quinta-feira, 6 de agosto de 2020

75 ANOS DA BOMBA ATÔMICA LANÇADA EM HIROSHIMA, NO DIA 6 DE AGOSTO DE 1945.


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75 a. da BOMBA ATÔMICA lançada em HIROSHIMA, no dia 6 de agosto de 1945. 80 mil japoneses morreram instantaneamente. 60 mil morreram depois, pela radiação emitida pela bomba. Mais de 150 mil vítimas foram contaminadas. A bomba atômica foi detonada a 580 metros do solo. Uma intensa luz foi provocada e quase nenhum som foi ouvido pelas pessoas que estavam na cidade. Casas, em sua maioria feitas em madeira, foram incendiadas. Vidros e metais derreteram devido ao calor. As construções situadas a 4 km do epicentro foram destruídas. A BOMBA “LITTLE BOY” tinha 3 metros de comprimento, 0,71 metros de diâmetro, pesava 4 mil quilos e tinha 60 quilos de URÂNIO-235. O bombardeiro “ENOLA GAY”, modelo B-29, com capacidade para 63.990 quilos, foi quem transportou a bomba. A explosão foi às 8:15 horas do dia 6 de agosto de 1945. “Estava na rua, de costas para o epicentro, 1,3 km de onde me encontrava. Fui lançado com violência por uma onda de calor a mais de dez metros e cai com o rosto no chão”, descreve TAKASHI MORITA, policial na época e que veio para SÃO PAULO em 1956. Ainda muito atordoado, MORITA levantou-se e logo viu muitas pessoas cambaleantes em meio a uma densa poeira, que só de dissiparia dias depois. “Nada ficou de pé. Fez-se um silêncio, corpos estavam espalhados por toda parte. Logo comecei a escutar gritos pedindo por socorro. Vi muitos mortos”, diz o ex-militar, que socorreu dezenas de feridos soterrados sob escombros de casas. “Cerca de 30 minutos após a explosão, o céu ficou escuro como a noite e começou a cair uma chuva negra (com poeira radioativa), lembra MORITA, que ao subir numa montanha próxima se deparou com o tamanho da destruição provocada pela bomba. “As pessoas gritavam apavoradas: “Onde está HIROSHIMA? O que aconteceu com a cidade? Tudo estava destruído. Nada ficou de pé”, acrescentou o sobrevivente. “Estava na estação de trem de HATSUKAICHI, a três km de HIROSHIMA. Comprava passagem para lá quando escutei um estrondo”, relembra KIMIO OKADA, segundo-tenente do exército japonês. “Momentos depois, fui avisado que o trem não sairia. Como precisava me apresentar no quartel, numa cidade próxima de HIROSHIMA, decidi ir a pé no dia seguinte”, prossegue ele, que se mudou em 1955 para SANTO ANDRÉ, GRANDE ABC. Para OKADA, a dimensão da destruição foi vista enquanto fazia a travessia da cidade, que durou cinco horas. “Um dia depois, árvores, postes e casa ainda queimavam. Não vi uma mosca, nem um ser vivo naquele dia. Um sentimento que não sei explicar até hoje”. No instante da explosão, 80 mil pessoas morreram, outras 60 mil faleceram no decorrer dos anos – vítimas de leucemia ou outros tipos de câncer, além de doenças hepáticas. Anos depois, inúmeras crianças ainda nasciam com defeitos devido a alterações genéticas. Segundo a Associação das Vítimas da Bomba no BRASIL, existem atualmente 140 sobreviventes no país, e muitos deles ainda sofrem em decorrência da exposição à radioatividade. Mas o maior de todos os danos causados é o preconceito, pelo temor que as gerações futuras venham a desenvolver qualquer anomalia genética. O projeto MANHATTAN foi o esforço dos EUA durante a 2ª Guerra Mundial para fazer a primeira bomba atômica. Liderados inicialmente pelo presidente FRANKLIN DELANO ROOSEVELT, dezenas de cientistas realizaram estudos para manipular o urânio de tal modo a torná-lo próprio para a construção da bomba. Munidos de informações sobre os planos da ALEMANHA nazista de desenvolver tal arma, cientistas alemãs persuadiram ALBERT EINSTEIN a alertar ROOSEVELT a iniciar pesquisas sobre energia nuclear. Em carta de 2 de agosto de 1939, o físico detalhava, ainda sem noção de seu real poder, a destruição que uma arma usando o urânio poderia causar, e a necessidade dos EUA em se apressar para desenvolvê-la. No final de 1941, os americanos deram início ao seu programa nuclear, finalizado em 1945, e que consumiu dois bilhões de dólares. O passo mais importante do projeto foi dado por ENRICO FERMI, físico nuclear fugido do regime fascista italiano, que realizou uma reação de fissão em cadeia controlado na Universidade de CHICAGO. O projeto MANHATTAN resultou em três bombas: “GADGET”, feita de plutônio e testada no deserto de NEVADA, nos EUA; “LITTLE BOY”, feita de urânio e lançada em HIROSHIMA; e “FAT MAN”, bomba de plutônio jogada sobre NAGASAKI. Após a rendição dos nazistas e o fim da guerra, ficou claro que a ALEMANHA não tinha condições de desenvolver a bomba.



75 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

LIZ BATISTA - ACERVO ESTADÃO

06/08/2020 | 03h13   

Saiba como Estadão cobriu o uso da devastadora arma que mudou o mundo

Imagens da  explosão da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima em 06/8/1945.

