53 a. do MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE 1964, de 31 de março de 1964, que impediu o País do jugo comunista, foi o resultado de uma longa articulação da caserna, mas não obedeceu ao
plano previsto. A estratégia original, imaginada pelo General HUMBERTO DE
ALENCAR CASTELLO BRANCO (1900-1967), chefe do Estado Maior do Exército e
principal articulador do golpe, era tornar-se o mártir inspirador do movimento,
que seria deflagrado no dia 2 de abril e poderia durar até dois meses. A
descrição detalhada dessa operação é uma das informações inéditas do livro
CASTELLO–A MARCHA PARA A DITADURA, do jornalista LIRA NETO, a mais completa
biografia do primeiro presidente do regime militar. O plano de CASTELLO, o
livro de LIRA, um cearense que vasculhou durante seis anos o passado do ilustre
conterrâneo e compilou 300 entrevistas, era forçar o então presidente JOÃO
GOULART a exonerá-lo. Depois de articular todo o movimento militar junto com o
general ARTUR DA COSTA E SILVA, e do acirramento da disputa entre JANGO e a
linha dura do exército, CASTELLO não esperava se manter no cargo. De fato,
conta LIRA, a exoneração de CASTELLO estava nas mãos do ministro interino da
GUERRA, MORAIS ÂNCORA. “Quando CASTELLO recebesse o comunicado de sua
exoneração, iria se recusar a entregar o cargo”, relata o livro. “Assim, ele
não deixaria a JANGO outra alternativa senão a de mandar prendê-lo. A voz de
prisão dada ao chefe do Estado Maior seria, portanto, o sinal para o levante. A
notícia deveria ser espalhada rapidamente, pelo telefone. “O doente baixou à
enfermaria”, era a senha combinada. Havia outra: “O bebê acabou de nascer”. O
próprio JANGO, porém, se encarregaria de apressar ainda mais o parto”. Pelo
plano de CASTELLO, as tropas de MINAS e SÃO PAULO se deslocariam ao mesmo tempo
para o RIO. Movimentos paralelos seriam deflagrados no NORDESTE e no RIO GRANDE
DO SUL. “Previam-se entre 30 a
60 dias de luta, até se conseguir sufocar a resistência das tropas fiéis a
JANGO”, conta LIRA. Tudo, ou quase tudo, do plano original foi por água abaixo
na manhã de 31 de março, por volta das 5:30 horas, quando o telefone de
cabeceira de CASTELLO tocou. Era o deputado ARMANDO FALCÃO, contando que o
General OLÍMPIO MOURÃO FILHO já tinha saído de BELO HORIZONTE, com suas tropas,
em direção ao RIO. Contrariado, o chefe do Estado Maior ainda fez um último
apelo ao governador de MINAS, MAGALHÃES PINTO, para convencer MOURÃO a dar meia
volta. Numa conversa telefônica tensa, por volta das 9 da manhã, CASTELLO disse
a MAGALHÃES que a precipitação de MOURÃO punha em risco um plano longamente
preparado.
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