O
Brasil é um país que resiste na beira do abismo. Abençoado por Deus e pela
natureza, vive na dúvida entre o atalho do atraso e a reta da certeza. Uma
nação que maltrata sua história e não agradece, todos os dias, a generosidade
divina que nos concedeu uma extensão territorial de dimensão continental, rica
em terras férteis, praias que enchem os olhos do mundo inteiro, água doce em
abundância, fauna e flora que não devem nada aos países mais ricos.
Todos
os versos e cantos ufanistas de nossa Pátria são verdadeiros e merecem o cultivo
da eternidade. Quando Gonçalves Dias declama que “Nossa terra tem palmeiras,
onde canta o sabiá...”, pratica um ato de civismo exemplar pelo caminho
encantador da poesia. Assim como outros brasileiros exemplares, Gonçalves Dias
tentou plantar raízes de civismo e amor à Pátria.
Civismo
é a difícil tarefa de amar, em grandeza superior, os valores do País, do Estado
e do Município. Uma pessoa acometida do vírus cívico é aquela que consegue
romper os muros estreitos e menores de um cotidiano medíocre para se envolver
em lutas e projetos que dignifiquem a vida. É fácil, cômodo e comum viver a
pobre rotina da casa para o trabalho e de trabalho para casa, intercalada por
um tempo livre que nada acrescenta e apenas demonstra que existe gente que
passa por este mundo sem nunca ter vivido.
E a
grande tragédia contemporânea do Brasil é a crescente alienação de sua
população em relação aos valores cívicos que deveriam nortear uma nação
civilizada.
Os
jovens desapareceram das praças e a política, ciência superior do poder, deixou
de ser pensada e discutida nas esquinas, evidenciando uma decadência social e
cultural de elevada periculosidade cívica. A história nos ensina que o
afastamento da juventude é um sinal de alarme para as nações, exigindo dos
patriotas uma providência qualquer diante da falência de nossas instituições.
Por
muito menos do que acontece no Brasil de 2017, os paulistas pegaram em armas
dia 9 de Julho de 1932. Data máxima do povo paulista, 9 de Julho é a referência
de honra e glória que jamais deixaremos desaparecer de nossa história.
Fizemos
a maior guerra civil da história do Brasil em busca de uma Constituição para
conquistarmos a democracia. Fomos derrotados militarmente, mas vencemos
politicamente. Mesmo com a ditadura usando o rádio como propaganda enganosa,
vendendo ao Brasil a idéia de que nossa revolução era separatista, liderada
pelos italianos e barões do café, conseguimos a Constituição em 1934 e grandes
avanços em direção à cidadania, como a conquista do voto feminino, por exemplo.
9 de
Julho é o exemplo para sempre. Em 1932 fizemos a maior guerra cívica militar.
Em 2017 precisamos, em paz, promover esse movimento cívico, partindo de São
Paulo, para resgatar a ética, o próprio civismo e a cidadania numa nação
destroçada pela corrupção.
O Brasil
precisa buscar o exemplo nos tempos atuais da Epopéia de 32, onde o IDEAL DO
DIREITO era a única meta daqueles 130 mil homens, mulheres e crianças envolvidos no Movimento
Constitucionalista Eles conseguiram, embora derrotados pelas armas, o retorno da
Carta Magna do País. A eles nosso preito de gratidão! Meu profundo respeito aos
HERÓIS DE 32, baluartes da verdadeira democracia brasileira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário