
A PÁTRIA em homenagem a MULHER...
Caríssimo Cel. VENTURA, boa tarde !
Em homenagem a MULHER ( -8 andante- ) envio-LHE o texto "A PÁTRIA" de RUI BARBOSA.
Esteio da SOCIEDADE, em pleno século XXI, prevalente a denominada sociedade de
consumo ELA não pode olvidar que a natureza -LHE- impos ser MÃE, preservando SUA
auto-dignidade, constituindo FAMÍLIA. Logo através do exemplo, com maturidade, ao educar
os filhos forja os destinos da nacionalidade, mas para isso é preciso que o ESTADO
contribua não só dando-LHE esteio, mas também dando-LHE estrutura, observando o que
porfia o grande civilista ao ditar o significado da PÁTRIA.
Medite a MULHER, confrontando SEU DEVER para com a PÁTRIA, assimilando RUI BARBOSA.
Fraternal apreço, MT.
A PÁTRIA***
RUI BARBOSA
A pátria é a família amplificada.
É a família, divinamente constituída que tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É
uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas.
Multiplicai a célula e tendes o organismo.
Multiplicai a família e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sanguínea. Os homens não inventaram antes adulteraram a fraternidade de que o Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra?
Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações independentes, soberanas, o dever dos deveres, está em respeitar nas outras os direitos da nossa. Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado.
Benqueiramo-nos uns aos outros, como queremos a nós mesmos. Se o casal do nossovizinho cresce, enrica e pompeia, não nos
amofine a ventura de que não compartimos.
Bendigamos, antes, na rapidez da sua medrança, no lustre da sua opulência, o avultar da riqueza nacional, que se não pode
compor da miséria de todos.
3
Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais de segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.
Não chamemos jamais de inimigos da pátria os nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à pátria os nossos adversários
mais irredutíveis. A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem
no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação.
A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio nem uma forma de governo: é o céu, o povo, a tradição, a
consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão
4
da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não
sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acovardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas
pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e
reside obrigatoriamente no amor. No próprio patriotismo armado, o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas no
morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição; é simplesmente a defesa. Além desses limites,
seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia.
***Apud – Ex-presidente JÂNIO QUADROS / CURSO
PRÁTICO da LÍNGUA PORTUGUÊSA / Volume IV -
Literatura – fls. 175/176 / Terceira edição FORMAR
LIMITADA – 1969.
Curitiba , 11 março 2019.
Nenhum comentário:
Postar um comentário