terça-feira, 30 de outubro de 2018

Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski). NASCEU EM 30 DE OUTUBRO DE 1821.







197 a. nasce FIÓDOR MIKHÁILOVITCH DOSTOIÉVSKI em MOSCOU, no dia 30 de outubro de 1821. Falece em 28 de janeiro de 1881, sendo sepultado três dias depois no Cemitério ALIEKSANDR NIÉVSKI, em SÃO PETERSBURGO. Sua infância foi bastante atribulada, face o temperamento despótico e brutal do pai, e a passividade triste e nervosa da mãe. Martirizado, o menino alimentou a esperança que o pai morreria, chegando a pedir a Deus em suas preces. Contudo, quem faleceu era a mãe, que não resistiu a tantos sofrimentos. Viúvo, MIKHAIL, o pai de DOSTOIÉVSKI, dedicou-se com mais afinco ao trabalho e mandou o filho para a escola militar de engenharia, em SÃO PETERSBURGO, atual LENINGRADO. E foi ali, entre exercícios de campanha e cálculos matemáticos, que o adolescente FIÓDOR descobriu o prazer da literatura. Entregou-se febrilmente à leitura, ficando impressionado com SCHILLER, DICKENS, GEORGE SANDS e BALZAC. As idéias de muitos escritores de séculos anteriores, como BYRON, SHAKESPEARE e CERVANTES, e de seu contemporâneo VICTOR HUGO, influenciariam suas obras.
A inesperada notícia do assassinato do pai, em 1839, acabou pesando na consciência do jovem FIÓDOR, que tanto rezara para ver-se livre dele. Amargurado, angustiado pelo remorso, sentindo-se responsável por toda a miséria do ser humano, ele buscou se redimir por meio da criação literária. Aos vinte anos, começou a escrever BÓRIS GODUNOV e MARIA STUART, que não só refletem a preocupação de seguir a moda romântica como também sua problemática pessoal: o primeiro é a história de um tirano, como seu pai, e o segundo é o drama de uma rainha infeliz e injustiçada, como sua mãe. FIÓDOR não concluiu nenhuma das duas obras. Traduziu, em 1843, EUGÊNIA GRANDET, de VICTOR HUGO, e a peça DOM CARLOS, de SCHILLER. No ano seguinte, ainda tentando seguir os padrões do romantismo, começou a elaborar POBRE GENTE, novela que descreve o ambiente medíocre em que viveu. Publicada em 1845, POBRE GENTE transformou-se em grande sucesso de público e de crítica. Em 1847, ano em que saiu a segunda edição de POBRE GENTE, sofreu uma séria crise de epilepsia. No ano seguinte, publicou O DUPLO, romance que não obteve sucesso.
Em 1848, DOSTOIÉVSKI, aos 21 anos, começou a frequentar um grupo socialista revolucionário em SÃO PETERSBURGO, do qual passou a fazer parte. No livro, OS POSSESSOS, denunciou o clima de violência e niilismo vigente entre os revolucionários, acusando-os de agir sobretudo movidos pelo tédio e de viverem inutilmente à custa dos servos. Comprometeu-se com o socialismo, em seus discursos públicos. Foi preso e condenado ao fuzilamento. Já no patíbulo, no momento em que se iria cumprir a sentença, um toque de clarim interrompeu a execução. Para incredulidade e imenso alívio dos réus, o auditor imperial anunciou que NICOLAU I  mudara de idéia e que a pena de morte fora comutada em prisão perpétua com trabalhos forçados na SIBÉRIA. Na véspera do NATAL de 1849, seguiu para o cumprimento da sentença. Na convivência com ladrões, criminosos e prostitutas, no exílio, DOSTOIÉVSKI jamais colocou em dúvida a bondade humana. No livro RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS registraria: “Posso testemunhar que no ambiente mais ignorante e mesquinho encontrei sinais incontestáveis de uma espiritualidade extremamente viva”.
Após cinco intermináveis anos de trabalhos forçados, em 1854, com 33 anos, ele foi incorporado como soldado raso numa guarnição siberiana, onde passou outros cinco anos. Na fria solidão da SIBÉRIA, sofreu o suplício de se apaixonar por uma mulher casada, MARIA DIMÍTRIEVNA ISSÁIEVNA. Seu sofrimento aumentou quando ela se mudou para outra cidade, mas depois de alguns meses, para sua alegria, vislumbrou uma esperança: MARIA ficara viúva. Eles se casam em 1857.
Na noite de núpcias, DOSTOIÉVSKI sofreu uma violenta crise de epilepsia, como já tivera antes. A mulher observou apenas, com o espanto estampado nos olhos. O casamento revelou-se um fracasso. Sua saúde piorou. Foi aí que escreveu RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS.
O novo imperador, ALEXANDRE II, permitiu-lhe o retorno a SÃO PETERSBURGO, fato que se concretizou em 1859. Em 1861, com seu irmão MIKHAIL, fundou o periódico O TEMPO. Com dívidas, ameaçado por credores, fugiu para o exterior, em 1862. Percorreu a ALEMANHA, ITÁLIA, SUIÇA, FRANÇA e INGLATERRA, levando consigo uma jovem estudante, partidária do feminismo, entusiasta da literatura e candidata a romancista: POLINA SÚSLOVA, que posteriormente seria a musa inspiradora das personagens de O JOGADOR, O IDIOTA e OS IRMÃOS KARAMÁZOVI, entre outros.
Retornando à PETERSBURGO, em 1863, DOSTOIÉVSKI encontrou MARIA agonizante e o jornal fechado por ordem do governo. No ano seguinte, fundou um outro periódico, A ÉPOCA. Nesse ano, num período de três meses, morreram MARIA e MIKHAIL, ficando a seu encargo a sobrevivência da cunhada viúva e dos sobrinhos. Nesse sentimento de angústia, iniciou a redação de MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO, obra que marcou o completo amadurecimento literário do escritor.
Escrevendo CRIME E CASTIGO, contratou a estenógrafa ANA GRIGÓRIEVNA e, nesta jovem de 21 anos, encontrou sua nova companheira. Casou-se com ela em 1867, aos 46 anos. Apaixonado pelo jogo, DOSTOIÉVSKI afundou-se em dívidas e vai para a EUROPA OCIDENTAL. Fixou-se em GENEBRA. Mas o vício fez perder tudo.
A morte da primeira filha, em 1868, com três meses de idade, ameaçou comprometer sua sanidade mental, agravado pelo sentimento de culpa por privar sua mulher do conforto e bens materiais. Sem filha, sem paz, o casal abandonou GENEBRA e a literatura. O nascimento da segunda filha, em 1869, atenuou um pouco a rudeza de sua vida. O casal retornou à RÚSSIA em 1871, ano em que publicou OS POSSESSOS. Dois anos depois, assumiu o cargo de redator-chefe em O CIDADÃO. A partir dessa época ele escreveu, em 1874, O ADOLESCENTE e DIÁRIO DE UM ESCRITOR e, em 1880, OS IRMÃOS KARAMÁZOVI.
Num dia nevado de 1881, vítima de uma hemorragia, morreu aos 60 anos, consagrado até hoje como um dos mestres da literatura universal.    

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