DEVERIA
SER LIDO E REPASSADO POR TODOS, MAS PRINCIPALMENTE PELOS MAIS JOVENS
QUE TÊM SOFRIDO VERDADEIRA "LAVAGEM CEREBRAL" SOCIALISTA.
OESP – 07/ABR/14
1964 – um testemunho
Fernão Lara Mesquita
Para
entender o que aconteceu em 64 é preciso lembrar o que era o mundo
naquela época. Um total de 30 países, parando na metade da Alemanha de
hoje, havia sido engolido pela Rússia comunista por força militar.
Invasão mesmo, que instalava um ditador que atuava sob ordens diretas de
Moscou. Todos os que tentaram escapar, como a Hungria em 56, a
Checoslováquia em 68, a Polônia em 80 e outros, sofreram novas invasões e
massacres.
E
tinha mais a China, o Vietnã, o Camboja, a Coreia do Norte, etc., na
Ásia, onde houve verdadeiros genocídios. Na África era Cuba que fazia o
papel que os russos fizeram na Europa, invadindo países e instalando
ditadores no poder.
As
ditaduras comunistas, todas elas, fuzilavam sumariamente quem falasse
contra esses ditadores. Não era preciso agir, bastava falar para
morrer, ou nem isso. No Camboja um quarto de toda a população foi
executado pelo ditador Pol Pot entre1975 e 1979, sob os aplausos da
esquerda internacional e da brasileira.
Os
países onde não havia ditaduras como essas viviam sob ataques de grupos
terroristas que as apoiavam e assassinavam e mutilavam pessoas a esmo
detonando bombas em lugares públicos ou fuzilando gente desarmada nas
ruas.
As
correntes mais radicais da esquerda brasileira treinavam guerrilheiros
em Cuba desde antes de 1964. Quando João Goulart subiu ao poder com a
renúncia de Jânio Quadros, passaram a declarar abertamente que era nesse
clube que queriam enfiar o Brasil.
64
foi um golpe de civis e militares brasileiros que lutaram na 2.ª Guerra
Mundial e derrubaram a ditadura de Getúlio Vargas, para impedir que o
ex-ministro do Trabalho de Vargas levasse o País para onde ele estava
prometendo levá-lo, apesar de se ter tornado presidente por acaso.
Tratava-se, portanto, de evitar que o Brasil entrasse num funil do qual
não havia volta, e por isso tanta gente boa entrou nessa luta e a
maioria esmagadora do povo, na época, a apoiou.
A
proposta do primeiro governo militar era só limpar a área da mistura de
corrupção com ideologia que, aproveitando-se das liberdades
democráticas, armava um golpe de dentro do sistema para extingui-las de
uma vez por todas, e convocar novas eleições para devolvero poder aos
civis.
Até
outubro de 65, um ano e meio depois do golpe, seguindo o combinado, os
militares tinham-se limitado a cassar o direito de eleger e de ser
eleito, por dez anos, de 289 pessoas, incluindo 5 governadores, 11
prefeitos e 51 deputados acusados de corrupção mais que de esquerdismo.
Ninguém
tinha sido preso, ninguém tinha sido fuzilado, ninguém tinha sido
torturado. Os partidos políticos estavam funcionando, o Congresso
estava aberto e houve eleições livres para governador e as presidenciais
estavam marcadas para a data em que deveria terminar o mandato de Jânio
Quadros.
O
quadro só começou a mudar quando em outubro de 65, diante do resultado
da eleição para governadores, o Ato Institucional n.º 2 (AI-2) extinguiu
partidos, interferiu no Judiciário e tornou indireta a eleição para
presidente. Foi nesse momento que o jornal O Estado de S. Paulo, que
até então os apoiara, rompeu com os militares e passou a combatê-los.
Tudo
isso aconteceu praticamente dentro de minha casa, porque meu pai, Ruy
Mesquita, era um dos principais conspiradores civis, fato de que tenho o
maior orgulho.
Antes
mesmo da edição do AI-2, porém, a esquerda armada já havia matado dois:
um civil, com uma bomba no Cine Bruni, no Rio, que feriu mais um monte
de gente; e um militar numa emboscada no Paraná. E continuou matando
depois dele.
Ainda
assim, a barra só iria pesar mesmo a partir de dezembro de 68, com a
edição do AI-5. Aí é que começaria a guerra. Mas os militares só
aceitaram essa guerra depois do 19º assassinato cometido pela esquerda
armada.
Foi
a esquerda armada, portanto, que deu o pretexto para a chamada "linha
dura" militar tomar o poder e a ditadura durar 21 anos, tempo mais que
suficiente para os trogloditas de ambos os lados começarem a gostar do
que faziam quando puxavam gatilhos, acendiam pavios ou aplicavam choques
elétricos.
A guerra é sempre o paraíso dos tarados e dos psicopatas e aqui não foi diferente.
No
cômputo final, a esquerda armada matou 119 pessoas, a maioria das quais
desarmada e que nada tinha que ver com a guerra dela;e os militares
mataram 429 "guerrilheiros", segundo a esquerda, 362 "terroristas",
segundo os próprios militares. O número e as qualificações verdadeiras
devem estar em algum lugar no meio dessas diferenças.
Uma boa parte dos que caíram morreu atirando, de armas na mão; outra parte morreu na tortura, assassinada ou no fogo cruzado.
Está
certo: não deveria morrer ninguém depois de rendido, e morreu. E assim
como morreram culpados de crimes de sangue, morreram inocentes. Eu
mesmo tive vários deles escondidos em nossa casa, até no meu quarto de
dormir, e já jornalista contribuí para resgatar outros tantos. Mas isso
é o que acontece em toda guerra, porque guerra é, exatamente, a
suspensão completa da racionalidade e do respeito à dignidade humana.
O
total de mortos pelos militares ao longo de todos aqueles 21 "anos de
chumbo" corresponde mais ou menos ao que morre assassinado em pouco mais
de dois dias e meio neste nosso Brasil "democrático" e "pacificado" de
hoje, onde se matam 50 mil por ano.
Há,
por enquanto, 40.300 pessoas vivendo de indenizações por conta do que
elas ou seus parentes sofreram na ditadura, todas do lado da esquerda.
Nenhum dos parentes dos 119 mortos pela esquerda armada, nem das
centenas de feridos, recebeu nada desses R$ 3,4 bilhões que o Estado
andou distribuindo.
Enfim,
esse é o resumo dos fatos nas quantidades e na ordem exatas em que
aconteceram, do que dou fé porque estava lá. E deixo registrado para os
leitores que não viveram aqueles tempos compararem com o que andam
vendo e ouvindo por aí e tirarem suas próprias conclusões sobre quanto
desse barulho todo corresponde a sentimentos e intenções honestas
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