Imagens da  explosão da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima em 06/8/1945. Foto: Reuters

“A maior e mais poderosa bomba já fabricada em toda a história da humanidade”. Há 75 anos, o presidente americano Harry S. Truman utilizou essa frase para descrever a bomba atômica, arma que ele ordenou que fosse usada no ataque aéreo contra as cidades japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945 e Nagasaki, três dias depois, durante a ofensiva de arrasamento total do Japão no final da Segunda Guerra Mundial. A bomba contra Hiroshima é lembrada como um dos grandes horrores que marcaram o conflito - ela foi lançada sem nenhum alerta no centro da cidade, matou 140 mil pessoas, sendo mais de 90% civis não combatentes, mulheres e crianças. Metade das vítimas morreram instantaneamente. 

> Estadão - 07/8/1945

> Estadão - 07/8/1945

> Estadão - 07/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

Ainda hoje, a frase proferida por Truman define com precisão o armamento. Um invento tão devastador que causou a morte estimada de mais de 200 mil japoneses, deu origem ao termo “arma de destruição em massa” e transformou os conceitos de destruição mútua e aniquilação nuclear em um temor global durante o período da Guerra Fria.

> Estadão - 09/8/1945            > Estadão - 11/8/1945 

> Estadão - 09/8/1945     > Estadão -11/8/1945

> Estadão - 09/8/1945     > Estadão -11/8/1945  Foto: Acervo/Estadão

Os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, não definiram apenas o final da Segunda Guerra Mundial - oficializado com a rendição oficial do Japão em 2 de setembro daquele ano - mas marcaram profundamente o mundo pós-guerra. As bombas atômicas de 1945 foram as únicas utilizadas em conflitos em toda a História. 

 

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

Devastação causada pela explosão da bomba atômica em Hiroshima.

Devastação causada pela explosão da bomba atômica em Hiroshima.  Foto: U.S. National Archives via REUTERS

A cobertura. O anúncio da detonação das bombas, a extensão dos danos causados, a assombroso número de vítimas, a acusação japonesa de violação do Direito Internacional Humanitário pelos Estados Unidos e a capitulação do Japão foram noticiados pelo Estadão. No período o jornal estava sob intervenção da ditadura do Estado Novo e a imprensa era regulada pela censura de guerra.

Selecionamos 10 trechos da cobertura que remontam os dias que sucederam os ataques, dias marcados pela percepção de que mundo nunca mais seria o mesmo. 

1 - Foi através de um comunicado oficial feito pelo presidente americano Harry S.Truman que o mundo ficou sabendo que uma bomba atômica havia sido usada no ataque desfechado contra a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de agosto de 1945.

>Estadão - 7/8/1945

> Estadão - 7/8/1945

> Estadão - 7/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

 

2 - No comunicado, Truman informava que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima tinha “mais potencia que uma carga de 20 mil toneladas de T.N.T”, tratando-se da “maior bomba até agora conhecida na história da guerra”

3 - O Estadão de 9/8/1945 relatava o trágico cenário após o ataque à Hiroshima. Segundo o boletim de uma rádio de Tóquio a bomba havia havia matado “todos os seres vivos, homens e animais de Hiroshima”, quem estava fora de casa morreu queimado, "os que se encontravam no interior das casas foram mortos pela pressão e calor indescritíveis". O comunicado dizia que "o projétil atômico ocasionou a maior destruição instantânea já alcançada pela mão do homem em todas as épocas"

> Estadão - 09/8/1945

 

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

4 -  Ainda sobre o poder destrutivo da bomba atômica, relatos de Hiroshima diziam que era “impossível distinguir entre os homens e mulheres mortos pelo fogo.” Nos telegramas, o Japão lembrava que a Convenção de Haia considerava imperdoável ataques contra cidades abertas.

5 - As primeiras fotografias feitas por aviões de reconhecimento após o ataque foram descritas assim: "A primeira fotografia mostra que um calor comparável ao de um corpo estelar generalizou-se pela cidade quando a bomba atômica explodiu no coração de Hiroshima"

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

6 - As informações publicadas em 8/8/1945 falavam sobre um novo ultimato a ser enviado ao Japão sob a ameaça de novos bombardeios atômicos. No dia seguinte, em 9/8/1945  as forças americanas  lançavam uma bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki. 

7 - A edição do dia 10/8/1945 noticiou o uso da segunda bomba atômica contra o Japão, no bombardeio à Nagasaki. A nota dizia que a cidade havia sido “riscada do mapa”

> Estadão - 10/8/1945

 

> Estadão - 10/8/1945

> Estadão - 10/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

8 - Uma descrição do cenário assolador em Nagasaki ,12 horas após o ataque, foi publicada na edição do dia 11/8/1945. “Nagasaki era uma massa informe de fumaça e fogo (…) Afastamo-nos convencidos de que era impossível ter ficado algo com vida na zona afetada”, relatou um repórter. 

9 - A edição do dia 11/8/1945  publicou o protesto do Japão contra as bombas atômicas. O país solicitava em nota que fosse suspenso “imediatamente o emprego de armas tão desumanas  como a bomba atômica” e dizia que os bombardeios constituíam um “novo crime contra a humanidade e a civilização.”   

10 - Em 12/8/1945, o Estadão publicou um comunicado do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, que afirmava que a radiação das bombas não provocaria “efeitos nocivos posteriores” à sua explosão. Hoje sabe-se que milhares de sobreviventes dos bombardeios morreram em decorrência dos efeitos da radiação e que as gerações seguintes também sofreram com problemas graves de saúde. 

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