EXTRAÍDO DE MEMÓRIAS DO VENTURA
57 a. do
MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE 1964. O GOLPE MILITAR de 31 de março de 1964, que
jogou o País numa ditadura de VINTE ANOS, foi o resultado de uma longa
articulação da caserna, mas não obedeceu ao plano previsto. A estratégia
original, imaginada pelo General HUMBERTO DE ALENCAR CASTELLO BRANCO
(1900-1967), chefe do Estado Maior do Exército e principal articulador do
golpe, era tornar-se o mártir inspirador do movimento, que seria deflagrado no
dia 2 de abril e poderia durar até dois meses. A descrição detalhada dessa
operação é uma das informações inéditas do livro CASTELLO – A MARCHA PARA A
DITADURA, do jornalista LIRA NETO, a mais completa biografia do primeiro
presidente do regime militar. O plano de CASTELLO, o livro de LIRA, um cearense
que vasculhou durante seis anos o passado do ilustre conterrâneo e compilou 300
entrevistas, era forçar o então presidente JOÃO GOULART a exonerá-lo. Depois de
articular todo o movimento militar junto com o general ARTUR DA COSTA E SILVA,
e do acirramento da disputa entre JANGO e a linha dura do exército, CASTELLO
não esperava se manter no cargo. De fato, conta LIRA, a exoneração de CASTELLO
estava nas mãos do ministro interino da GUERRA, MORAIS ÂNCORA. “Quando CASTELLO
recebesse o comunicado de sua exoneração, iria se recusar a entregar o cargo”,
relata o livro. “Assim, ele não deixaria a JANGO outra alternativa senão a de
mandar prendê-lo. A voz de prisão dada ao chefe do Estado Maior seria,
portanto, o sinal para o levante. A notícia deveria ser espalhada rapidamente,
pelo telefone. “O doente baixou à enfermaria”, era a senha combinada. Havia
outra: “O bebê acabou de nascer”. O próprio JANGO, porém, se encarregaria de
apressar ainda mais o parto”. Pelo plano de CASTELLO, as tropas de MINAS e SÃO
PAULO se deslocariam ao mesmo tempo para o RIO. Movimentos paralelos seriam
deflagrados no NORDESTE e no RIO GRANDE DO SUL. “Previam-se entre

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