quarta-feira, 22 de maio de 2019

87 ANOS DO BOLETIM DA FRENTE ÚNICA, EM 22 DE MAIO DE 1932.


  87 a. do boletim da FRENTE ÚNICA, asseverando que a presença do enviado especial do ditador (OSWALDO ARANHA foi mandado por GETÚLIO VARGAS a SÃO PAULO, a fim de acalmar o ânimo dos paulistas) tinha o “intuito de arrebatar do povo paulista o sagrado direito de escolher os seus governantes” e que esse mesmo povo não mais suportaria tamanha afronta e humilhação, repelindo “a indébita e injuriosa intromissão na sua vida política” por parte daqueles que estavam “conduzindo SÃO PAULO e o BRASIL a sua ruína total”. No mesmo dia do lançamento do citado Boletim – 22 de maio de 1932 -, houve um comício na PRAÇA DO PATRIARCA, às 15 horas. Pontificou a voz altissonante de IBRAHIM NOBRE, que se dirigiu ao PALÁCIO DOS CAMPOS ELÍSEOS (com SÍLVIO DE CAMPOS, ANTÔNIO PEREIRA LIMA, AURELIANO LEITE, LUCIANO GUALBERTO e com o povo), afirmando ao Interventor PEDRO DE TOLEDO: “Já começa a correr o sangue paulista. Estamos algemados e algemados dentro de uma senzala.  E V. Ex.a, Sr PEDRO DE TOLEDO, está preso conosco. V. Ex.a. deve sair dela e com estes homens vir às ruas reivindicar a nossa liberdade. V. Exª está no fim da vida e deve escolher: um simples epitáfio ou uma estátua”. A menção feita por IBRAHIM NOBRE, ao fato de já começar a correr o sangue paulista, era devida aos ferimentos sofridos pelo estudante LIMA NETO, naquele mesmo 22 de maio de 1932, vítima das agressoras forças da Ditadura. No dia seguinte, 23 de maio, mais sangue iria correr, purpureando quatro jovens, que se transformaram nos exacerbados mártires da irrefreável luta contra o opróbrio.
Ainda em 22 de maio os líderes contrários a Getúlio foram até o Quartel do Comando Geral da FORÇA PÚBLICA. O Comandante CASTRO CAMPOS não está presente. O substituto, CORONEL ELISIÁRIO DE PAIVA, hesita diante da multidão, dos gritos, ante aquilo que, fácil é prever, ela está buscando ali. Fora, IBRAHIM NOBRE excita os milicianos, pronunciando o enésimo discurso do dia. O comando concorda em receber uma comissão. Entram SÍLVIO DE CAMPOS, PEREIRA LIMA, IBRAHIM NOBRE, AURELIANO LEITE, LUCIANO GUALBERTO, alguns mais. À espera, a aglomeração assossega, gradua o vozear entre exausta e esperançosa. Dentro, as conversações prosseguem. Súbito, da Avenida TIRADENTES rompe esquadrão de cavalaria da mesma FORÇA PÚBLICA. Carrega contra o povo, atropela, espaldeira. Tiros, populares contundidos, no chão o sangue inaugural da campanha que está por se iniciar: o do estudante LIMA NETO. Os membros da comissão, alertados, saem do QG em estado de apoplexia cívica. IBRAHIM e SÍLVIO DE CAMPOS, com o verbo e o exemplo remendam os rasgões abertos pelos cascos e pelos sabre na massa popular que flutuara, rompera-se mas não se desfizera. Guiam-se para os CAMPOS ELÍSEOS, para a casa do governo do Estado. PEDRO DE TOLEDO terá de dizer-lhes, naquela noite, naquele instante, com quem está: sendo paulista e sendo interventor getulista, fica ao lado dos seus ou ao lado dos servidores do ditador?  

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