, à defesa, segurança pública e controle das fronteiras, o movimento que pede a volta dos militares ao poder não tem caráter ideológico, mas representa um apelo ao restabelecimento da ordem.
“De qualquer forma, as Forças Armadas e o Exército se, eventualmente, tiverem de intervir será para cumprir a Constituição, manter a democracia e proteger as instituições. Sempre o Exército atuará sobre a determinação de um dos poderes da República, como aconteceu agora, por exemplo, na greve dos caminhoneiros. Fomos determinados a intervir e o fizemos em todo o território nacional. Outro exemplo é a intervenção no Rio de Janeiro. Então, é uma questão simples.”
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