segunda-feira, 19 de abril de 2021

80º ANIVERSÁRIO DO CANTOR ROBERTO CARLOS (19 DE ABRIL DE 1941/2021)

 




  80 a. nasce o cantor ROBERTO CARLOS no dia 19 de abril de 1941, numa casa da Rua JOÃO DE DEUS MADUREIRA, em CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM, interior do ESPÍRITO SANTO. Filho temporão do relojoeiro ROBERTINO BRAGA e da costureira LAURA MOREIRA BRAGA, ROBERTO só era novo demais para saber construir outra de suas paixões: o carrinho de rolimã. Foi mais um incentivo ao gosto pelos automóveis que o caçula já demonstrava nas brincadeiras de rua, fosse mexendo na boléia de um caminhão estacionado ou no motor da carcaça de um trator no terreno vizinho. Isso quando não viajava com a família para MARATAÍZES, no litoral capixaba, durante as férias escolares. Mas a infância do cantor lhe reservaria uma tragédia que ROBERTO sempre se recusou a comentar. ROBERTO estava brincando perto dos trilhos quando distraiu-se com a banda de sua escola, JESUS CRISTO REI, e não percebeu uma manobra de retorno do trem que cruzava sua cidade natal. Na curva, o veículo passou por cima de sua perna, atingida na altura da canela. O cantor tinha 6 anos na época. Ficando mais tempo em casa ele pôde ouvir com maior freqüência a mãe tocar violão e cantar sucessos da época. Não demorou para que ele freqüentasse as aulas do Conservatório Musical de CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM; primeiro foram aulas de piano, depois as de violão e por último de violino, abandonado graças à impaciência do menino com aulas teóricas.  No programa infantil de JAIR TEIXEIRA, substituído no dia da apresentação do futuro cantor por MARQUES DA SILVA, o filho de LADY LAURA cantou o bolero “AMOR Y MÁS AMOR”, gravado por FERNANDO BOREL. Anos mais tarde, ROBERTO falaria sobre seu estado de espírito naquela ocasião. “Nunca fiquei tão nervoso na vida. As pernas tremiam”. A partir dos doze anos, o acidente sofrido na infância voltou a contribuir, mesmo indiretamente, com a carreira musical. Levado pela mãe em cansativas viagens de trem ao RIO, onde ganhou a primeira prótese e abandonou as muletas, o aprendiz de cantor aproveitava para tentar a sorte em programas infantis nas rádios. Aos 14 anos, após um período de férias na casa de sua tia JOVINA, a DINDINHA, em NITERÓI, teve autorização dos pais para continuar morando lá. Um ano depois, toda a sua família se mudou para o RIO. Na capital federal da época, ROBERTO conseguiu o primeiro emprego, arranjado pela mãe, bem longe da vista de artista. Aos 16 anos, era datilógrafo do Ministério da Fazenda, função que exerceu por pouco tempo, até ser admitido como funcionário administrativo da RÁDIO MEC (Ministério da Educação), onde ficou durante quase todo o ano de 1957. Apesar de continuar a trabalhar longe dos microfones, o futuro cantor pôde intensificar seu périplo pelas rádios na tentativa de começar uma carreira. Admirador do repertório romântico de TITO MADI e DOLORES DURAN, ROBERTO cedeu à energia do rock recém-descoberto. E foi cantando “TUTTI FRUTTI”, de ELVIS PRESLEY, que ele se apresentou pela primeira vez na televisão, no programa TELETOUR, da TV TUPI. A oportunidade surgiu durante os intervalos das aulas de datilografia da Escola ULTRA, quando o cantor aproveitava para mostrar o que sabia na sala de música, junto com amigos do curso. Assistente de CHIARA DE GARCIA, na época produtor do programa da TUPI, o ator OTÁVIO III estava na escola, gostou do que ouviu e convidou o aspirante a cantor. Foi também através da ULTRA que ROBERTO CARLOS começou a fazer parte da turma do MATOSO, levado pelo colega de escola ARLÊNIO LÍVIO. Integrante do grupo que se encontrava na RUA DO MATOSO, na TIJUCA, ARLÊNIO apresentou o amigo a ÉDSON TRINDADE, JOSÉ ROBERTO CHINA, WELLINGTON e SEBASTIÃO (TIM) MAIA. Era o ano de 1958, e não demorou para que os seis acabassem formando o THE SPUTNICKS, a primeira banda de ROBERTO CARLOS. Impulsionados pelo sucesso mundial do compacto com a música “ROCK AROUND THE CLOCK”, de BILL HALLEY E SEUS COMETAS, o cantor e seus novos amigos deram vazão à veia roqueira que marcaria o início de suas carreiras. Entre eles, gostavam de brincar dizendo que ROBERTO era o ELVIS PRESLEY brasileiro, enquanto TIM MAIA fazia as vezes de LITTLE RICHARD. Eram esses astros internacionais, e mais CHUCK BERRY, GENE VINCENT e outros precursores do rock, que faziam parte do repertório dos SPUTNICKS. Para tocar suas músicas sem fazer feio, era preciso conseguir as letras originais. E foi na busca por uma delas que ROBERTO CARLOS iniciou a amizade com o homem que viria a ser seu maior parceiro.

