quarta-feira, 11 de setembro de 2019

49 ANOS DAS EXÉQUIAS DO CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR, NO CEMITÉRIO DO ARAÇÁ, EM 11 DE SETEMBRO DE 1970.


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EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA


49 a. das exéquias do CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR, no cemitério do ARAÇÁ.  O corpo ficou em Câmara Ardente no Salão Nobre do 1o. B.P. "TOBIAS DE AGUIAR", de 10 para 11 de setembro de 1970. Foi morto por terroristas comandados pelo ex-capitão do Exercito CARLOS LAMARCA, em 9 de maio de 1970, em REGISTRO.  O CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR nasceu em 24 de janeiro de 1947. É considerado herói da POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO.          

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
QUARTEL GENERAL – ESTADO MAIOR
5ª SEÇÃO – ASSUNTOS CIVIS
BOLETIM ESPECIAL
SÃO PAULO, 11 DE SETEMBRO DE 1970
Publico, para conhecimento da Corporação, o seguinte:

TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR
Nasceu no dia 24 de janeiro de 1947 na cidade de SÃO PAULO, capital do Estado, filho de ALBERTO MENDES e de dona ANGELINA PLÁCIDO MENDES.
Alistou-se na Polícia Militar em 15 de janeiro de 1965 como aluno do Curso Preparatório de Formação de Oficiais da Tradicional Academia do BARRO BRANCO.
Concluiu o CPFO e foi promovido ao 1º ano do Curso de Formação de Oficiais em 24 de maio de 1967, durante uma manhã radiosa, numa festa emocionante, recebeu o espadim de Cadete.
Honrou-o durante o Curso e no dia 21 de abril de 1969 devolveu o espadim-símbolo, e recebeu a espada de Aspirante a Oficial, jurando perante à Bandeira que tudo faria para conquistar com dignidade o oficialato.
Cumpriu o juramento.
No dia 15 de dezembro de 1969 foi promovido por merecimento intelectual ao posto de segundo-tenente.
Fez, a seguir, o compromisso de Oficial: cumprir com os deveres de Oficial da Polícia Militar e dedicar-se inteiramente ao serviço da PÁTRIA.
E, finalmente, no 1o Batalhão TOBIAS DE AGUIAR, onde foi classificado em 6 de fevereiro deste ano, teria que cumprir, na expressão da palavra, todos os juramentos e compromissos.
TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR, no VALE DO RIBEIRA honrou o nome da família e o passado da centenária Milícia. Comandando uma guarnição do lendário BTA seguiu para o combate contra bandoleiros subversivos que agiam entre REGISTRO, ELDORADO e SETE BARRAS, o TENENTE MENDES JÚNIOR estava entre os que partiram.
E lá, na luta desigual, pôs à prova todo seu valor de soldado brasileiro.
Durante um encontro com os facínoras inimigos da Pátria travou intenso tiroteio. Sentiu que a luta não demoraria; viu que seus comandados, ensangüentados, precisavam de socorro e não teve dúvida.
Sua personalidade de comandante aflorou, exemplar. Deixou-se aprisionar.  Dois dias depois, os vis indivíduos que o conduziam confabularam e decidiram matá-lo.
Ele foi morto. De modo brutal, covardemente, sem piedade, espancado a coronhadas de fuzil, friamente.
Seu corpo bravo foi colocado numa vala e coberto com terra e gravetos.
Enquanto todos o procuravam na esperança de estar vivo, enquanto tudo se fazia para tê-lo de volta, nada mais era possível, pois quando o encontramos no início desta semana, só pudemos achar os restos da figura imovedoura de um HERÓI.
Hoje, o Panteão dos Heróis da Pátria se abre, como tantas vezes já o fez, para receber mais um bravo companheiro.
TENENTE ALBERTO MENDES JÚNIOR
Que dizer-te agora?
Onde a palavra que, dando o sentido exato de teu heroísmo, se harmonize com o diapasão da nossa sensibilidade?
Como situar com palavras o teu feito?
Nossas lágrimas dizem tudo e queremos dizer-te mais.
Nasceste em berço humilde e, acalentado pelo amor dos entes queridos, pudeste moldar o caráter no exemplo da dignidade, da honra, da bravura e do civismo.
Querias construir, e construías o futuro bom para ti e para os teus.
No embalo ainda dos folguedos juvenis, puro, idealista e sonhador, ergueste a frente e, decidido, alistaste para servir a Pátria como Policial Militar.
Eis o jovem cadete a misturar com os sonhos o esforço e o sacrifício.
Vai temperando o caráter que o nosso BRASIL pede forte e cordial, altivo e prestativo.
São cinco anos.
Um por todos, todos por um. E tu eras dos bons, procurando ser dos melhores. E, em seres bom e em fazeres o bem mal podias acreditar na tirania, na traição, no genocídio, no vilipêndio.
Bem formado, te aprontaste para cumprir as missões que te aguardavam nas fileiras da Milícia Paulista. Era a tua nova família a orgulhar-se com a família que já se orgulhava de ti.
