domingo, 17 de março de 2019

EM DEFESA DE LOBATO - MARIANO TAGLIANETTI

EM DEFESA DE LOBATO...



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MarianoTaglianetti

Anexos08:41 (há 12 horas)

 para eu
Caríssimo Cel. VENTURA, bom dia !
Envio-LHE o texto anexo.
Responde a conclusão jejuna de MARCIA CAMARGOS vasada de sua lavra sobre MONTEIRO LOBATO :
" Não era um feixe coeso de ideias e atitudes, mas, antes um espirito inquieto, atravessado de
 incoerências e contradições ".
Não poderia silenciar sobre tal disparate...
Fraternal apreço, MT.



 Aleivosia sobre MONTEIRO LOBATO...

O recém declarado “domínio público” da obra literária,
inigualável e singular, de Monteiro Lobato tem
suscitado comentários que induzem o leitor ao que
denomino NEGROFOBIA, a qual possuindo o vírus do
racismo, faculta o cultivo da desigualdade social em
função da escravatura do negro, vivenciada pela
nacionalidade e abolida pelo Império. Saliente-se que
nossa espécie plantou a escravatura não
sendo apanágio do negro no contexto da
humanidade. A mentalidade escravocrata
perdurou universalmente por milênios e
repudiada pelo desenvolvimento
racional... Na ótica dos que praticam
negrofobia está considerável parcela da
mídia atual que desconsiderando esse
fator histórico fomenta ódio e
desigualdade...
A última reportagem que li, sobre o consagrado escritor,
foi no “Caderno 2”, desta sexta-feira de março (15), no
Jornal “O ESTADO DE S. PAULO” intitulada: “O lugar do

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negro na obra de Lobato”, na qual o leitor é induzido à
questão racial, concluindo “pela urgência do debate
atual”, mas influenciando-o sub-repticiamente: A
articulista anunciando participação no “Salão do Livro”,
em Paris, pelas ideias externadas, deve haver
restringido sua intervenção nesse evento limitando a
grandeza de Lobato, vinculando-a provavelmente a
tons de negrofobia...
Nesse andar em Paris, com certeza, olvidou
GILBERTO FREIRE que pontificou: “A figura de
MONTEIRO LOBATO há de guardá-la não
apenas a história literária do Brasil, mas a
própria história do povo e da nacionalidade
brasileira: aquela história que as vezes é
escrita com sangue” (apud Edgard Cavalheiro
/ MONTEIRO LOBATO Vida e Obra /
Companhia Distribuidora de Livros / São Paulo
/ Edição 1955 ).
MONTEIRO LOBATO é um ícone de nossa
literatura que transcende análises superficiais,
levianas e jejunas, mirando intelectualidade.
Sua obra revela-se inclusive na intransigência
patriótica da luta que manteve contra a

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ditadura getulista que defendia não haver
petróleo no Brasil. Provou que havia e foi
encarcerado...
É preciso considerar que a critica a LOBATO
somente terá condão elucidativo na hipótese
de expressar fielmente o que representa sua
obra literária em termos de brasilidade, o que
só poderá ocorrer quando o analista por
exemplo tomar como paradigma o insigne e
pranteado mestre ÁLVARO AUGUSTO DE
ALMEIDA AZEVEDO autor de brilhantes
ensaios sobre MACHADO DE ASSIS e EUCLIDES
DA CUNHA, cujo prematuro falecimento
ensejou em 29/7/1954, pelo “ESTADÃO”,
necrológio no qual foi registrado com o aval
de seus colegas- : “ÁLVARO AZEVEDO NÃO
REPRESENTAVA, APENAS, A FIGURA MAIS
BRILHANTE DA REDAÇÃO DO ESTADO, NA
ATUALIDADE. PARA ENCONTRARMOS
MENTALIDADES DA SUA ENVERGADURA,
PRECISARIAMOS REMONTAR, NOS QUADROS
DESTA FOLHA, AOS TEMPOS DE JÚLIO DE

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MESQUITA, DE EUCLIDES DA CUNHA E, DE
OUTROS VULTOS, CUJA MEMÓRIA
CULTUAMOS COM SAUDADE E ADMIRAÇÃO
(apud ARCADAS - Associação Antigos Alunos
Faculdade de Direito da USP).
A critica literária honesta, em nosso entender,
deve ser precedida de rigorosa interpretação
sobre as intenções do Autor, pesquisando-se
época e fatos que envolveram conceitos
externados. Ela não pode para
construtividade ser reduzida ao subjetivismo
do critico...
Curitiba, 17 MARÇO 2.019
Mariano Taglianetti / Advogado.

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