
83 a. nasce o ex-campeão mundial de boxe EDER JOFRE, em 26 de março de 1936. Ao completar 70 anos, em 26 de março de 2006, disse EDER JOFRE: “Não mudará nada em minha vida. Se voltasse no tempo, gostaria de ter a mesma infância no PARQUE PERUCHE. Jogando bola na rua, empinando pipa e tomando banho na biquinha. Fui uma criança muito feliz”. Depois de pendurar as luvas em 1976, EDER passou pela política e chegou a exercer o cargo de vereador na Câmara Municipal. Em 2006, passa as manhãs em uma empresa, onde tem a função de Relações Públicas. “Ainda me sinto com disposição. Não posso parar”. Pena que o tempo passou. O GALO DE OURO se aposentou e o BRASIL não soube manter a nobre arte no padrão internacional atingido nas décadas de 1960 e 1970. O título mundial dos penas de VALDEMIR SERTÃO PEDREIRA, conquistado em janeiro de 2006 e a possibilidade de ACELINO POPÓ FREITAS conquistar o quarto cinturão no mês de abril de 2006 – enfrenta o norte-americano ZAHIR RAHEEM, dia 29 de abril – não entusiasmam EDER JOFRE. “O boxe precisa de ídolos, que lutem no BRASIL e com transmissão pela televisão. Como as crianças vão se interessar pelo boxe se não conseguem ver as lutas?”. Segundo EDER, o boxe tinha maior difusão na sua época. “Sabíamos que podíamos ir ao ginásio do PACAEMBU para ver MILTON ROSA, GIBI, PAULO DE JESUS e PEDRO GALASSO, grandes nomes do boxe brasileiro em todos os tempos. Agora, onde e quando temos lutas? E de quem?”. Como solução, EDER pede o apoio de empresas que possam patrocinar as noitadas de boxe. EDER estreou no amadorismo em 1953, na FORJA DOS CAMPEÕES. Em 1956, invicto, participou dos JOGOS OLÍMPICOS DE MELBOURNE. Com o nariz quebrado, foi derrotado na segunda rodada. Em 1957, fez sua primeira luta como profissional na categoria dos galos. Vitória por nocaute no quinto assalto. Em 1960, após vencer espetacularmente JOE MEDEL, em sua luta mais difícil, EDER derrotou ELOY SANCHEZ no sexto assalto e conquistou, em LOS ANGELES, o primeiro título mundial. E, 1962, unificou o cinturão dos galos ao bater o irlandês JOHNNY CALDWELL, no IBIRAPUERA, em dez roundes. Em 1965, após 50 vitórias, o primeiro revés veio em NAGOYA, JAPÃO, diante de MASAHIKO FIGHTING HARADA, por pontos, após 15 assaltos. Resultado muito contestado por causa do estilo atabalhoado do japonês. Em 1966, nova derrota para HARADA, desta vez em TÓQUIO. Desmotivado e com problemas para manter o peso da categoria, EDER abandonou o boxe. Em 1969, ele retornou para lutar entre os pesos pena. Em 1973, depois de 14 lutas, disputou o título mundial, diante do cubano naturalizado espanhol, JOSÉ LEGRA, em BRASÍLIA, e sagrou-se campeão pela segunda vez. Em 1976, aos 40 anos, após 81 lutas, com 75 vitórias (53 nocautes), duas derrotas e quatro empates, encerrou definitivamente sua gloriosa carreira. Em 1983, foi eleito pelo Conselho Mundial de Boxe como o melhor peso galo do boxe contemporâneo. Em 1992, teve seu nome incluído no HALL DA FAMA do boxe. Em 1996, foi eleito pela revista norte-americana THE RING o nono melhor pugilista entre todas as categorias.
Em 2011, ao completar
75 anos, diz EDER JOFRE: “75 anos! Puxa vida! Passou rápido. Mas não posso me
queixar. Deus foi bom comigo”, agradece o GALO DE OURO. O mexicano CARLOS
ZARATE, outro campeão dos galos, mas nos anos 1970, diz “Gostaria muito de ter
lutado contra EDER. Fomos grandes lutadores. Mas melhor assim. Um poderia
perder e poderia ter sido eu”, disse o pugilista, que ganhou 63 vezes por
nocaute em 66 vitórias. Em 2011 o também mexicano JOSÉ SULAYMÁN, presidente do
Conselho Mundial de Boxe, prevê. “Não acredito que o BRASIL tenha outro EDER
JOFRE. Ele parou de lutar há mais de três décadas e quem gosta de boxe sabe
quem é EDER JOFRE. Ainda se fala muito dele. Vocês (brasileiros) devem se
orgulhar dele tanto quanto nós nos orgulhamos.”