A Pátria renasce. Há ânsia de construir o futuro bom, com justiça e muito amor.
O inimigo já não esconde o azedume. Agride e testa a desordem, pela infâmia, pelo crime, pelo terror.
O jovem Oficial é um dos mil e um de trinta e um, nos 23 anos de esperança.
É classificado no lendário 1º B.P. “TOBIAS DE AGUIAR” e, na região onde a Pátria experimentava mais uma agressão – REGISTRO – devia o nosso heróico Tenente construir uma das mais belas páginas de abnegação e de bravura.
Empenhado em ação violenta de combate, teve a tropa sob seu comando, praticamente dizimada, em ataque de surpresa, a 8 de maio deste ano.
Houve, então, o grande momento.
Em gesto de absoluta coragem, de reverência e de solidariedade humana exaltada às últimas conseqüências, sacrifica a própria vida entregando à sanha dos que seriam seus assassinos, fazendo apenas uma única exigência: a vida dos seus subordinados feridos e que jaziam exangue no solo.
TENENTE MENDES, és o herói cuja imortalidade já festejamos e cujo exemplo já nos anima e nos anima muito mais porque te vimos, e ainda ouvimos os teus passos e sentimos a tua presença.
Temos orgulho. Eras igual a todos e nós vimos que viveste no mais alto grau a consciência de como devemos ser.
Não eram muitos os que te abraçavam quando juraste defender a honra, integridade e instituições pátrias, com o sacrifício da própria vida. Ao teu lado havia muitos outros e tu eras um.
Hoje, a cidade parou para dizer-te, entre lágrimas, que se orgulha de ti.
Ainda ouvimos os ecos de tantas vozes que, há poucos dias, no 7 de setembro, cantavam:
                        “Ou ficar a Pátria livre
                        Ou morrer pelo BRASIL”
O BRASIL está livre e continuará.
TENENTE MENDES. Choramos porque foste e nos alegramos por saber, companheiro valoroso, que o teu exemplo despertará em nós os mesmos arroubos cívicos, a mesma heróica determinação, a mesma lealdade e constância.
Desmascarados estão os inimigos da Pátria e suas intenções sinistras serão repelidas com energia.
Ante o teu exemplo mais despertas estão as forças vivas da Nação.
Agora, serás baluarte no coração de todo povo brasileiro que repele a opressão, o ódio, a ignomínia e o terror.
Para ti, em posição de sentido e como derradeira homenagem repetimos as palavras de GUILHERME DE ALMEIDA:
                         “Morreste cedo para viver sempre”
Hoje, aqui perfilados, choramos a tua morte; os clarins ressoam anunciando a partida do herói, as armas se abatem àquele que soube honrá-las , os umbrais da Academia não verão mais teu porte marcial; o pátio do histórico Batalhão “TOBIAS DE AGUIAR” não sentirá mais o cadenciar de teus passos; o lar modesto não verá mais o filho querido voltar das missões cumpridas; tua lacuna ficará marcada na Tropa de Piratininga.
ADEUS, TENENTE MENDES, DEUS te acolha entre os bem-aventurados, repousa entre os santos, tu bem cumpristes a parcela que a Pátria te destinou, agora a nós cabe o dever de defender a integridade brasileira, honrando o teu nome que soube dignificar a profecia contida nos versos do Hino Pátrio:
                         “Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
                          Verás que um filho teu não foge à luta,
                           Nem teme, quem te adora, a própria morte”.

CONFERE
ALTINO MAGNO FERNANDES
CEL. PM CHEFE DO EM.
                                                                               ASSINADO
                                                        CONFÚCIO DANTON DE PAULA AVELINO
                                                                CORONEL COMANDANTE GERAL
               






Alberto Mendes Júnior (São Paulo24 de janeiro de 1947 - Sete Barras8 de maio de 1970) mais conhecido como Tenente Mendes, foi um oficial da Força Pública do estado de São Paulo durante o Regime Militar no Brasil.[1] É considerado herói e patrono da Polícia Militar.[2] Depois de seu assassinato, foi promovido post-mortem ao posto de Capitão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 15 de fevereiro de 1965 passou a a fazer parte dos quadros da Força Pública do estado de São Paulo, ao ser aprovado nor exames para ingresso no Curso Preparatório de Formação de Oficiais. Foi declarado aspirante a oficial em 21 de abril de 1969. Passou a fazer parte do 15º Batalhão de Polícia e em 15 de novembro de 1969 foi promovido a 2º Tenente.[1]
Em 6 de fevereiro de 1970, foi apresentado ao 1º Batalhão de Polícia de Choque "Tobias de Aguiar" com sede no Quartel da Luz, em razão da sua transferência por conveniência do serviço.[1]

