segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC - O CAÇADOR DE ESMERALDAS - MEUS CRÉDITOS A MARIANO TAGLIANETTI

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OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC.



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MarianoTaglianetti

Anexosdom, 16 de dez 22:45 (Há 9 horas)

 para eu
Caríssimo Cel. VENTURA, boa noite !
Integrante da Liga da Defesa Nacional - LDN, onde encontrei patriótas que vem colaborando ativamente para a divulgação da epopéia
CONSTITUCIONALISTA DE BRASILIDADE PAULISTA de 32, participarei amanhã da comemoração  do  DIA  DO  RESERVISTA instituido
também em homenagem à data de nascimento de OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC a quem deve-se o mérito do SERVIÇO
MILITAR OBRIGATÓRIO que na SUA ótica, consolidada, dá ao jovem formação baseada em princípios cívicos que nutrem a brasilidade.
Com  intuito de homenagea-LO envio-LHE a ode  CAÇADOR  de   ESMERALDAS - FERNÃO DIAS PAES LEME, na qual o também  insigne
PRINCIPE dos poétas Brasileiros, imortalizou-se com SUA LAVRA inconfundível.
Fraternal apreço, TAGLIANETTI.


O Caçador de Esmeraldas ***
OLAVO BRAZ  MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC

Adoça-se-lhe o olhar, num fulgor indeciso;
Leve, na boca aflante, esvoaça-lhe um sorriso...
- E adelgaça-se o véu das sombras. O luar
Abre no horror da noite uma verde clareira.
Como para abraçar a natureza inteira,
Fernão dias Paes Leme estira os braços no ar...

Verdes, os astros no alto abrem-se em verdes chamas;
Verdes, na verde mata, embalançam-se as ramas;
E flores verdes no ar brandamente se movem;
Chispam verdes fuzis ricando o céu sombrio;
Em esmeraldas flui a agua verde do rio,
E do céu, todo o verde, as esmeraldas chovem...

E é uma ressurreição! O corpo se levanta:
Nos olhos, já sem luz, a vida exsurge e canta!
E esse destroço humano, esse pouco de pó
Contra a destruição se aferra à vida, e luta,
E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta
A voz, que na solidão só ele escuta, - só:

“ Morre! morrem-te às mãos as pedras desejadas,
“ Desfeitas como um sonho, e em lodo desmanchadas...
“ Que importa? Dorme em paz, que o teu labor é findo!
“ Nos campos, no pendor das montanhas fragosas,
“ Como um grande colar de esmeraldas gloriosas,
“ As tuas povoações se estenderão fulgindo!

‘ Quando do acampamento o bando peregrino
“ Saía, antemanhã, ao sabor do destino,
“ Em busca, ao norte e ao sul, de jazida melhor,
“ - No cômoro de terra, em que teu pé poisara,
“ Os colmados de palha aprumavam-se, e clara
“ A luz de uma clareira espancava o arredor.

“ Nesse louco vagar, nessa marcha perdida,
“ Tu foste, como o sol, uma fonte de vida:
“ Cada passada tua era um caminho aberto!
“ Cada pouso mudado, uma nova conquista!
“ E, enquanto ias sonhando o teu sonho egoísta,
“ Teu pé, como o de um deus, fecundava o deserto!

“ Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!
“ Teu nome rolará no largo choro triste
“ Da água do Guaicuí... Morre, Conquistador!
“ Viverás quando, feito em seiva o sangue, aos ares
“ Subires, e nutrindo uma árvore, cantares
“ Numa ramada verde, entre um ninho e uma flor!

“ Morre! germinarão as sagradas sementes
“ Das gotas de suor, das lágrimas ardentes!
“ Hão de frutificar as fomes e as vigílias!
“ E um dia, povoada a terra em que te deitas,
“ Quando, aos beijos do sol, sobrarem a colheitas,
“ Quando, aos beijos do amor, acrescerem as famílias,

“ Tu cantarás na voz dos sinos, nas charruas,
“ No esto da multidão, no tumultuar das ruas,
“ No clamor do trabalho e nos hinos da paz!
“ E, subjugando o olvido, através das idades,
“ Violador de sertões, plantador de cidades,
“ Dentro do coração da Pátria viverás!”
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Cala-se a estranha voz. Dorme de novo tudo,
Agora, a deslizar pelo arvoredo mudo,
Como um choro de prata algente, o luar escorre.
E, sereno, feliz, no maternal regaço
Da terra, sob a paz estrelada do espaço,
Fernão Dias Paes Lema os olhos cerra. E morre.

*** Apud “ Antologia Nacional / Fausto Barreto e Carlos Laet
43º Edição – 1.969 – fls. 375/377 – Livraria Francisco Alves.
Curitiba, 17 dezembro 2.018.










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