Sucesso na voz de ELVIS PRESLEY no fim dos anos 50, a música “HOUND DOG” teve papel fundamental na vida de ROBERTO CARLOS.  Do encontro inicial com o ídolo, nasceu uma amizade entre ele e ERASMO CARLOS, culminando na maior parceria da música brasileira, responsável por pelo menos 70 grandes sucessos. Mas antes da fama, foi preciso brigar muito. Integrantes da Turma da MATOSO, que se reunia na RUA DO MATOSO, na TIJUCA, ROBERTO e ERASMO viveram de perto a rivalidade entre os jovens das zonas sul e norte do RIO, durante as décadas de 50 e 60. Quase sempre que a Turma da MATOSO resolvia se divertir na zona sul, a festa acabava em briga. Ao lado do melhor amigo, ROBERTO participou de seu primeiro filme, MINHA SOGRA É DA POLÍCIA, de 1959.  Numa cena rápida, o cantor apareceu cantando e tocando guitarra num conjunto que, além de ERASMO, tinha ainda CARLOS IMPERIAL e CAUBY PEIXOTO. Nessa época, TIM MAIA já tinha ido para os EUA, abandonando os SPUTNICKS. Claramente inspirado por JOÃO GILBERTO, o cantor gravou, pela antiga POLYDOR, as músicas “JOÃO E MARIA” e “FORA DO TOM”, mas não fez sucesso. O clima romântico continuou em seu primeiro LP, LOUCO POR VOCÊ, gravado em 1961, já pela COLÚMBIA, gravadora que se transformaria na atual SONY MUSIC e da qual ROBERTO jamais se separaria. Em 1962, gravaria “SPLISH SPLASH”, “PAREI NA CONTRAMÃO” e “O CALHAMBEQUE”. Nascia a JOVEM GUARDA, que viraria mania nacional a partir de 1965, quando, ao lado de ERASMO e WANDERLÉIA, ROBERTO aceitou o desafio de estrelar um programa de televisão. A missão era difícil: manter a audiência das tardes de domingo na tevê RECORD, ameaçada pela proibição das transmissões de futebol.

Em 1965, o cantor receberia em seu camarim a visita de uma professora primária de SÃO PAULO com seus alunos. Foi o primeiro contato com CLONICE ROSSI, a NICE, com quem ROBERTO viajaria para a EUROPA em 1967 e, no ano seguinte, se casaria. Como CLEONICE era separada, e já tinha uma filha (ANA PAULA, nascida em 1965), a união foi consumada em SANTA CRUZ DE LA SIERRA, na BOLÍVIA, numa cerimônia transmitida por rádio para o BRASIL. Antes de casar, porém, o cantor seria pai pela primeira vez, mesmo sem saber disso. Fruto de um rápido relacionamento com LUCILA TORRES, durante uma passagem de ROBERTO por BELO HORIZONTE, RAFAEL nasceu em 1965, mas só conheceu o pai 24 anos depois. Após um longo processo movido por LUCILA, o cantor reconheceu oficialmente o filho em 1991, dois anos após conhecê-lo. Hoje, RAFAEL fala com o pai mensalmente e frequenta reuniões da família. Os outros dois filhos de ROBERTO, DUDU BRAGA e LUCIANA, nasceram do casamento com CLEONICE, numa época em que, além da música, o cantor se aventurava no cinema. Inspirado nos BEATLES, que aproveitavam o sucesso para lançar filmes como HELP e YELLOW SUBMARINE, ROBERTO CARLOS virou astro de cinema em 1967, com ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA. Diretor deste e dos outros dois filmes do cantor, ROBERTO CARLOS E O DIAMANTE COR-DE-ROSA e ROBERTO CARLOS A 300 KM POR HORA, ROBERTO FARIAS recorda o quanto era difícil conciliar as duas carreiras de seu ator.

