segunda-feira, 29 de abril de 2019

105 ANOS DO NASCIMENTO DE DORIVAL CAYMMI, EM 29 DE ABRIL DE 1914.


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105 a. nasce o compositor brasileiro DORIVAL CAYMMI, em 29 de abril de 1914. Falece no dia 16 de agosto de 2008, no RIO, em sua casa, em razão de complicações de um câncer renal descoberto em 1999. Nesse mesmo ano, ele teve um rim retirado. Na segunda-feira, dia 11de agosto de 2008, seu estado de saúde piorou. O corpo foi velado na Câmara dos Vereadores, no Centro. O enterro realizou-se no Cemitério São João Batista, em BOTAFOGO, na tarde de 18 de agosto de 2008.
O governador SÉRGIO CABRAL decretou luto oficial de três dias. Em nota oficial, o prefeito CÉSAR MAIA lamentou a morte do “mais carioca de todos os baianos”. Em sua homenagem, a prefeitura dará seu nome a uma rua do LEBRON zona sul da cidade. CAYMMI morava no RIO desde 1938. Mudou-se em dezembro de 2007 para o sexto andar de um prédio na Av NOSSA SENHORA DE COPACABANA, de onde o compositor que em tantas canções saudou o mar, conseguia avistá-la.
Segundo sua neta, STELLA CAYMMI, a mulher de DORIVAL, STELLA MARIS, venceu o pavor que tinha de elevador para dar ao marido o prazer de ver o oceano de casa. “Por anos, ele tentou convencê-la a se mudar”, disse a neta, que é filha da cantora NANA CAYMMI. “No reveillon, pela primeira ver viram os fogos de COPACABANA”.
A viúva estava internada desde abril de 2008, com problemas cardíacos e há dez dias, antes da morte do marido, entrou em coma. A neta disse que ele ficou muito abalado desde a internação da mulher com quem viveu por 68 anos. “Os últimos dias do meu avô foram muito difíceis, porque minha avó, que ligava para ele todos os dias, parou de ligar e ele percebeu que alguma coisa havia acontecido. Nós decidimos não contar para ele sobre o coma”. CAYMMI não sabia do câncer. Ele dizia que não queria saber o que era. Não passou por quimioterapia ou radioterapia. Tratou-se com remédios por quase dez anos e ficou internado algumas vezes. A última foi no início do ano passado (2007). Depois disso, por decisão do compositor, não voltou mais ao hospital e era assistido por um enfermeiro em sua casa. No dia 24 de junho de 2008, CAYMMI completou 70 anos de carreira. Foi a data em que estreou na RÁDIO TUPI. Para marcar o horário do enterro, a família aguardava a confirmação do horário da chegada de um dos seus filhos, o compositor DORI CAYMMI, que mora em LOS ANGELES. Seus outros filhos são a cantora NANA e o compositor e intérprete DANILO. DORIVAL deixa ainda sete netos. 
DORIVAL CAYMMI nasceu na Rua BÂNGALA (depois LUIZ GAMA), em SALVADOR. Em 1930, compôs sua primeira canção “NO SERTÃO”, nunca gravada. Foi aprovado em teste na Rádio Clube da BAHIA, em 1935, onde começa a cantar esporadicamente. Chega ao RIO em 1938. Estréia na Rádio TRANSMISSORA cantando o samba “O QUE É QUE A BAIANA TEM?” que, no ano seguinte, vira sucesso na voz de CARMEN MIRANDA. Em 1943, freqüenta curso de desenho na Escola de Belas Artes do RIO. Em 1945, engaja-se na campanha de LUIZ CARLOS PRESTES ao Senado e passa a ser perseguido pela polícia. Muda-se para SÃO PAULO em 1954, onde atua na Rádio RECORD e em boates, voltando para o RIO no ano seguinte. Grava o primeiro LP, “CANÇÕES PRAIEIRAS (ODEON)”. Lança o segundo LP em 1955 pela ODEON, “SAMBAS DE CAYMMI”, com “SÁBADO EM COPACABANA” e “NÃO TEM SOLUÇÃO”, entre outros sucessos. Em 1957 lança o LP “CAYMMI E O MAR”. Viaja em excursão pela EUROPA em missão do governo brasileiro. Em 1959 lança a sua obra-prima “CAYMMI E SEU VIOLÃO”. JOÃO GILBERTO, um de seus grandes intérpretes, lança o histórico LP “CHEGA DE SAUDADE”, pedra fundamental da bossa nova, em que regrava a canção “ROSA MORENA”. Em 1965 sai nos ESTADOS UNIDOS o álbum “CAYMMI”, com o Quarteto em Cy. No ano de 1966 sofre uma crise de hipertensão e é internado. Pára de beber e passa a ter hábitos mais saudáveis. Em 1973 na falta de repertório novo, gravou “CAYMMI TAMBÉM É DE RANCHO”, último LP do contrato com a ODEON, considerado o maior equívoco de sua carreira. Em 1984 comemora os 70 anos com show ao lado dos filhos e da mulher. Recebe do presidente JOÃO BATISTA FIGUEIREDO o título de Comendador da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho. Em 1986, desfila no Sambódromo como destaque da MANGUEIRA, que ganha o carnaval com o enredo “CAYMMI MOSTRA O MUNDO QUE A BAHIA E A MANGUEIRA TEM”. Em 1991, pai e filhos vão ao Festival Internacional de Jazz de MONTREAUX, na SUÍÇA. Em 2000, a EMI lança a caixa “CAYMMI AMOR E MAR”, com 7 CDs contendo 12 LPs originais do compositor. Recebe, em 2006, o Prêmio Nacional JORGE AMADO DE LITERATURA E ARTE.
Nos 94 anos em que viveu serenamente, como convém a um bom baiano, DORIVAL CAYMMI – o último patriarca da música brasileira a partir – deixou cerca de 120 músicas, todas irretocáveis. O que tinha de ser aprimorado nelas, foi feito por ele mesmo, rigoroso que foi com cada verso e cada sílaba na interação da melodia. No ensaio “CAYMMI, UMA UTOPIA DE LUGAR, 1993), seu conterrâneo ANTÔNIO RISÉRIO colocou em xeque o mito da espontaneidade em torno da criação do painho baiano. “O coloquialismo caymmiano costuma obscurecer o fato de que CAYMMI é um artesão verbal consciente e paciente, como que o coloquialismo não fosse uma questão de estilo, ou como se a espontaneidade não fosse uma questão de método. CAYMMI, leitor de GARCÍA LORCA, não levaria às vezes dez anos para compor uma canção. Escreveria um poema por dia. CAYMMI é cristalino, coloquial, mas nunca desleixado”, analisou.
Na música de CAYMMI está\ expressa a mais completa tradução da BAHIA, mas ela singra além do mar, das histórias de pescadores, dos temperos do vatapá, da doçura dos quindins de IAIÁ, das sombras praieiras de ITAPUÃ. É o samba de uma\ terra que deixa a gente mole e se instalou no imaginário nacional como o choro de PIXINGUINHA, a bossa de TOM JOBIM, o agreste de LUIZ GONZAGA, a exaltação de ARY BARROSO. Todo mundo conhece “MARINA, CARINHOSO, GAROTA DE IPANEMA, ASA BRANCA e AQUARELA DO BRASIL”.
A matriarca da família VELOSO, DONA CANÔ, assim se expressa: “Sinto muito a morte de meu amigo DORIVAL CAYMMI. Ele foi um grande homem e um grande músico, que muito contribuiu para divulgar a nossa BAHIA. Ninguém cantou tão bem a BAHIA quanto ele. Que ele descanse em paz”.  

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