86 a. FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO –
QUARTEL GENERAL – 1ª SEÇÃO – São Paulo, 25 de julho de 1932 – 1ª Parte
Exclusão por falecimento
No Estado Maior da Força, do senhor
General Comandante Julio Marcondes Salgado e no C/I/M, do senhor major José Marcelino
da Fonseca, falecidos nesta Capital, no dia 23 do corrente, vítimas do desastre
ocorrido na manhã daquele dia.
Traduzindo os sentimentos de pesar da
Força Pública, o senhor capitão Heliodoro Tenório da Rocha Marques, proferiu
ontem, por ocasião dos funerais, a seguinte oração:-
COMANDANTE SALGADO,
CAPITÃO MARCELINO,
São Paulo inteiro está de luto e a
Força Pública de armas em funeral, pelos vossos trágicos desaparecimentos da
vida terrena.
No meio das atribulações que nos cansam
o físico e inquietam o espírito, eu não posso encontrar palavras que bem
traduzam a comoção que nos vai n´alma pelas perdas irreparáveis que todos
deploramos.
Falar de vós, comandante Salgado, é
falar da intrepidez, da resistência moral, do grande espírito empreendedor e da
vontade indomável de bandeirante que, em luta de vida e morte contra o homem e
a natureza, não encontrou desfalecimentos na grande obra de demarcação e
expansão geográfica da Pátria Brasileira.
Fostes um lutador incansável e um
patriota cujo nome, passada esta primeira fase de incompreensão e exacerbação
dos espíritos, há de ser glorificado não somente em São Paulo, onde já o é, mas
no Brasil inteiro, como um dos maiores vultos da nacionalidade brasileira.
São Paulo inteiro já vos conhece de
sobra, mas eu, falando em nome da Força Pública, como testemunha que fui da
firmeza e elevação de idéias e de sentimentos com que vos conduzistes nos mais
angustiosos momentos por que vem passando a nossa pátria de certo tempo a esta
parte, julgo-me com o direito de dizer duas palavras sobre a vossa brilhante
atuação em prol da causa da libertação de São Paulo e da redenção do Povo
Brasileiro.
28 de abril de 1931 marca um gesto de
exaltação cívica de nossas tropas e do povo paulista, no primeiro grito de
alerta em prol da causa ora em marcha acelerada para a vitória;
23 de maio de 1932 marca o segundo
passo à frente, no grande trabalho de mobilização das forças morais e materiais
que se têm contraposto aos esforços que a ditadura ainda desenvolve, em
desespero de causa e por instinto de conservação;
9 de Julho de 1932 marca o início da
marcha invencível do Exército da Liberdade contra os defensores forçados da
ditadura que nos infelicita e humilha perante os povos civilizados.
(EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO CORONEL VENTURA)
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