EXTRAIDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA
75 a. da LIBERTAÇÃO DE PARIS. A DIVISÃO
BLINDADA francesa, seguida por tropas norte-americanas, entra em PARIS,
libertando a capital francesa em 25 de agosto de 1944. O GENERAL DIETRICH VON
CHOLTITZ assinava o termo de rendição. ADOLF HITLER tinha ordenado a CHOLTITZ
que, antes de abandonar PARIS com suas tropas, destruísse toda a cidade – sob o
pretexto de retardar o avanço das forças aliadas. O general alemão viveu um
conflito de consciência. Ele olhou para o LOUVRE, para a TORRE EIFFEL, para a
MADELEINE, NOTRE DAME, LUXEMBOURG, a ÓPERA DE PARIS. Todos os belos edifícios,
igrejas, pontes, toda a grandeza da cidade que HEMINGWAY definiu como uma festa
móvel deveria virar “um campo de cinzas”. Carregamentos de dinamite foram
enviados de BERLIM para a tarefa. Alguns edifícios chegaram a ser minados. E
então, CHOLTITZ tomou a decisão de desobedecer HITLER. Era 25 de agosto, o dia
em que PARIS escapou por um triz. A escolha de
CHOLTITZ, a de preservar a mais admirada cidade do mundo, foi épica. Ele
despachava de seu quarto-bunker no HOTEL MEURICE, o chamado “HOTEL DOS REIS”,
erguido em 1771. Os alemães fizeram seu quartel-general no hotel preferido de
ROCKFELLER, JANE FONDA, ORSON WELLES, VERSACE, NAPOLEÃO, EDUARDO VII, MADONNA,
SALVADOR DALÍ. Tinha uma escrivaninha no quarto, um divã, uma pintura de
GUSTAVE CAILLEBOTTE na parede (artista do século XIX) e um telefone em linha
direta com HITLER. Suas ordens, diretamente de HITLER eram de resistir “até o
último homem”, o que seria uma insanidade, e depois, evitar que a cidade caísse
em mãos inimigas, “exceto se estivesse reduzida a cinzas”. CHOLTITZ negociou
sua rendição e a de suas tropas ao GENERAL francês PHILIPPE DE HAUTECLOCQUE e
ao líder da Resistência HENRI TANGUY na GARE MONTPARNASSE. Por evitar um novo
desastre como o de STALINGRADO (depois LENINGRADO, atual SÃO PETERSBURGO), ele
foi visto como um homem de honra. CHOLTITZ escreveu a própria versão dos fatos,
o livro BRENNT PARIS? ADOLF HITLER, em 1951, sobre os 16 dias que mandou na
CIDADE-LUZ. A obra, de 101 páginas, tem raras reedições e acham-se poucos exemplares
esparsos nas bibliotecas alemãs.
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