
As mais antigas
referências às artes circenses são pinturas chinesas com 5.000 anos, mostrando
contorcionistas, equilibristas e acrobatas. Pinturas semelhantes foram
encontradas nas pirâmides do EGITO (2500 A.C.); os romanos construíram os
primeiros locais onde os espetáculos circenses puderam ser vistos por
multidões. Sua obra mais famosa foi o COLISEU, concluído em 90 d. C. e capaz de
abrigar cem mil espectadores. O circo romano apresentava combates de
gladiadores, lutas de homens contra animais ferozes e das próprias feras entre
si. As touradas espanholas são hoje uma lembrança daquelas cenas cruéis. As
práticas circenses reapareceram na EUROPA por volta do século XII, sob a forma
de exibições modestas, individuais ou de pequenos grupos ambulantes, conhecidos
pelo nome de saltimbancos. Em meados do século XIX, ciganos que fugiam da
EUROPA começaram a se exibir em números de ilusionismo ou com ursos e cavalos
amestrados. Tipicamente nômades, eles podem ser considerados precursores das
atividades circenses no BRASIL. As companhias de circo estrangeiras começaram a
visitar nosso País em fins do século XIX. Depois surgiram os circos
propriamente brasileiros. Até a década de 1940, essa foi uma grande diversão
popular, aguardada ansiosamente nas cidades, médias e pequenas, e mesmo na
periferia das grandes cidades. Os palhaços sempre tiveram um papel destacado no
circo brasileiro, pois era importante fazer o público rir no intervalo entre as
emoções dos números com feras ou trapezistas. Os dois maiores palhaços
brasileiros foram PIOLIM e ARRELIA. PIOLIM nasceu em 1897 e iniciou-se como
palhaço aos oito anos. Sua data de nascimento, 27 de março, é hoje comemorada
como o DIA NACIONAL DO CIRCO. ARRELIA começou no circo aos nove anos. Aos
dezessete, teve de entrar em cena para fingir que dava um tapa em outro
palhaço. Como seu colega se esqueceu de simular o ruído do golpe, ARRELIA
deu-lhe uma bofetada de verdade, para fazer barulho. O público, sem perceber o
que acontecera, quase morreu de rir ao ver um palhaço correndo como um louco
atrás do outro, em pleno picadeiro.
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O dia do circo foi criado em homenagem ao palhaço Piolim, Abelardo Pinto, que comandou o circo Piolim por mais de trinta anos.
Seu pai havia sido dono de circo quando Abelardo ainda era pequeno, local onde aprendeu a tocar violino, a fazer contorcionismos e acrobacias.
A data foi instituída em razão de seu nascimento, no ano de 1897, em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo.
Abelardo chegou a fazer espetáculos beneficentes, junto com um grupo de artistas espanhóis, que lhe deram o apelido de Piolim, que significa barbante, devido às pernas compridas e também por sua magreza.
Piolim era engajado com os movimentos artísticos e culturais, sempre preocupado em divulgar a arte como forma de expressão cultural.
Foi homenageado pelos intelectuais da semana de arte moderna (Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, e outros) em 1922, como o maior artista popular brasileiro.
Em dois de agosto de 1931 recebeu uma homenagem de Mário de Andrade, através de uma crônica que demonstrava eu encantamento com a arte do circo de Piolim. Um dos maiores sonhos desse palhaço era montar uma escola circense, para manter as tradições artísticas e culturais do circo, mas morreu antes de concretizá-lo, aos 76 anos de idade, no ano de 1973.
Piolim e Alcebíades são palhaços, o que quiserem, mas são os únicos elementos nacionais com que conta o nosso teatro de prosa. Devem servir de exemplo, como autores, para os colegas que os desprezam e ignoram. (Antônio de Alcântara Machado). Ele revolucionou o picadeiro, como nós, seus amigos, revolucionamos as letras e as artes. (Menotti del Picchia).
Os únicos espetáculos teatrais no Brasil que a gente ainda pode freqüentar são o circo e a revista. Só nestes ainda tem criação. Não é que os poetas autores de tais revista e pantomimas saibam o que é criação ou conservem alguma tradição efetivamente nacional, porém as próprias circunstâncias da liberdade sem restrições e da vagueza destes gêneros dramáticos permite aos criadores deles as maiores extravagâncias. Criam por isso sem leis nem tradições importadas, criam movidos pelas necessidades artísticas do momento e do gênero, pelo interesse de agradar e pelas determinações inconscientes da própria personalidade. Tudo isto são
imposições que levam à originalidade verdadeira e à criação exata. (Mário de Andrade).