
53 a. desastre aéreo em FORTALEZA, matando o
ex-Presidente da República, MARECHAL ALENCAR CASTELLO BRANCO, em 18 de julho de
1967. Na clara manhã daquele dia, o avião que levava o marechal da cidade de
QUIXADÁ, no interior do CEARÁ, onde ele visitara a romancista RACHEL DE
QUEIROZ, a FORTALEZA, foi atingido na cauda por um caça militar T-33. O
aparelho pertencia à esquadrilha da fumaça. Naquele instante, outros três T-33
da mesma esquadrilha voavam em sua companhia. O caça militar conseguiu retornar
à sua base e pousar com uma leve avaria. O bimotor com CASTELLO BRANCO a bordo
caiu em “parafuso chato”, na linguagem aeronáutica, de uma altura de 1,5 mil
pés (450 metros). O documento que reúne toda a investigação sobre o caso é
assinado pelo TENENTE-BRIGADEIRO-DO-AR ARARIPE MACEDO. Em lugar de
esclarecimentos, a peça abre lacunas suspeitas. Entre os pilotos da esquadrilha
da fumaça, o único nome que aparece no relatório é o do estagiário de pilotagem
ALFREDO MALAN D´ANGRONE. Com apenas 29 horas de vôo naquele tipo de avião, ele
foi responsabilizado singularmente pela colisão. D´ANGRONE depôs por oito horas
sobre o caso, numa única interpelação, mas a íntegra de suas declarações nunca
foi divulgada pela Aeronáutica. Tudo o que se sabe é que D´ANGRONE admitiu que
foi o avião em que ele estava que se chocou contra a aeronave civil. Muitos
fatos estão sem explicação. Por que os militares que conduziram as
investigações não tomaram depoimentos dos outros pilotos da esquadrilha da
fumaça? Eles, muito provavelmente, foram testemunhas oculares da colisão, uma
vez que, quase sempre, voam agrupados.
Nascido em FORTALEZA
(CE), em 1897, o ex-presidente MARECHAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELLO BRANCO foi
o principal líder do golpe militar de 1964. Apesar de ter assinado de próprio
punho o Ato Institucional número 1, decreto que permitia a suspensão dos
direitos políticos dos cidadãos, CASTELLO BRANCO não escondia o desejo de em
poucos anos devolver o poder aos civis. Chamava a investida militar de poder
provisório. Acabou sendo golpeado pela chamada linha dura e se viu obrigado a
entregar a Presidência para seu maior adversário, o GENERAL COSTA E SILVA.
Personagem caricata por conta do pescoço curto, quando deixou o Palácio do
Planalto, CASTELLO BRANCO disse uma frase à escritora RACHEL DE QUEIROZ que
traduz exatamente a sua frustração: “O País perdeu um presidente sem pescoço e
ganhou um sem cabeça”. CASTELLO BRANCO deixou o poder em 15 de março de 1967.
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