87 a. do boletim da FRENTE ÚNICA, asseverando
que a presença do enviado especial do ditador (OSWALDO ARANHA foi mandado por
GETÚLIO VARGAS a SÃO PAULO, a fim de acalmar o ânimo dos paulistas) tinha o
“intuito de arrebatar do povo paulista o sagrado direito de escolher os seus
governantes” e que esse mesmo povo não mais suportaria tamanha afronta e
humilhação, repelindo “a indébita e injuriosa intromissão na sua vida política”
por parte daqueles que estavam “conduzindo SÃO PAULO e o BRASIL a sua ruína
total”. No mesmo dia do lançamento do citado Boletim – 22 de maio de 1932 -,
houve um comício na PRAÇA DO PATRIARCA, às 15 horas. Pontificou a voz
altissonante de IBRAHIM NOBRE, que se dirigiu ao PALÁCIO DOS CAMPOS ELÍSEOS
(com SÍLVIO DE CAMPOS, ANTÔNIO PEREIRA LIMA, AURELIANO LEITE, LUCIANO GUALBERTO
e com o povo), afirmando ao Interventor PEDRO DE TOLEDO: “Já começa a correr o
sangue paulista. Estamos algemados e algemados dentro de uma senzala. E V. Ex.a, Sr PEDRO DE TOLEDO, está preso
conosco. V. Ex.a. deve sair dela e com estes homens vir às ruas reivindicar a
nossa liberdade. V. Exª está no fim da vida e deve escolher: um simples
epitáfio ou uma estátua”. A menção feita por IBRAHIM NOBRE, ao fato de já
começar a correr o sangue paulista, era devida aos ferimentos sofridos pelo
estudante LIMA NETO, naquele mesmo 22 de maio de 1932, vítima das agressoras
forças da Ditadura. No dia seguinte, 23 de maio, mais sangue iria correr,
purpureando quatro jovens, que se transformaram nos exacerbados mártires da
irrefreável luta contra o opróbrio.
Ainda em 22 de maio os
líderes contrários a Getúlio foram até o Quartel do Comando Geral da FORÇA
PÚBLICA. O Comandante CASTRO CAMPOS não está presente. O substituto, CORONEL
ELISIÁRIO DE PAIVA, hesita diante da multidão, dos gritos, ante aquilo que,
fácil é prever, ela está buscando ali. Fora, IBRAHIM NOBRE excita os
milicianos, pronunciando o enésimo discurso do dia. O comando concorda em
receber uma comissão. Entram SÍLVIO DE CAMPOS, PEREIRA LIMA, IBRAHIM NOBRE,
AURELIANO LEITE, LUCIANO GUALBERTO, alguns mais. À espera, a aglomeração
assossega, gradua o vozear entre exausta e esperançosa. Dentro, as conversações
prosseguem. Súbito, da Avenida TIRADENTES rompe esquadrão de cavalaria da mesma
FORÇA PÚBLICA. Carrega contra o povo, atropela, espaldeira. Tiros, populares
contundidos, no chão o sangue inaugural da campanha que está por se iniciar: o
do estudante LIMA NETO. Os membros da comissão, alertados, saem do QG em estado
de apoplexia cívica. IBRAHIM e SÍLVIO DE CAMPOS, com o verbo e o exemplo
remendam os rasgões abertos pelos cascos e pelos sabre na massa popular que
flutuara, rompera-se mas não se desfizera. Guiam-se para os CAMPOS ELÍSEOS,
para a casa do governo do Estado. PEDRO DE TOLEDO terá de dizer-lhes, naquela
noite, naquele instante, com quem está: sendo paulista e sendo interventor getulista,
fica ao lado dos seus ou ao lado dos servidores do ditador?
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