sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

MORREU ANTÔNIO EVANIL DA SILVA, O CORONEL DO VASCO, NA MADRUGADA DE 5 DE DEZEMBRO DE 2019.









EXTRAÍDO DE MEMÓRIAS DO VENTURA


5 DE DEZEMBRO DE 2019      :    -     QUINTA-FEIRA

Morreu hoje de madrugada na cidade de PORTO REAL, no RIO DE JANEIRO, ANTÔNIO EVANIL DA SILVA, o CORONEL, lateral esquerdo e ídolo do VASCO das décadas de 1950 e 1960.

De acordo com a família, o ex-jogador fez uma endoscopia no sábado (30) em uma clínica de BARRA MANSA, próxima a PORTO REAL. Na volta para casa, passou mal e sentiu muitas dores.

CORONEL foi o “JOÃO” mais famoso de GARRINCHA, que chamava os laterais que o marcavam dessa forma. Ambos se enfrentaram em uma série de clássicos entre VASCO e BOTAFOGO.

“CORONA, devagar quase parando hein, vem devagar”, dizia GARRINCHA ao marcador.

“Ele era terrível. Se você olhasse para as pernas dele, estava perdido. Eu o encarava e gritava para ele soltar a bola e não ficar de palhaçada. Mas não tinha jeito, ele passava todas as vezes que queria”, disse CORONEL, em entrevista à reportagem no último dia 27.

A barba por fazer e a saúde debilitada pelos seus 84 anos contrastavam com a imagem do lateral vigoroso e boa pinta que liderou o VASCO de 1956 a 1962.

Naquela época, o grande desafio no RIO DE JANEIRO era conseguir parar o ponta-direita botafoguense.

“O GARRINCHA era uma pessoa maravilhosa. Eu nunca dei um pontapé nele. Como ia fazer isso com um amigo? Eu puxava ele pela camisa. Uma vez o locutor perguntou no ar porque eu o abraçava toda hora. Era o jeito que eu tinha de segurar o MANÉ”, divertiu-se CORONEL.

Apesar da lucidez com que discursou sobre a sua época de jogador, CORONEL apresentava um leve grau de ALZHEIMER e já não podia sair à rua sozinho. Às vezes, ficava perdido até mesmo dentro de casa, de acordo com sua sobrinha ANTONIA IVANY SILVA, 63 anos.

Mas, mesmo com essa reclusão diária, o ex-jogador se mostrou grato pela vida que levou. “Estou bem, graças a DEUS. Só em não ter mais dor de cabeça, está bom demais”, afirmou.

Sua saúde requeria muitos cuidados. Ele precisou fazer cirurgia de catarata nas duas vistas. Recentemente, retirou um tumor da bexiga. Tomava remédios para pressão e também antidepressivo. As operações foram feitas pelo SUS, já que ele não tinha convênio.

Para tentar manter a saúde controlada, ANTONIA estava sempre às voltas com consultas e exames. Como não tinha facilidade de se locomover, muitas vezes a ambulância vinha buscá-lo.

Sem aposentadoria, o ex-jogador vascaíno recebia um benefício de 980 reais do governo e mais nada. Não fosse a ajuda da sobrinha e de seu marido, WILSON SILVA, ele não teria nem mesmo onde ficar.

Tudo que conseguiu da época de jogador, CORONEL se desfez com o decorrer do tempo. “Ele sempre se preocupou em ajudar as pessoas. Enquanto ele teve condições, ajudou muita gente”, disse a sobrinha.

Alheio a esses problemas, CORONEL mantinha a suavidade no olhar ao relembrar os tempos de jogador. Ao ser perguntado sobre a escalação do time que conquistou o chamado SUPER-SUPERCAMPEONATO Carioca de 1958, os 11 títulares saíram de forma natural.

“MIGUEL no gol; PAULINHO e BELINI. A linha média tinha LAERTE ou ÉCIO, ORLANDO e eu. No ataque, era SABARÁ, ALMIR, VALDEMAR, ROBERTO PINTO e PINGA. Era um timaço”, falou, com um sorriso no rosto.

Mas a alegria mesmo de CORONEL era lembrar das façanhas do amigo botafoguense. E ele mesmo se colocava como o “JOÃO” mais famoso a marcar o MANÉ.

ALTAIR, do FLUMINENSE, e JORDAN, do FLAMENGO, se juntaram a CORONEL como os maiores defensores que tentaram brecar as arrancadas do bicampeão mundial com a seleção brasileira (em 1958 e 1962).

“Eu passava sufoco com ele, mas vou falar: o VASCO sempre levava vantagem sobre o BOTAFOGO naquela época”, disse o ex-vascaino.

Segundo o escritor e pesquisador ALEXANDRE MESQUITA, autor do livro ALMANAQUE DO VASCO, que será lançado em dezembro, o time cruzmaltino levou a melhor entre 1956 e 1962: em 17 partidas, o VASCO venceu oito vezes, sofreu seis derrotas e teve três empates. Nesses confrontos, o ex-camisa sete do BOTAFOGO balançou as redes em três ocasiões.   




Coronel - Antônio Evanil da Silva


Antônio Evanil da Silva
O lateral-esquerdo teve sua trajetória marcada na Colina no período de 1955 a 1962. Antônio Evanil da Silva se destacava por ser um jogador de raça e virilidade. Em muitas vezes honrou a camisa cruzmaltina em combates pessoais em seu setor. Garrincha, por exemplo, foi um dos craques que Coronel teve que neutralizar. Em 1956, ao lado do saudoso Pinga, conquistou o Carioca. Após mostrar muita eficiência e bom futebol pelo Gigante da Colina ao longo dos anos, na temporada de 1959, o vascaíno disputou o Campeonato Sul-americano pela seleção brasileira. Coronel ficou marcado, acima de tudo, por evidenciar seu amor ao clube de São Januário, se entregando nas partidas e fazendo questão de sempre expor seu sentimento



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