crônica
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SOLDADO EXEMPLAR
“Todo mundo é muito bonzinho, mas levaram o meu capote”.
Não sei ao certo se foi em 1978, ou 79, que certo dia, uma notícia caiu como uma bomba na Companhia da Penha, do 2ºBPM/m: o soldado Pedro(?) havia sido preso em uma cidade do Paraná, Com um lote de máquinas de costura furtadas.
A surpresa foi geral, pois o Pedro era um dos soldados mais conceituados e queridos da Companhia, jamais dera qualquer alteração, além de ser um profissional competente. Trabalhando numa das equipes noturnas de Rádio Patrulha, fazia “bico” de segurança no Hospital Nossa Senhora da Penha sendo estimado não só pela direção como por médicos e funcionários. Graças a esse prestígio conseguia atendimento gratuito para familiares de colegas seus. Conseguiu, inclusive, o atendimento para um Major do EM/PM, que necessitava fazer uma cirurgia na vista e cujo especialista era de lá.
Mas, bomba, ainda mais potente, explodiu quando as investigações se adiantaram e se constatou que o Pedro era chefe de uma quadrilha formada por quase todos os PM de sua equipe: das 05 viaturas que operavam das 200 às 0600 h, ao que me lembro, só escapou a guarnição da Ronda Setorial, que, se diga de passagem, não rondava ninguém.
O Pedro, conhecendo bem ó comércio da Penha, escolhia como alvo, especialmente, lojas de eletro domésticos e na madrugada, quando as ocorrências caiam quase a zero, ele, mais o seu parceiro de guarnição, arrombavam a porta da loja e em seguida chamavam o COPOM
_COPOM durante o “patru”, constatamos a porta de uma loja arrombada na rua da Penha e vamos verificar a suspeita de furto” - essa era a senha para que as demais guarnições se deslocassem para o endereço e ajudassem a recolher os produtos escolhidos. Depois ele localizava o proprietário da loja, que já lhe era conhecido e o levava para o 10º DP para registro da ocorrência.
Ao término do turno os solados descarregavam o material furtado no carro do Pedro, que o guardava em sua casa, para depois ir vendê-lo, preferencialmente, fora da cidade de S. Paulo.
“A casa caiu”, porque os gatunos, ao escolherem furtar a Loja Singer, da Avenida Penha de França, não sabiam que o distribuidor das máquinas de costura mantinha um controle do destino de cada peça e que, quando qualquer uma era desviada, ele comunicava a todos os seus revendedores.
A rotina, se por um lado facilita a execução do serviço, por outro lado afrouxa a atenção na fiscalização. Como à noite quase nada acontecia, a ação dos Rondantes, quer Oficiais, ou Sgt, ia amolecendo:
_ “Na madruga é só levantar a gola da japona e faturara a quilometragem.”
No CPAM/4, fazíamos reuniões semanais com todos os Tenentes, nas quais, além de analisarmos as ocorrências atendidas em toda a Capital, que haviam dado errado e apresentamos o procedimento correto a ser seguido, cobrávamos a atenção dos Oficiais, para a necessidade de uma fiscalização constante e minuciosa das guarnições, tanto de R P, como do Tático Móvel:
_ COPOM...RO.
_R O.
_ QSO com a 1 3 5.
_ 1 3 5.
_ 1 3 5. QTH, KM e aguarde.
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