126 a. nasce
HENRIQUE BATISTA DUFFLES TEIXEIRA LOTT, militar brasileiro, em 16 de novembro
de 1894, em ANTONIO CARLOS, MINAS GERAIS. Falece em 19 de maio de 1984. Estudou
no Colégio Militar do Rio de Janeiro, foi comandante do Batalhão Escolar em
1910, na Escola
Militar de Realengo. Formado aspirante a oficial em 1914. Foi adido
militar do Brasil em Washington, Estados Unidos. Em 1944 chegou ao generalato. Na crise de 1954 assinou o
documento em que os generais, com receio de um golpe de estado devido à instabilidade
política, exigiam o afastamento de Getúlio Vargas do poder em meio às inúmeras
denúncias de corrupção.
Caracterizava-se pelos seus hábitos metódicos, pelo seu respeito à hierarquia
militar e ao governo constituído. Após o suicídio
de Vargas, Café Filho assumiu
a presidência da República e nomeou Teixeira Lott ministro de Guerra, devido às
pressões da caserna (sobretudo de oficiais generais), mas especialmente visando
afastar a influência do general pró-Vargas, Newton Estillac
Leal, sobre os militares. Quando Juscelino
Kubitschek e João Goulart venceram
as eleições presidenciais de outubro de 1955 - respectivamente para presidente
e vice-presidente -, houve uma divisão das Forças Armadas, pois a chapa vitoriosa era
constituída por um candidato getulista (João Goulart) e outro antigetulista
(Juscelino Kubitschek), um gaúcho e um mineiro. Em 11 de novembro o então
general Lott desencadeou o movimento militar, dito de "retorno ao quadro
constitucional vigente". Houve então a declaração do impedimento do
presidente em exercício, Carlos Luz (Café
Filho havia sofrido um infarto e afastara-se da presidência), a entrega de seu
cargo ao presidente do senado Nereu Ramos e a
garantia da posse dos eleitos, em obediência à Constituição.
No início de 1956, Lott continuou como ministro da Guerra no governo de JK,
pois garantira a posse do presidente, mobilizando as tropas nas ruas. Foi
quando recebeu uma espada de ouro da comunidade defensora da legalidade
constitucional (segundo familiares e amigos próximos, Lott teria recusado a
espada de ouro, ao brandir sua tradicional espada de general). Este
acontecimento ficou conhecido como Movimento de
11 de Novembro. Se distinguiu pelo legalismo e por suas convicções democráticas. Na eleição
presidencial brasileira de 1960, o Marechal Lott, já na reserva, foi
postulado candidato à Presidência da República pela coligação governista PTB/PSD
que elegera JK em 1955 e dera sustentação ao governo deste e recebeu apoio de
Juscelino. A campanha de Teixeira Lott foi uma das primeiras a contar com um
planejamento profissional, com técnicas de marketing político importadas dos
Estados Unidos. O jingle utilizado em sua campanha é considerado um dos
melhores já feitos em campanhas eleitorais no Brasil. Porém fora derrotado por Jânio Quadros. Após isso tentou ainda
permanecer na vida pública. Em 1961 declarou-se contrário à tentativa de golpe
planejada pelos ministros militares para impedir a posse de João Goulart após a
renúncia de Jânio e foi de extrema importância para a Campanha da
Legalidade de Brizola ao aconselhar a buscar apoio em chefes
militares nacionalistas locais. No caso, os generais de Exército Oromar Osório,
comandante em Santiago, e Peri Constant
Bevilacqua, comandante em Santa Maria. Para assegurar a legalidade,
em 26 de agosto de 1961 (dia seguinte à renúncia do presidente Jânio Quadros),
fez um importante manifesto às Forças Armadas: Aos meus camaradas das Forças
Armadas e ao povo brasileiro. Tomei conhecimento, nesta data, da decisão do
Senhor Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denis, manifestada ao representante
do governo do Rio Grande do Sul, deputado Rui Ramos, no Palácio do Planalto, em
Brasília, de não permitir que o atual Presidente da República, Sr. João
Goulart, entre no exercício de suas funções, e ainda, de detê-lo no momento em
que pise o território nacional. Mediante ligação telefônica, tentei demover
aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado.
Embora afastado das atividades militares, mantenho um compromisso de honra com
a minha classe, com a minha pátria e as suas instituições democráticas e
constitucionais. E, por isso, sinto-me no indeclinável dever de manifestar o
meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.
Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da
produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo
em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e
preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os
meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições
legalistas que marcam sua história no destino da Pátria. Por conta desse
pronunciamento, no qual se contrapunha ao Ministro da Guerra -que era contrário
à posse de João Goulart - Lott foi preso. Estava em seu apartamento em
Copacabana, com a família, quando chegaram militares para prendê-lo. Todavia, o
marechal recusou-se a ser detido por um oficial de patente inferior à sua e
exigiu que fosse cumprida a hierarquia militar. Aguardou, assim, a chegada do
marechal Nilo Sucupira, para finalmente sair. Lott recebeu uma pena de 30 dias
de prisão (dos quais cumpriu 15), sendo três dias na inóspita Fortaleza da
Laje. Após o Golpe Militar de
1964, residindo em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, em 1965, foi impedido, pela
Justiça
Eleitoral, de lançar sua candidatura ao governo do então [estado da
Guanabara]. Foi declarado inelegível por falta de domicílio regular. O Marechal
afastou-se definitivamente da vida pública por não concordar com o regime militar
que estava iniciando no Brasil. Quando faleceu
em 1984, seu enterro aconteceu sem honras militares. O Ministério do
Exército tentou minimizar e justificar o fato, mas a imprensa da
época divulgou a ausência das honras militares no enterro de Lott. Leonel Brizola, na época governador do Rio
de Janeiro decretou luto oficial de
três dias e declarou que, na sua volta do exilio, a primeira pessoa que visitou
foi o marechal. Cerca de trezentas pessoas compareceram ao seu enterro. Na
ocasião, seu grande amigo Sobral Pinto declarou
... se tivesse ido para a presidência do Brasil, teria instaurado um governo
de legabilidade e de respeito à pessoa humana, e uma vinculação com partidos
políticos, porque era um democrata sincero, inteligente e honrado. Com Lott na
presidência, não teríamos ditadura militar durante vinte anos, não teríamos a
falência nacional. Nada disso teria acontecido. Quando a vida e a carreira
política de Juscelino
Kubitschek é mostrada na TV ou no cinema, a presença de Lott é quase
que obrigatória, por causa de sua importância histórica neste período. No filme
Bela Noite para
Voar, de 2005, é vivido pelo ator Cecil Thiré. Em JK (minissérie), de 2006, é interpretado
por Arthur Kohl.
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