197 a. nasce FIÓDOR MIKHÁILOVITCH DOSTOIÉVSKI em MOSCOU, no dia 30
de outubro de 1821. Falece em 28 de janeiro de 1881, sendo sepultado três dias
depois no Cemitério ALIEKSANDR NIÉVSKI, em SÃO PETERSBURGO. Sua
infância foi bastante atribulada, face o temperamento despótico e brutal do
pai, e a passividade triste e nervosa da mãe. Martirizado, o menino alimentou a
esperança que o pai morreria, chegando a pedir a Deus em suas preces. Contudo,
quem faleceu era a mãe, que não resistiu a tantos sofrimentos. Viúvo, MIKHAIL,
o pai de DOSTOIÉVSKI, dedicou-se com mais afinco ao trabalho e mandou o filho
para a escola militar de engenharia, em SÃO PETERSBURGO ,
atual LENINGRADO. E foi ali, entre exercícios de campanha e cálculos
matemáticos, que o adolescente FIÓDOR descobriu o prazer da literatura.
Entregou-se febrilmente à leitura, ficando impressionado com SCHILLER, DICKENS,
GEORGE SANDS e BALZAC. As idéias de muitos escritores de séculos anteriores,
como BYRON, SHAKESPEARE e CERVANTES, e de seu contemporâneo VICTOR HUGO,
influenciariam suas obras.
A inesperada notícia do assassinato do pai,
em 1839, acabou pesando na consciência do jovem FIÓDOR, que tanto rezara para
ver-se livre dele. Amargurado, angustiado pelo remorso, sentindo-se responsável
por toda a miséria do ser humano, ele buscou se redimir por meio da criação
literária. Aos vinte anos, começou a escrever BÓRIS GODUNOV e MARIA STUART, que
não só refletem a preocupação de seguir a moda romântica como também sua
problemática pessoal: o primeiro é a história de um tirano, como seu pai, e o
segundo é o drama de uma rainha infeliz e injustiçada, como sua mãe. FIÓDOR não
concluiu nenhuma das duas obras. Traduziu, em 1843, EUGÊNIA GRANDET, de VICTOR
HUGO, e a peça DOM CARLOS, de SCHILLER. No ano seguinte,
ainda tentando seguir os padrões do romantismo, começou a elaborar POBRE GENTE,
novela que descreve o ambiente medíocre em que viveu. Publicada em 1845, POBRE
GENTE transformou-se em grande sucesso de público e de crítica. Em 1847, ano em
que saiu a segunda edição de POBRE GENTE, sofreu uma séria crise de epilepsia.
No ano seguinte, publicou O DUPLO, romance que não obteve sucesso.
Em
1848, DOSTOIÉVSKI, aos 21 anos, começou a frequentar um grupo socialista revolucionário
em SÃO PETERSBURGO, do qual passou a fazer parte. No livro, OS POSSESSOS,
denunciou o clima de violência e niilismo vigente entre os revolucionários,
acusando-os de agir sobretudo movidos pelo tédio e de viverem inutilmente à
custa dos servos. Comprometeu-se com o socialismo, em seus discursos públicos.
Foi preso e condenado ao fuzilamento. Já no patíbulo, no momento em que se iria
cumprir a sentença, um toque de clarim interrompeu a execução. Para
incredulidade e imenso alívio dos réus, o auditor imperial anunciou que NICOLAU
I mudara de idéia e que a pena de morte
fora comutada em prisão perpétua com trabalhos forçados na SIBÉRIA. Na véspera
do NATAL de 1849, seguiu para o cumprimento da sentença. Na convivência com
ladrões, criminosos e prostitutas, no exílio, DOSTOIÉVSKI jamais colocou em
dúvida a bondade humana. No livro RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS registraria:
“Posso testemunhar que no ambiente mais ignorante e mesquinho encontrei sinais
incontestáveis de uma espiritualidade extremamente viva”.
Após
cinco intermináveis anos de trabalhos forçados, em 1854, com 33 anos, ele foi
incorporado como soldado raso numa guarnição siberiana, onde passou outros
cinco anos. Na fria solidão da SIBÉRIA, sofreu o suplício de se apaixonar por
uma mulher casada, MARIA DIMÍTRIEVNA ISSÁIEVNA. Seu sofrimento aumentou quando
ela se mudou para outra cidade, mas depois de alguns meses, para sua alegria,
vislumbrou uma esperança: MARIA ficara viúva. Eles se casam em 1857.
Na
noite de núpcias, DOSTOIÉVSKI sofreu uma violenta crise de epilepsia, como já
tivera antes. A mulher observou apenas, com o espanto estampado nos olhos. O
casamento revelou-se um fracasso. Sua saúde piorou. Foi aí que escreveu
RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS.
O novo
imperador, ALEXANDRE II, permitiu-lhe o retorno a SÃO PETERSBURGO, fato que se
concretizou em 1859. Em 1861, com seu irmão MIKHAIL, fundou o periódico O
TEMPO. Com dívidas, ameaçado por credores, fugiu para o exterior, em 1862.
Percorreu a ALEMANHA, ITÁLIA, SUIÇA, FRANÇA e INGLATERRA, levando consigo uma
jovem estudante, partidária do feminismo, entusiasta da literatura e candidata
a romancista: POLINA SÚSLOVA, que posteriormente seria a musa inspiradora das
personagens de O JOGADOR, O IDIOTA e OS IRMÃOS KARAMÁZOVI, entre outros.
Retornando
à PETERSBURGO, em 1863, DOSTOIÉVSKI encontrou MARIA agonizante e o jornal
fechado por ordem do governo. No ano seguinte, fundou um outro periódico, A
ÉPOCA. Nesse ano, num período de três meses, morreram MARIA e MIKHAIL, ficando
a seu encargo a sobrevivência da cunhada viúva e dos sobrinhos. Nesse
sentimento de angústia, iniciou a redação de MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO, obra que
marcou o completo amadurecimento literário do escritor.
Escrevendo
CRIME E CASTIGO, contratou a estenógrafa ANA GRIGÓRIEVNA e, nesta jovem de 21
anos, encontrou sua nova companheira. Casou-se com ela em 1867, aos 46 anos.
Apaixonado pelo jogo, DOSTOIÉVSKI afundou-se em dívidas e vai para a EUROPA
OCIDENTAL. Fixou-se em GENEBRA. Mas o vício fez perder tudo.
A
morte da primeira filha, em 1868, com três meses de idade, ameaçou comprometer
sua sanidade mental, agravado pelo sentimento de culpa por privar sua mulher do
conforto e bens materiais. Sem filha, sem paz, o casal abandonou GENEBRA e a
literatura. O nascimento da segunda filha, em 1869, atenuou um pouco a rudeza
de sua vida. O casal retornou à RÚSSIA em 1871, ano em que publicou OS
POSSESSOS. Dois anos depois, assumiu o cargo de redator-chefe em O CIDADÃO. A
partir dessa época ele escreveu, em 1874, O ADOLESCENTE e DIÁRIO DE UM ESCRITOR
e, em 1880, OS IRMÃOS KARAMÁZOVI.
Num
dia nevado de 1881, vítima de uma hemorragia, morreu aos 60 anos, consagrado
até hoje como um dos mestres da literatura universal.
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