Passada a fase cinematográfica, a união de ROBERTO com NICE foi marcada pela mudança de estilo do cantor. Durante a década de 70, a agitação da JOVEM GUARDA deu lugar ao romantismo de sucessos como “DETALHES”, “EMOÇÕES” e “CAVALGADA”. Era a vez de os adultos tirarem dos jovens o posto de público alvo do rei da música. A separação de NICE veio em 1978, um ano antes do primeiro contato de ROBERTO com a única mulher com quem se casaria de papel passado. Colega de ANA PAULA, enteada do cantor, MARIA RITA SIMÕES tinha 16 anos quando visitou o camarim do padrasto da amiga, após um show no RIO. A atração entre os dois foi imediata, mas, devido à idade de MARIA RITA, seus pais impediram qualquer aproximação entre o futuro casal. Ainda em 1979, ROBERTO começaria a se envolver com a atriz MYRIAM RIOS, um romance que só se tornaria público um ano depois. Em janeiro de 1980, o cantor e a atriz ainda não tinham anunciado que estavam namorando, mas, segundo amigos dos dois, estavam juntos no barco de ROBERTO, o iate LADY LAURA, quando o cantor soube da morte do pai, ROBERTINO BRAGA. Com MYRIAM, ROBERTO ficaria até agosto de 1980, apesar de a separação só ter sido anunciada oficialmente em janeiro de 1990, na revista MANCHETE. Além do fim do seu segundo casamento, o cantor sofreria outra perda em 1990. No dia 6 de maio daquele ano, morria CLEONICE, vítima de câncer. Mas o ano ainda lhe reservaria uma grata surpresa. Onze anos após sua primeira visita, a professora universitária MARIA RITA voltaria ao seu camarim depois de um novo show no RIO. Dessa vez, sem a obstrução dos pais dela, nada impediu o romance, que seria mantido em sigilo até setembro de 1993. Três anos depois, em abril de 1996, os dois se casariam em segredo numa cerimônia simples, assistida por nove pessoas, entre parentes e amigos do casal, na igreja da URCA, ao lado do prédio onde ROBERTO moraria durante muitos anos. Com MARIA RITA, o cantor reforçaria ainda mais sua fé católica, cujo ápice seria a apresentação para o PAPA JOÃO PAULO II no RIO, diante de um milhão de fiéis, em 1997.  A fé também foi importante para que ROBERTO enfrentasse o mais duro golpe de sua vida. Após uma batalha de um ano e três meses contra um câncer na região pélvica, MARIA RITA morreria no dia 19 de dezembro de 1999, aos 38 anos. Crente na recuperação da mulher até o último momento, o cantor caiu em depressão após sua morte. Manteve-se recluso durante onze meses, até voltar a se apresentar no RECIFE, num show em que mal conseguiu segurar a própria emoção. A saudade continua, assim como o amor pela mulher. Prova disso é o título do disco “PRA SEMPRE”. Foi internado em 14 de abril de 2004 no Hospital Beneficência Portuguesa, em SÃO PAULO, para ser submetido a um cateterismo. ROBERTO CARLOS vinha sentindo dores no peito. Em nota divulgada em 15 de abril, o cantor declarou: “Estou muito bem fisicamente. Não há motivos para preocupações, fiquem tranqüilos. Continuo trabalhando na produção de um CD em espanhol e no próximo show que vou estrear muito em breve. Muito obrigado e um beijo para todos”. Os médicos recomendaram que o cantor controle melhor a sua pressão (que é alta) e os níveis de colesterol. Às 18:20 horas de 17 de abril de 2010 falece sua mãe, LAURA MOREIRA BRAGA, mais conhecida como LADY LAURA.

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