domingo, 31 de março de 2019

VICENTE DE CARVALHO - A FLOR E A FONTE - MEUS CRÉDITOS AO DOUTOR MARIANO TAGLIANETTI.


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Exaltando VICENTE de CARVALHO...


MarianoTaglianetti

Anexos15:08 (há 3 horas)
 para eu
Caríssimo Cel. VENTURA, boa tarde !
Fraternal apreço, MT.






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A flor e a fonte

VICENTE DE CARVALHO***

“Deixa-me, fonte” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.

“Deixa-me, deixa-me, fonte!”
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui  nascida no monte...
“Não me leves para o mar”.

E  a fonte, rápida e fria,
Com  um sussurro zombador,
Por  sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

“Ai, balanço  dos meus galhos,
“Balanço dos  berços meus;
“Ai, claras gotas de  orvalho
“Caídas do azul  do céu!...

Chorava a flor e gemia,
Branca, branca  de terror,
E a  fonte, sonora e  fria,
Rolava, levando a flor.

“Adeus, sombras das  ramadas,
“Cantiga do  rouxinol;
“Ai , festa das madrugadas,
“Doçuras do por do  sol;


“Carícia das  brisas leves
“Que abrem rasgões de  luar...
“Fonte, fonte, não me  leves,
“Não me leves para o  mar!...
                 *
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
 Como a da fonte e da flor.

*** Esta edição, a 17ª de uma obra poética – acontecimento raríssimo em nosso país – constitui  antes de tudo a comprovação da gloria de um homem que triunfou em muitos  setores do mundo, mas que só fez questão de um título: o título de poeta. Algumas pessoas maledicentes referiram-se com ironia “ao orgulho de Vicente de Carvalho”. Contudo, é preciso que se saliente que esse vitorioso homem proteico nunca manifestou orgulho por ser um magistrado dos mais brilhantes e íntegros que possuímos – por ser afortunado homem de negócios, por possuir bens materiais ou qualidades pessoais, e de todas  situações aqui referidas,  poderia o poeta do Indaiá jactar-se pois ninguém lhe poderia negar qualquer um desses privilégios.  Curiosamente, Vicente de Carvalho apenas fez questão de reivindicar para si um título: o título depreciado e geralmente ridicularizado de poeta. E nesse seu malsinado “orgulho” não encontramos  nós mais um sinal da sua grandeza? Não era esse “orgulho” um modo de ele impor aos filisteus, aos ignaros, o respeito não exclusivamente pela sua poesia, mas pela poesia em geral, por  esse patrimônio, precioso mas ignorado,  da Humanidade?
O Sucesso de Vicente de Carvalho não se deve a uns vários poemas, conforme acontece com alguns poetas nossos. Não é o resultado fortuito do êxito de uma ou mais produções de sua lavra que se popularizaram.  Representa,  de modo patente, a vitória de uma personalidade, e, por consequência, a oblação de uma existência toda, o desenvolvimento integral de uma carreira. Num país como o nosso, em que tão pouco a sério é levada a poesia (especialmente pelos próprios poetas que acreditam muito na inspiração mas evitam a transpiração), o poeta santista devotou-se com ardor e consciência á profissão de poeta. Foi Vicente de Carvalho um  dos raros poetas nacionais do passado que se aprofundou no conhecimento de seu ofício, e que exerceu a autocritica,  motivo pelo qual nos deixou apenas um volume, depurado, sólido, antológico, esses POEMAS E CANÇÕES que são indubitavelmente uma das mais altas expressões do lirismo luso-brasileiro. Variada é a sua obra. No entanto, entre o guapo e elegante renovador dos “velhos temas” que se imortalizaram, e o cantor elegíaco do “Pequeno Morto”, entre o rapsodo singelo das “Cantigas Praianas” e o fremente lírico  de “Rosa, Rosa de Amor...“ e das  “Palavras do Mar”, não há solução de continuidade.  Uma única personalidade, forte, característica, chama a si a autoria de todos esses poemas. Superando todas as influências que recebeu – Camões e Garret especialmente – Vicente de Carvalho se impõe,  pessoal, típico, por seu verso fluente e cantante, por sua linguagem simples e tersa, e por seu temperamento aristocrático.
Saraiva S. A. – Livreiros-Editores em a satisfação de contar, entre os autores que  edita, a figura valorosa de Vicente de Carvalho. Rejubila-se especialmente por apresentar os Poemas e Canções, um dos mais belos livros de poesia que já foram escritos em língua portuguesa e leitura indispensável para todas as pessoas que desejam conhecer as nossas letras e a nossa cultura.               
***Apud Poemas e Canções - 17ª  Edição 1955 –  fls 293.
Curitiba, 31 março 2.019.

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