sábado, 1 de abril de 2017

53º ANIVERSÁRIO DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE 1964

  53 a. do MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE 1964, de 31 de março de 1964, que impediu o País do jugo comunista, foi o resultado de uma longa articulação da caserna, mas não obedeceu ao plano previsto. A estratégia original, imaginada pelo General HUMBERTO DE ALENCAR CASTELLO BRANCO (1900-1967), chefe do Estado Maior do Exército e principal articulador do golpe, era tornar-se o mártir inspirador do movimento, que seria deflagrado no dia 2 de abril e poderia durar até dois meses. A descrição detalhada dessa operação é uma das informações inéditas do livro CASTELLO–A MARCHA PARA A DITADURA, do jornalista LIRA NETO, a mais completa biografia do primeiro presidente do regime militar. O plano de CASTELLO, o livro de LIRA, um cearense que vasculhou durante seis anos o passado do ilustre conterrâneo e compilou 300 entrevistas, era forçar o então presidente JOÃO GOULART a exonerá-lo. Depois de articular todo o movimento militar junto com o general ARTUR DA COSTA E SILVA, e do acirramento da disputa entre JANGO e a linha dura do exército, CASTELLO não esperava se manter no cargo. De fato, conta LIRA, a exoneração de CASTELLO estava nas mãos do ministro interino da GUERRA, MORAIS ÂNCORA. “Quando CASTELLO recebesse o comunicado de sua exoneração, iria se recusar a entregar o cargo”, relata o livro. “Assim, ele não deixaria a JANGO outra alternativa senão a de mandar prendê-lo. A voz de prisão dada ao chefe do Estado Maior seria, portanto, o sinal para o levante. A notícia deveria ser espalhada rapidamente, pelo telefone. “O doente baixou à enfermaria”, era a senha combinada. Havia outra: “O bebê acabou de nascer”. O próprio JANGO, porém, se encarregaria de apressar ainda mais o parto”. Pelo plano de CASTELLO, as tropas de MINAS e SÃO PAULO se deslocariam ao mesmo tempo para o RIO. Movimentos paralelos seriam deflagrados no NORDESTE e no RIO GRANDE DO SUL. “Previam-se entre 30 a 60 dias de luta, até se conseguir sufocar a resistência das tropas fiéis a JANGO”, conta LIRA. Tudo, ou quase tudo, do plano original foi por água abaixo na manhã de 31 de março, por volta das 5:30 horas, quando o telefone de cabeceira de CASTELLO tocou. Era o deputado ARMANDO FALCÃO, contando que o General OLÍMPIO MOURÃO FILHO já tinha saído de BELO HORIZONTE, com suas tropas, em direção ao RIO. Contrariado, o chefe do Estado Maior ainda fez um último apelo ao governador de MINAS, MAGALHÃES PINTO, para convencer MOURÃO a dar meia volta. Numa conversa telefônica tensa, por volta das 9 da manhã, CASTELLO disse a MAGALHÃES que a precipitação de MOURÃO punha em risco um plano longamente preparado.

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