
EXTRAÍDO DE MEMÓRIAS DO VENTURA
5 DE DEZEMBRO DE 2019 : -
QUINTA-FEIRA
Morreu
hoje de madrugada na cidade de PORTO REAL, no RIO DE JANEIRO, ANTÔNIO EVANIL DA
SILVA, o CORONEL, lateral esquerdo e ídolo do VASCO das décadas de 1950 e 1960.
De
acordo com a família, o ex-jogador fez uma endoscopia no sábado (30) em uma
clínica de BARRA MANSA, próxima a PORTO REAL. Na volta para casa, passou mal e
sentiu muitas dores.
CORONEL
foi o “JOÃO” mais famoso de GARRINCHA, que chamava os laterais que o marcavam
dessa forma. Ambos se enfrentaram em uma série de clássicos entre VASCO e
BOTAFOGO.
“CORONA,
devagar quase parando hein, vem devagar”, dizia GARRINCHA ao marcador.
“Ele
era terrível. Se você olhasse para as pernas dele, estava perdido. Eu o
encarava e gritava para ele soltar a bola e não ficar de palhaçada. Mas não
tinha jeito, ele passava todas as vezes que queria”, disse CORONEL, em
entrevista à reportagem no último dia 27.
A
barba por fazer e a saúde debilitada pelos seus 84 anos contrastavam com a
imagem do lateral vigoroso e boa pinta que liderou o VASCO de 1956 a 1962.
Naquela
época, o grande desafio no RIO DE JANEIRO era conseguir parar o ponta-direita
botafoguense.
“O
GARRINCHA era uma pessoa maravilhosa. Eu nunca dei um pontapé nele. Como ia
fazer isso com um amigo? Eu puxava ele pela camisa. Uma vez o locutor perguntou
no ar porque eu o abraçava toda hora. Era o jeito que eu tinha de segurar o
MANÉ”, divertiu-se CORONEL.
Apesar
da lucidez com que discursou sobre a sua época de jogador, CORONEL apresentava
um leve grau de ALZHEIMER e já não podia sair à rua sozinho. Às vezes, ficava
perdido até mesmo dentro de casa, de acordo com sua sobrinha ANTONIA IVANY SILVA,
63 anos.
Mas,
mesmo com essa reclusão diária, o ex-jogador se mostrou grato pela vida que
levou. “Estou bem, graças a DEUS. Só em não ter mais dor de cabeça, está bom
demais”, afirmou.
Sua
saúde requeria muitos cuidados. Ele precisou fazer cirurgia de catarata nas
duas vistas. Recentemente, retirou um tumor da bexiga. Tomava remédios para
pressão e também antidepressivo. As operações foram feitas pelo SUS, já que ele
não tinha convênio.
Para
tentar manter a saúde controlada, ANTONIA estava sempre às voltas com consultas
e exames. Como não tinha facilidade de se locomover, muitas vezes a ambulância
vinha buscá-lo.
Sem
aposentadoria, o ex-jogador vascaíno recebia um benefício de 980 reais do
governo e mais nada. Não fosse a ajuda da sobrinha e de seu marido, WILSON
SILVA, ele não teria nem mesmo onde ficar.
Tudo
que conseguiu da época de jogador, CORONEL se desfez com o decorrer do tempo. “Ele
sempre se preocupou em ajudar as pessoas. Enquanto ele teve condições, ajudou
muita gente”, disse a sobrinha.
Alheio
a esses problemas, CORONEL mantinha a suavidade no olhar ao relembrar os tempos
de jogador. Ao ser perguntado sobre a escalação do time que conquistou o chamado
SUPER-SUPERCAMPEONATO Carioca de 1958, os 11 títulares saíram de forma natural.
“MIGUEL
no gol; PAULINHO e BELINI. A linha média tinha LAERTE ou ÉCIO, ORLANDO e eu. No
ataque, era SABARÁ, ALMIR, VALDEMAR, ROBERTO PINTO e PINGA. Era um timaço”,
falou, com um sorriso no rosto.
Mas
a alegria mesmo de CORONEL era lembrar das façanhas do amigo botafoguense. E
ele mesmo se colocava como o “JOÃO” mais famoso a marcar o MANÉ.
ALTAIR,
do FLUMINENSE, e JORDAN, do FLAMENGO, se juntaram a CORONEL como os maiores
defensores que tentaram brecar as arrancadas do bicampeão mundial com a seleção
brasileira (em 1958 e 1962).
“Eu
passava sufoco com ele, mas vou falar: o VASCO sempre levava vantagem sobre o
BOTAFOGO naquela época”, disse o ex-vascaino.
Segundo
o escritor e pesquisador ALEXANDRE MESQUITA, autor do livro ALMANAQUE DO VASCO,
que será lançado em dezembro, o time cruzmaltino levou a melhor entre 1956 e
1962: em 17 partidas, o VASCO venceu oito vezes, sofreu seis derrotas e teve três
empates. Nesses confrontos, o ex-camisa sete do BOTAFOGO balançou as redes em
três ocasiões.

Coronel - Antônio Evanil da Silva

Antônio Evanil da Silva
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