Instituto de pesquisas do jornal Folha de S. Paulo divulga
levantamento que aponta 74% dos entrevistados a favor da prisão imediata dos
réus da Ação Penal 470, o chamado 'mensalão'; busca pelo clamor popular às
vésperas do julgamento dos recursos dos advogados de defesa joga carga
midiática sobre o tribunal; emoção versus razão
247 – Mais um elemento de pressão acaba de ser
lançado sobre o Supremo Tribunal Federal. No momento em que os juízes se
preparam para, após o recesso, julgar os embargos dos advogados dos réus
da Ação Penal 470, o Instituto Datafolha divulga pesquisa com um resultado
bastante midiático: 74% dos entrevistados afirmaram que querem a prisão
imediata dos 25 réus, cujas condenações serão, na prática, reexaminadas à
luz dos recursos.
O voto do novato da corte suprema, Luís
Roberto Barroso, na próxima etapa do processo, poderá alterar diversas
maiorias obtidas na primeira fase do julgamento. Complexa, a avaliação
jurídica dos recursos deverá levar meses para se completar, conforme
já avaliaram os ministros Marco Aurélio Mello e Antônio Dias Toffoli.
Ainda segundo o levantamento, do total de
4.717 entrevistados, a maioria do grupo que tem o PT como partido de
preferência – legenda que teve ex-líderes condenados no julgamento – também
defende prisão (74%, como no índice geral). Para 14%, no entanto, pode ter
havido injustiça no caso e os réus merecem um novo julgamento. O percentual que
não soube responder à pergunta foi de 12%.
O julgamento, que durou cerca de quatro meses,
foi concluído em dezembro do ano passado. As defesas dos réus apresentaram,
então, embargos infringentes à corte suprema, que terá agora de avaliar os
recursos. O próximo passo depende do relator do processo e agora presidente do
STF, Joaquim Barbosa, que precisa marcar a data para a discussão.
O
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defende insistentemente a
prisão imediata, mesmo sabendo que os embargos ainda têm de ser analisados. Sua última declaração sobre o tema comparou o processo com a decisão da
corte contra o deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), condenado e preso por
corrupção. Segundo Gurgel, a prisão do parlamentar deve servir de exemplo para
os mensaleiros.
Os advogados de alguns réus, como do
ex-ministro José Dirceu, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do empresário
Marcos Valério, apontado como operador do esquema, cogitam recorrer a uma corte
internacional caso os embargos sejam negados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário