quarta-feira, 5 de agosto de 2020

65 ANOS DO FALECIMENTO DE CARMEN MIRANDA, EM 5 DE AGOSTO DE 1955.



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  65 a. falece CARMEN MIRANDA no dia 5 de agosto de 1955. Depois de um ataque cardíaco fulminante e o exagero na bebida são apontados como as possíveis causas do problema de saúde q, CARMEN é encontrada morta em sua casa nos EUA. A dependência de barbitúricos, o fumo,ue acabaria com sua vida e carreira. Nasceu em 9 de fevereiro de 1909. O mundo não se conformou com a sua morte. E nem se conformará, enquanto não se resolver o seu enigma: o que tinha esta ultrabrasileira, por acaso lusa – uma carioca que se vestia de baiana e cujos 1,52 metro originais podiam chegar à estratosfera – para encher uma tela de cinema e apaixonar milhões na sua carreira americana, assim como já tomara de assalto uma nação na sua carreira brasileira? É possível entender que, ao chegar nos EUA, para aparecer num musical da BROADWAY, ela tivesse levado apenas seis minutos para se consagrar e ser convocada por HOLLYWOOD. Afinal, ali ela já era CARMEN MIRANDA, uma mulher de 30 anos, com dez anos de carreira em palcos, discos e rádio no BRASIL. Mas como explicar que, aos 20 anos, em 1929, às vésperas de gravar TAÍ, a marchinha que viria consagrá-la, ela também já fosse CARMEN MIRANDA – pronto, perfeita, completa? De onde saiu a centelha que a tornou, de saída, tão explosiva e definitivamente CARMEN? Para isso, talvez tenhamos que ir às origens profundas – às circunstâncias de sua família na remota VÁRZEA DE OVELHA, uma aldeola da freguesia de SÃO MARTINHO DA ALIVIADA, concelho de MARCO DE CANAVEZES, distrito do PORTO, província da BEIRA-ALTA, em PORTUGAL.  E daí seguir sua trajetória e a de seus pais e irmãos até a chegada ao RIO, dez meses e oito dias depois, e os vários endereços que eles ocuparam aqui nos seguintes: uma casinha em SÃO CRISTÓVÃO, um sobrado na rua SENHOR DOS PASSOS, outro na Rua da CANDELÁRIA, os dez decisivos anos que eles passaram na LAPA e, finalmente, o sobrado na TRAVESSA DO COMÉRCIO, que foi onde CARMEN se consagrou e, a partir daí, liderou as mudanças da família. Entre seus filmes: SERENATA TROPICAL, de 1940; UMA NOITE NO RIO, de 1931; ACONTECEU EM HAVANA, de 1941; SERENATA BOÊMIA, de 1944; SONHOS DE ESTRELA, de 1945; SE EU FOSSE FELIZ, de 1946; COPACABANA, de 1946. Foi CARMEN também quem ajudou a encurtar distâncias entre as AMÉRICAS. É o que explica o historiador ANTÔNIO PEDRO TOTA. Em seu livro IMPERIALISMO SEDUTOR, ele considera o elo da então relação amigável entre BRASIL e ESTADOS UNIDOS, explicitada nas telas de cinema. Preocupado em valorizar cada vez mais os lucros de sua empresa, o milionário NELSON ROCKFELLER acreditava que, para isso, os brasileiros teriam de aprender a gostar da ideologia americana. Chegou a criar o OFFICE OF THE COORDINATOR OF INTER AMERICAN AFFAIRS, que funcionou como uma verdadeira fábrica de ideologia, orquestrando a produção de empatias recíprocas na área de comunicação e informação. A idéia de propagar a liberdade nas AMÉRICAS e promover filmes e cinejornais sobre a terra do TIO SAM colocou CARMEN MIRANDA no ápice do universo cinematográfico. O seu primeiro longa tirou a 20th Century Fox do vermelho. Mais do que isso: nas gravações, CARMEN representou o BRASIL e se consagrou justamente por ser uma artista completa – ela cantava, dançava e atuava. Mas essa imersão no cinema deixou marcas profundas em sua carreira. Acusada de se americanizar, CARMEN ficou com a imagem estremecida no BRASIL. Muitos a culparam de ser uma ferramenta para implantar a “boa vizinhança” antes da Segunda Guerra. Também foi apontada como “fantoche” de GETÚLIO VARGAS. E, por passar muitos anos fora do BRASIL, ganhou fama de estereotipar os brasileiros. “CARMEN ajudou muito o país. Ela era famosa e dizia o tempo todo que não era sul-americana, mas brasileira”, discorda RUY CASTRO, autor de CARMEN.


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