O DIA EM QUE A TERRA PAROU (11 DE SETEMBRO DE
2001)
A perplexidade varreu o planeta nesta
terça-feira, 11 de setembro de 2001, que entra para a História como mais um
marco da irracionalidade humana. As imagens de horror protagonizadas pela
suicida ação do terror ficarão marcadas para todo o sempre na mente de bilhões
de telespectadores que não conseguiam acreditar o que estavam vendo.
Por óbvio, uma gélida queimação percorreu a
espinha dos mais velhos, que instintivamente se lembraram de PEARL HARBO e
então se perguntaram: o que irá acontecer a partir de agora? Pois
é...Impossível fugir a tal pergunta neste grave momento internacional em que o
assombro e o lamento se somam para diminuir a crença na paz mundial, que havia
ressuscitado com a queda do MURO DE BERLIM e o fim da GUERRA FRIA.
Assim como o neonazismo, que hoje preocupa toda a
EUROPA, o traiçoeiro e covarde terrorismo já vinha deixando o mundo em estado
de alerta, mas, por certo, ninguém imaginaria que a beira do precipício estava
tão próxima como se acabou de descobrir. A dor da maior democracia é
compartilhada pelo povo brasileiro, que não aceita esse tipo de violência em
hipótese nenhuma, não importa contra quem quer que seja.
Mas, da mesma forma que hoje se condena o
tresloucado ataque, se torce aqui para que o equilíbrio seja mais forte do que
o natural sentimento de vingança que nessas horas toma conta dos americanos.
Afinal, as retaliações que já se fizeram hoje mesmo contra o AFEGANISTÃO – de
onde, na visão do PENTÁGONO, poderia ter partido o plano para a agressão – não
conseguirão trazer de volta os inocentes mortos. Só servirão para matar mais
inocentes e atrair inevitáveis ações terroristas.
A situação, de fato, é extremamente delicada e
não pode ser vista como se fosse um problema que só diz respeito aos ESTADOS
UNIDOS, pois paira no ar o temor de um envolvimento muito maior, ou seja, de um
alastramento da violência que não dá para ter fronteiras nem data para parar.
Esta madrugada, com toda a certeza, foi de insônia, angústia e inquietação, à
espera do dia seguinte.
Afinal, se nem a nação mais poderosa está imune
ao terrorismo, que estará? O assustador exemplo da insensatez, no entanto, pode
vir a servir de lição para todos nós. Ao atrair o repúdio mundial, até mesmo de
líderes antiamericanos, o terrorismo pode ter-se aplicado uma overdose letal.
Ao mesmo tempo, deve obrigar o mundo a uma reflexão sobre a ordem econômica que
colhe a morte ao semear a fome. Não há tempo a perder... (O DIA SEGUINTE) –
OPINIÃO DO DIÁRIO DE SÃO PAULO.
2 002 : -
QUARTA-FEIRA
Na edição do JORNAL DA TARDE de 11 de setembro o
destaque era o primeiro ano após os atentados às TORRES GÊMEAS nos ESTADOS
UNIDOS. O governo norte-americano estava em estado de alerta e homenagens aos
mortos haviam sido feitas no país. No BRASIL, o MST se declarava pró-LULA
durante as eleições para a Presidência e, no futebol, o PALMEIRAS corria o
risco de cair para a Segunda Divisão.
O atentado terrorista contra as torres gêmeas do
WORLD TRADE CENTER, em NOVA YORK, e o PENTÁGONO, em WASHINGTON está completando
UM ANO, mas ainda hoje os tremores da tragédia são sentidos em grande
intensidade no mundo todo. Alguns acontecimentos da semana passada ilustram a
reviravolta que o planeta vem sofrendo desde o fatídico 11 de setembro. O
presidente do AFEGANISTÃO, HAMID KARZAI, sofreu uma tentativa de assassinato na
cidade de KANDAHAR, mas saiu ileso do incidente. A principal suspeita de
autoria do atentado é a organização terrorista AL QAEDA, liderada por OSAMA BIN
LADEN. Afinal, KARZAI foi guindado ao posto com o apoio do governo dos EUA,
depois que o regime TALEBAN perdeu o poder no País. Pouco antes, um carro–bomba
explodiu em CABUL, capital afegã, matando 26 pessoas. No dia seguinte, os
americanos usaram caças para bombardear o sul do IRAQUE em mais um alerta de
GEORGE W. BUSH contra o ditador SADDAM HUSSEIN e, de quebra, contra o
terrorismo internacional.
Mas os efeitos de 11 de setembro não são
evidentes apenas em atitudes. Eles se expressam também no sentimento do povo
americano. Há um ano, boa parte da população vive uma espécie de paranóia
coletiva, como se uma nova catástrofe fosse acontecer a cada dia. No
aniversário da independência do País, em 4 de julho, certo pânico tomou conta
dos moradores de NOVA YORK, que achavam que a data seria escolhida para um novo
ataque. Agora, os serviços de inteligência americanos, de certa forma, ajudam a
espalhar o medo ao revelar o crescimento das ameaças terroristas por causa do
primeiro aniversário da tragédia.
Para muitos, os acontecimentos de 11 de setembro
abriram uma ferida que jamais irá cicatrizar. O capitão DANIEL DALY, 54 anos,
está há 24 no Destacamento 52 do Corpo de Bombeiros de NOVA YORK. Durante dois
anos, chefiou uma equipe no trabalho de resgate. Ele guarda imagens
aterrorizantes daqueles dias, como os corpos dilacerados que ajudou a tirar do
entulho. DALY planejava se aposentar só daqui a cinco anos, mas o trauma de ter
perdido vários colegas é tão grande que, a exemplo de outros dois mil
bombeiros, resolveu se retirar no fim do ano. O relato de DALY é um entre
tantos outros de pessoas que estiveram no olho do furacão e sobreviveram.
Documentários, debates, reportagens e
retrospectivas são algumas das atrações previstas para hoje pelos canais para
lembrar os ataques do fatídico 11 de setembro. GLOBO e BANDEIRANTES programaram
uma série de reportagens, que estão sendo exibidas durante toda a semana em
seus jornalísticos. Outros canais reservaram apenas o dia de hoje para
repercutir o assunto em seus noticiários. A GLOBO também coloca no ar o
documentário “9/11” feito pelos cinegrafistas franceses GEODON e JULES NAUDET.
Eles preparavam um programa sobre o dia–a–dia dos bombeiros quando aconteceu o
atentado ao WORLD TRADE CENTER. O filme é narrado pelo ator ROBERT DE NIRO e é
transmitido com legenda para preservar o som original. A produção traz imagens
inéditas do prédio durante e após o atentado. A BANDEIRANTES apresenta um
especial ao vivo, em que debate as conseqüências do ataque com convidados
especializados em segurança e terrorismo. Outra emissora que entra ao vivo com
o tema é a RECORD. O “REPÓRTER RECORD” traz reportagens sobre NOVA YORK após o
ataque e segurança nos aeroportos. Já o SBT exibe na série “PARCEIROS DA VIDA”,
depoimentos de pára médicos e bombeiros que trabalharam no socorro das vítimas.
Há uma verdadeira paranóia no ar, neste 11 de
setembro. Pela manhã, os jornais publicam cadernos sobre o assunto do “DIA EM
QUE A TERRA PAROU”. O 11 de SETEMBRO passou a ser um marco na história dos EUA
– ANTES e DEPOIS dessa data são comentados ao limite nessa quarta – feira, onde
todos estão aguardando algum acontecimento inusitado.
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