DIÁRIO DE SÃO PAULO,
edição de 26 de março de 2016 - 80 ANOS DE LUTA - ÉDER JOFRE, melhor boxeador
brasileiro na história, faz aniversário hoje derrubando desafios como fazia com
os rivais no ringue.
"Uma saraivada de
golpes, Um gancho de esquerda no fígado e ELOY SANCHEZ foi à lona. Ele queria
fazer suas pernas voltarem a se mexer, mas não conseguiu mais nada. O árbitro
contou até dez...Poderia ter contado até mil. Foi o melhor momento do boxe
nacional."
O relato feito por
NEWTON CAMPOS, na época repórter de esportes e, hoje, presidente da Federação
Paulista de Boxe, registra o momento em que ÉDER JOFRE conquistou o cinturão
dos galos pela AMB, a Associação Mundial de Boxe, em 1960.
Primeiro brasileiro a
conseguir tal feito, o GALINHO DE OURO completa hoje 80 anos, marcados por
muitas lutas e grandes vitórias. Nos ringues, entrou para a história do boxe
com mais dois títulos: em 1962, unificou o cinturão dos galos e, em 1970,
conquistou o título mundial dos penas pelo CMB, o Conselho Mundial de Boxe.
O triunfo mais
importante de ÉDER, porém, foi fora dos ringues. Identificado em 2013 com o MAL
DE ALZHEIMER, teve o diagnóstico corrigido no ano seguinte para uma
encefalopatia traumática crônica (demência pugilística). Sem nunca ter deixado
de lutar pela recuperação, ele comemora oito décadas de vida cercado por outros
campeões: MIGUEL DE OLIVEIRA, campeão mundial médio-ligeiro pelo CMB, e
VALDEMIR DOS SANTOS PEREIRA SERTÃO, campeão mundial pena pela FMB, a Federação
Mundial de Boxe. Além, claro, dos medalhistas olímpicos SERVÍLIO DE OLIVEIRA,
bronze no MÉXICO-1968, e YAMAGUCHI FALCÃO, bronze em LONDRES-2012 e dono do
cinturão latino pelo CMB.
Uma festa, organizada
pelo empresário PEPE ALSTUT, será realizada em SANTOS. "A importância do
legado do ÉDER JOFRE é mundial, pois ele é reconhecido como o maior peso-galo
da era moderna do boxe. Ao cultuarmos a lenda, estamos dando uma grande
contribuição à atual e às futuras gerações, ensinando que a nobre arte promove a
inserção social e molda cidadãos que fazem a diferença na comunidade em que
atuam", diz PEPE.
Mas não será apenas na
BAIXADA SANTISTA que o bicampeão mundial será homenageado nesta noite. Em
GUARULHOS, NEWTON CAMPOS também promete relembrar a trajetória do GALINHO DE
OURO na mesma competição em que ÉDER despontou para o boxe: a tradicional FORJA DE CAMPEÕES.
Este ano, o torneio
recebeu 270 inscrições de jovens. Todos eles, claro, sonhando em se tornar, um
dia, os próximos campeões. Como ÉDER JOFRE.
Diz NEWTON CAMPOS:
"ÉDER JOFRE é o pai do boxe brasileiro. Eu me lembro da primeira vez que o
vi lutar, aos 7 anos, em uma exibição no PACAEMBU. Estive em todos os lugares
em que ele competiu, assisti a todas as lutas. Vi como ganhou de ELOY SANCHEZ
contra toda a torcida mexicana. Foi fantástico. Muitas coisas poderiam
conspirar contra, mas a maneira maravilhosa como ele caminhava sobre o ringue e
a beleza dos golpes eram especiais. ÉDER iniciou a caminhada para o boxe
brasileiro. Outros vieram, mas tudo partiu do nosso GALINHO".
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