domingo, 20 de dezembro de 2020

57 ANOS DO FALECIMENTO DO GENERAL EUCLYDES DE OLIVEIRA FIGUEIREDO, EM 20 DEZEMBRO DE 1963.

 





Euclides de Oliveira Figueiredo (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1883 — Campinas, 20 de dezembro de 1963) foi um general e político brasileiro, tendo exercido o mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.[1][2][3][4][5] Um de seus filhos, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, foi o 30º Presidente do Brasil.

Biografia

Euclides de Oliveira Figueiredo [nota 1]nascido em 12 de novembro de 1883, no Rio de Janeiro, filho mais novo de João Batista de Oliveira Figueiredo e de Leopoldina de Oliveira Figueiredo. Seu pai era servidor do Tesouro Nacional e participou da Guerra do Paraguai, contribuiu na criação do inédito serviço de intendência do Exército brasileiro. A sua irmã, Emerenciana, passou a cuidar de sua educação quando tornou-se orfão.[2][3][4]

Em 1893 ingressou no Colégio Militar e depois na Escola Militar da Praia Vermelha onde se graduou. Foi um dos revoltosos na revolta da vacina obrigatória. Contudo, Euclides e demais revoltosos foram presos, mas, posteriormente perdoados tornando a ativa no serviço militar.[3][4][5][6]

Cursou ciências físicas e matemáticas na então Escola de Artilharia e Engenharia do Realengo, tendo em 1911 iniciado um estágio no Regimento de Cavalaria do Exército da Alemanha, em Ohlau, então Prússia Oriental, atual Polônia. De volta ao Brasil, fundou junto com demais colegas oficiais também recém-chegados do estágio no Exército Alemão, como Bertoldo Klinger e Estevão Leitão de Carvalho, a revista A Defesa Nacional.[3][4][5]

Naquele periódico, ele e seus colegas defendiam ideias, como a que punha em prática uma lei que determinava o recrutamento por sorteio, o que veio a ocorrer em 1916. Também defendia uma ampliação da educação militar em instituições de nível médio e superior, além da própria revitalização tecnológica e revisão das doutrinas militares no Exército Brasileiro.[3][4][5]

A doutrina militar alemã, que adquiriu em suas experiências no Exercito daquele país, marcou nas suas convicções militares e defendeu a sua incorporação nas Forças Armadas Brasileiras em oposição a doutrina francesa predominante na época. Os respectivos oficiais da coordenação da revista receberam posteriormente pelos seus desafetos a denominação pejorativa de “jovens turcos”, numa referência aos militares da Turquia, que igualmente aos brasileiros, buscaram modernizar o seu Exército depois de estagiarem na Alemanha.[3][4][5][7]

Participou na Revolta do Contestado, na contenção aos revoltosos, num conflito ocorrido na divisa entre Paraná e Santa Catarina. Graças a sua atuação nessa campanha militar, ele foi condecorado. Após esse episódio, assumiu como adjunto do estado-maior da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, posteriormente como instrutor da Escola Militar do Realengo, e vindo a assumir como adjunto do Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, ocasião em que obteve a patente de capitão.[3][4][5]

Em 1922, com a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana liderou um grupo de oficiais que conteve os tenentes revoltosos. Contudo, evitou o uso da força, deliberando com os revoltosos termos para o fim das hostilidades e reformando os revoltosos. Naquele mesmo ano, já com a patente de Major, assumiu como oficial-de-gabinete do ministro da guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho.[3][4][5]

Em 1924, foi promovido a tenente-coronel e continuou lotado no gabinete do Ministério da Guerra. Contudo, passou anos mais tarde para o comando do 1º Regimento de Cavalaria Divisionária.[3][4]

Durante a Revolução de 1930, já com a patente de Coronel, foi preso pelos revoltosos por se negar a aderir ao movimento. O evento resultou na deposição do presidente Washington Luís e na composição de um governo provisório que entregou a presidência interina a Getúlio Vargas. Euclides Figueiredo posteriormente foi libertado, mas nos meses que se passaram tentou obter a reforma militar por não aceitar servir àquele governo.[3][4][5]

Euclides Figueiredo na Revolução Constitucionalista de 1932. Ao centro: General Euclides Figueiredo, Coronel Palimércio de Rezende e o então Capitão Aristóteles Ribeiro.

Após esse episódio, Euclides Figueiredo passou a conspirar contra o então governo provisório, reunindo-se com outros também opositores ao regime. Esse processo veio a culminar na Revolução Constitucionalista de 1932 em que comandou as tropas da região do Vale do Paraíba no Estado de São Paulo ao longo dos três meses de conflito. Naquela frente de combate empregou estratégias militares baseadas na doutrina alemã, a exemplo a defesa em profundidade, para fazer frente a ofensiva das tropas federais que avançavam rumo a capital paulista. Porém, com a derrota militar do Exército Constitucionalista no início de outubro, ele e outros lideres foram presos e exilados em Portugal.[8]Em seu livro, Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista, em relação àquele conflito afirmou:[3]

Obtendo a anistia já em 1934, continuou a sua oposição a Getúlio Vargas, inclusive participando de articulações malogradas em 1935 junto com Palimércio de Rezende e outros oficias. Com o Golpe de 1937, que resultou no Estado Novo, foi novamente preso e exilado no estrangeiro.[3][4]

Ao fim do Estado Novo, foi eleito deputado constituinte em 1946, pela UDN, onde participou da aprovação da Constituição de 1946 que trouxe novamente o sistema democrático e o Estado de direito ao país.[9] Naquele mesmo ano, foi também reintegrado ao Exército Brasileiro e promovido a general, mas imediatamente passando para a reserva em função do cargo político. Após o mandato parlamentar, tentou sem êxito nas Eleições de 1950 uma vaga no Senado pelo Distrito Federal e nas Eleições de 1954 perdeu novamente a eleição, dessa vez para deputado federal.[4][3]

Teve seis filhos: o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, presidente da República durante o Regime Militar; o general Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho; o general Diogo de Oliveira Figueiredo; Luiz Felipe de Oliveira Figueiredo; Maria Luiza de Oliveira Figueiredo; e o escritor premiado Guilherme de Oliveira Figueiredo.[10][11]

Homenagens

Pelo país há inúmeros logradouros e instituições públicas nomeados em memória ao General Figueiredo. Entre eles está a EMEF General Euclydes de Oliveira Figueiredo da cidade de São Paulo.[12]Também há outra EMEF General Euclydes de Oliveira Figueiredo na cidade do Rio de Janeiro.[13] Ainda em São Paulo, há a rodovia SP-563 Euclides de Oliveira Figueiredo e, em Cubatão, há a Praça General Euclides de Oliveira Figueiredo também em sua memória.[14] Existe ainda entre os logradouros com esse nome, a Avenida Euclydes Figueiredo em Aracaju, um dos mais importantes eixos viários da capital sergipana.

Publicações

  • Figueiredo, Euclydes de Oliveira (1983). De um Observador Militar. Rio de Janeiro: Câmara dos Deputados
  • Figueiredo, Euclydes de Oliveira (1954). Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo: Martins
  • Figueiredo, Euclydes de Oliveira; et al. (1933). Nós e a Dictadura: a jornada revolucionária de 1932. Rio de Janeiro: scp

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