
EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA.
74 a. da BOMBA ATÔMICA lançada em HIROSHIMA,
no dia 6 de agosto de 1945. 80 mil japoneses morreram instantaneamente. 60 mil
morreram depois, pela radiação emitida pela bomba. Mais de 150 mil vítimas
foram contaminadas. A bomba atômica foi detonada a 580 metros do solo. Uma
intensa luz foi provocada e quase nenhum som foi ouvido pelas pessoas que
estavam na cidade. Casas, em sua maioria feitas em madeira, foram incendiadas.
Vidros e metais derreteram devido ao calor. As construções situadas a 4 km do
epicentro foram destruídas. A BOMBA “LITTLE BOY” tinha 3 metros de comprimento,
0,71 metros de diâmetro, pesava 4 mil quilos e tinha 60 quilos de URÂNIO-235. O
bombardeiro “ENOLA GAY”, modelo B-29, com capacidade para 63.990 quilos, foi
quem transportou a bomba. A explosão foi às 8:15 horas do dia 6 de agosto de
1945. “Estava na rua, de costas para o epicentro, 1,3 km de onde me encontrava.
Fui lançado com violência por uma onda de calor a mais de dez metros e cai com
o rosto no chão”, descreve TAKASHI MORITA, policial na época e que veio para
SÃO PAULO em 1956. Ainda muito atordoado, MORITA levantou-se e logo viu muitas
pessoas cambaleantes em meio a uma densa poeira, que só de dissiparia dias
depois. “Nada ficou de pé. Fez-se um silêncio, corpos estavam espalhados por
toda parte. Logo comecei a escutar gritos pedindo por socorro. Vi muitos
mortos”, diz o ex-militar, que socorreu dezenas de feridos soterrados sob
escombros de casas. “Cerca de 30 minutos após a explosão, o céu ficou escuro
como a noite e começou a cair uma chuva negra (com poeira radioativa), lembra
MORITA, que ao subir numa montanha próxima se deparou com o tamanho da
destruição provocada pela bomba. “As pessoas gritavam apavoradas: “Onde está
HIROSHIMA? O que aconteceu com a cidade? Tudo estava destruído. Nada ficou de
pé”, acrescentou o sobrevivente. “Estava na estação de trem de HATSUKAICHI, a
três km de HIROSHIMA. Comprava passagem para lá quando escutei um estrondo”,
relembra KIMIO OKADA, segundo-tenente do exército japonês. “Momentos depois,
fui avisado que o trem não sairia. Como precisava me apresentar no quartel,
numa cidade próxima de HIROSHIMA, decidi ir a pé no dia seguinte”, prossegue
ele, que se mudou em 1955 para SANTO ANDRÉ, GRANDE ABC. Para OKADA, a dimensão
da destruição foi vista enquanto fazia a travessia da cidade, que durou cinco
horas. “Um dia depois, árvores, postes e casa ainda queimavam. Não vi uma
mosca, nem um ser vivo naquele dia. Um sentimento que não sei explicar até
hoje”. No instante da explosão, 80 mil pessoas morreram, outras 60 mil
faleceram no decorrer dos anos – vítimas de leucemia ou outros tipos de câncer,
além de doenças hepáticas. Anos depois, inúmeras crianças ainda nasciam com
defeitos devido a alterações genéticas. Segundo a Associação das Vítimas da
Bomba no BRASIL, existem atualmente 140 sobreviventes no país, e muitos deles
ainda sofrem em decorrência da exposição à radioatividade. Mas o maior de todos
os danos causados é o preconceito, pelo temor que as gerações futuras venham a
desenvolver qualquer anomalia genética. O projeto MANHATTAN foi o esforço dos
EUA durante a 2ª Guerra Mundial para fazer a primeira bomba atômica. Liderados
inicialmente pelo presidente FRANKLIN DELANO ROOSEVELT, dezenas de cientistas
realizaram estudos para manipular o urânio de tal modo a torná-lo próprio para
a construção da bomba. Munidos de informações sobre os planos da ALEMANHA
nazista de desenvolver tal arma, cientistas alemãs persuadiram ALBERT EINSTEIN
a alertar ROOSEVELT a iniciar pesquisas sobre energia nuclear. Em carta de 2 de
agosto de 1939, o físico detalhava, ainda sem noção de seu real poder, a
destruição que uma arma usando o urânio poderia causar, e a necessidade dos EUA
em se apressar para desenvolvê-la. No final de 1941, os americanos deram início
ao seu programa nuclear, finalizado em 1945, e que consumiu dois bilhões de
dólares. O passo mais importante do projeto foi dado por ENRICO FERMI, físico
nuclear fugido do regime fascista italiano, que realizou uma reação de fissão
em cadeia controlado na Universidade de CHICAGO. O projeto MANHATTAN resultou
em três bombas: “GADGET”, feita de plutônio e testada no deserto de NEVADA, nos
EUA; “LITTLE BOY”, feita de urânio e lançada em HIROSHIMA; e “FAT MAN”, bomba
de plutônio jogada sobre NAGASAKI. Após a rendição dos nazistas e o fim da
guerra, ficou claro que a ALEMANHA não tinha condições de desenvolver a bomba.
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