OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC.
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| dom, 16 de dez 22:45 (Há 9 horas) | ![]() ![]() | ||
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Caríssimo Cel. VENTURA, boa noite !
Integrante da Liga da Defesa Nacional - LDN, onde encontrei patriótas que vem colaborando ativamente para a divulgação da epopéia
CONSTITUCIONALISTA DE BRASILIDADE PAULISTA de 32, participarei amanhã da comemoração do DIA DO RESERVISTA instituido
também em homenagem à data de nascimento de OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC a quem deve-se o mérito do SERVIÇO
MILITAR OBRIGATÓRIO que na SUA ótica, consolidada, dá ao jovem formação baseada em princípios cívicos que nutrem a brasilidade.
Com intuito de homenagea-LO envio-LHE a ode CAÇADOR de ESMERALDAS - FERNÃO DIAS PAES LEME, na qual o também insigne
PRINCIPE dos poétas Brasileiros, imortalizou-se com SUA LAVRA inconfundível.
Fraternal apreço, TAGLIANETTI.
O Caçador de Esmeraldas
***
OLAVO BRAZ MARTINS DOS GUIMARÃES BILAC
Adoça-se-lhe o olhar,
num fulgor indeciso;
Leve, na boca aflante,
esvoaça-lhe um sorriso...
- E adelgaça-se o véu
das sombras. O luar
Abre no horror da noite
uma verde clareira.
Como para abraçar a
natureza inteira,
Fernão dias Paes Leme
estira os braços no ar...
Verdes, os astros no
alto abrem-se em verdes chamas;
Verdes, na verde mata,
embalançam-se as ramas;
E flores verdes no ar
brandamente se movem;
Chispam verdes fuzis
ricando o céu sombrio;
Em esmeraldas flui a
agua verde do rio,
E do céu, todo o verde,
as esmeraldas chovem...
E é uma ressurreição! O
corpo se levanta:
Nos olhos, já sem luz,
a vida exsurge e canta!
E esse destroço humano,
esse pouco de pó
Contra a destruição se aferra
à vida, e luta,
E treme, e cresce, e
brilha, e afia o ouvido, e escuta
A voz, que na solidão
só ele escuta, - só:
“ Morre! morrem-te às
mãos as pedras desejadas,
“ Desfeitas como um
sonho, e em lodo desmanchadas...
“ Que importa? Dorme em
paz, que o teu labor é findo!
“ Nos campos, no pendor
das montanhas fragosas,
“ Como um grande colar
de esmeraldas gloriosas,
“ As tuas povoações se
estenderão fulgindo!
‘ Quando do acampamento
o bando peregrino
“ Saía, antemanhã, ao
sabor do destino,
“ Em busca, ao norte e
ao sul, de jazida melhor,
“ - No cômoro de terra,
em que teu pé poisara,
“ Os colmados de palha
aprumavam-se, e clara
“ A luz de uma clareira
espancava o arredor.
“ Nesse louco vagar,
nessa marcha perdida,
“ Tu foste, como o sol,
uma fonte de vida:
“ Cada passada tua era
um caminho aberto!
“ Cada pouso mudado,
uma nova conquista!
“ E, enquanto ias
sonhando o teu sonho egoísta,
“ Teu pé, como o de um
deus, fecundava o deserto!
“ Morre! Tu viverás nas
estradas que abriste!
“ Teu nome rolará no largo
choro triste
“ Da água do Guaicuí...
Morre, Conquistador!
“ Viverás quando, feito
em seiva o sangue, aos ares
“ Subires, e nutrindo
uma árvore, cantares
“ Numa ramada verde,
entre um ninho e uma flor!
“ Morre! germinarão as
sagradas sementes
“ Das gotas de suor,
das lágrimas ardentes!
“ Hão de frutificar as
fomes e as vigílias!
“ E um dia, povoada a
terra em que te deitas,
“ Quando, aos beijos do sol, sobrarem a colheitas,
“ Quando, aos beijos do amor, acrescerem as famílias,
“ Tu cantarás na voz dos sinos, nas charruas,
“ No esto da multidão, no tumultuar das ruas,
“ No clamor do trabalho e nos hinos da paz!
“ E, subjugando o olvido, através das idades,
“ Violador de sertões, plantador de cidades,
“ Dentro do coração da Pátria viverás!”
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Cala-se a estranha voz. Dorme de novo tudo,
Agora, a deslizar pelo arvoredo mudo,
Como um choro de prata algente, o luar escorre.
E, sereno, feliz, no maternal regaço
Da terra, sob a paz estrelada do espaço,
Fernão Dias Paes Lema os olhos cerra. E morre.
*** Apud “ Antologia
Nacional / Fausto Barreto e Carlos Laet
43º Edição – 1.969 –
fls. 375/377 – Livraria Francisco Alves.
Curitiba, 17 dezembro
2.018.


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