Vale da Ribeira[editar | editar código-fonte]

Nos dias 16 de abril de 1970 e 18 de abril de 1970 foram presos respectivamente no Rio de Janeiro, Celso Lungaretti e Maria do Carmo Brito, ambos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações de esquerda operando contra o Regime Militar brasileiro.
Ao serem interrogados, os dois informaram que desde janeiro de 1970, a VPR, com a colaboração de outras organizações comunistas, instalara uma área de treinamento de guerrilhas, na região de Jacupiranga, próxima a Registro, no Vale da Ribeira, no estado de São Paulo, sob o comando do ex-capitão desertor do Exército Carlos Lamarca. No dia 19 de abril de 1970, tropas do Exército e da Polícia Militar do Estado de São Paulo foram deslocadas para a área, a fim de verificar a autenticidade das declarações dos dois militantes presos e neutralizar a área, prendendo, se possível os seus 18 ocupantes. No início de maio, uma parte da tropa da Polícia Militar foi retirada da área, permanecendo, apenas, um pelotão. Como voluntário para comandá-lo, apresentou-se um jovem de 23 anos, o tenente Alberto Mendes Júnior.
No dia 8 de maio, sete guerrilheiros chefiados por Carlos Lamarca, que estavam numa pick-up, ao pararem num posto de gasolina em Eldorado Paulista, foram abordados por policiais que, imediatamente, foram alvejados por tiros que partiram dos que ocupavam o veículo e que após o tiroteio fugiram para Sete Barras.
Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha, que, em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Cerca das 21:00 horas, houve o encontro com os guerrilheiros que estavam armados com fuzis FAL enquanto que os PMs portavam o fuzil Mauser modelo 1908. Vários PMs foram feridos e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando urgentes socorros médicos. Um dos guerrilheiros gritou-lhes para que se entregassem. Julgando-se cercado, o oficial aceitou render-se, desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.
De madrugada, a pé e sozinho, o Tenente Mendes buscou contato com os guerrilheiros, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca que decidiu seguir com seus companheiros e os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois guerrilheiros, Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega, desgarraram-se do grupo e os cinco restantes embrenharam-se no mato, levando consigo o Tenente Mendes.

Tribunal revolucionário[editar | editar código-fonte]

Depois de caminharem um dia e meio na mata, os guerrilheiros e o Tenente pararam para descansar. Nesta ocasião Carlos Lamarca, Yoshitame Fugimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um tribunal revolucionário que resolveu assassinar friamente o Tenente Mendes pela necessidade de mandar uma mensagem às demais Forças Militares e ao Governo. Os outros dois Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima ficaram vigiando o prisioneiro.[3]
Poucos minutos depois, os três retornaram, e, acercando-se por trás do oficial, Yoshitame Fugimore desfechou-lhe golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça esmagada, o Tenente Mendes foi enterrado.[4]
Em 8 de setembro, Ariston Lucena foi preso pelo DOI/CODI/IIEx e apontou, no local, onde o Tenente estava enterrado. Seu corpo foi exumado, em segredo, pelos agentes do DOI pois os companheiros do Tenente queriam linchar Ariston.[4]

Algozes[editar | editar código-fonte]

Dos cinco guerrilheiros que participaram do assassinato do Tenente Mendes, sabe-se que:
  • Carlos Lamarca, morreu na tarde de 17 de setembro de 1971, no interior da Bahia, morto pelo DOI/CODI/Salvador;[5]
  • Yoshitame Fugimore, morreu em 5 de dezembro de 1970, em São Paulo, morto pelo DOI/CODI/SP;[6]
  • Diógenes Sobrosa de Souza, foi preso em 12 de dezembro de 1970, no Rio Grande do Sul. Em novembro de 71 foi condenado à pena de morte (existia na época esta punição para aqueles considerados "terroristas", que nunca foi usada formalmente). Em fins de 1979, com a anistia foi libertado;
  • Gilberto Faria Lima (codinome Zorro), guerrilheiro infiltrado trabalhando para a polícia, que provavelmente fugiu para o exterior ainda durante os anos de chumbo;[7]
  • Ariston Lucena, após a anistia foi libertado. Faleceu em 2013.





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