REPUBLICA DA PROPAGANDA
Vários leitores pediram que escrevesse um artigo sobre a propaganda
governamental, envolvendo também estatais, governos do Estado e
Prefeituras Municipais.
Quando o escritor pensa que está sozinho enxergando o mar de lama
da publicidade oficial brasileira, bombardeado dia e noite pelas
propagandas diretas e indiretas, via televisões, rádios, jornais e
revistas, eis que vários leitores também estão atentos para essa
vergonhosa propaganda enganosa que assola toda nação brasileira.
Mas voltando ao tempo, lembro muito bem, em minha infância, que
propaganda, hoje chamada publicidade para sofisticar o engodo,
chamava-se reclame. As pessoas comentavam sobre os reclames do
Melhoral, com seu famoso jingle "Melhoral, melhoral, é melhor e não
faz mal ". Os jingles bem elaborados eram cantados pela população,
aprovando o bom gosto de seus autores.
Alguém batia na porta e o morador perguntava: quem bate ? Quem estava
batendo respondia: é o frio ! Então a voz do morador
respondia cantando um refrão que foi cantado pelo Brasil inteiro: não
adianta bater, eu não deixo você entrar, nas Casas Pernambucanas é que
vou aquecer o meu lar !
E tinha também reclame para quem gosta da água que passarinho
não bebe: Ai Tatu, Tatuzinho, me abre a garrafa e me dá um pouquinho.
A gente cruzava na rua com as pessoas cantarolando os refrões,
seduzidas pela rima , pela criatividade e também pela musicalidade da
letra.
Como esquecer o "Dura lex, sede lex", no cabelo só Gumex ", uma
brilhantina que fazia o cabelo dos jovens ficarem espetados ou
elegantemente endurecidos como o penteado de Elvis Presley ?
Quando os circos chegavam às pequenas cidades do interior,
eram contratados "chapas" da própria cidade, para baterem as
estacas e levantar a lona. Enquanto o circo era erguido, um perna
de pau, equilibrista que ficava com cinco metros de altura, corria
todo centro da cidade, megafone em punho, fazendo o "reclame"
da estréia, com frases e chavões eternizados na história do circo.
E o palhaço, o que é ?, perguntava aos berros pela megafone
estridente. Imediatamente ele mesmo respondia, é ladrão de
mulher ! Quando a molecada fazia rodinha em torno do perna de
pau, geralmente vestido de palhaço, a pergunta símbolo da
vida circense: vocês querem marmelada ?, com a resposta já
conhecida por várias gerações: queremos sim, senhor ! Em
seguida, outra pergunta: vocês querem marmelada ? Queremos,
sim senhor. E voltava perguntar sobre o palhaço o que é, recebendo
a resposta imediata que é ladrão de mulher !
Caminhões percorriam as cidades, com alto-falante, vendendo, de
melancia a amoladores de facas, com o motorista berrando, ao vivo,
o eterno bom e barato de todos os reclames anunciados.
E quem pagava todo aquele reclame?Somente aqueles que compravam, de
livre e espontânea vontade, o ingresso para o
espetáculo circense. Os reclames alegravam a cidade, vendiam
seu peixe fresco, seu abacaxi doce como mel, jaboticaba Sabará
desesperadamente gostosa, melancia vermelha, de lamber
os beiços. Uma propaganda divertida, honesta, cuja conta só
pagava quem consumia o produto oferecido.
A propaganda pelo rádio direcionava o consumo, mas se o comprimido
oferecido para dor de cabeça não resolvesse, a pessoa não comprava
mais e metia a boca. A verdadeira democracia da comunicação. Enganou o
consumidor uma vez, a punição mais exemplar: queimava
o produto, perdendo o mercado. A verdadeira lei da oferta e da procura.
E hoje, me cobram os leitores, que mundo é esse da propaganda
enganosa dos órgãos públicos, começando pelo governo federal mais
corrupto, incompetente e mentiroso da história brasileira ? E as
estatais, meu Deus, tipo Petrobrás, sem concorrentes, gasta uma
fortuna para dizer que é ótima, linda, divina e maravilhosa, quando o
mundo inteiro sabe que é uma empresa falida, devastada por várias
gestões desastrada na era lulopetista. Fazer propaganda do quê,
senhora Petrobrás " ?
A sugestão dos leitores, que endosso e vou lutar por ela, é o
Congresso Nacional fazer uma lei proibindo todos os tipos de
propaganda oficial (governo federal, governo do Estado e Prefeituras
Municipais), além do legislativo e empresas públicas.
Governos sérios, honestos e competentes não precisam fazer
propaganda, porque o povo enxerga muito bem quem está fazendo
o quê.
A sociedade brasileira tem que pressionar, por todos os meios, o
Congresso Nacional, para acabar com qualquer tipo de propaganda em
órgão público. E o dinheiro economizado ir para educação e saúde.
Voltarei ao assunto !
.
Roberto Gonçalves é cientista político
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