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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
85 ANOS DO PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS, EM 1º DE JANEIRO DE 1936.
85 a. PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE
GETÚLIO VARGAS. A 1º de janeiro de 1936, por ocasião da passagem do ano, ainda
sob o pungente impacto da Intentona Comunista de 27 de novembro, o Presidente
da República incluiu no discurso que dirigiu à Nação, as seguintes palavras: "Alicerçado
no conceito materialista da vida, o comunismo constitui-se o inimigo mais
perigoso da civilização cristã. À luz da nossa formação espiritual, só podemos
concebê-lo como o aniquilamento absoluto de todas as conquistas da cultura
ocidental, sob o império dos baixos apetites e das ínfimas paixões da
humanidade - espécie de regresso ao primitivismo, às formas elementares da
organização social, caracterizadas pelo predomínio do instinto gregário e cujos
exemplos típicos são as antigas tribos do interior da Ásia. Em flagrante
oposição e inadaptável ao grau de cultura e ao progresso material do nosso
tempo, o comunismo está condenado a manter-se em atitude de permanente
violência, falha de qualquer sentido construtor e orgânico, isto é, subversiva
e demolidora, visando, por todos os meios, implantar e sistematizar a desordem
para criarem-se, assim, condições de êxito e oportunidades que lhe permitam empolgar
o poder para exercê-lo tiranicamente, em nome e em proveito de um pequeno grupo
de ilusos, de audazes e de exploradores, contra os interesses e com o
sacrifício dos mais sagrados direitos da coletividade. Nunca poderá vencer,
portanto, utilizando a propaganda aberta e franca, feita lealmente e sem temor
à verdade, para dominar a vontade das maiorias, pelo exercício do voto livre.
Bem diversos, daí, os seus métodos e expedientes de expansão e proselitismo.
Pregando ou conspirando, os seus apóstolos jamais confessam o que são, mas, ao
contrário, desdizem-se ou se declaram, quando mais corajosos, socialistas
avançados ou pacíficos simpatizantes das ideias marxistas. A dissimulação, a
mentira, a felonia constituem as suas armas, chegando, não raro, à audácia e ao
cinismo de se proclamarem nacionalistas e de receberem o dinheiro da traição
para entregar a Pátria ao domínio estrangeiro. Sejam quais forem os disfarces e
os processos usados, os adeptos do comunismo perseguem invariavelmente os
mesmos fins. Como por toda parte, também entre nós distribuem-se por categorias
de fácil identificação. Há os conspiradores, partidários da violência, querendo
precipitar os acontecimentos pelos golpes de força e pela técnica da rebelião,
certos de que nunca poderão contar com a maioria da representação política, ou
antes, seguros de que terão de enfrentar sempre a repulsa integral do povo
brasileiro. Esses são, pelo menos, coerentes, porquanto o regime soviético visa
precisamente instituir o governo das minorias opressoras, escravizando a
inconsciência das maiorias. Há os pregadores, os professores, os doutrinadores
do comunismo, disfarçados em marxistas, em ideólogos de nova era social,
mistificadores de toda casta, perniciosos e astutos. São os que envenenam o
ambiente, turvam as águas, não praticando, mas ensinando o comunismo nas
escolas, distribuindo livros sectaristas, propinando o veneno e protestando
inocência a cada passo, pois não invocam, na sua lábia, a violência e sim a
modificação evolutiva dos valores universais. Tão perigosos quanto os outros,
definem-se pela pusilanimidade e pela hipocrisia com que se mascaram,
adaptando-se às exigências do meio social onde vivem e de cujo trabalho se
mantêm parasitariamente. Nas promessas abundantes e falazes, os nossos comunistas
imitam os apóstolos do bolchevismo russo, evitando, porém, relembrar como
conseguiram sovietizar a Rússia. Também eles se diziam protetores do
proletário, e suprimiram a sua liberdade, instituindo o trabalho escravo;
prometiam a terra, e despojaram os camponeses das suas lavouras, forçando-os a
trabalhar por conta do Estado, sob o jugo de uma ditadura feroz, reduzidos
ainda a maior miséria. Padrão eloquente e insofismável do que seria o comunismo
no Brasil tivemo-lo nos episódios da baixa rapina e negro vandalismo de que
foram teatro as ruas de Natal e de Recife, durante o surto vergonhoso dos
implantadores do credo russo, assim como na rebelião de 27 de novembro, nesta
Capital, com o registro de cenas de revoltantes traições e até de assassínio
frio e calculado de companheiros confiantes e adormecidos. Os fatos não
permitem mais duvidar do perigo que nos ameaça. Felizmente, a Nação sentiu esse
perigo e reagiu com todas as suas reservas de energias sãs e construtoras. A
quase unanimidade das forças políticas do País, integradas todas na opinião
pública, mobilizou-se para fortalecer o Governo na adoção das medidas
necessárias para agir dentro da lei e dar maior eficiência às suas decisões
repressivas. Confortador, sob todos os aspectos, foi esse movimento da opinião
nacional, através dos órgãos mais autorizados de todas as atividades políticas,
econômicas e sociais do País. O Poder Legislativo colocou-se à altura das
responsabilidades do momento, demonstrando que a estrutura democrática do
regime possui flexibilidade bastante para sobrepor-se aos assaltos do
extremismo subversivo e demolidor. A rápida e vigorosa ação das Forças Armadas,
repelindo e dominando, nesse lance lamentável, as ambições e o desnorteamento
de alguns maus militares, foi exemplarmente patriótica. Evidenciando-lhes o
espírito de lealdade e civismo, serviu para demonstrar, ao mesmo tempo, a
conveniência de se conservarem afastados e à margem das lutas políticas, para
melhor se consagrarem ao tirocínio das atividades profissionais, ao culto da
disciplina e da obediência aos poderes constituídos, ao devotamento pela
segurança pública e pela integridade da soberania nacional. Outra reação
exemplificante, no combate ao surto extremista, foi a do trabalhador
brasileiro, que de modo explícito negou solidariedade aos empreiteiros da
desordem. O programa apregoado pelos sectários do comunismo no Brasil,
ignorantes do que vai pelo País e vazios de idéias válidas, incluía como
aspiração do proletariado nacional, reformas já executadas e em pleno vigor. O
nosso operário nada teria a lucrar com o regime soviético. Perderia, pelo
contrário, as conquistas obtidas como concessão espontânea dos poderes
instituídos, em troca da submissão ao trabalho forçado e coletivo. Basta
referir para tanto, os direitos e os benefícios assegurados a nossos
trabalhadores desde 1930, como sejam a organização sindical, a lei das 8 horas,
a regulamentação do trabalho das mulheres e das crianças, a lei chamada
"dos 2/3", obrigando o aproveitamento de dois terços de nacionais em todos
os estabelecimentos do comércio e da indústria, a aplicação da lei de férias, a
representação de classes e finalmente a instituição de grande número de
institutos de previdência social, garantidores da subsistência na velhice ou na
invalidez, amparando o futuro das famílias, na desgraça ou na orfandade, para
os comerciários, bancários, empregados de empresas de transporte, marítimos,
estivadores e demais colaboradores da riqueza e do bem-estar coletivo."
[Transcrito de EM GUARDA (Contra o comunismo) - Coletânea organizada pela
Biblioteca Militar (atual Biblioteca do Exército) - Imprensa do Estado-Maior do
Exército - 1937.] Transcrito do livro "Lembrai-vos de 35!"- Gen
Ferdinando de Carvalho-Bibliex- 1981.
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